The Roxas Love

21 Capítulo 19- Laços


Notas iniciais
Espero que gostem!Para esse capítulo, a música kuchizuke-Ikimono gakari. http://www.4shared.com/audio/qhXCbTCp/09_-_Kuchizuke.html

Capítulo 19 –Laços

Tudo naquela semana havia me encantado, a magia que rondou a minha vida parecia inacreditável. Depois daquelas duas semanas incríveis, a tristeza bate a nossa porta. Era incrível viver ali, sem ter nenhuma preocupação com ninguém, ainda mais se tiver com os amigos que ama. Mas tudo aquilo acabou.

Estávamos voltando para casa, mas minha mãe acabou decidindo que deveríamos ajudar ela a fazer as compras de casa antes de chegar.

Ela estacionou o carro e assim descemos.

-Bom, vamos ver... Roxas, Sora, Axel, Riku, Kairi, Ventus a Kisume. –Pausa –Estamos em oito não é? Bom... Eu vou separar cada um em uma seção, para que terminemos rápido.Ok?

-Ok, senhora Hashigawa! –Todos dissemos.

-Bom, se dividam em duplas.

Como que automaticamente, já estávamos formados. Só Ventus que sobrara, teria de ficar com minha mãe.

-Bom, tomem a lista do que comprar.

Entregou um papel para cada um, e assim partimos cada um para uma seção.

-O que tem aí, Axel? –Perguntei.

-Hum.. Gelados.

-Gelados é...?

-Tudo o que for frio. –Deu seu sorriso.

-Jura? Não sabia... –Pausa –Digo, o que de gelado ela quer?

-Está aqui, espera aí. –Uma longa pausa. –Vamos começar pelos Iogurtes. Pegue uma cesta para mim, por favor.

-Tá. –Peguei a cesta azul e com alças enferrujadas. –Ali está, iogurtes.

Estava um pouco distante, mas conseguíamos ver onde estava.

-Err.. Roxas.. –Disse meio tímido.

-O que foi Axel?

-Ah..bem....

-Fale logo, você sabe que eu nunca fui de mentir. –Ainda caminhando.

-Sabe, é que.... –Ele parou. –Aquele dia que o Riku estava... estranho.. o que havia acontecido?

-Motivos...

Ele parou e me fitou com seus orbes esmeraldinos. Então continuei:

-Vou explicar...

Enfim, já estávamos na metade da lista quando terminei de explicar o ocorrido.

-Próximo? –Perguntei.

-Er... Pão de queijo congelado. –Pausa novamente. –Então, mas ele não se decide?

-Ele está confuso, e não sabe se aceita de quem ele gosta.

-Mas se for isso, Kisume sabe? –continuávamos andando e conversando.

-Bom, não. Espero que ela não saiba.

-Roxas...o que você acha que Riku irá fazer?? -Ele parou.

-Não sei.... mas acho que não devemos fazer nada. –Eu finalizei.

Prosseguimos até a próxima da lista.

-Batatas fritas congeladas. –Ele continuou. –Roxas... sabe, eu me sinto um pouco aflito por ele. –E desviou o olhar.

Eu paralisei. Como assim aflito? Axel sempre foi tão relaxado e feliz, nunca tinha visto-o assim. Será que ele...? Não.

Continuei com meu olhar paralisado pousado em sua face tímida, mas atormentada.

-O que foi? –Ele notou.

Olhei para os lados e comecei:

-Sabe, Axel, eu nunca vi você assim. Você sempre foi como o Ventus. Engraçado, distraído e relaxado. Mas agora que vi você assim, você se parece comigo. –Olhei para os lados novamente, e ninguém apareceu. –Você vai sempre me surpreender? –E calei-o com um beijo caloroso que até ele assentiu.

Nada mais foi dito.

Sabia que Axel estava preocupado por Riku de duas formas: Riku poderia não ser aceito com Sora. Ou por Sora. Ou Riku poderia ter escolhido Kisume e ainda sim não se sentir completo. (Tanto que pode acontecer nas duas pessoas.)

