The Royalty
16 The Letter
Notas iniciais
— E aí Lisbeth? Gostou do presente? — Perguntou Jackson. Ele era o único que chamava Lizzie assim.
— Hum, claro — respondeu a irmã abrindo um sorriso forçado. Mesmo que quisesse, a princesa nunca teria chance de ganhar aquele boné.
— A Lara eu sei que gostou, ela já tá até usando.
A rainha torceu o nariz.
— Pelo menos dessa vez você não deu um skate. — Ela reclama. — Ela atropelou o governador de Allens com aquele que você deu no natal.
— Em minha defesa, foi ele que entrou na minha frente — diz Lara
— Mas eu disse para você não andar aqui dentro — repreende a rainha.
— O chão lá de fora é horrível! Se tivessem construído uma pista de skate como eu pedi no meu aniversário de dez anos a Lara não teria atropelado ninguém. — Apoia Jackson.
Eleonor revira os olhos
— Às vezes parece que você tem a idade delas. — A rainha diz e o filho ignora.
***
— Onde você estava? – Pergunta Olívia – Você perdeu o anúncio da rainha, achei até que você tinha sido eliminada justo com as outras
— Eu estava no jardim com o príncipe. – Conta Rosie – O que eu perdi foi importante?
— Não tão importante quanto um encontro com o príncipe – intervém Cecília. – Conta mais.
Ao ouvir as palavras “encontro” e “príncipe” várias garotas se juntam em torno de Rosie.
— Ele é muito gentil e cordial. Sinceramente, o encontro foi incrível, nós demos um passeio pelo jardim e do bosque, parecia até que ele sabia o quanto eu gosto da natureza. Tudo parecia perfeito.
Rosie lembrou-se de como tudo aconteceu. Todo o cenário ao redor era perfeito, cada flor, cada folha atravessada pela luz do Sol, o aroma suave de verão...
Dave segurava sua mão suavemente, enquanto guiava Rosie pelas plantas.
— Esse jardim é maravilhoso, deve ser bom ter a natureza sempre ao seu alcance. – Comentou Rosie abrindo um sorriso ainda maior.
— Eu gosto muito de vir passear no jardim, mas tem sido difícil arranjar tempo para passeios ao ar livre. – Explicou o príncipe.
— Entendo, é uma pena desperdiçar um lugar tão lindo. – Rosie baixou a cabeça.
— Chega de falar sobre mim, quero conhecer melhor a senhorita.
— Deixe eu ver, minha maior paixão é a costura, acho incrível como um simples pedaço de pano pode se transformar em algo incrível. Ah, eu também amo fazer o que estamos fazendo agora, passear pelo bosque para colher frutas, sentir o cheiro das flores ou até mesmo deitar na grama e observar o céu, é muito relaxante.
— E como era a sua vida antes da Seleção?
— Bem, apesar de ser da casta 6, as condições não são as piores. Minha mãe é costureira como eu, na verdade foi ela quem me ensinou a tecer. Meu pai trabalhava em um restaurante, mas ficou doente... acho que você sabe como é, me inscrevi na Seleção principalmente por ele.
— É realmente uma pena. Impressionante quantas garotas aqui tem pais doentes. Se eu puder fazer alguma coisa para mudar isso...
— Eu sei que não é a situação do seu pai, mas muitas partes de Illéa, principalmente o sul do país, são muito sujas e tem uma péssima qualidade de vida. Isso com certeza deve influenciar a quantidade de doentes no país. – Opinou Rosie.
— Eu e meu pai estamos trabalhando com isso. Não divulgamos nada para não causar pânico, mas a situação está bem ruim no Sul, pessoas andam se rebelando. – Conta Dave – Ah, desculpe, acabei transformando esse encontro em um debate político. Não queria te chatear com esses assuntos.
Rosie abriu um sorriso doce.
— Você pode contar comigo para o que precisar, mesmo que seja sobre assuntos políticos ou qualquer coisa do tipo, mas você precisa relaxar um pouco. Deitar na grama só olhando o céu sem prensar em nada pode ser calmante melhor que qualquer remédio.
Para a surpresa da Secionada o príncipe deitou-se na grama acatando a sugestão. Logo ela juntou-se a ele. Passaram algum tempo assim, jogando conversa fora, até que um mordomo aparecesse.
— Alteza, Vossa Majestade a Rainha está chamando-o em seu escritório.
Dave revirou os olhos discretamente.
— Sinto muito senhorita, mas eu tenho que ir.
***
Queen analisava os croquis dos vários modelos de vestidos feitos pelas criadas. Todos eram lindos, mas ela já tinha seu favorito. A Selecionada colocou os papéis de lado e pegou a carta que estava evitando a horas.
Uma brisa fresca percorria as extremidades do quarto, tornando o cômodo mais confortável do que o salão das mulheres, mas esse não era o motivo porque Queen preferia aquele lugar. Ela não queria abrir aquela carta na frente das outras garotas, tinha que parecer forte e confiante o tempo inteiro.
Finalmente rompeu o lacre do envelope e iniciou a leitura.
Querida Queen,
Estou tão orgulhosa de você aí no palácio. Você estava linda na entrevista e cada vez mais se parece com uma princesa. Só tenho alguns pontos em que você poderia melhorar:
Suas respostas na entrevista poderiam ter sido mais elaboradas. E que história foi essa de ter mencionado seu pai? Não tinha a menor necessidade e você não vai ganhar a Seleção fazendo-se de coitadinha.
Também soube que você ainda não teve nenhum encontro e sei que você poderia se esforçar mais para fazer isso acontecer. Você é muito melhor que as outras concorrentes, só tome cuidado com aquela Madelyne, sei que ela está aí pelos motivos errados...
Sei que você vai melhorar com essas minhas dicas. Lembre-se de que você nasceu para ser uma rainha.
Mamãe.
Assim que terminou a carta, Queen amassou o papel e jogou a bolinha longe. Porque a mãe não podia ficar simplesmente satisfeita e dizer que estava orgulhosa como as outras mães faziam? Era tão difícil apoia-la em suas decisões?
Queen observou-se no espelho em busca de imperfeições no seu visual. O vestido caia-lhe muito bem, destacando suas curvas naturais. A maquiagem perfeita destacava a cor de seus olhos, agora cinzas. E o cabelo caia em perfeitas ondas sobre seu ombro.
Se por dentro Queen não estava bem, por fora estava perfeita e era isso que devia mostrar para as outras Selecionadas.
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