The Roommate
11 Killin' Me Softly With His Song-Pt. 1
Notas iniciais
Nós quatro voltamos para a Rocque Records e já tínhamos que nos separar logo de cara: Carlos teve que sair com a Kelly pra resolver os assuntos do emprego dele (afinal, não teria como ele se dedicar totalmente a ser o assistente do James ainda trabalhando na Rocque) e James tinha uma reunião com alguns executivos da gravadora sobre detalhes da turnê. Ele ainda me falava sobre isso quando chegamos ao lounge.
–Eu não queria mesmo ir nessa reunião, mas depois que meu guitarrista morreu, temos que acertar tudo antes da turnê começar. –James deu de ombros e foi até a mesa onde Logan trabalharia e pegou uma pasta preta de uma das gavetas- Carlos me contou onde estavam as músicas antes de sair com a Kelly. Você pode dar uma olhada, se quiser...
–Valeu, James. –Sorri enquanto ele saía, me deixando a sós com o Logan. Claro que aquilo ainda me deixava meio que nervoso. Com meus sentimentos tão em conflito comigo (o meu lado que queria conquistar a amizade do Logan versus o lado queria que isso evoluísse para uma amizade colorida) era difícil eu não me sentir nervoso.
–Vai ver isso agora? –Logan quebrou o silêncio, e um segundo depois vi que ele apontava a pasta de músicas.
–Acho que vejo depois quando voltarmos para o apartamento. Se isso não te incomodar, é claro.
–Eu já disse Kendall, não vai me incomodar em nada. –Ele abriu aquele sorriso matador, aquele sorriso que confundia ainda mais meus sentimentos- Além disso, eu sou uma plateia muito atenta. Em especial quando se trata de você... Tipo, um talento como o seu... É, bom... –Logan começava a ficar vermelho, e eu começava a reparar que quando ele tentava sorrir pra esconder a timidez, as covinhas apareciam. Cara que vontade de morder essas bochechas... Okay Knight, o que aconteceu com toda aquela história de se controlar hein?
–Tudo bem Logan, eu entendi. –Eu sorri e dei de ombros. Foi blasé demais da minha parte, mas eu precisava dar algo pra tranquilizar ele. Senti que se ele ficasse mais vermelho ele poderia até suar de calor- Você é sempre bem vindo pra me ouvir, plateia de um só.
Minha tentativa parecia ter dado certo. Logan deu uma risada antes de ir para trás da mesa onde antes trabalhava Carlos.
–Obrigado, eu acho. Bom, eu tenho trabalho a fazer aqui. Carlos me deixou com uma lista de coisas que eu tenho que aprender a dominar se eu não quiser ser morto na primeira semana e preciso decorar tudo. Então, Sr. Sortudo, como planeja passar esse resto de tarde que se estende livre diante de você?
–Planejo conversar uma coisinha com o Carlos e depois dar uma passada no Starbucks aqui perto e comprar um mocca machiatto pra mim. –Falei, já saindo do lobby- Vai querer alguma coisa de lá, Logie?
Era a segunda vez que eu o chamava de Logie, e era a segunda vez que ele ficava sem reação. Ele me encarava, assim como na mesa do café hoje, mas dessa vez, havia um leve tom rosado em suas bochechas. Se era por causa da conversa que tivemos agora a pouco ou por que eu havia o chamado de Logie, eu não saberia dizer.
–Por que quer conversar com o Carlos? –Ele arqueou as sobrancelhas- E sim, quero um muffin de mirtilo e um espresso venti.
–Eu posso arrumar isso. –Sorri, a meio passo de fechar a porta- E o que vou conversar com o Carlos... Eu te conto mais tarde. –Não resisti ao impulso e dei uma piscada na direção do Logan. Fechei a porta, deixando pra trás um Logan corado, olhando pro teclado do computador como se fosse a coisa mais fascinante do mundo.
Decidi ir pro Starbucks primeiro. Como Logan disse pra mim, fui passar esse resto de tarde que se estendia livre diante de mim dando uma olhada básica na pasta de músicas de James. Algumas músicas eram realmente boas, outras poderiam melhorar com uma leve mexida na melodia ou na letra. Eu poderia trabalhar em algumas delas naquela noite.
Eu mal havia bebido metade do meu machiatto quando vi Carlos entrar na cafeteria. Quis soltar um assovio ou um “YOOOOO” bem alto pra chamar a atenção dele, mas preferi deixar que ele me visse primeiro. E aproveitando que eu estava lá, poderia conversar com ele.
