The Royal Centre of Medicine
2 Capítulo 2 - Night Vision
Notas iniciais
A madrugada estava de congelar, dentro do hospital William conseguia ver os pequenos e brancos flocos de neve entrarem em contato com as árvores que rodeavam o hospital. A vontade de estar agora nos braços de Grell era muito grande, queria ele estar em casa junto de seu amado.
Sussurra para si mesmo enquanto se direciona até as escadarias. – Uma pena Sutcliff não ter períodos noturnos hoje, com ele aqui as coisas estariam muito mais ativas. – Pequenos pensamentos já deixam o moreno com desejos. Após descer as escadas e caminhar até a entrada do primeiro prédio Will se espanta ao ver Grell sentado em uma das poltronas próximo a saída.
– Sutcliff, o que faz aqui? – O moreno se aproxima de Grell, sem ouvir nenhuma resposta encara o ruivo e percebe que na verdade ele está em um sono profundo. Will então passa a sua mão direita levemente no rosto pálido e magro do ruivo, fazendo-o sentir um pequeno arrepio.
– Vamos... acorde pequena princesa. Hahaha.
Bard caminhando pelos corredores avista essa cena um tanto quanto romântica. – Senhor Spears... Grell está ai já faz algum tempo, ele disse que tinha assuntos para tratar com você, então eu lhe disse pra esperar, pois o Senhor estava em uma importante cirurgia.
– Ah sim, obrigado. Vou levá-lo para casa agora, agradeço pelas informações. – O moreno então, cuidadosamente levanta Grell em seus braços, o rosto do ruivo é apoiado em seu ombro direito.
– Bard se alguém perguntar de nós dois amanhã, apenas diga que tiramos o dia de folga. William com um sorriso no rosto se despede.
Após sair pela porta principal com Grell em seus braços, Will caminha lentamente na direção de sua casa que fica a duas quadras do hospital. O caminho é curto, mas os cabelos de ambos estão ficando cobertos de neve, o moreno então acelera o passo.
– Hnn, Will amanhã iremos fazer a mudança... eu estava tão feliz que mal podia dormir, então eu fui ao hospital te encontrar. Onde estamos? – O ruivo abre lentamente os olhos, mas tudo não passa de um borrão.
– Estamos indo para nossa casa, apenas descanse. Hoje o movimento no hospital estava grande. Eu mesmo te coloco para dormir. — Estão agora a menos de cem metros do portão principal.
– Isso é um pouco vergonhoso, me coloque no chão, me apoiarei em você. – O ruivo segura-se no pescoço de Will enquanto este o coloca no chão, o moreno passa a abrir o portão e depois ambos caminham juntos até a entrada da casa do casal.
Após ambos entrarem pela porta o moreno ajuda Grell cuidadosamente a tirar seu casaco, caminham em direção ao quarto, o ruivo se senta na cama e começa a tirar o seu colete avermelhado e suas calças pretas, enquanto o moreno apenas observa atentamente.
– Não fique ai me olhando! Empreste-me um de seus pijamas, se eu dormir apenas com minha camisa sentirei frio. – O ruivo se senta com as pernas para o lado, enquanto William procura por um pijama.
– Bem, eu sou maior que você, então sobrará um pouco de tecido... — O moreno alcança seu pijama branco com listras azuladas para Grell, este recebe com um grande sorriso. – Obrigado.
Após vestir-se com o pijama de Will, o ruivo observa que realmente sobrará uma boa parcela de tecido. – Olhe Will, ficou estranho né. Haha! – O ruivo levanta as mãos na altura de seus ombros, mostrando claramente que as mangas do pijama estão caídas além de suas mãos.
– Você é tão fofo! Esses seus cabelos desarrumados por causa das trocas de roupa, e esse meu pijama em você... – Will ajoelha-se na cama, se aproximando lentamente do ruivo, com sua mão direita alcança a nuca de Grell e o beija prolongadamente.
– Não diga coisas estranhas... – O rosto do ruivo está quente.
– Nossos turnos foram tão cansativos, não teremos forças pra fazer a mudança amanhã se aproveitarmos o restante da noite... – O rosto do moreno adquire uma feição de insatisfação.
– V-Você tem razão... – Grell pouco se lembrava da mudança no outro dia, estava pensando na continuação do beijo.
