The Roommate
8 I Think We're All At The Same Side-Pt. 2
Notas iniciais
–O que você pensa que tá fazendo? -Perguntei meio assustado. Eu queria que Lucy parasse com aquilo, mas a mesmo tempo estava preocupado, pensando que a tivesse machucado quando a empurrei.
–Ora, achei que de todas as pessoas desse mundo você saberia, Kendall. -Lucy se aproximou novamente e sussurrou, sedutora- Eu tô a fim de você, loirinho...
–Escuta Lucy, eu acho que não sou mesmo seu tipo. -Me afastei um passo pra fora da cabana, mas não consegui sair. Lucy me segurava firme pelo pulso.
–Pois eu acho que você é meu tipo...
–CARA, SERÁ QUE EU VOU TER QUE FALAR MESMO? -Me assustei comigo mesmo. Eu quase nunca gritava daquele jeito, especialmente com uma garota- SERÁ QUE VOCÊ JÁ PAROU PRA PENSAR QUE EU SOU GAY?–O rosto de Lucy se revelou em uma expressão surpresa. Aproveitei a deixa pra uma saída dramática- De todas as pessoas nesse mundo, achei que você ia saber...
Deixei Lucy na cabana sem nem esperar ela falar alguma coisa. Foi quando eu vi a festa inteira olhar na minha direção. Aos poucos foi caindo a ficha de que todo mundo tinha ouvido a gritaria. Me foquei especialmente em um par de olhos castanho chocolate que me encaravam intensamente e ao mesmo tempo seu olhar era indecifrável, e eu realmente não sabia mais o que esperar.
Voltei pra tribuna VIP, me sentando ao lado do Logan e tentando evitar o olhar dele. Queria mesmo ter contado a ele o meu segredo, mas não assim, não daquele jeito. Não no meio de um fora que eu dei em uma garota.
–Tá tudo bem? -Jo me perguntou e eu pude jurar que ouvi um risinho escapar dos lábios de Camille
–Tô sim, é só que... -Cocei a cabeça meio sem jeito. Logan parou de me encarar, agora olhava para a mesa, um tanto tímido- Eu não planejava isso, sabe? Contar pra todo mundo que eu sou gay... Pelo menos não desse jeito...
–Não se preocupe, a Lucy meio que causa essa reação nas pessoas. -Jo deu de ombros- Além disso, fique despreocupado, você não feriu os sentimentos dela. Ela é do tipo que supera fácil.
–Como assim? -Logan perguntou, de sobrancelha erguida.
–Olhem vocês mesmos... -Camille apontou pro nosso lado e meu queixo parecia que ia cair se eu não o segurasse firme. Lá estava Lucy em um cantinho, aos amassos com uma ruiva, sem se importar com quem visse.
–Lucy é bissexual? -Arregalei os olhos.
–Geralmente ela gosta de ver se tem chance com os novatos do Palm Woods. -Jo deu de ombros de novo- Como você é novo por aqui, Lucy achou que tinha uma chance.
–Mas então por que ela não partiu pra cima de mim? -Logan perguntou, ainda de sobrancelha erguida- É só curiosidade...
–Ela tem uma queda por gente loira. Você com certeza não faz o tipo dela... -A garota do notebook, que esteve calada o tempo todo, se manifestou, sorrindo de orelha a orelha. Ela era morena, de pele bronzeada e olhos amendoados, focados na tela a sua frente. Minha análise foi interrompida por um toque no meu braço. Logan queria minha atenção.
–Você tá bem mesmo? -Ele se aproximou ainda mais, seu queixo apoiado em meu ombro.
–Claro. E você?
–O que tem eu?
–Tá tudo bem pra você dividir o apartamento com um gay?
–Kendall! -Logan riu baixinho- Eu já tava me sentindo bem em estar no seu apartamento sem saber disso. Essa informação não muda nada, confia em mim...
Eu virei a cabeça pra perguntar alguma coisa, mas o rosto de Logan estava bem próximo do meu. Sentia a respiração dele bater no meu rosto, seus olhos não se desviavam dos meus lábios um segundo. E eu estava a um passo de sentir os lábios de Logan nos meus, como eu sempre quis desde que o vi pela primeira vez.