Axel não é de se intrometer muito, mas acho que ele estava aflito a toa. Sora não ficou preocupado comigo enquanto ele estava....distante.

Sei lá, acho que pode ser algo relativo, algo muito relativo dependendo do ponto de vista.

Chegamos em casa. Tudo comprado e empacotado.

Só que algo nos chamou a atenção. A porta de casa estava aberta.

-Senhora Hashigawa, por favor, nós vamos primeiro. –Axel me chamou, chamou Sora também.

Riku e Ventus ficariam ali, talvez algo acontecesse.

Avançamos passo por passo, cada um mais cuidadoso que outro. Chegamos na sala. Nada. Fomos a cozinha. Nada também. Chegamos perto da lavanderia, o mais cuidadoso possível.

Nada também. Ouvimos um barulho, mas quando nos demos por conta, o sabão em pó havia caído.

Subimos para o segundo andar. Checamos todos os quartos e quando cheguei no meu me deparei com uma imensa bagunça. Como se um terremoto havia acontecido ali.

-Roxas? –Os dois me olharam.

-Eu deixei meu quarto arrumado. –Fitei-os.

Enquanto eu dava uma arrumada, encontrei um papel em cima da minha cama.

“Não se esqueça disso. Aprenda a ser gente.”

Quando terminei de ler o papel, percebi que Axel atrás de mim, havia entendido o recado. Algumas lágrimas saíram de seus olhos, mas ele disfarçou, fingiu que não havia acontecido nada, engolindo em seco a amargura.

Meu olhar era de horrorizado. As olheiras poderiam até me confundir com algum maluco. Sora por trás, percebeu o que havia acontecido, e apenas se recostou na porta, sem nada a falar.

Olhei para o horizonte através das janelas, e por uma fração de segundo, respirei o ar, senti as moléculas ao meu redor me empurrando para um novo lugar.

-AXEL! –Meu grito estremeceu, e pude sentir meus fios de cabelo se levantarem com a impulsão forte que me surgiu. Rasguei o papel no meio, e então continuei: — VAMOS EM FRENTE AXEL, NÃO SE IMPORTE COM ELES, AAAHH!!

Passei reto por Sora, com passos fortes e pesados, como se fosse estourar o piso da casa. Parei, mas não me virei.

-O QUE ESTÃO ESPERANDO? VAMOS!

Andei até o último lugar. O porão. Nada também. É claro que haviam coisas roubadas e a cozinha estava suja, mas nada fora do ‘normal’.

Saímos da casa e reportamos o estado. Minha mãe ficou chocada.

-Vamos na casa do Axel checar também. –Eu disse enquanto todos ligavam para seus pais para se certificar de que não havia acontecido o mesmo.

愛 してる ~ Eu te amo

ともだち

Amigo.

Tínhamos chegado na casa de Axel. Revistamos tudo, e estava no mesmo estado da minha. Só que havia um bilhete a mais:

“Só querem distorcer a realidade. Sigam as regras, hereges malditos! Porque não podemos ser felizes? Só nos estragam a vida que nos foi dada com limites!!”

Axel se sentou na sua cama, e ficou paralisado por algum momento. Ele parecia estar se debatendo em mente, tentando achar algum motivo, que fosse convincente o bastante para deixá-lo triste. Nunca vi esse Axel.

Como ele conseguia esconder sua mágoa? Como? Ele apenas fitava o chão, mas parecia não estar ali. Ele não havia dormido muito, e estava no mesmo estado que eu. Decepção. Solidão. Arrependimento. Era tudo que se passava nos nossos corações que agora, estavam pensantes.

“Escute o rádio.”

Mas como escutar o rádio, se alguém o desliga? É como tentar nadar contra a maré.

Ficamos horas paralisados, pensando o que nós havíamos feito.

