The Roxas Love

24 Capítulo 22 - Interior


Notas iniciais
Como música, escutem a segunda opening de durarara! Só não coloco o link aqui porque meu pc iria travar >< Mas se quiserem é só colocar "segunda opening durarara" no youtube, valeu!

Capítulo 22- Interior.

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Era sábado. Novamente. As aulas haviam acabado, e minha mãe planejava ir para a linda ilha onde fomos no meio do ano.

Mas eu não queria ir.

Eu queria aproveitar o tempo que restasse, pois não saberia o que poderia acontecer no dia seguinte. Dramático? Não.

O baile seria na segunda, mas eu ainda não concordaria com a idéia de dançar. Era algo que simplesmente não se encaixava na minha mente. Axel até tentou me convencer me contando as coisas boas, mas de maneira alguma eu iria. Dançar com quem? A sociedade não aceitaria de jeito nenhum. Eu e...? Não. De maneira alguma.

Por outro lado, Sora parecia mais aflito a cada dia. Quando conversamos, ele estava seguro da resposta que havia me dito. Mas não me parecia que tinha certeza agora. Sora gostava de Riku, mas ele não queria admitir. Isso era fato.

As borboletas por outro lado haviam me deixado mais confuso. Justamente nos momentos que não são convenientes, elas aparecem.

Eu estava indo a casa dele novamente, para dizer por uma vez por todas que o baile não era uma opção que se encaixasse na nossa realidade.

-Ah! Roxas! Você está se sentindo bem? –Disse Axel pulando de felicidade.

-Ah, claro, como não estaria? –Desviei do olhar animador dele.

-... Você vai comigo no baile não é? –Disse após de ter pegado minhas mãos e girado até eu gritar para parar.

-Axel! O que diabos aconteceu com você? –Eu disse irritado.

-Ah, Roxas, as aulas acabaram, só tem eu e você... Eu estou muito feliz por estar aqui com você.

Olhei para cima, e esbocei um sorriso. Eliminei o ar com satisfação. Já fazia um tempo que não havia passado um tempo assim.

-Ah, Axel... –Passei as mãos em seu cabelo, e por fim, o beijei.

Fazia tempo que não sentia seus lábios. Fazia tempo que não sentia seu calor. Explorei seu interior, e puxei-o mais para frente com suas costas. Eu sentia falta daquilo. Beijava como se fosse o último dia que fossemos nos ver, não importando o que acontecesse. Me parecia que ele sentia o mesmo, pois sua força era anormal.

Acho que nossa intensidade fora bastante que caímos no chão, encerrando o beijo. Foi quando avistei a borboleta, e então sai correndo atrás dela, quando percebi que estava em um parquinho.

-Senhorita Borboleta! Venha cá! –Eu gritei enquanto corria.

-Mas do que você está falando, Roxas? –Axel apenas me seguia, mas nem desconfiado do que seria.

Foi quando a borboleta parou. Em cima do balanço. Estendi a mão para ela, e ela então pousou.

-Senhora Borboleta? –Perguntei com o maior sorriso que pude dar.

-“Olá, Jovem Roxas.”

Então, o mesmo aconteceu. Tudo parecia estar branco, mas de alguma maneira, pude sentir que ainda estava no parque. Axel estava a 5 metros de distância comprando sorvete. Aquilo iria demorar.

-“Senhora borboleta, gostaria de perguntar-lhe algo.”

-“O que deseja?”

-“Eu não consegui decifrar os momentos que as senhoras aparecem, poderia me esclarecer?” – Eu disse com satisfação.

-“Dissera-lhe que eu sou teu espírito. Certo?”

-“Sim.” – Concordei.

-“Somos tua paz de espírito, certo?”

-“Sim, mas no momento, não estou em paz.” –Pausa- “Como a senhora pode me aparecer em uma hora dessas?”

Senti a borboleta respirar. Ela brilhou, e enfim, se transformou.

-“Sou você. Roxas. Como pode não estar em paz? Estás com quem ama, o ruivo certamente... Estás feliz, pois consertaste tudo com seus amigos... Estás livre, pois ninguém te atormenta mais. O que mais poderia querer para estar em paz?”

Parei um momento para pensar. Aquilo era verdade, e quando olhei para a borboleta, ela não era mais a mesma. Era um espírito-mulher, bela, cabelos longos que não sabia onde terminava, e que de alguma maneira, não era humana.

-“Prazer. Eu sou Cosmos, o seu interior.”

Não tive palavras para demonstrar meu espanto. Meu espírito era uma mulher? Posso ser diferente, mas nem tanto assim...