Mas obviamente o destino estava de palhaçada comigo.
Logan se afastou, parecendo meio frustrado. Me olhou como se quisesse pedir desculpas por algo.
–Eu acho que vou pegar uma bebida. Quer alguma coisa, Kendall?
–Não, eu tô bem... -Dei de ombros, mentindo. Afinal, como se espera estar se no meio de um quase beijo, a pessoa se afasta e fala que quer um drink? É pra cortar qualquer clima...
–Tudo bem. -Logan me olhou novamente com aquele olhar de desculpas e se virou para Camille- Hey, Camille. Vem comigo pegar uma bebida?
–Claro Logan. Vamos nessa. -Camille sorriu, puxando Logan pelo braço em direção ao bar.
–Ele gosta de você. -Jo falou, sorrindo solidária- Sabe disso, não é?
–Se o Logan gostasse tanto de mim como você diz, ele não teria dado uma bela desculpa pra cair fora como ele fez. -Apontei para o bar, onde Logan já estava com um copo na mão.
–Ele só está meio na defensiva. Pra mim, eu acho que o Logan quer ter certeza que você sente a mesma coisa que ele. -Jo ainda sorria, olhando para Camille rindo no bar- Você, meu caro amigo, tem que tomar uma atitude...
–E esse foi mais um conselho do coração com Josephine Taylor. -A garota do notebook revirou os olhos, um meio sorriso nos lábios- É fácil falar. Quero ver é executar o plano...
–Steph, sem sarcasmo okay? -O garoto do Red Bull deixou a latinha em cima da mesa- A Jo só quis ajudar o novato.
–Muito obrigada por me defender do veneno da Stephanie, mas eu sei que ela não quis falar por mal. -Jo olhou a garota do notebook- Eu sei que ela só fica assim quando tá de TPM, então ela tá perdoada.
–Viu só maninho? -A morena se virou pro garoto ao lado com ar de superioridade- A Jo me conhece melhor que você. Meu próprio irmão... -Ela chacoalhou a cabeça, fingindo estar horrorizada.
–Ignore minha irmã, novato. -O garoto se virou pra mim, segurando a latinha de Red Bull- Eu ignoro.
–Hey, isso é conselho que se dê ao novato? -A garota se virou para ele mais uma vez, dessa vez fingindo estar ofendida- Desculpe meu irmão, ele pode ser muito besta ás vezes.
–Bom, eu me corrigir dessa falha e tanto. -O garoto estendeu a mão para mim, esperando que eu a apertasse. Ele tinha um aperto de mão bem firme- Sou Dak Zevon e essa antissocial no notebook é minha irmã, Stephanie King.
–Antissocial é a puta que te pariu, Dak. -Stephanie revirou os olhos, concentrada em seu notebook.
–Pode achar que isso me ofende, mas não tem efeito nenhum. Eu sei o que minha mãe é, ninguém precisa falar. -Dak riu, olhando Stephanie com um ar de desafio.
–Bom, não sei se isso vai ofender vocês, mas... -Franzi os lábios, tentando achar um jeito melhor de dizer o que estava prestes a dizer- Vocês não se parecem muito como irmãos...
–É normal, todo mundo fala isso na primeira vez que nos conhece. -Dak sorriu- Meu pai e a mãe da Steph se conheceram quando nós éramos pequenos. A mãe dela era viúva e meu pai se divorciara recentemente. E o resto, como dizem, é história.
–Por isso ele -Stephanie apontou para Dak- nem se incomoda se xingarmos a mãe dele. -Ela inclinou um pouco a cabeça pra me ver por trás do notebook- Vamos dizer que o Dak não é muito fã da mãe dele...
–Enfim, chega de falar de mim, sim? -Dak balançou a cabeça, dando um fim ao assunto- Enfim, a gente sabe tudo de você, Kendall Knight. James nos contou de você, até nos mostrou alguns vídeos seus.
–Na verdade o Carlos mostrou. -Stephanie interrompeu- Mas eu não quero falar do diamante que canta. Então Kendall, conhece mais alguém aqui além da gente?
–Carlos disse que ia me apresentar ao pessoal, mas até agora nada...