Já era de noite. Nós havíamos ficado horas paralisados, sem ao menos comer. Foi quando que Axel levou suas mãos ao cabelo, e ‘acordou’.

-Já é de noite. Eu preciso ajeitar a cama para você. Se claro, quiser ficar. –Ele falava, mas ainda parecia distante.

-Pode ser...

Liguei para minha mãe e depois fui tomar banho.

As gotas me esfaqueavam de culpa. Mas porquê? Sou culpado de algo mesmo?Ou sou inocente demais para pensar que sou culpado de algo?

Tudo estava tão estranho e borrado. Nada tinha mais nitidez como antes. A água que me acolhia e que ajudava, não me servia mais. O sangue que eu sentia correr por minhas veias, agora estavam tentando achar um lugar por onde sair. As flores que eu sentia desabrochar, agora não passavam de enfeites. Mas porque a minha mente me traiu? Porque estou fazendo tudo isso quando que nós não tínhamos culpa de nada. “Só nos estragam a vida que nos foi dada com limites!!”. Eles não passaram este limite?

Essas palavras ecoaram na minha mente. E sentia que o amor estaria em um drama comigo. Estava amável comigo em um dia, e odiável em outro. Saí do banheiro, ainda hipnotizado pelo que aconteceu. Desci até a cozinha com minha camisola de botões branca.

-Axel?

Ele parece não ter escutado, mas eu via Axel mais triste do que nunca. Apoiado na pia da cozinha, ele lamentava aos sussurros consigo mesmo.

Eu parei por um instante, mais continuei.

-Axel, por favor, tome banho. Não se martirize por mim.

Ele passou ao meu lado mas nada disse.

Jantei, e me deitei na cama.

Já era umas Dez da noite.

-Roxas. –Entrou no ‘meu’ quarto de cabisbaixa... –Err...

-“ Quando não há luz, não procure escuridão, pois sempre a resposta, estará no coração.”

Ele não falou nada.

-“Se tudo há uma resposta, não deveria se culpar, a alma dilacerada, no final caíra.” –Ele criou de improviso um novo verso.

Nos fitamos por uma fração de segundo, e Axel sentou-se na ‘minha’ cama, olhando para fora da janela, de costas para mim.

-Roxas.. desculpe pelo que fiz, mas.. acho que não deveríamos mas ser quem somos.

-Como assim? –Pausei por um instante, quando um estalo me surgiu. –AXEL! Não importa, mas não importa os outros!! –E então me sentei. –Você não pode fazer isso comigo, Axel! NÃO PODE!!!

Ele fitava o chão, paralisado novamente.

-AXEL?!?!

Uma lágrima escorreu de seus olhos, o que me parou.

-Roxas, eu não agüento isso... tudo sempre tem que ter problema!Eu não agüento mais.

-Axel. Olhe para mim.

Ele se virou.

-Eu não sofri por você, não esperei você por tanto tempo, não aturei os outros, não superei a Kisume e o Ventus, para acabar ASSIM! –Dei-lhe um tapa no seu rosto.-Eu sempre te idolatrei, sempre adorei o que fez! Você é inspiração para o que faço, sempre tentei ficar ao sua altura, mas de nada me convencia!! Nada! –Segurei seu rosto, fazendo-o olhar direto em meus orbes. –Não solte minha mão!! Jamais!! –Meu olhar estava mais inspirado do que nunca. – JAMAIS!!

Axel esboçou um sorriso.

-Eu amo, como nunca amei alguém. Mas não sei o que fazer Roxas. Não sei.

-Não faça. “Deixe acontecer.”

Seu sorriso se abriu novamente, e então mudou o que ia dizer.

-Hum, parece que está com sono. –Seu sorriso malicioso era claro.

Então esbocei o mesmo.

-Não muito. Porque quer saber?

Não obtive resposta, seus lábios já estavam roçados no meu. Suas mãos afagavam meu cabelo, e as minhas faziam o mesmo.