-“Não te confundas. Espírito é diferente de personalidade.” – Pausa. –“Sou tuas emoções, tuas vontades, teus sonhos... sou tua guiadora.”

Olhei para cima, pois ela era alta.

-“Cosmos. A senhoria é a solução?”

-“Sou tua ajuda, e não solução. Sou a solução quando compreendeis o que é paz.”

-“Paz... Acho que entendo. A senhoria não veio para trazer me a resposta, mas a ajuda que me guiará, será essencial. Eu só queria terminar minha vida feliz. Não que o tempo importa para mim. A senhoria pode me ajudar?”

-“Não queres aproveitar o dom da vida?”

-“Não. Isso não me importa. Estou feliz com Axel, e se pudeste, levaria me junto dele. Sinto que cumpri minha missão aqui, dona Cosmos.”

-“Se é assim que desejas... Assim guiarei. Não te preocupa jovem broto do sol... O fim de nada doloroso será.” – E então, suas mãos pousaram sobre minha testa, e assim, ela desapareceu.

Como um passe de mágica, tudo desapareceu, e eu voltei ao “Mundo Real.” Axel Estava vindo me trazer as casquinhas.

-Olá! Como foi a conversa com a dona borboleta? –Disse me entregando o sorvete de chocolate.

Meu olhar encontrou o chão. Refleti em frações de segundo o que havia feito. Mas me sentia satisfeito, e ao mesmo tempo, abatido e triste. De alguma maneira.

-Houve algo Roxas? –Ele me encarou, lendo minha expressão em busca de alguma resposta.

-Ah, nada! –Ergui a cabeça, e logo em seguida ri junto com ele.

O dia se passou, e enfim, voltei para casa.

O fim de semana passou corrido, pois minha mãe havia concordado –de alguma maneira- que todos fossem ao baile.

Segunda-feira, o grande dia. Não que fosse para mim.

Estavam todos em casa. Sim, eu, Axel, Sora, Riku, Ventus, Kairi e Kisume. E claro, minha mãe.

-Kisume-chan! Venha cá! –Kairi gritava indo em direção ao quarto de minha mãe. –Senhora Hashigawa nos chamou as garotas para seu quarto! Ela disse que tem lindas vestimentas!

-Ah! Legal! –Kisume pulou de felicidade. –Eu já vou Kairi-chan, só uns dois minutos.

-Ok.

Eu apenas estava na porta do meu quarto, observando tudo que acontecia no corredor, enquanto Axel estava tomando banho. Ventus estava no quarto do meu irmão junto dele. Riku estava lá na sala.

Kisume desceu as escadas com o olhar direcionado ao chão, como se estivesse preocupada com algo.

Ela parou em frente à Riku. O quarto da minha mãe estava trancado, devido Kairi estar lá dentro e os meninos pareciam muito entretidos com as roupas sociais que iriam usar. Eu estava esperando, pois meu terno era o único a não estar passado porque eu me recusava a passar. Não queria ir.

-Riku... –Kisume disse, apesar de muito baixo.

-Kisume. –Riku ergueu o queixo de Kisume com a mão, e então disse: -Eu sei que no momento você pode achar estranho, mas eu nunca fui de demonstrar nada. –Encarou a garota com os orbes confiantes.

-Riku, você tem algo a demonstrar? –Levantou o rosto fazendo a mão de Riku voltar.

E então, Riku sussurrou algo no ouvido de Kisume que eu não pude ouvir.

Kisume paralisou.

-Só quero aproveitar o que nos resta de tempo, e me desculpe se fiz isso tarde demais. –Concluiu o de cabelos grisalhos.

-Riku... Não me importa se demorou ou não... O que importa é: você realmente está certo do que diz? Do que sente?

-Certo. –Pausa. Os dois desviaram o olhar ao redor da sala, então voltou a falar: -Gostaria de ir ao baile comigo? –Ele pegou as mãos de Kisume e as beijou em forma de carinho.

Não vi a reação de Kisume. Estava longe demais para eu perceber. Mas sei que ela nada disse, e então resolvi voltar ao quarto para que parasse de me intrometer na vida alheia.

Sentei na cadeira a frente do computador e liguei-o.

-Roxas... Não vai tomar banho não? –Disse Axel com um roupão e segurando uma toalha que secava seu cabelo.

-Há ha. –Não me virei para ele, continuei fitando o computador. –Você realmente acha que eu vou?

-Aham. –Disse com a mais inocência possível.

-Ah, então ta... Espere sentado. –Entrei no reprodutor de vídeo para ver algum anime.

-Se é que assim deseja... Tudo bem. -Concluiu

De alguma maneira...