–Tudo bem, a gente apresenta pra você. -Dak deu de ombros- Carlos provavelmente deve estar ocupado demais ajudando o James.
–Ele é assistente do James, o que você queria Dak? -Stephanie deu um tapa na cabeça de Dak, que só ria. Ele nem tinha encolhido com o tapa. Talvez ele já estivesse muito acostumado com as agressões de Stephanie.
–Okay Kendall, a loirinha perto da piscina, tá vendo? -Dak me apontava a piscina, onde uma garota loira estava com um garoto de cabelos castanhos compridos, que tocava violão para uma pequena plateia- Ela é Mercedes Griffin. Ela é a herdeira do império Griffin. O pai dela é acionista majoritário da Rocque Management e da Rocque Records.
–Ele e Gustavo. -Stephanie interviu- Os dois são amigos desde os tempos da faculdade, eles tiveram juntos a ideia de criar a empresa onde todos nós trabalhamos alegremente. -Ela terminou com uma pontinha de sarcasmo, acentuada pela digitação furiosa em seu notebook.
–Me parece que não gosta de lá. -Falei, meio hesitante. Do jeito que Stephanie falara sobre trabalhar lá... Era como se preferisse comer pregos do que estar na Rocque Management.
–Não seja idiota Kendall. Eu adoro ser a agenciada de lá. -Stephanie sorriu, dessa vez sua voz era sincera- É só que o Gustavo não é o tipo de pessoa que adora se socializar, sabe?
–Olha quem fala...–Dak murmurou dentro da latinha de energético.
–Em todo caso, a gente sempre tem uma regra de ouro que é "Nunca irrite o Gustavo". Se quiser sobreviver por aqui, seguir essa regra é essencial. Voltando a Mercedes, como ela tem um pai super cheio da grana e é filha única, tem uma personalidade meio mimada. Em outras palavras, Mercedes Griffin é o estereótipo clássico da patricinha de Beverly Hills.
–Sem trocadilho, a Mercedes é de Beverly Hills mesmo. -Dak sacudiu a latinha, meio triste, e a colocou em cima da mesa- Mas não se preocupe, ela é bem legal com a nossa galera. Em especial por causa do garoto que está com ela...
–Gabriel Summers, ou só Gabe. -Stephanie apontou o garoto com jeitão de hippie- Mas a nossa galera chama ele é de Guitar Dude mesmo. Ele tocava violoncelo antes de chegar aqui na California, mas aí ele conheceu os artistas de rua, trocou o violoncelo pelo violão e adotou o estilo hipster praiano.
–Foi pouco tempo depois que ele conheceu a Mercedes. No começo ninguém achou que esse namoro ia dar certo, que ia durar algumas semanas e só. -Dak sorriu- Eles já estão juntos há 2 anos e meio.
–O pai dela ainda acha que ela tá tentando punir ele ou algo do tipo, -Stephanie se virou bem a tempo de ver Gabriel dar um beijo em Mercedes antes de tocar outra música- mas quem ia ficar 2 anos e meio com alguém só pra "punir" o pai?
–Exatamente o que eu pensei. -Falei, olhando o casal na piscina- Se fosse alguma armação seria bem óbvio, mas tá na cara que Mercedes gosta de verdade do Gabriel, e vice versa. Amor não é algo que pode ser forjado, por mais que tentem. É algo que só de olhar você sente, é verdadeiro, é simples. E daqui de onde eu vejo eu tenho certeza que o que eles têm é real... -Dak e Stephanie (e até mesmo Jo, que de repente ficara curiosa com a nossa conversa) me olhavam meio que estranho- O que foi?
–Nada, o jeito como você falou sobre o amor... -Stephanie murmurou- Em especial sobre eles... Por favor, não me diga que você é escritor ou algo assim, eu não preciso de concorrência. Especialmente uma concorrência tão romantizada. Sabia que é por culpa dos romances que livros de terror estão decaindo? Eu posso ser a esperança dos jovens autores de terror.
–Stephanie é escritora de terror. -Jo explicou, vendo meu rosto confuso- Ela tá escrevendo uma série sobre um quarteto de monstros que são amigos. É um enredo bem estranho, se quer minha opinião.
