Notas iniciais
Oi, pessoas! Tudo bem? Se chegaram até aqui, é porque vão ler, né? Então não me deixem no vaco e deêm uma checadinha na minha obra-prima!

POV Noan Piece:

Nós andávamos sem rumo pelas ruas frias e escuras de Los Angeles. Apenas eu, Noan Piece, e Dyana (Dy) Smith, mas eu gostava de chamá-la de Loirinha.

Era legal vagar sem rumo. Para deixar os pensamentos livres (e domados pela heroína que não podíamos injetar em casa)... Ou pelo menos era com esse intuito que andávamos com nossas calças de couro e óculos Ray Ban pela bela cidade.

Mas sempre nós duas. Não tinha mais ninguém para nos acompanhar além de nós mesmas. Não que nossa amizade fosse um antro de perdição entre nós mesmas tão grande que ninguém mais podia entrar. Nós só não tínhamos mais ninguém...

Eu tinha vinte e Dy tinha dezoito. Somos apenas crianças, né? Eu fui largada pelo meu pai com 14 anos, e a única pessoa que existia para me proteger dos perigos ‘Holiwoodianos’ era ele. Dyana tem uma irmã e uma tia, mas não vive as Mil Maravilhas. Segundo ela, as duas eram loucas e tomavam remédio para esquizofrenia...

Eu não me surpreendia com mais nada. Além de eu já saber as malícias da vida (e passá-las a Dyana), loucos são esses anos 80. 1985, para ser mais precisa.

- No que está pensando? – eu ouvi a voz de Dyana um pouco mais atrás de mim. A voz fez um eco na ruela, já que a mesma estava vazia. – Você ouviu minha pergunta, por um acaso, Noan?

Olhei meu reflexo nas poças molhadas. Tinha de monte naquela ruela estreita, já que andou chovendo muito. Fiquei observando meu cabelo ‘A lá Elvis’, que todo mundo achava foda, já que era muito diferente (lê-se todo mundo odiava menos eu, já que eles achavam que eu parecia uma sapatona com aquilo), ah, como eu adorava meus cabelos negros... Eu amava também meus olhos claros... Minhas roupas de rock... Meus únicos all stars azuis surrados... E minha guitarra, que estava bem atrás de mim agora...

- Amy Louise Casay! – a menina gritou, e eu levantei a cabeça imediatamente.

- Eu já disse para não me chamar desse nome horrível, porra! – eu me virei para ela e gritei. – Meu nome é Noan Piece, ouviu? Noan Piece!

- Você não me ouviu, tive que apelar! – a menina cruzou os braços e continuou a andar, os sapatos plataforma fazendo um barulho chato no asfalto. Eu comecei a segui-la enquanto esvaziava minha garrafa de Jack Daniel’s.

- Fala o que você quer, de uma vez! – eu falei, enquanto tentava aliviar a dor que veio em minha garganta depois de meia garrafa bebida meio rápido demais.

- Eu perguntei se você vai ao próximo show do Bon Jovi. – ela deu uma arrumada nos cabelos loiros e tragou pelo nariz, uma coisa que ela adorava fazer.

- Ah sim... – eu acionei meu modo sarcástica. – Eu vou pegar meu jatinho particular e vou voar até Tóquio, pois sou rica e gostosa. – eu cheguei mais perto dela e dei um tapa em sua nuca. Ela gritou, mas o grito foi mais de susto do que de dor. – Acorda sua groupie burra! Você acha que eu tenho grana para ir, por acaso?

- Vá bater na vadia da sua mãe, Noan! – a loira berrou. Depois de esfregar a cabeça e me fuzilar com o olhar, ela me abraçou e começou a andar. Eu abracei sua cintura. – Mas eu duvido que você não ache o Mick Jagger bonito. Eu o pegaria.

- Eu nem curto tanto o visual dele assim... – eu fiz uma pausa para beber um gole da minha garrafa. – Mas ele também não curtiria o meu se me visse. E eu sei que você curte o Robert Plant do bom e velho Rock Progressivo, né não? – sorri maliciosamente.

- Ele era lindo... – ela sorriu como se estivesse sonhando acordada. Seu sorriso sumiu imediatamente. – Mas no passado. Agora ele está velho. Continua gostoso, mas pinto de velho nunca é bom...

- Mas como diz o outro... “Não importa se é pinto novo ou velho. A ereção é a mesma.” Ou foi você mesma que disse isso? – eu parei para pensar por um momento, mas eu tinha bebido tanto que doeu a cabeça pensar, então eu apenas mudei de assunto. – Vamos logo ao The Troubador antes que amanheça, ok?

Eu a peguei pelo braço e comecei a puxá-la rumo ao bar mais agitado da cidade, onde se vendia drogas por preços baratos e a bagunça (lê-se putaria) rolava solta.

- Tem mais aí? – perguntou Dy, e aquilo me deixou de certo modo nervosa.

- Você quer mais? – eu sussurrei. Estávamos em um canto afastado do bar. Eu tinha conseguido drogas e estava dando todas a Dyana, já que não iria me drogar naquele dia. Só por garantia guardei algumas no bolso, caso precise. – Vá conseguir dando o cu para o dono dessa merda, então!

- Por favor, Noan! Só mais uma...