Pude sentir seu aroma, sua alma, nunca mais iria soltar de sua mão. Nunca fora tão feroz quanto anteriormente. Era como se estivesse sugando tudo o que eu tinha, fora corporalmente. Ele era forte, nunca havia sentido sua força.

Sua língua pairava o ar que eu respirava, assim como pousava em minhas orelhas delicadamente.

Outro dia se iniciara, e as aulas estavam para começar. Tínhamos apenas este fim de semana para aproveitar tudo o que a liberdade poderia oferecer. Íamos passear um pouco, ir assistir algum filme, ou talvez algum museu ou algo parecido.

Afinal, disse a minha mãe o que eu iria fazer, ela não se importou muito. Acabamos indo ao cinema primeiro.

-E então Roxas... –Disse Axel fechando a porta de casa com mais algumas fechaduras novas.

-Será que tudo aquilo irá acontecer novamente? –Esbocei minha face preocupada, a ponto de obter alguma resposta.

-Sobre o quê? Sobre ontem? –E sua risadinha sádica ecoou em meus ouvidos.

-Não Axel.. Sobre as nossas casas.

-Ah bem, eu não sei.

Começamos a caminhada até o cinema mais próximo e barato. A distância não era pouca, mas também não era muita. Algo como atravessar um bairro inteiro. Mas não estávamos preocupados, não estávamos com pressa.

Era um cinema bem aconchegante. Com tapetes vermelhos no chão, grandes paredes cheias de cartazes de filme, e atendentes bons.

-Por favor, dois ingressos para ‘Zumbis atacam de novo 2’.

A moça com seu uniforme azul e um lencinho ao pescoço vermelho nos entregou os ingressos, e assim entramos no cinema.

-Vai querer pipoca, Roxas? –Axel disse guardando o troco no bolso da calça.

-Tanto faz. Finja que não estou aqui.

-Mas você está. –E sua mão percorreu até minha testa seguido de um peteleco.

-Hum...

Tudo seguiu normalmente. Axel era um viciado em quitutes em geral, e se não fosse por minha ajuda, ele teria comprado a lojinha inteira.

Entramos na sala de cinema e pouco após, o filme iniciou. Era um filme mais engraçado do que de terror, mas mesmo assim, somente eu e Axel rimos com aquele filme de baixo nível. Afinal, pagamos pelo ingresso, não é? Então eu contribuí para a continuação da fama do grande autor dessa ‘maravilhosa’ obra.

Como o universo me surpreende.

Quando saímos do cinema, demos algumas voltas pela cidade, e finalmente era hora do almoço.

-Axel, você pagou o cinema, eu pago o restaurante, ok? –Disse tentando achar algum dinheiro na carteira.

-Bom, é por sua conta e risco. Eu como muito.

Após minha risadinha de lado, eu continuei:

-Ta, guloso.

Fomos num restaurante humilde também. Mas com uma comida muito boa. Não gastei muito da minha parte, a acho que de Axel, ele até tentou esconder um pouco sua gulodice.

-Até que não foi muito caro da sua parte, Axel. –Eu dizia enquanto entregava o dinheiro à uma senhora de cabelos negros que trabalhava no recinto.

-É...bem...

Bom, como o combinado, iríamos à um museu. Agora não poderia dizer que era perto, pois era muito longe. Andamos de metrô, e demoramos um pouco caminhando quando chegamos lá.

O museu era muito bonito, e tratava de guerras mundiais. Tinha muitas relíquias e era muito sofisticado. Tudo era bem localizado. A nossa tarde fora muito boa. Quando era mais ou menos umas quatro da tarde, já estávamos voltando, pois ficar de noite no centro da cidade não era muito bom.

Após o metro novamente, caminhamos até chegarmos em casa. Ou pelo menos pensara eu.

Já no bairro onde eu e Axel morávamos, paramos ao deparar com alguém.

-Roxas, fique aqui. –Disse Axel dobrando a esquina.

Notas finais
Reviews??