–Mas é legal! -Dak saiu em defesa da irmã- Um deles quer ser humano e os outros vão em busca de algo que faça ele voltar a natureza humana. E tudo se passa em uma Los Angeles apocalíptica, tipo Halloweentown. Tem gárgulas, vampiros, zumbis, lobisomens, demônios...
–Hey, vão contar a história toda pro Kendall é? -Stephanie se levantou e tapou a boca do irmão- E como fica quando o livro lançar? Ele vai saber da história toda, não vai ter graça...
–Bom, até agora achei bem legal a história. -Sorri para Stephanie- E quanto a concorrência, fica tranquila. Eu escrevo músicas, não histórias de terror adolescente que tem tudo pra ser um sucesso.
–Eu sei, não é? -Stephanie sorriu, meio que maquiavélica- Minha história tem o potencial pra deletar a Saga Crepúsculo da cabeça das pessoas. Nada contra a outra Steph, ela até que é uma boa escritora, mas a saga toda foi muito água com açúcar e, bom... Eu sou um tantinho melhor.–Ela piscou pra mim antes de voltar ao notebook.
–Tão modesta você... -Jo ri e logo em seguida apontou para a entrada da área da piscina, para três garotas- Está vendo as três que estão chegando agora?
–Elas são o mais próximo que esse lugar tem das populares do colegial. -Stephanie falou, sem tirar os olhos da tela do notebook- Se isso aqui fosse Meninas Malvadas, elas com certeza seriam as Poderosas do Palm Woods.
As três (uma loira, uma morena e uma negra) se moviam com uma sincronia quase de gêmeas. Andavam juntas, de braços dados, com uma lentidão que parecia estarem andando em slow-motion.
–As Jennifers. -Dak explicou- Todas elas têm o mesmo nome, moram no mesmo apartamento, chegaram aqui no Palm Woods no mesmo dia. Elas são bem unidas.
–Eu diria mais do que "bem unidas". -Stephanie sorriu, como se soubesse de um segredo- Boatos correm de que elas podem ser pegas se comendo na sauna no terceiro andar...
–São só boatos, Steph. -Dak se mexia na cadeira, meio desconfortável- Nada que ninguém possa provar. Tem todo jeito de ser coisa da Lucy. Ela não gosta da Thompson...
–Mas Lucy não é de mentir pra se favorecer, você sabe disso. -Jo repreendeu Dak e logo voltou a falar comigo- Se quiser chamar uma das Jennifers não adianta chamar pelo nome delas por que, é claro, todas vão responder você. Se quiser falar com uma particular, é só chamar pelo sobrenome. Thompson, Masterson e Hills. -Apontou, respectivamente, para a loirinha, a morena e a negra- Outra regra pra sobreviver aqui é "Nunca se dirigir diretamente as Jennifers". Elas só vão falar com você quando elas quiserem.
–Pelo menos com a loirinha é assim. -Stephanie fungou- A Masterson e a Hills são bem mais legais. Mais sociáveis, vamos dizer assim...
–Eu tô começando a achar que vocês têm implicância com a Thompson. -Dak resmungou- Ela também é legal.
–Ela só é legal com você.–Stephanie e Jo falaram em sincronia, quase me deu um ataque de risos, mas antes que eu pudesse gargalhar Stephanie me apontou um garoto ruivinho e sardento, devia ter a idade da Katie, se não mais- O ruivinho ali é Tyler O'Malley. Ele é meio que nosso mascote, por ser o mais novo de todos nós. Você vê ele bastante nos comerciais de consoles de games.
–É, ele é o garoto perfeito pra vender vídeo games. -Dak acenou em direção a um garoto que parecia ser um protótipo de rapper no melhor estilo 50 Cent: roupas caras, várias correntes de ouro no pescoço e uma cara de mal encarado- Esse aí é Walley Dolley, mas o pessoal conhece ele como Wayne-Wayne. Ele é o bad-boy daqui do Palm Woods. Basicamente ele odeia todo mundo e todo mundo odeia ele.
–Everybody haaaaates Wayne...–Stephanie cantarolou uma versão da música de Everybody Hates Chris antes de se virar e apontar uma loirinha de cabelos cacheados, sentada em uma das mesas com uma tala na perna direita- A loirinha incapacitada é Jenny Tinkler. Ela é um imã pro perigo, literalmente. A última em que ela se meteu em encrenca acabou quebrando a perna dela.