-Dejavú.

-Hã? Disse algo?

-Nada não.

Após longos 30 minutos que corriam com agitação em torno de minha casa, eu ainda estava colado no computador vendo aquele anime, que de alguma maneira, estava me cansando.

-Já são Dez e meia, querido. Não vai tomar banho? –Disse minha mãe.

-Eu tenho três argumentos. Primeiro que o baile é de noite.

Minha mãe balançou a cabeça positivamente.

-Segundo, que eu não vou. –Pausa. -E terceiro, se eu fosse, iria com quem?

Senti minha mãe sugando o ar para falar, e antes que falasse, interrompi:

-De jeito nenhum. –Disse cético.

Minha mãe bufou, e contraiu as sobrancelhas.

-Roxas Hashigawa! O senhor vai nesse baile sim senhor! Nem que eu corte minha cabeça para isso!

-Pode vender seus chapeis e tocas. –Continuei sarcástico.

-Venha!

E então ela me puxou pelo braço, desligou o computador na tomada, enquanto o que eu dizia era “Ai!” repetidamente.

Ela me levou até o quarto dela.

-O senhor vai tomar banho no meu quarto, vai me dar sua roupa para que eu passe, e deixarei num lugar plano até a hora de ir! Coloque uma roupa simples e velha. Limpa, ouviu?

Bufei.

-Tá.

Fui tomar banho, o que já era umas onze horas da manhã. Depois disso, todos vestiram roupas velhas, que pareciam muito esquisitas. Claro, poderia ser uma bermuda e uma regata, mas que aparentemente, era muito estranho.

Almoçamos, descansamos, e enfim, quatro horas da tarde, começaram a se arrumar. Era um por vez, em dois quartos. Para homens.

-Ah, Axel, vá você. Eu fico por ultimo. –Eu disse.

-Ah não, vá você Riku. –Axel disse.

-Ah, quem vai primeiro é o Sora e o Riku! –Disse minha mãe interrompendo nossa decisão.

-Ah... –Os dois disseram em sincronia.

As meninas já estavam no quarto de minha mãe admirando os vestidos.

-Meninas... Vamos vesti-los? –Perguntou minha mãe fechando a porta de seu quarto, ficando as três lá dentro.

Riku e Sora se trocaram e desceram para a sala. Pelo menos tinham passado uma escova no cabelo. Uma coisa que não precisavam fazer.

Axel foi ao meu banheiro se trocar enquanto eu me trocava no quarto. Ventus fez o mesmo no quarto de Sora, e todos nós descemos já prontos.

Sim, foram longos quarenta minutos esperando as donzelas aparecerem.

-Elas não estão lindas? –Minha mãe disse ajeitando o vestido das meninas.

Kairi estava bela. Um vestido de alças rosa claro com várias camadas, mas que não era armado. De alguma maneira. Ela vestia um casaquinho minúsculo, que chamavam de... No momento não lembro o nome. Era meio transparente com tom do mesmo rosa, e usava um lindo colar junto com brilhantes brincos. E ah, cabelos soltos e brilhantes como nunca vi.

-Nossa mãe... O que você fez com elas? –Disse Sora brincando.

Por outro lado, Kisume estava maravilhosa. Usava um vestido verde água claro, grande, não armado, mas muito bonito com um casaco de lã branco por cima. Amarrou os cabelos com um prendedor branco e colocou lindos brincos.

As duas estavam lindas.

-Nossa... Kisume! Kairi! Como vocês são lindas! Nunca tinha percebido! –Disse Ventus seguido de algumas risadas.

Todos nós ríamos também.

-Meninos... Por favor, não vou levá-los, pois é a dois quarteirões daqui. –Completou com um sorriso.

Todos nós saímos da casa e caminhamos para lá.

Droga.

Era a única coisa que podia dizer. Sim. Havia duas garotas e cinco homens. Estranho não? Eu caminhava livremente, ao contrário de Sora e Riku que estavam com os braços “presos” aos das garotas.

Mas... Eu não vou dançar. Posso ficar sentado beliscando alguma coisa, mas dançar não. Não era um baile com a expressão de antigamente. Um baile de antigamente era uma festa qualquer, da qual não tinha nada de especial. Mas ali, era um baile de Gala. E afinal, era um quase baile da escola. Quase todos que estudaram comigo estariam lá. Pessoas conhecidas. Pessoas conhecidas. Ah!

Não, eu não podia! Dançar estava fora de cogitação. E além de que, como diabos Axel concorda com isso? Ahh!

Eu só não gritava naquele momento, pois estava no meio da rua.

Eu estava em pânico.

