The Roommate

22 Drowning My Thoughts Out With Sounds-Pt. 2


Notas iniciais
SEUS LINDOOOOOOOOOS!!! Sim, tem update fresquinho pra vocês de The Roommate. Eu vou conversar mais com vocês nas notas finais, mas até lá fiquem com a Kitty ;) --------------------- KITTY: Como eu disse no capítulo passado, eu ia contar mais a vocês sobre esse capítulo e as inspirações musicais que me levaram a escrevê-lo. Ultimamente eu tenho me aventurado mais nos artistas e músicas que escuto e acabei encontrando coisas incríveis. E uma delas foi Halsey. Foi meio que por acidente que encontrei ela, mas ainda assim agradeço por ter encontrado ela. As músicas dela pareciam traduzir perfeitamente os sentimentos e pensamentos dos meus personagem a essa altura, e achei que seria uma boa mostrar isso a vocês com Kendall e Logan cantando uma música dela nesse capítulo. Eu espero que gostem, de verdade. Ah, pra quem manja das referências traduzidas, tem uma leve referência escondida no final desse capítulo (e um leve spoiler do futuro ;) )

Mais tarde estávamos no lounge do Palm Woods, a caminho da piscina. Eu estava com um jeans cinza claro e uma camisa azul bebê, a mesma que eu havia usado no meu baile de formatura (sim, acredite ou não, ela ainda cabe em mim, e eu usei ela tão poucas vezes que parece novinha). Já Logan estava com uma camiseta branca minha, um jeans preto e um cardigã cinza claro (de acordo com ele, a roupa de tom mais claro que conseguiu achar no closet dele). Minha camiseta tinha ficado um pouco grande nele, mas ninguém ia reparar naquilo, eu espero. Além disso ver ele com a minha camisa me dava uma sensação boa.

Na porta que dava acesso à piscina podíamos ver Trem de Carga a postos, com a mesma cara carrancuda de sempre. Pelo menos ele não tentou nos barrar enquanto entrávamos na área da piscina e nos maravilhávamos com a decoração.

Havia tochas havaianas espalhadas por todo o lugar, e muitas faixas brancas. Na piscina havia hibiscos espalhados na água, tantos que não conseguíamos ver nem um pedacinho da água. No lugar onde ficava a “tribuna vip” do James havia algumas banquetas e cadeiras da piscina e do lado de uma das banquetas estava um pufe bege, com um violão em cima. Quem visse aquilo acharia que era um luau comum, mas só nós sabíamos o verdadeiro significado por trás daquilo.

Perto das cadeiras de praia conseguimos ver Gabe conversando com James e Carlos, talvez querendo saber como ele estava. Um pouco mais longe vimos Dak e Stephanie, um tanto abatidos, conversando. Do outro lado da piscina as Jennifers estavam sentadas nas espreguiçadeiras, quietas e impassíveis, mas pude ver de canto de olho a Jennifer morena dar um aceno escondido para nós. Quis chamar a atenção do Logan para aquilo, mas ele foi mais rápido do que eu pra falar.

—Quer esperar as meninas pra gente sentar com elas ou vamos sentar com o Dak e a Stephanie?

—Vão esperar quem? –Lucy apareceu atrás de nós, nos assustando. Aparentemente, assim como o Logan, ela não devia ter roupas claras no closet dela (exceto talvez as roupas do trabalho dela no restaurante da família). Ela usava um vestido cinza tempestade com uma jaqueta preta por cima. Ela não estava de maquiagem hoje, o que a fazia aparecer menos intimidadora do que de costume.

—Hey Lucy. –Falei, acenando rapidamente- Gostei da roupa.

—Valeu, loirinho. –Lucy sorriu, puxando a jaqueta pra baixo- Eu tive que me arrumar o mais rápido que pude pra chegar ao luau do Gabe a tempo. Eu não curto muito esse tipo de evento, mas é pela Mercedes, então... –Ela deu de ombros antes de voltar sua atenção ao Logan- De quem você tava falando, Logan? Jo e Camille?

—Elas mesmas. –Logan assentiu- Elas estavam no nosso apartamento hoje. Eu perguntei pro Kendall se devíamos esperar elas ou se já subíamos pra conversar com Dak e Stephanie.