–Mas tirando isso, ela é bem legal. Só tome cuidado quando estiver perto dela. Nunca se sabe se vai sair de um papo com ela inteiro ou em uma caixa de fósforos. -Dak riu antes de se levantar- Vou pegar outra lata de Red Bull. Vai querer alguma coisa, Kendall?
–Não, eu tô legal.
–Tudo bem. -Ele deu de ombros e se virou pra irmã- Steph?
–Uma Coca com limão, por favor... -Stephanie falou, concentrada no que fazia. Era impressionante o fato de ela nem piscar enquanto escrevia fervorosamente em seu notebook. Dak sorriu e fez um sinal positivo pra mim antes de sair.
Me encostei na cadeira e comecei a olhar o pessoal da festa (pelo menos o pessoal que eu conheci graças a Dak, Stephanie e Jo). Eu tinha gostado de Dak e Stephanie. De certa forma, a personalidade da Steph batia bem com a personalidade da Katie. Ela sempre foi um tantinho sarcástica também. Algo me dizia que ou elas seriam grandes amigas ou se estrangulariam no momento que se encontrassem. Com esse pensamento voltei a olhar pro bar. Logan já estava virando a bebida em seu copo garganta a baixo sob o olhar de uma Camille quase assustada. Dak se aproximou dela pra falar alguma coisa e Camille respondeu agitada, gesticulando em direção ao Logan. Não sei não, mas acho que aquele não era o primeiro drink que Logan bebeu naquela noite...
–Hey, Kendall! -James voltou a nossa mesa, junto com Carlos e Lucy- Espero que o pessoal tenha sido legal contigo.
–Tá tudo bem. -Sorri- Dak e Stephanie me mostraram o pessoal enquanto vocês não chegavam. Me interei de tudo sobre todo mundo.
–A Steph contou das Jennifers se comendo na sauna? -Lucy sorriu pra mim, dessa vez sem malícia ou mágoa. Pelo jeito, ela superou mesmo o fora meio bruto que dei nela- Eu cruzei com elas esses dias. Só não fiz parte da festinha por que a Thompson não me curte, e ela é a única loira daqui que eu não curto. É uma pena... -Ela suspirou, como se estivesse realmente triste- Se ela não fosse tão bitch até poderia rolar um sexo casual ou sei lá...
–Na boa Lucy, isso é uma coisa que eu não precisava saber. -Carlos fez uma careta e sentou no lugar do Logan- E então, cadê o baixinho do Texas?
–Provavelmente tomando todas no bar com a Camille... -Suspirei preocupado, olhando na direção do bar mais uma vez.
–Eu soube que você saiu do armário no meio da festa. -James falou depois de dar um gole na latinha de Ribena em sua mão- Lucy me contou o rolo todo. Eu tô surpreso por você não ter dado uns bons tapas nela.
–Eu nunca faria isso. Com garota nenhuma. -Arregalei os olhos, mas Lucy ainda sorria enquanto dava um tapa no ombro do James.
–Talvez fosse bom você não ter feito isso. Provavelmente eu teria implorado por mais. O que eu posso dizer? -Lucy pegou a lata de Ribena da mão do James e deu um gole- Sou um tantinho masoquista...
–KENDALL!!!–A voz aguda de Camille ecoava de lá do bar, e olha que a música estava alta o bastante pra que eu não conseguisse ouvir muita coisa. Logo ela apareceu, com as bochechas vermelhas por causa da corrida que fez de lá até a tribuna VIP- Kendall, me ajuda com o Logan? Ele bebeu demais, acho que daqui a pouco ele vai passar mal...
–Mas ele bebeu tanto assim? -Franzi a testa- Que bebida ele tomou?
–Eu não lembro. Acho que foi o Heaven to Hell, algo do tipo...
Balancei a cabeça, sabendo que Logan estava ferrado pra valer. Eu conhecia a fama desse drink. O que dizem dele descreve bem o nome da bebida: No começo ela te leva pro céu, mas rapidinho ela te leva pro inferno. E pelo que Camille me dissera, Logan estava a caminho do inferno (Alguém aí pode tocar Highway to Hell?).