Pelo visto, eu estava certo. Carlos me viu enquanto ainda estava na fila. Ele sorriu e levantou o indicador, pedindo para que eu o esperasse. Fiz um sinal de ok e voltei para a pasta. Minutos depois ele estava vindo em direção a minha mesa.
–Achei que você ia ficar trabalhando com o James nisso. –Carlos apontou a pasta.
–Eu também achei, mas ele tinha a reunião com os executivos. –Dei de ombros enquanto dava um gole no meu café- Além disso, quero me concentrar melhor nisso quando eu voltar para o Palm Woods. Hoje é meio que um estudo básico pra saber com o que vou trabalhar.
–Bom, vai ter pouca coisa pra você mexer aí. James é bem talentoso, não é só um rostinho bonito. –Carlos abaixou o rosto e começou a cutucar a mesa, como se tivesse achado uma sujeirinha na mesa. Como se eu não tivesse visto o rosto dele ficando vermelho...
–Nisso eu concordo com você, baixinho. –Apontei para uma das músicas da pasta. Só depois prestei atenção no título dela. Could You Be Home. Era uma boa música pra eu começar a trabalhar nela...- De todas as músicas que eu vi aqui na pasta, só algumas vão precisar de alguma modificação. É claro, se James aceitar as mudanças.
–Se você é talentoso de verdade, acho que ele vai aceitar. –Carlos me assegurou- E então, conseguiu conversar um pouco mais com o seu cowboy texano?
–Carlos! –Sibilei, sentindo minhas bochechas esquentarem- Bom, a gente conversou um pouco, sobre o trabalho, as músicas do James. Ele até se ofereceu pra ser meu crítico musical particular.
–Isso é um bom sinal. –O latino me encorajava- Ele tá bem interessado no que você faz. Até onde eu sei, isso é um ótimo sinal.
–E ele meio que me elogiando e depois ficar sem nem saber o que dizer? –Perguntei, fechando a pasta de músicas- Isso é um bom sinal?
–Cara, ele fez isso mesmo? –Carlos balançou a cabeça logo depois de eu assentir- Eu não imaginava isso vindo do Logan. Deve ser ousado até pra ele. Quer dizer, o cara é tímido, meio fechado...
–Menos quando há álcool envolvido. –Corrigi, meio distante, com um meio sorriso no rosto. Embora a situação de ontem não tenha ajudado em nada os meus sentimentos conflitantes, eu tinha que admitir, tinha algo interessante em lidar com um Logan alcoolizado.
–Okay, menos por isso. –Carlos levantou as mãos- A questão é que, Logan é mais fechado que as pernas da minha tia virjona de 57 anos. E é ainda pior por que o cara veio do Texas. Eles não lidam tão bem com a questão da homossexualidade como o pessoal da California.
Assenti, solidário. Eu sabia que a situação no Texas era bem casca grossa. Os colégios de lá são até proibidos de mencionar assuntos relacionados à homossexualidade, isso sem contar que a vida que a vida de um gay ou uma lésbica por lá pode até ser mortal. Havia muitos casos de morte relacionados à homofobia por lá. E a ironia mais engraçada de todas: muitos artistas que se revelaram gays nasceram por lá. E claro, nenhum deles mora lá agora. Todos elegeram Nova York ou California como seu novo lar. Um porto seguro para ser o que querem ser, e amar quem querem amar.
–Mas se fosse assim, Logan poderia ter me arrebentado quando ele soube que eu era gay, lá na festa. –Falei, olhando a vidraça da cafeteria- E ele não parece ser o tipo que tem medo de dizer que é gay. Ele quase me disse...
–O QUÊ? –Carlos soltou um grito tão alto que todos na cafeteria se viraram pra olhar para nós. Eu não sabia se ria da cara do Carlos ou se abria a pasta e escondia minha cara atrás dela- QUANDO ISSO ACONTECEU?
–Ontem, quando ele estava quase desmaiando de bêbado. –Mordi o interior da minha bochecha. Se Carlos contasse aquilo pro James. Ou pior, pro Logan...- Ele me disse que ele não teria se contido na hora que estávamos a um centímetro de um beijo...