De repente uma voz soou por toda a balada, como eu pensei que era algo importante, tapei a boca de Dy com mais droga, para ela calar a boca. Elas as amassou com sua bota de plataforma e começou a cheirar.

“Oi gente, tudo bem?” Sua voz falou amigavelmente por algum megafone ou microfone, provavelmente. “Ouve um pequeno problema com a banda que vai tocar aqui que chama... Guns n’ Roses, e eles só vão tocar daqui a uns quinze minutos...”.

De repente todo o público começou a vaiar e soltar palavrões, até que uma ideia genial caiu com tudo sobre minha cabeça.

- Essa é nossa entrada para o sucesso, Dyana! – exclamei.

- E eu pensando que você não tinha se drogado... – ela começou meio grogue, mas eu peguei minha guitarra e a puxei pelo braço. Em dois tempos estávamos no palco, pedindo licença para o cara gordo que a pouco falara no microfone.

Eu nem falei com o cara e já fui direto falar com os músicos de apoio.

- O que vai, ou melhor, vamos tocar? – perguntou um negro de olhos verdes.

- Vamos tocar... Rock n’ Roll, da Led Zeppelin. – eu abri um grande sorriso. “É hoje!”, pensei, vitoriosa.

POV Steven Adler.

Nós íamos subir pela primeira vez ao palco como ‘Guns n’ Roses’, quando o maldito do Axl engasgou e passou mal. Agora sua voz estava um pouco rouca, mas o Izzy está ajudando ele a se recompor, depois de tentar decompor ele de raiva. Nunca vi o Izzy nervoso... Se bem que os conhecia há poucos meses.

- Isso sempre acontece? – eu perguntei a Slash, a pessoa que eu tinha mais afinidade naquele camarim. Nós estávamos sentados em um sofá esburacado e com cheiro de mofo. Izzy ajudava Axl que tinha perdido quase completamente a voz e massageava a garganta, enquanto Duff bebia... A única coisa que o vi fazer em todos esses longos meses. Nosso produtor apenas observava tudo com cara de desagrado.

Eu conhecia muito pouco os outros, já que eu tinha sido segunda opção deles quando o primeiro baterista saiu.

- Eu não os conheço tão bem quanto você... – Slash observava a cena com um sorriso pequeno no rosto coberto pela enorme cabeleira castanha. – Deve ter sido a primeira vez. Izzy e Axl surtaram feito menininhas.

- Isso vai ficar guardado na memória, sem sombra de dúvida. – eu dei uma risada baixinha.

- Mas e se eles não deixarem a gente se apresentar? – ele pegou uma garrafa de bebida alcoólica e começou a beber. – Por causa da demora, quero dizer? Você não ouviu as vaias?

- Não se preocupe, cara... – eu parei e me levantei imediatamente, guiado pelo som esquisito. – Agora parecem mais aplausos... E gritos...

Logo o Slash e o produtor se levantaram comigo para ir até a parte inferior do palco, e entre os músicos de apoio que tentavam distrair a plateia, estavam duas meninas adolescentes, que tocavam e cantavam com animação.

- Quem são aquelas? – Slash ficou curioso, assim como eu e o produtor, que eu esqueci completamente o nome.

O produtor apenas sorriu e depois que a música delas acabou, as levou até nosso camarim, e pediu que se sentassem à mesa. A loira aceitou de bom grado, enquanto a de cabelo preto se se encostou à parede suja com certo receio.

- Então, qual é o nome de vocês?

- Meu nome é Dyana Smith! – se apresentou a loira animada. – E essa é a Noan Piece.

- Noan não é um nome masculino? – o produtor ficou curioso.

- É sim, algum problema com isso? – a voz rouca da menina assumiu um tom rude, mas sua expressão não mudou nem um pouquinho. Ela se virou para Slash, e ele deu um passo para o lado com medo. – Posso pegar essa bebida? – ela apontou para o rack pequeno abaixo dela, que continha uma bebida.

Slash deu de ombro e a menina (que não era nem um pouco feminina) pegou a bebida e começou a tomá-la com vontade.

-Então... – retomou o produtor que chamava... Ah, esqueçam. – Senhorita Smith, você já participou de alguma banda.

- Somos meio que uma banda de duas pessoas... Duas meninas... – ela sorriu. – Mas não é uma banda oficial.

- E vocês conhecem águem para trabalhar com vocês, caso tenham uma banda?

- Ãnh... – ela olhou a tal de Noan e a garota de um sorriso pra ela enquanto assentia. A Dyana se voltou ao produtor. – Não.

- Bom, então apareçam amanhã às três da tarde aqui... – ele entregou o cartão a loira. – Com uma música ensaiada para vermos no que vai dar.

Dyana Smith pegou o cartão e guardou em sua bolsa. Despediu-se de todos e saiu puxando sua amiga.

- Mas você nos disse que só tinha uma vaga pra gente, e que por esse ano vocês não iam mais patrocinar ninguém! O que aconteceu com essa sua frase? – um Axl nervoso e muito rouco adentrou a sala.

- As coisas mudam, e eu gostei das meninas. – o produtor sorriu, e boa parte da minha felicidade começou a sumir. Talvez todos da banda tenham sentido isso e um pouco de ódio daquelas meninas.

Notas finais
Gostaram? Não gostaram?
Comentem de qualquer jeito, por favor. Ah, e apontem os erros!
Até mais e voltem sempre!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.