–Droga, eu vou lá... -Me levantei, pronto pra seguir Camille- Desculpa gente, mas eu tenho que ir. O Logan precisa de mim...
–Tudo bem, vai atrás dele. -Jo deu um tapinha no meu braço, como pra me mandar sair logo.
–A gente se vê amanhã, certo Knight? -James ergueu as sobrancelhas, um tanto preocupado.
–É claro. Eu já vou. Vejo vocês depois... -Foi o que consegui falar antes de Camille me puxar pro bar pra resgatar Logan.
–-----------------------------------
Pra resumir tudo o que aconteceu antes de eu chegar no meu apartamento rebocando o que sobrara do Logan, ele quase fez um carnaval quando me viu, gritando com um sorriso bobo como um legítimo cara que exagerou demais na bebida, me ofereceu um pouco do drink que segurava e que educadamente recusei, puxei ele pra fora da festa com a ajuda de Dak e com Camille logo atrás de nós três. Assim que chegamos no lobby, Logan vomitou no tapete ultrabranco (o que ia render em, no mínimo, um ataque de piti do Bitters) e aquilo foi a deixa para Camille se retirar do local com uma cara de que também iria vomitar logo. Dak teve um estômago mais forte e me ajudou a levar Logan até o elevador e de lá, eu assumi tudo.
Logo chegamos no meu apartamento. Logan gemia, esfregando a têmpora com os dedos. Ao que parece, o inferno do Heaven to Hell chegara até ele.
–Calminha aí cowboy, já estamos em casa. -Falei, arrumando melhor Logan em meu braço pra apoiá-lo melhor- Acha que consegue subir as escadas?
–Só se você me ajudar... -Foi o que Logan pareceu dizer, já que a língua dele fazia tudo ficar com som de "x". O que saiu da boca dele foi tipo "xó xi vuxê mi axudar". O que teria sido engraçado em qualquer outra hora, menos aquela.
Devagar, um passo de cada vez, ajudei Logan a subir as escadas. Claro que ele tropeçava vez ou outra (e eu admito, até que ri um pouquinho disso), mas em pouco tempo ele estava no quarto dele. Logan se jogou de bruços na cama, gemendo de alívio.
–Ah, até que enfim cheguei!!! -Logan pegou um travesseiro e jogou em cima da cabeça, o que dificultava ainda mais entendê-lo- Minha cabeça tá em chamas... -Foi o que ele pareceu dizer.
–Eu sei que tá doendo, mas faz um esforço pra ficar acordado. Vem escovar os dentes, vem... -Puxei Logan, que resmungava feito uma criança mimada, sendo puxado até o banheiro. Demorou um pouco, mas ele conseguiu escovar os dentes (depois de quase encharcar a camisa) e logo ele estava de volta na cama, dessa vez deitado de costas. Ele me olhou, parado no pé da cama dele, com um olhar quase... Faminto.
–Não vai tirar minha roupa, Kendall?
–Você tá bem grandinho pra pedir pra alguém tirar sua roupa. -Falei, tentando me desviar da tentação que seria despir Logan. Claro que eu não ia tirar a roupa toda dele, mas...
–Mas eu tô bêbado. -Logan choramingou- E eu preciso de ajuda!
–Okay, eu tiro. -Levantei as mãos, pra mostrar que eu tinha desistido- Mas vou precisar de uma ajudinha sua aqui.
–Sim senhor...
Logan sentou na cama e levantou os braços pra que eu tirasse a camisa dele. Fiz um sinal pra ele se levantar e, meio trôpego, ficou de pé. Sua expressão faminta não o abandonara nem um segundo.
–Me ajuda a tirar a calça?
Não precisava nem pedir, Logie, meu lado menos nobre cantarolava, implorando pra que eu arrancasse aquela maldita calça.
Nem pensar. Vai mesmo se aproveitar do Logan enquanto ele tá bêbado? Que jeito de começar um quase relacionamento..., meu lado mais racional falava firme. Como sempre, decidi obedecê-lo ao invés de me render ao meu monstro.