—Steph tá meio estranha essa semana. –Lucy falou, sentando na ponta de uma das espreguiçadeiras- Crise de criatividade. Não percebem que ela tá mais chateada que de costume? Okay, sei que ela tá triste pela Mercedes também, mas esse bloqueio de escritora também colabora pra todo esse clima ruim dela. Vai por mim, não é uma boa conversar com ela quando a crise acontece.

Olhamos de volta para Steph e Dak e finalmente prestamos atenção na situação. A conversa dos dois parecia mais um monólogo por que na maioria das vezes só Dak falava enquanto Stephanie assentia, emburrada.

—Vou te falar uma coisa, Dak é persistente. –Lucy balançou a cabeça- Podem ficar aqui comigo até as meninas chegarem, e se elas quiserem, podem ficar aqui com a gente. Estamos com o melhor lugar da casa, meninos.

—Obrigado, Lucy. –Logan sorriu, sentando na espreguiçadeira ao lado dela e apontando a espreguiçadeira do lado dele para mim- Então... Como soube da Mercedes?

—Carlos me ligou contando sobre o que aconteceu e ainda me falou sobre o luau. Eu falei que hoje eu tinha que ajudar meus pais no Silver Dragon, mas que eu faria o que fosse possível pra estar aqui e, bom, aqui estou. –Lucy deu de ombros- E vocês?

—James me ligou de noite e eu falei pro Logan logo depois. –Falei- Soubemos do luau hoje pela Stephanie.

—Soube que você e a Carrasca de Grife ficaram amigos essa última semana. –Lucy se virou pro Logan, um tanto pesarosa- Eu sinto muito, Logan.

—Obrigado, Lucy. –Logan assentiu, encarando a piscina- Eu só espero que de algum modo os responsáveis pela morte dela recebam o que merecem.

—É o que todos nós esperamos. –Lucy colocou a mão no ombro do Logan, sorrindo tristemente- O Carlos me contou algo sobre as investigações que a polícia tem feito sobre o assassinato da Mercedes.

—Sério? O que ele te contou? –Perguntei.

—O modus operandi que esses caras usaram pra matar a Mercedes... É do mesmo jeito que aconteceu com a Jenny. –Lucy sussurrou- Sinais de luta, as facadas, os sinais de estupro...

—Então a mesma gangue de necrófilos que pegou a Jenny pode ter pego a Mercedes também?

—Não é óbvio? –Logan perguntou baixinho, achando que eu não poderia ouvir.

—Como assim, Logan?

—Bom, os sinais todos estão aí, não é? –Logan falou mais alto, um tanto surpreso por eu ter interrogado ele- Além disso, até onde sabemos, uma outra gangue de necrófilos não ia aparecer assim da noite do dia. Podem ser a mesma gangue mesmo.

—Mais alguém sabe disso, Lucy?

—Ainda não. –Lucy balançou a cabeça- A polícia quer investigar isso mais a fundo. Além disso, querem deixar isso em sigilo por enquanto. Claramente foram ordens do Griffin, talvez pra não despertar tanta polêmica tanto para a família quanto para a agência. É a terceira pessoa ligada à Rocque Management que morre em menos de um mês. Imagina a má publicidade que isso traria pra ele e para a agência?

Eu ia me perguntar quem era a terceira pessoa, mas então me lembrei do primeiro dia que Logan passou no apartamento. A notícia na TV sobre Dustin Beauford que havia morrido na noite anterior. Provavelmente não teria nada a ver com os necrófilos que mataram Jenny e Mercedes, mas ele tinha suas conexões com a Rocque por ser da banda do James. Nesse ponto Griffin até tinha razão em manter tudo sobre a morte da filha dele em sigilo.

—Bom, de qualquer modo, vocês não podem contar a ninguém o que eu contei pra vocês. –Lucy voltou a falar- Se alguém souber do que eu contei pra vocês podem até me matar... Okay, não vai chegar a esse extremo, –Lucy falou, logo após ver nossa expressão de espanto- mas vocês entenderam. Certo?

—Certo. –Logan e eu falamos ao mesmo tempo, assentindo.

—Ótimo. –Lucy assentiu de volta e olhou para a porta. Jo e Camille tinham acabado de chegar e nos localizara. A garota das mechas vermelhas ao nosso lado começava a se levantar- Bom, Jo e Mille chegaram. Eu vou conversar com o James e o Carlos, não quero atrapalhar vocês.

—Não vai atrapalhar, Lucy. –Logan puxou Lucy de volta à espreguiçadeira dela- E você conhece bem as garotas, elas são suas amigas. Não vão se incomodar por você estar junto com a gente.