–Bom, a teoria de que ele é tímido é meio válida. –Carlos esfregava o dedo no queixo, como se pensasse- Quer dizer, ele é sociável, se dá bem com a gente e tudo mais, mas o cara nem fala muito dele mesmo. E a teoria “o Texas oprimiu o pobre garoto” também pode ser considerada. Ele pelo menos te contou sobre a família dele?
–Claro que ele me contou. Dividimos o apartamento juntos, lembra? –Carlos riu, balançando a cabeça conforme ria- Para de gargalhar, hiena. Achei que ia me ajudar. Enfim, Logan me disse que o pai dele é mais tranquilo, já a mãe dele é meio superprotetora. Segundo ele, a mãe ainda acha que ele tem cinco anos de idade.
–Okay, agora você me deu uma imagem mental de um Logan sendo mimado pela mãe que nem um bebezinho. –Carlos tentou abafar o riso que quase saiu- Cara, eu vou ficar com isso na cabeça o resto da minha vida.
–Hey, eu não te contei isso pra ficar rindo dele, tá? –Apontei um dedo na direção de Carlos, que parou de rir e me encarou, um tanto assustado. Abaixei a mão e encarei meu copo de café- Me desculpa, Carlos. É que... Logan confiou em mim pra dizer tudo aquilo, e ver alguém rindo disso, sei lá...
–Te deixa nervoso?
–É, um pouco... –Confessei, bebendo o restinho de machiatto– Okay, chega de falar sobre minha vida sentimental. Eu queria falar com você mesmo.
–E pelo jeito não era sobre o Logan. –Carlos deu um meio sorriso- Então, sobre o quê queria falar comigo?
–James e Jett. Qual é a daqueles dois? Quer dizer, qual é a do Jett com todo mundo?
Carlos suspirou, olhando a vidraça, como se decidisse me contar ou não, até ouvir a barista chamar o nome dele, segurando um tall fumegante. Carlos levantou um dedo, pedindo pra esperar. Foi até o balcão pegar o café e voltou pra mesa.
–Ainda bem que está sentado, Kendall. –Carlos soprou o vapor antes de dar um longo gole- A história é meio que comprida.
Um resumo da história que Carlos me contou: Jett foi descoberto por Gustavo quando ele ainda era pirralho e como todo ator adolescente com uma quantidade certa de beleza e talento (disseram que, na época, ele tinha talento. Hoje em dia, é difícil dizer o que diziam antes), foi idolatrado por garotas que viviam berrando descabeladas por ele, e por um bom tempo, ele conseguiu manter o sucesso. Isso até James chegar, conquistar o público dele e um pouco mais. Claro que isso foi um golpe duro no ego inflado do Jett, e ele não aceitou isso de boa. Tecnicamente ele declarou que James Diamond e qualquer um que estivesse com ele era inimigo mortal. Isso foi o que Carlos me contou, mas parecia ter algo mais na história. Pelo menos por parte dele, mas decidi não interrogá-lo mais por enquanto. Eu tinha muita coisa na cabeça pra me concentrar em um interrogatório. Entre muitas coisas, a reação do Logan ainda aparecia em minha mente. Ele parecia assustado, mas ao mesmo tempo mortal. Era quase como se ele já tivesse esbarrado com Jett. Mas isso seria loucura. Logan havia se mudado pra cá havia duas semanas e antes de vir dividir apartamento comigo no Palm Woods ele não conhecia ninguém. Talvez a aura de negatividade do Jett tenha afetado Logan mais do que eu imaginava.
Voltei para a Rocque, com o muffin e o espresso do Logan em uma bandeja na minha mão e a pasta do James na outra. Entrei no lounge e vi James sentado no sofá, todo relaxado, rindo com Logan que ainda estava na mesa do computador. Me deu uma pontinha de ciúme ao ver os dois rindo, tão a vontade um com o outro. Tive que me esforçar para lembrar que James de certo modo estava me ajudando com o Logan.
Logan se virou quando ouviu a porta abrir e seu sorriso, que já estava presente durante a crise de risos de James, se ampliou quando me viu.
–Demorou Kendall. –Logan falava, meio sem fôlego devido às risadas. Será que é assim que ele falaria durante a transa? Nesse momento eu quis amordaçar minha voz interior, mas agora eu ficaria com aquilo na minha cabeça o tempo todo. O jeito como ele falou meu nome, todo ofegante... Argh, isso pode complicar ainda mais o que eu sinto por ele...- O que aconteceu, a fila tava muito longa?