–Essa tarefa eu deixo pra você, cara... -Dei um tapinha no ombro de Logan e fui até a porta- Vou pegar um Advil pra você, tá bem?
–Claro, vai lá... -Logan falou enquanto se concentrava em tirar a calça.
Fui até meu quarto pegar Advil na maleta de primeiros socorros e voltei para o quarto do Logan. Ele estava tentando se enfiar debaixo do edredom, mas devido a seu estado bêbado parecia uma missão impossível. Não deu pra evitar rir dele.
–Hahaha, engraçadinho. Vamos todos rir da cara do bêbado!–Logan resmungou antes de olhar pra mim, suplicante e irritado- Pára de rir aí e me ajuda, Kindle...
Era a primeira vez que Logan me chamava mesmo de Kindle. Pelo menos era a primeira vez fora dos meus sonhos.
–Tá bem, eu vou te ajudar, só pára de se mexer tanto... -Respondi ele, meio rindo, meio repreendendo-o. Logo ele estava debaixo do edredom, parecendo uma criancinha de 5 anos indo pra cama- Escuta, eu trouxe o remédio pra você tomar--
–Deixa ele na mesinha... -Logan me interrompeu, apontando a mesinha de cabeceira- Fica comigo até eu pegar no sono? Por favor?
Olhei Logan ali, deitado. O cabelo dele já estava baixo, a franja negra quase cobrindo os olhos sonolentos. Parecia tão inocente... Bom, tão inocente quanto um cara que encheu a cara e está morrendo de sono poderia parecer. Me sentei na beirada da cama, ouvindo a respiração pesada de Logan enquanto ele caía no sono... Ou pelo menos eu pensava que ele estava caindo no sono quando ouvi a voz dele.
–Hey, eu posso te fazer uma pergunta?
–Claro...
–Você gosta de garotos, certo?
–Bom, geralmente é o que ser gay significa... -Eu ri.
–Então você não vai ter problema em responder isso. -Logan se mexeu até ficar de costas e olhou pra mim- Você me acharia um tipo que teria alguma chance com você?
Meu coração parecia ter parado dentro do meu peito. Encarei Logan, que ainda me olhava meio sonolento.
–Como assim?
–Ah, qual é, você entendeu Kendall... -Logan me empurrou de leve- Eu tô sob efeito do álcool, preciso me distrair um pouco do fato de que vai ter uma supernova explodindo na minha cabeça amanhã quando eu acordar. Me divirta.
–Você quer saber se eu te acho bonito, é isso? -Ele assentiu devagar, de olhos fechados e lábios apertados. Me aproximei dele e sussurrei, sem saber como minha voz ia sair- Você é, de longe, o cara mais lindo que eu já conheci na minha vida...
–É... -Um sorriso surgiu nos lábios de Logan- Você também não é nada mau, bonitinho...
–Agora eu fiquei ofendido... -Revirei os olhos, escondendo o fato do meu coração ter quase saltado do peito quando ele me chamou de bonitinho. Tá, não é bem um elogio, mas era melhor que nada- Bonitinho me desmerece, sabia? Bonitinho é só um feio arrumado, pra você saber.
–Sensível você... -A voz de Logan diminuía devagar. Ele ia cair no sono logo, mas ele ainda continuava a falar- Se eu fosse falar a versão completa do que eu acho sobre você não ia me conter tão fácil... Mas tudo bem se eu dissesse agora. Eu tô chapado, não ia me lembrar de nada. Isso ia morrer com meu eu embriagado, mas você saberia... E eu não saberia o que fazer quanto a isso, mas só pra você saber... Naquela hora, na festa... Eu não teria parado, sabe? Teria ido até o fim.
–Não teria parado o quê?
–Você sabe, Kindle...
Esperei que ele falasse algo mais, mas aparentemente ele caíra no sono. Afastei o cabelo da testa do Logan e dei um beijo na testa dele antes de ir embora pro meu quarto e me preparar pra dormir. Quando eu já estava de roupa trocada e embaixo do edredom, pronto pra dormir, finalmente soube do que Logan tava falando, sobre ter ido até o fim.
Adormeci ainda pensando em como seria a sensação dos lábios de Logan nos meus durante aquela festa.
Fale com o autor