—Bom, já que você tá sendo tão educadinho, eu fico. –Lucy sorriu, sentando de volta na espreguiçadeira e beliscando uma das bochechas do Logan, soltando em seguida e olhando Jo e Camille vindo em nossa direção. Logan esfregou a bochecha que Lucy apertou, meio sem graça.

—Tá tudo bem ai? –Perguntei com um sorriso enquanto Logan continuava a esfregar a bochecha.

—Isso me fez lembrar os meus aniversários quando minha tia Mildridge beliscava as minhas bochechas. –Logan falou, deixando sua mão cair no colo- Só que ela apertava ainda mais forte, e ainda insistia em encher a minha cara de beijos. Ela sempre usava um batom rosa choque que era todo grudento e era um pesadelo pra tirar do rosto depois.

—Bom, vamos agradecer pela Lucy não ter te apertado tão forte. –Sorri- Ou por ela não gostar de batons cor de rosa. Ou por ela não ter enchido sua cara de beijos.

—Não teria sido bom pra você se ela tivesse feito isso, não é mesmo? –Logan me olhou de canto de olho, com um sorriso brincalhão em seus lábios.

—Ah, nem um pouco. –Eu ri e me arrisquei a dar um beijo na bochecha onde Lucy havia apertado. Logan se virou pra mim, boquiaberto e um tanto corado. Meu sorriso se ampliara- E se eu tivesse feito que nem a sua tia?

—Desde que você não usasse batom rosa. –Logan falou devagar, sua mão subiu pousando de leve na bochecha onde eu o havia beijado- E que não apertasse muito minhas bochechas...

—Acredite, não ia ser as bochechas que eu apertaria... –Vi Logan arregalar os olhos enquanto eu ri de leve, ao mesmo tempo em que me dava um tapa mental. É isso o que acontece quando eu deixo meu monstro interior dar uma respirada fora da jaula- Bom, que tal melhorarmos essa cara? Jo e Camille estão chegando e elas vão fazer milhares de perguntas quando te virem assim.

—Você é impossível, Knight. –Logan balançou a cabeça e soltou um risinho. Ele parecia ter voltado ao normal. E parecia que eu tinha conseguido dar mais um passo em direção ao coração dele. Talvez.

Quando foi seis da tarde em ponto, Gabe apareceu, com o cabelo arrumado em um rabo de cavalo, uma camisa havaiana azul clara desbotada e uma calça branca larga e violão em punho, nos dando boas vindas ao luau funerário de Mercedes. Ele falou algumas palavras sobre como ele havia conhecido a Mercedes, e toda a saga dos dois de amigos a namorados, e todas as histórias que os dois tiveram durante quase três anos de relacionamento. Uma boa parte do público já estava às lágrimas, e eu confesso, até rolaram algumas lágrimas minhas durante o relato do Gabe. Logo que ele terminou ele pediu um minuto de silêncio pela Mercedes e logo depois, com o violão em posição, ele começou a tocar a versão praiana de Somewhere Over The Rainbow. Ao fundo eu ouvia o som do ukulele e olhando com mais atenção, eu percebi Carlos ao lado do Gabe, tocando o ukulele e fazendo o backingvocal para ele. Eu não sabia que Carlos tocava ukulele, foi até uma surpresa ver ele no “palco” com Gabe. Na esquerda, longe da visão do público para o “palco”, estava James com um sorriso de orelha a orelha olhando para Carlos. Era como se eu pudesse sentir o mesmo orgulho que ele estava sentindo pelo Carlos. O baixinho era bom naquilo.

Logo depois da música ter terminado e de Gabe e Carlos terem ganhado seus merecidos aplausos, o luau começou a entrar no ritmo. Claro que o clima de luto era notável, mas o jeito como Gabe quis que todo mundo lidasse com aquilo com a ideia que ele teve fez todo o luto parecer um pouco mais suportável. Eu até me arrisquei a puxar Camille pra dançar ao som de Rude na voz do Gabe, arrancando umas boas risadas do nosso pequeno grupo.

Mais algumas músicas depois, Gabe anunciou que ia dar um intervalo pra descansar a voz e tomar uma água e declarou que o violão estava aberto pra qualquer um que quisesse dar uma palhinha e animar o luau (agora essa é a parte que vocês me perguntam como se pode animar um luau funerário. E eis a minha resposta: eu não tenho a menor ideia). Foi nessa hora que senti Lucy se jogar no meu ombro.