–Um pouco. –Dei de ombros, entregando a bandeja com o logo do Starbucks para Logan- Um muffin de mirtilo e um espresso venti quentinhos pra você. Espero que goste.
–E eu? –James cruzou os braços e fez um beicinho, como um garoto mimado- Poxa, eu sou o cara que te trouxe pra cá. Não comprou nada pra mim?
–Foi mal, James, mas se estivesse aqui, podia ter me pedido. –Eu e Logan rimos diante da ceninha de James- Mas eu me esbarrei com o Carlos no Starbucks. Ele pediu café pra ele, conversamos um pouco, e antes de ele ir embora, ele pediu um caminhão de coisas pra balconista. Ele saiu de lá precisando de mais mãos pra segurar tudo. Não se preocupe, ele deve ter comprado algo pra você, bebezão.
–Yay! –James se recostou no sofá, levantou os braços e bateu palmas uma vez. Quase ri outra vez- Espera, você e o Carlos conversaram sobre o quê? E por que caralhos voadores você me chamou de bebezão?
Olhei para Logan, que estava se segurando pra não rir. Eu já não sabia se ia conseguir segurar mais, mas ainda assim consegui falar sem minha voz me trair.
–Ele queria saber como tava indo meu primeiro dia, se estava tudo bem, se o Logan já decorou tudo o que ele precisa saber...
–Já está gravado em pedra no meu cérebro. –Logan deu um tapinha na têmpora com o indicador- Eu raramente me esqueço do que aprendo.
Logan me encarou logo depois, como se me perguntasse “foi só isso que conversaram? “
Olhei de volta pra ele, dando meu melhor olhar do tipo mais tarde eu te conto. Eu só rezava para que ele tivesse entendido
–Só que você não explicou por que me chamou de bebezão... –James fez beicinho de novo. Dessa vez, não teve como aguentar o riso. Logan e eu explodimos em uma risada alta. Até assustou Carlos, que chegava com brownies fresquinhos e frapuccinnos do Starbucks.
–Tá legal, qual é a piada que eu perdi? –Ele perguntou, parado na porta, tentando equilibrar as bandejas e se acalmar ao mesmo tempo.
Já era finzinho de tarde e Logan e eu já estávamos de volta ao apartamento. Claro que podíamos ter ido mais cedo, mas Logan insistiu em dar uma passada na Whole Foods e comprar ingredientes necessários para fazer uma lasanha à moda parisiense. Eu disse a ele que não estava muito no humor de comer lasanha, mas ele comprou assim mesmo. Disse que eu podia ligar para o delivery e pedir o que eu quisesse, quem sabe mais tarde eu teria fome e comeria um pedaço da lasanha? Eu sorri e assenti. Logan estava certo. Eu ia ficar a noite toda acordado revisando e remodelando as músicas do James, e minha mãe sempre soube que eu era um ladrão de geladeira, especialmente nos dias que eu estava muito inspirado, com insônia, ou só me lembrando do meu pai...
–Chegamos. –Logan abriu a porta do apartamento enquanto eu deixava as compras dele na bancada da cozinha- Arruma tudo aí pra mim, por favor? Eu vou trocar de roupa e logo eu desço pra fazer um interrogatório com lasanha. –A última parte ele disse me encarando firme antes de sumir escada acima, em direção ao quarto dele.
–Como quiser, Inquisidor Supremo. –Fiz uma mesura de brincadeira, mesmo sabendo que Logan não ia ver, mas ainda assim ouvi a risada dele.
Fui tirando as ervilhas e o creme de leite de uma das sacolas de papel, já cantarolando mentalmente a música do James. Bom, a música dele depois das mexidas que faria na melodia e na letra. Se James gostasse podia ser um grande hit... Ou um grande fracasso. Seria um risco que eu teria que correr.
Eu amassei a sacola de papel, já vazia, um tanto frustrado. Eu estava ali, todo confiante pra remodelar uma música e apresentá-la a James amanhã, mas quando de tratava do Logan, de contar pra ele que eu meio que estava a fim dele (meio que a fim dele é o seu nariz, meu inconsciente gritou pra mim), não parecia ser tão corajoso. Eu sou um idiota, idiota, idiota, idiota...