Acho que em um momento desses, eu precisava falar com Cosmos. Ah, esquece...

Tínhamos chegado à entrada. Tinha dois seguranças que estavam perguntando sobre pagar algo.

Sora deu o dinheiro, e assim todos entramos.

Era um lugar enorme. Daria duas quadras de futebol no mínimo. Quadras de futebol de estádio. Em largura e comprimento. À direita havia uma longa mesa, ou várias, não pude distinguir pela toalha de decoração na mesa, que carregava imensos quitutes, comidas, doces e bebidas.

La no fundo havia um palco com uma banda lá. Mas eu acho que ela não era conhecida.

Tinha muita gente. Era um piso de qualidade, parecia ser madeira amaciada. Não tinha aquelas luzes ofuscantes coloridas que, particularmente eram irritantes.

Eu fiquei paralisado. Aquilo me provocou arrepios da cabeça aos pés.

-E-eu vou pegar um docinho ali, ta bom? –Disse logo me esquivando de ter de encarar a cara de Axel.

Senti algo segurando o meu braço.

Droga.

-Nana-ni-na-não! Você vai dançar. –Os orbes de Axel me fitavam e ameaçavam.

Droga.

-Olha, Axel, eu vim aqui por você, então respeite minha opinião! Eu não quero dançar. E por favor, não ligue esta situação com você. Eu apenas não quero dançar.

Não tinha notado, mas à esquerda do salão, havia umas portas transparentes que davam ao ar livre. Algo como uma sacada, mas térreo.

Não queria mais olhar para Axel. Ele realmente queria que eu dançasse com ele? Ele realmente queria isso? E ninguém falava nada? Pelo contrário, fingiu que nada havia acontecido? Mas o que está acontecendo? Será que aquela conversa na ilha com eles foi fingimento também? Ah, eu queria apenas comer.

-Olá. –Escutei uma voz feminina ao meu lado.

Me virei e cumprimentei:

-Oi. –Peguei um salgado.

-Você viu um homem alto, cabelos morenos e lisos, meio forte?

-Não... Desculpe-me.

-Ah, tudo bem. –Pausa. –Qual o seu nome?

-Roxas. –Pausa. Comi meu salgado. –E o seu? –Ela tinha brilhantes olhos verde e medianos cabelos castanho claro.

-Selty. –Ela olhou para o lado, disfarçando. –Bem... O salgado está bom?

Como sou uma pessoa direta, logo perguntei:

-O que houve? Perdeu algum parente no baile?

Ela se assustou por um segundo

-Meu namorado... Ele se chama Seiji. –Pausa. –Eu queria dançar, mas ele disse que não. Dizia que não sabia dançar bem e que isso o faria passar vergonha.

Me dirigi às cadeiras encostadas na parede ao lado da porta de entrada e sentei. Logo, ajeitei minha gravata. Ela me acompanhou.

-Mas então, o que houve? –Eu perguntei.

-Ele foi pegar alguma coisa para comer, e eu acabei encontrando gente conhecida. Ele saiu de minha vista e não sei onde ele está. –Olhou para baixo.

-Desculpe. –Pausa.

-Sabe, eu só queria dançar com ele... Mesmo que ele fosse ruim mesmo em dançar. Eu só queria compartilhar minha alegria, curtir com ele a nossa noite. Eu não queria mais nada...

Senti que um peso havia caído em minhas costas. Apenas eu notei que... ?

-Porque não o procuramos? –Eu perguntei.

-M-mas... –Ela olhou pro chão.

-Vamos. –Puxei-a pelo braço e percorremos o salão procurando-o.

Foram longos minutos para conseguir procurar em todos os lugares.

-Roxas... Por favor, vá se divertir. –Ela disse.

-Eu acho que ele deveria estar chateado com algo.

-E está. Eu iria levá-lo para cá para que nos reconciliássemos... Mas eu acho que ele finalmente conseguiu fugir de mim.

Eu deixei-a sentada onde estávamos antes e fui encontrar Sora e os outros.

Eles tinham dado uma pausa e estavam conversando com copos na mão.

-Olha só... Adolescentes de 15 anos estão tomando bebidas alcoólicas! –Disse quando os encontrei.

-Não, são apenas refrigerantes, afinal, aqui não se serve estas bebidas Roxas! –Sora disse rindo.

-Mas, enfim, acham que o professor é rigoroso? –Axel perguntou para Sora continuando a conversa.

-Ah, de vez em quando ele pega um pouco pesado, mas acho que ele é humano sim, não é Roxas? –Sora se virou para mim.

-Hã? Do que estão falando? –Perguntei.