—Hey Kendall, Gabe anunciou violão aberto. Podia tocar uma música pra gente.

—É, vamos ver se a galera tem a mesma reação que tivemos quando ouvimos você tocar. –Jo encorajava enquanto Camille só assentia rapidamente, como se ela fosse um daqueles bonecos cabeçudos que vivem balançando a cabeça.

—Okay, eu vou com uma condição. –Me virei para Logan, que automaticamente olhou pra mim- Você vai cantar junto comigo dessa vez.

—O quê? –Logan arregalou os olhos- Kendall, não sei se vou conseguir cantar na frente dessa gente toda...

—Por favor Logie, por mim? –Fiz a minha melhor cara de pidão que poderia fazer. Logan suspirava, debatendo mentalmente sobre a ideia.

—Esse olhar de cachorrinho, é golpe sujo sabia?

—Eu nunca disse que jogo limpo, Logan Mitchell. –Sorri e me aproximei meu rosto do dele, sussurrando a última frase só pra ele ouvir- Eu deixo você escolher a música, como na última vez que cantamos, lembra?

—Argh, você venceu. –Logan rolou os olhos, admitindo a derrota, mas seus lábios esboçavam um leve sorriso- Eu canto com você. Vamos...

Logan se levantou da espreguiçadeira e foi andando em direção ao palco. Eu sorri, olhando pra ele e logo em seguida olhando as meninas, que me encaravam boquiabertas. Camille foi a primeira a quebrar o silêncio.

—Mas o que caralhos voadores aconteceu aqui?

—Nada de mais. –Dei de ombros enquanto me levantava- Só decidi seguir o conselho de uma grande amiga minha. –Completei, piscando em direção a Jo e indo em direção ao palco, ouvindo Jo dar um risinho.

Logan estava sentado em uma das banquetas, arrumando o pedestal do microfone pra ficar entre a banqueta dele e a minha. Ele pegou o violão no pufe ao lado dele e me entregou com um sorriso tímido. Peguei o violão das mãos dele e me sentei ao lado dele. Logo vi a galera dirigir sua atenção ao palco aos poucos.

—Então, o que vai ser?

—Conhece Drive, da Halsey?

—Claro que sim. –Aliás, eu conhecia bem a música. Mitchell filho da mãe, não era possível ele ter escolhido essa música de propósito, não é?- Tá pronto?

—Mais pronto que isso, impossível. –Logan acenou com a cabeça em direção ao público. Eu assenti e me arrumei na banqueta.

—Oi pessoal. Eu sou Kendall Knight, e esse rapaz do meu lado é Logan Mitchell. –Falei no microfone, um tanto nervoso. Eu não sabia se ia conseguir cantar a música toda sem olhar nenhuma vez para o Logan. Podia até tentar, mas eu sabia que ia ser um esforço inútil, especialmente na hora que Logan abrisse a boca- A música que vamos cantar aqui pode não combinar muito com o clima de luau, mas faremos o possível pra dar certo.

Assenti pra mim mesmo e respirei fundo. Olhei nos olhos de Logan e ele assentiu levemente. Dedilhei o violão em uma versão acústica de Drive e pigarrei discretamente antes de começar a cantar.

(Kendall)

My hands wrapped around a stick shift

Swerving on the 405

I can never keep my eyes off this

(Logan)

My neck, the feeling of your soft lips

Illuminated by the light

Bouncing off the exit signs I missed

Logan olhava nos meus olhos enquanto cantava sua parte. Eu fiquei sem fôlego, como sempre fico, ao ouvi-lo cantar. Por conta do tom da música, a voz do Logan era baixa, rouca, e no segundo que ouvi a voz dele me arrepiei da cabeça aos pés. Claro, eu ainda podia notar um pouco dos tons altos na voz dele em uns poucos pedaços, mas ainda assim... Era incrivelmente sexy. Tive que me lembrar de que estávamos em público e que era a minha vez de cantar. Logo retomei o foco e voltei a cantar.

(Kendall)

All we do is drive

All we do is think about the feelings that we hide

All we do is sit in silence waiting for a sign

Sick and full of pride

All we do is drive

(Logan)

And California never felt like home to me

California never felt like home

And California never felt like home to me

Until I had you on the open road and now we're singing

Desde a parte que Logan voltou a cantar até a hora em que nós dois vocalizamos em harmonia ele tem cantado de olhos fechados, como se quisesse sentir a alma da música. O modo como ele cantara California never felt like home to me me fez derreter. Mas eu ainda conseguia detectar algo a mais na voz dele nessa parte, eu ainda não conseguia saber exatamente o quê. Mas eu consegui detectar fácil o sorriso dele na última frase do refrão, e não pude evitar em sorrir também.