–Espero que o saco de papel não esteja sofrendo muito nas suas mãos. –Logan apareceu ao pé da escada. Havia mudado de roupa e agora parecia mais relaxado, de camiseta e jeans desbotado. Até o cabelo, que ele tinha arrumado naquela manhã para ir trabalhar, estava um pouco mais bagunçado. Me senti como se alguém tivesse me ligado em um transformador de alta tensão. Meu coração não parava de martelar dentro do meu peito, e por um segundo um tanto constrangedor, pude sentir que Logan estava ouvindo, de tão forte que batia.
–Bom, eu não ouvi nada dele até agora. –Dei de ombros enquanto jogava o saco amassado no lixo- Então, ainda quer saber o que andei conversando com o Carlos?
Logan arregalou os olhos por um segundo, mas depois se recuperou e assentiu. Acho que ele não esperava que eu tomasse a iniciativa da conversa. Viu só? Se você consegue se adiantar com ele na conversa, pode se esforçar mais pra se adiantar com ele até o primeiro beijo. Droga, preciso controlar meu inconsciente um pouco mais...
–Conversamos sobre o Jett. O porquê ele não se entende com o James, e basicamente, com todos nós.
–Sei... –Logan assentiu, mas quando mencionei o nome do Jett, aquele brilho misto de medo e fúria voltara ao olhar do Logan por um segundo, mas pode ter sido impressão minha, por que logo ele parecia ter voltado a normal, me ajudando a tirar o resto das coisas das sacolas- James saiu mais cedo da reunião dos executivos e ele queria saber onde você tava. Eu falei que você tava no Starbucks e que voltaria logo. Foi então que James me perguntou se ele queria saber da história dele, de um jeito que nenhuma revista de fofoca jamais contaria, e aí ele desatou a contar como Carlos e ele se conheceram em Nova York, as encrencas que os dois passaram para ajudar o James nas audições das peças da escola, e depois na audição com o Gustavo. Ele tava me contando sobre o dia que Carlos implorou pra instalarem o tobogã aqui quando você chegou.
–Então era disso que estavam rindo quando cheguei... –Falei, me sentando na cadeira enquanto via Logan arrumando as coisas pra preparar a lasanha- Não encare isso a mal, mas você simplesmente tirou meu fôlego quando te vi sorrir do jeito que sorriu lá no lounge...
Isso. Tentei arriscar um pouco. Se eu quebrar a cara, tudo bem. Kendall Donald Knight nunca foi conhecido por desistir fácil das coisas.
Logan deixou a massa da lasanha na bancada, mas não tinha sinal de que estava enfezado ou nervoso. Ele ainda sorria, mas eu podia ver seu rosto se colorindo de vermelho aos poucos.
–Como vou encarar isso a mal, Kendall? –Ele olhou pra mim, todo sem jeito, mas aquele mesmo sorriso que tinha visto hoje estava ali. Santo Deus...- Além disso, eu precisava mesmo de uma boa risada. Depois do estresse em procurar um lugar um pouco mais permanente pra mim e o trabalho e tudo mais, foi bom ter o James me contando sobre as maluquices dele com o Carlos... –Logan se virou de costas para mim e se esticou até o armário de cima para pegar a travessa onde colocaria a lasanha. Minha garganta parecia ter ficado seca no momento em que, quando ele se esticou, a camiseta subira, me mostrando as covinhas na base das costas dele. Cara, ele tem covinhas nas costas. É tipo, uma das coisas que mais me excitam, e é justamente Logan que tem isso? Okay destino, você tá sendo muito cruel agora.
–Eu vou querer ouvir isso do James algum dia, com certeza. –Pigarreei, pra limpar a minha garganta (e, com um pouco de sorte, minha mente também) e me levantei, indo para o meu quarto- Vou ligar para o delivery e pedir uns rolinhos primavera, assim pode sobrar espaço para sua lasanha mais tarde, e enquanto eles não chegam, vou tomar um banho e começar a trabalhar minha mágica em uma das músicas do James.
–Então, vou ter um jantar e um show, é isso? –Logan sorriu novamente. Ele sempre parecia animado com a ideia de me ver cantar.
–Só se você quiser, claro. –Pisquei, dessa vez um pouco mais relaxado. Eu podia abraçar o conselho da Jo sobre tomar uma atitude e o do Carlos sobre ir um pouco mais devagar ao mesmo tempo. Eu ia conseguir. Ia fazer isso do jeito certo- Eu vou indo. Me avise quando o pessoal da entrega chegar.
–Tudo bem! –Logan gritou da cozinha enquanto eu subia as escadas.
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