– Descanse meu ruivo... Teremos um grande dia pela frente. – O moreno beija a testa de Grell e caminha em direção ao banheiro.
Grell com o rosto em chamas, apenas sorri e observa o corpo do moreno se distanciar enquanto deita em seu travesseiro.
Passado alguns minutos o moreno retorna para seu quarto e vai em direção a cama, agora deita ao lado do ruivo e o abraça fortemente, Grell está em um sono profundo e não consegue ouvir a voz grave de Will dizer – Eu amo você.
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Ao amanhecer Grell desperta com o tilintar de vidrarias, este levanta da cama retira seu pijama e sobre seu corpo coloca apenas uma camisa branca, seus longos cabelos ruivos são amarrados com uma fita preta em forma de laço. Grell então caminha até a janela mais próxima, abrindo as longas cortinas brancas repara que as ruas e calçadas estão cobertas por uma espessa camada de neve.
– Com essa neve toda, será um pouco complicado carregar minhas malas para cá... Vou tentar trazer apenas o necessário. – Com um rosto pensativo, o ruivo se direciona até o banheiro, ali faz sua higiene e após caminha em direção a cozinha.
Chegando à cozinha, Grell se escora na porta e observa Will atentamente. O moreno está preparando chá. Sobre a mesa o ruivo consegue ver, algumas fatias de pão, duas pequenas tigelas, uma contendo açúcar e a outra manteiga. William está agora manejando água quente para preparar chá de amora. O moreno desatento deixa uma pequena quantidade de água fervente derramar da chaleira.
– Aii! Will então coloca o bule e a chaleira em cima da bancada. Enquanto isso, Grell corre rapidamente ao encontro do moreno.
– V-Você está bem? – O ruivo puxa a mão do moreno até sua boca, colocando apenas os dois dedos levemente queimados em contato com sua língua e saliva.
– Não precisa fazer... Pensando bem... – Will arruma seus óculos com a outra mão. – Continue enfermeira...
O ruivo retira os dedos molhados de William da boca. – Venha, vamos até o quarto, meu Kit de Primeiros Socorros está por lá. – Novamente Grell coloca os dedos de Will na boca. Ambos estão “conectados” e andando até o quarto. Chegando no quarto, o moreno se acomoda na cama, enquanto Grell está a procura de sua maleta, este então a encontra e se senta ao lado de Will.
– As coisas pareciam estar tão bem, o que te fez derramar a água fervente em seus dedos? Apenas desatenção? – O ruivo procura em seu Kit algumas bandagens, encontrando-as começa a enrolá-las nos dedos de Will.
– Eu não estava desatento, apenas lembrei que a partir de hoje, seremos oficialmente um casal. – O moreno com as bochechas um pouco rosadas observa atentamente as mãos habilidosas de Grell.
– Você não é o único que sente o coração palpitar cada vez mais forte... – O ruivo envergonhado, termina de enrolar os dedos do moreno, para finalizar Grell utiliza dois grampos para fixar as bandagens.
William segura o rosto do ruivo e então seus lábios se unem em um prolongado beijo. — Não fique se preocupando comigo, vamos tomar nosso café da manhã juntos e começar logo sua mudança. – O moreno se levanta, oferece a mão esquerda como apoio para Grell se levantar.
O ruivo com um sorriso segura a mão de Will e se levanta. Ambos caminham de mãos dadas em direção a cozinha.
Enquanto tomam o chá juntos, comentam sobre como a casa será organizada. Há muito espaço vago na residência do moreno, Grell apenas pede que William separe uma boa parte do seu guarda-roupas e que o restante ambos arrumarão juntos mais tarde.
Após o término do chá matinal, Will organiza a mesa da refeição, enquanto o ruivo vai em direção ao quarto para vestir suas roupas. Terminando a organização o moreno caminha até a porta da frente, pega seu casaco, cachecol, luvas, touca e aguarda Grell.
O moreno chama o mais baixo com uma entonação estranha. – Amor, estou lhe esperando. – Após falar esta pequena frase, alinha seus óculos com a mão direita.
Grell com o rosto totalmente vermelho caminha em direção ao moreno. – Diga novamente.
– O-O que exatamente? – O moreno desvia seu olhar para baixo, nesse instante pega o casaco de Grell e alcança para ele.
– A primeira palavra que você disse... Repita. – O ruivo aceita o casaco das mãos de Will.