(Logan)

Your laugh echoes down the hallway

Carved into my hollow chest

Spreads over the emptiness, it's bliss

It's so simple but we can't stay

(Kendall)

Overanalyze again

Would it really kill you if we kissed?

Eu tinha percebido que Logan mudara uma parte da letra. Era bem pequena, mas dava à letra um contexto novo, que ficava bem evidente enquanto cantava olhando pra mim. Queria muito deixar Logan cantar essa parte toda, mas eu tive que intervir. A última parte tava pedindo por isso. Cantei esse último pedaço olhando nos olhos de Logan o tempo todo. Ele desviara o olhar depois que eu cantei essa parte, olhando pra baixo, meio sem graça. Dei um risinho silencioso enquanto nós dois seguíamos para a última parte da música.

(Kendall e Logan)

All we do is drive

All we do is think about the feelings that we hide

All we do is sit in silence waiting for a sign

Sick and full of pride

All we do is drive

And California never felt like home to me

California never felt like home

And California never felt like home to me

Until I had you on the open road and now we're singing

Terminamos a música praticamente do jeito que começamos, um olhando nos olhos do outro, presos em nosso pequeno mundo particular. Isso até a plateia começar a aplaudir e assoviar, animados com o que havia ouvido. Logan e eu nos levantamos e nos curvamos, agradecendo o público. Deixei o violão no pufe e sai de lá com Logan, indo até as meninas, que dessa vez estavam acompanhadas de James e Carlos.

—Estava escondendo bem o jogo Kendall... –James falou assim que chegamos perto- Quando ia contar que o Logan cantava?

—Acho que não é algo que deveria contar sem o Logan saber que contei. –Falei, dando de ombros- Além disso, se eu não tivesse feito meu olhar de cachorrinho, talvez nunca tivessem ouvido ele cantar na vida.

—Olhar de cachorrinho idiota. –Logan murmurou, sentando na espreguiçadeira- Um dia eu ainda vou ser imune a isso.

—Ah, eu duvido que um dia você seja imune a qualquer parte de mim, Logie. –Murmurei de volta para Logan, só pra ele ouvir. Ele me olhou, a respiração dele ficando pesada de repente. Eu sorri, um tanto petulante, e voltei minha atenção para a piscina.

—O que foi que eu perdi aqui? –Ouvi Carlos falando, a confusão era notável em sua voz.

—Kendall decidiu exercitar a coragem dele, só isso... –Jo falou calmamente, completando com um risinho. Fiquei ponderando aquilo por um bom tempo e decidi que não havia descrição melhor para o que eu estava tentando fazer em relação a Logan. Sempre me disseram que eu era um cara de coragem, mas agora estava trabalhando para por essa coragem a prova.

Eu tinha que ver se tudo aquilo que diziam de mim, tudo o que passei a minha vida inteira acreditando sobre mim, era verdade.

O luau durou noite adentro, mas de toda a galera que tinha vindo só havia sobrado uma parte da nossa galera, que se dispôs a ajudar Gabe a arrumar a piscina ou então Bitters ia chiar por causa da bagunça. Lucy, Camille e Jo se dispuseram a apagar e recolher as tochas, Dak e Stephanie colocaram as cadeiras e pufes nos lugares certos, e eu e Logan ficamos com a tarefa de pegar os hibiscos da piscina. James tinha saído pouco antes da festa ter sido declarada encerrada, com Carlos a tiracolo. Mesmo estando de luto, ele ainda tinha que se focar no trabalho. Carlos contou para nós que o ensaio para a GQ e para o single do James seria de manhã cedinho e James tem todo um ritual pré-photoshoot pra fazer. Nós só rimos e dissemos que era compreensível. Afinal era James Diamond. A beleza dele não era criada em um estalar de dedos. As Jennifers, claro, não ficaram para ajudar, mas ao menos foram sociáveis o bastante para se despedir de todos nós. Gabe saiu logo depois de distribuir as tarefas entre nós, agradecendo nossa presença no luau e nossa disposição para ajudar ele.