-Rikou. –Axel completou.

-Ah, sim... O professor da academia que tem o mesmo nome do meu tio. –Dei uma longa risada. –É verdade Sora.

Todos riram a vontade enquanto Kairi e Kisume saíram para pegar algum petisco.

Ventus cutucou Sora e Riku.

-Nossa, elas estão lindas! –Sora e Riku ficaram sem graça.

-É verdade, aliás, sempre as achei lindas. –Completou Axel.

-... –Eu não disse nada para complementar, pois já havia dito tudo em casa.

-O que foi Roxas? Não concorda? –Ventus tinha que perceber meu silêncio...

-Nada. Concordo sim, estão magníficas. –Terminei.

Ficamos conversando por muito tempo quando as meninas voltaram comendo os petiscos.

-Nossa! Como estão bons! –Disse Kairi.

-Verdade! –Kisume concordou.

-Gente, vocês viram aquela garota sentada ali? Fiquei com peninha dela. –Kairi fez uma expressão doce.

-Vamos convidá-la para dançar! –Kisume disse.

-Não pessoal, ela disse que esta a procura do namorado. –Ao mesmo tempo todos olharam para mim. –O que foi? Ela me chamou do nada perguntando se eu tinha visto-o. –Todos então expeliram o ar.

-Mas ela já procurou? –Riku perguntou.

-Eu procurei com ela, mas ela acha que o namorado foi embora. O nome era... Seiji. Acho que ela ligou para ele, mas eu não sei, porque já estava aqui.

-Vá falar com ela Roxas! –Axel disse.

Eu encarei-o por uma fração de segundo. Ele sorriu para mim e já sabia que de nada devia temer. Ele realmente não estava chateado.

-Tudo bem.

Caminhei lentamente, com pose, e cheguei à sua frente.

-E então?

-A desculpa dele de não dançar era para apenas não chamar a atenção aqui. Ele realmente disse que não gosta de mim. –Uma lágrima saiu de seu olho.

-Olha... Não fique assim... –Enxuguei sua única lágrima com o dedo, e a convidei para se levantar.

Ela me olhou fixamente e levantou.

Não podia dançar com ela. Ela teria que dançar com alguém como eu.

Idéia.

Para isso servem seus clones.

-Vou-lhe apresentar um amigo meu que você vai se admirar!

Levei-a até onde estavam meus amigos e apresentei-a para eles.

-Esta é Selty. –Disse.

-Como é bonita! –Ventus elogiou.

Mas ela realmente estava. Com um vestido azul e um casaco grande rosa que lhe cobria a parte de cima fazendo o vestido parecer uma saia.

-Hum! Esta música é linda! Gostaria de dançar? –Ventus perguntou.

Ela olhou para mim com um olhar de dúvida e eu retribui com um de aprovação.

Ela aceitou e enfim foi dançar.

Sora e Riku fizeram o mesmo, e enfim, foram dançar.

Eu e Axel ficamos ali parados.

-Roxas... Por favor, uma única e última dança?

-Última? –Eu perguntei com indignação.

Ele desviou o olhar e apenas me puxou para o meio do salão.

Uma música clássica soava ao redor do salão. Eu não queria olhar para os lados. Não queria ver nada.

Era tão repugnante?

Era tão irritante?

Se eu acho, porque os outros não achariam?

A realidade só vira ficção quando eu não a reconheço. A ficção só vira realidade quando acordo. Tudo que girava em torno de mim parecia grande demais ou pequeno demais para ser notado.

A realidade que se escondia atrás de mim. Eu era o único que havia estado atormentado com isso? Eu era o único que não compreendia apesar de tudo? Quase tudo-

Se isso mesmo fosse ficção eu estaria dormindo. Eu estou?

Realidade.

.

.

.

Ás vezes me pergunto se eu estou no lugar errado.

Ás vezes me pergunto se estou sozinho.

Estou?

Acho que não.

Acho que não estarei sozinho por algum tempo. Se é que ele não há de acabar. Eu gostaria que acabasse. Não que não agüentasse, mas que alguma coisa me dizia que eu devia desistir. Nada irá impedir o fluxo natural das coisas. Desistir é a opção que me conduzia melhor.

Eu já havia feito de tudo. Mas alguns não se convencem.

Eu consigo andar sobre a água. Mas eu não consigo andar. A água que se movimenta para que faça eu me movimentar. Os outros que seguem o rumo para eu evoluir.

Evoluir. Não sentia essa palavra faz anos. Eu não sei exatamente o que se deve fazer agora.

Estou feliz? Estou realmente em paz?

Eu não sei.