– Ahh, você é tão malvado... Vamos amor, iniciar sua mudança.
O ruivo pula na direção de Will e o abraça fortemente. – Isso é tão vergonhoso.
William aproxima o ruivo cada vez mais de seu corpo. – Sim, eu concordo. Vamos... – Após sussurrar estas breves palavras o moreno beija suavemente a bochecha de Grell, abre a porta e ambos partem para a residência do ruivo.
O caminho até a casa de Grell é um pouco difícil, as ruas acumularam muita neve, caminhar é uma tarefa complicada, e mal é possível diferenciar ruas de calçadas. Mas o casal está tão entusiasmado com essa nova vida, que a neve se torna apenas uma paisagem romântica. Estão passando agora pela praça principal da cidade, os arredores estão totalmente brancos, um vento gelado faz com que ambos se abracem. O ruivo sente um arrepio, William rapidamente retira sua touca e coloca na cabeça de Grell e após, retira suas luvas e as entrega ao ruivo.
– Mas e você? Grell olha atentamente para o rosto de Will.
– Eu posso colocar as mãos nos bolsos e a touca não vai fazer muita diferença, apenas meu nariz ficará vermelho, Hahaha! – William sorri, segura com a mão esquerda a mão direita do ruivo, colocando-as juntas no bolso de seu casaco. – Vamos continuar, está cada vez ficando mais frio.
O ruivo com seu nariz e bochechas avermelhadas apenas agradece e ambos voltam a caminhar. Estão agora se aproximando da casa onde Grell residia, a moradia é pequena, mas luxuosa, o ruivo procura a chave em um de seus bolsos, ambos entram e agradecem por ficarem agora em um lugar quentinho.
– Bem, eu vou pegar as pequenas maletas onde estão as roupas principais. O restante volto para buscar no intervalo de amanhã. – Diz o ruivo tirando o casaco, as luvas e a touca, pendurando-os na maçaneta da porta.
– Ok, vou te esperar aqui enquanto arruma suas coisas. – O moreno tira seu casaco e o coloca em cima de uma poltrona, se escora na parede perto da porta, retira um pequeno livro do bolso de sua calça e começa a ler.
– Não é um problema ler com a mão direita parcialmente enfaixada? – O ruivo lentamente procura por algumas peças de roupas que estão espalhadas pela casa.
– Ainda me restam os dedos anelar e mínimo para folhear as páginas. – William mostra um grande sorriso ao ruivo.
– Entendo... Não acho justo você me ignorar com esse seu livro... – O ruivo vira as costas e vai até seu quarto.
– Ah, me perdoe... – Após uma pequena pausa o moreno continua – Então, vou tentar deixar o dia vinte e cinco deste mês livre. Não marque nada com seus amigos do hospital. Vai ser um dia totalmente nosso. – O moreno põe seu livro no bolso, com a mão esquerda alinha seus óculos.
– O dia todo? E se houver alguma emergência? – O ruivo com o rosto parcialmente avermelhado espia pela porta para ver se Will não está o observando, aproveita que o moreno não está ali e retira suas roupas íntimas de uma gaveta e as coloca todas de uma vez dentro de uma pequena mala.
– O Hospital tem pessoas muito bem preparadas, eles saberão controlar esse tipo de ocorrência. – Will cruza os braços e as pernas.
– Ok, então dia vinte e cinco estará completamente livre para nós dois. – Grell termina de arrumar suas coisas, em cima da cama há três malas médias e uma mala pequena abarrotada de roupas íntimas. – Amor, venha aqui um instante.
O moreno caminha até o quarto de Grell. – Pode deixar que eu levo essas três malas, você fica encarregado da pequena, tudo bem? – O moreno sorri.
– Você conseguirá carregar as três com a neve acumulada lá fora? – O ruivo se aproxima de Will, com a pequena mala em suas mãos.
– Sim, sem problemas... – William retira as malas de cima da cama e as carrega até a porta principal, durante este percurso Grell segue o moreno.
Ambos colocam as malas no chão enquanto vestem seus casacos e outros diversos adereços contra o frio, o moreno pega as três malas e sai da casa, enquanto Grell carrega a menor e tranca a porta.
Os dois agora farão o mesmo trajeto, o caminho será novamente complicado, mas ambos estão juntos e quem sabe para sempre ou até algo muito sombrio e assustador acontecer.
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