Eu e Logan estávamos lado a lado, tirando os hibiscos que colavam na parede da piscina em silêncio. Eu ouvia Logan suspirar e murmurar sozinho enquanto tirava as flores e as colocava em um saco preto que estava entre nós dois. Eu estava meio preocupado com ele, pois desde o nosso dueto mais recente ele ficou calado. Bom, mais do que de costume.

—Logan, tá tudo bem aí?

—O que foi? –Logan balançou a cabeça e me olhou, meio que pego de surpresa- Ah, não, estou bem sim. Só tô meio distraído, só isso.

—Você... –Engoli seco antes de continuar a falar- Você não tá irritado por eu ter literalmente te forçado a cantar comigo na frente de toda aquela gente não é?

—Não, nem um pouco. –Logan sorriu, colocando um hibisco no saco- Se quer saber, eu queria mesmo cantar contigo. Acho que a timidez e a surpresa da sua proposta me pegou de guarda baixa.

—Tem certeza disso?

—Claro que tenho. –Logan assentiu de leve- Além do mais, mesmo se eu não quisesse e você me pedisse, eu faria do mesmo jeito. Acho que estou descobrindo que simplesmente não posso negar nada a você.

Aquela afirmação fez meu coração acelerar dentro do meu peito. Eu podia ouvir ao fundo meu lado petulante dar uma risadinha, quase como se cantasse vitória.

—E isso é bom ou ruim? –Dei um sorriso de lado, que fez Logan ruborizar.

—Não sei bem, Kendall. –Logan deu de ombros- Isso só o tempo dirá.

Nós nos olhamos por um breve segundo, com um sorriso leve em nossos lábios, antes de voltarmos a pegar os hibiscos da piscina. Eu peguei de canto de olho Jo fazendo sinal de positivo com o polegar para mim enquanto Lucy batia palmas silenciosas e Camille fazia uma versão curtinha da sua dancinha do xablau. Eu só balancei a cabeça e voltei a me focar na minha tarefa. Minhas novas amigas com certeza eram muito doidas.

Graças a nossa rapidez pra limparmos a piscina (apesar de Logan e eu termos dado uma pausa para conversarmos), Logan e eu terminamos nossa tarefa mais cedo e já estávamos nos despedindo das meninas quando Dak e Stephanie nos chamaram. Demos mais um “até logo” e andamos em direção a eles. Stephanie estava brincando com o cabelo dela, fazendo tranças e desfazendo o tempo todo. Era estranho, se fosse considerar que era a Stephanie, e ela nunca parecia ter esse ar perdido. Acho que é isso o que acontece quando se perde duas amigas em menos de uma semana

—Nem tivemos chance de conversar direito hoje. –Dak falou enquanto Stephanie sentava no último pufe que faltava guardar- Vocês estão bem? A propósito, o dueto de vocês foi bem legal.

—Valeu Dak. –Dei um sorriso velado enquanto dava de ombros- Estamos tão bem quanto o possível. A notícia sobre a Mercedes pegou a gente de surpresa.

—Pegou a todos nós de surpresa. –Dak falou, olhando a meia-irmã desfazendo a trança no longo cabelo castanho escuro com uma expressão desolada- Steph nem bem se recuperou da morte da Jenny, e mais essa acontece.

—Steph... –Logan se aproximou de Stephanie e agachou até ficar no mesmo nível que ela. Pegou as mãos dela que ainda estavam no cabelo com cuidado e tirou-as de lá- Eu sei que você deve ter ouvido muito que as pessoas sentem muito pela sua perda e tudo mais, por isso não quero te dizer isso. Quero que saiba que se você quiser conversar, saiba que eu estou aqui, tá?

Steph fez uma carinha triste e se jogou nos braços do Logan, chorando como uma garotinha. Olhei para Dak, que também parecia a ponto de chorar vendo a irmã em um estado tão vulnerável.

—Era isso que eu temia não ver. –Dak falou, a voz dele embargada, como se estivesse contendo as lágrimas- Stephanie sempre foi do tipo que deixa as emoções fluírem no teclado do computador, e durante esse bloqueio dela, tem ficado muito fechada. E agora com essa notícia da morte da Mercedes... Ela ficou tão calada que eu tinha medo que ela estivesse guardando tudo isso dentro dela até não aguentar mais e explodir. Eu sou irmão da Steph há 14 anos, eu já presenciei muitas explosões emocionais dela pra saber que não é bom estar por perto quando acontece.

—Se você quiser, ela pode dormir no meu apartamento. –Ofereci educadamente. Além disso, Stephanie ainda estava grudada no Logan, chorando- Tenho uma cama no meu mini estúdio, ela pode dormir lá, tomar o café da manhã com a gente e voltar de manhã para o apartamento de vocês.

—Não é necessário, Kendall. Como disse, sou irmão dela há mais de uma década. –Dak deu um sorriso fraco- Assim como já vi as explosões emocionais dela, sei como acalmá-la. Vai ficar tudo bem.

—Obrigada, Logan... –Ouvimos à nossa frente a vozinha chorosa de Stephanie falando baixo enquanto secava as lágrimas- Acho que eu precisava disso mesmo...

—E minha oferta ainda está de pé. –Logan sorriu, esfregando os braços de Stephanie- Se quiser conversar, eu tô aqui. Também perdi uma grande amiga, sei o quanto guardar isso no peito dói.

—Obrigada de novo. –Stephanie deu um sorriso triste enquanto alisava o ombro do cardigã do Logan, molhado com suas lágrimas, antes de virar para Dak, visivelmente melhor do que quando a vimos mais cedo- Dak, quero ir pra casa.

—Claro, mas só depois de arrumarmos os pufes. –Dak assentiu para a irmã- Só falta esse, Steph.

—Okay, tudo bem. –Stephanie pegou o pufe enquanto resmungava- O que fiz pra merecer um irmão tão mandão?

—É, parece que ela voltou ao normal. –Logan sorriu, voltando para nós- Kendall, quero ir embora também. O sono bateu forte aqui.

—É, em mim também. –Dei um risinho antes de me virar para Dak- Nós já estamos indo pro apartamento. A gente se vê por aí.

—Claro. –Dak assentiu- Eu digo a Steph que vocês foram embora.

Acenamos um tchau para Dak, que acenou de volta, e cruzamos o lobby até chegarmos aos elevadores. Um deles se abriu e nós entramos nele. Logan apertou o botão do décimo andar e ficamos vendo nossos reflexos se multiplicarem nas paredes espelhadas do elevador.

Eu não precisava nem olhar para Logan para saber que ele me olhava. Pelo reflexo do elevador, eu via o perfil dele virado em minha direção e pude ver mais detalhes dele que tinha me escapado: o traço forte do queixo dele, a linha reta do nariz dele, o modo como seus lábios formavam um biquinho involuntário, mesmo um tanto entreabertos como naquela hora. Pelo espelho do elevador também podia ver seu olhar, como se houvesse chamas por trás dele, mas não era agressivo. Era como se ele pudesse me derreter com aquele olhar (como se ele já não estivesse fazendo isso). Tomei coragem e virei meu rosto para encará-lo de volta. Estávamos muito perto um do outro. Podia sentir seu hálito quente batendo no meu rosto. Engoli seco e falei baixinho.

—Tá tudo bem, Logan?

Mal tive tempo de concluir a pergunta e senti uma das mãos do Logan irem por trás da minha cabeça enquanto a outra pousava levemente no meu peito. A distância entre nossos lábios se encurtou e tudo que pude fazer foi fechar os olhos, segurar Logan pela cintura e sentir aquele momento tomar conta de cada célula do meu corpo.

Respirei fundo enquanto a ponta da minha língua escapava entre meus lábios e batia de leve nos lábios fechados de Logan. Ele se separou por um segundo, suspirando fundo, antes de ceder passagem. Ele gemeu em minha boca assim que nossas línguas se encontraram. Aquilo parecia ter ligado algo dentro de mim. Minhas mãos se agarraram mais firme em sua cintura e eu o puxava para mais perto de mim, como se ainda tivesse espaço demais entre nós. Eu dei um passo pra frente, guiando Logan até ele ficar de costas para a parede do elevador. Senti ele respirar fundo enquanto minha língua explorava cada cantinho da sua boca. Ele agarrava meus cabelos com um pouco mais de força quando eu fazia algo particularmente certo, então decidi me guiar por aquilo. Sem contar que cada puxada que Logan dava me excitava ainda mais.

E foi assim, tão rápido quanto começou, nosso beijo parou. Nos afastamos, meio sem ar. Nossas testas coladas uma na outra, nos encarando intensamente. Não havia nenhum traço do belo castanho chocolate que eu normalmente via nos olhos do Logan. Só havia o negro em seus olhos, como uma noite sem estrelas. Eu ainda podia ver aquele fogo que ardia atrás do seu olhar, mas dessa vez era como se ele quisesse conter esse fogo e ao mesmo tempo, deixar ele livre para incendiar tudo aquilo que ele visse pelo caminho.

E eu não me importaria de ser queimado pelo fogo dele.

—Acho que você tinha razão... –Logan falou ofegante, ainda me encarando.

—Em geral eu costumo ter razão sobre muita coisa. –Falei igualmente ofegante- Seja um pouquinho mais específico.

Logan deu um risinho curto que enviou um tremor delicioso por todo o meu corpo. A mão no meu cabelo fazia um carinho leve enquanto a mão no meu peito não tinha saído do lugar desde que nosso beijo começou. Eu tinha certeza que ele podia sentir o quanto meu coração estava batendo forte.

—Um beijo não ia me matar mesmo. –Eu fiquei confuso por um segundo até me lembrar do que ele queria dizer. O dueto de algumas horas atrás, quando eu peguei a deixa na música na hora exata que eu queria poder dizer ao Logan tudo o que queria dizer desde aquele primeiro beijo no rink de patinação. Meus lábios esboçavam um leve sorriso, mas Logan ainda não havia terminado de falar- E no entanto, isso é tudo que eu posso ter agora.

Logan se endireitou. Sua cabeça batendo de leve na parede do elevador enquanto sua postura voltava ao normal. A mão dele que estava nos meus cabelos caiu devagar enquanto a outra ainda estava sob meu coração. Ele olhava para aquela direção em um misto de carinho e dor. Com um suspiro, ele me empurrou gentilmente pra trás, deixando a outra mão cair ao lado dele.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa o elevador se abriu no nosso andar. Logan respirou fundo e saiu do elevador, e eu fui logo atrás dele, pegando as chaves do apartamento no meu bolso da calça. Logo estávamos de volta ao nosso apartamento, com as luzes todas apagadas, somente tendo como fonte de claridade a luz da lua que entrava pelas janelas da sala. Tranquei a porta e coloquei a chave em um prego do lado da porta. Fui andando até a escadaria, onde Logan estava parado, como se estivesse pensando. Ele começou a falar assim que me viu.

—Eu já vou dormir. Foi um dia emocionalmente cheio pra gente.

—Eu ainda vou demorar pra dormir. –Falei- Mas eu vou tentar descansar. Se não der certo, vou ficar no estúdio vendo os detalhes na música que encontrei na pasta do James.

—Só... Não vá dormir tarde, tá bem? –Logan colocou a mão no meu ombro e se aproximou, dando um leve beijo em meus lábios antes de se virar e subir as escadas.

—Espera, Logan. –Logan parou de subir as escadas. Seu rosto se virou de leve para me olhar- Você me disse, lá no elevador...

—Sim?

—Disse que aquele beijo era tudo o que você poderia ter agora. –Falei, não em tom de confusão, mas ainda assim inquisitivo- E o que foi isso agora há pouco, aqui na escadaria?

—Acho que eu quis abusar um pouco da sorte dessa noite... –Logan falou, a voz dele como um sussurro- Boa noite, Kendall.

—Boa noite, Logie. –Respondi com um leve sorriso no meu rosto enquanto eu esperava Logan entrar no quarto dele para subir as escadas e entrar no meu estúdio.

Fiquei pensando em tudo que havia acontecido naquele dia. Aquele momento no quarto do Logan, logo depois de termos recebido a notícia sobre a Mercedes, o nosso dueto no luau, o beijo no elevador e o selinho de agora na escadaria. Não pude evitar em voltar a pensar no que Logan me dissera no elevador. Sim, ele estava certo, um beijo meu não iria matar ele. Mas será que mataria ele admitir que sente algo por mim?

Eu me fazia essas perguntas inutilmente, sabendo que a única pessoa que sabia as respostas estava no cômodo ao lado, talvez pensando em tudo que tinha acontecido hoje como eu pensava. Eu respirei fundo e passei a mão pelo cabelo antes de me sentar na banqueta, pegar o violão e dedilhar algumas notas enquanto eu cantarolava junto com a melodia de John Mayer que eu tocava no violão.

Notas finais
Gente, só rapidinho aqui pra falar. Esse é o último capítulo de The Roommate de 2015. A fic vai dar uma paradinha de férias e só voltar em Janeiro. Até lá, comentem, favoritem, adicionem a biblioteca... ;) Amo todos vocês. Beijinhos e boas festas ^^