The Roommate

3 Crossing Thru Those Brown Eyes


Notas iniciais
Depois de muita enrolação esse fim de semana finalmente posto o segundo episódio de The Roommate!!! Sei que demorei mesmo e vocês podem me esculachar, se quiserem, mas esse capítulo vai compensar, prometo... ;) E agora com a palavra, a inner. -------------------------- KITTY: Como muita gente percebeu, eu fiquei falando mal do final do primeiro episódio, disse que não tava lá essas coisas. Tenho dois motivos pra falar isso: 1°, eu não sei escrever cenas de estupro, e 2°, meu irmão tava por perto quando eu escrevi. Mas eu pretendo melhorar nesse quesito, já que vamos falar muito disso na fic (e pra variar tenho que manter meu irmão longe enquanto escrevo). Enfim, eu não sei vocês, mas eu fiz o Kendall ficar meio necessitado nesse episódio, sei lá. Acho que transferi pra ele minha maluquice, vai entender. Mas nos próximos capítulos ele vai se comportar pra que a história flua melhor, promise... ;)

POV Kendall

Acordei de manhã meio dolorido. É o que acontece quando você passa a noite no sofá, pensei comigo mesmo. Peguei meu celular e olhei a hora. Eram 10:15. Tinha tempo suficiente até as entrevistas de hoje. Fui para o banheiro tomar um banho e escovar meus dentes. Saí do banheiro enrolado na toalha em direção ao meu quarto, procurando algo pra vestir, quando vi meu celular tocar. Corri pra atender assim que reconheci o toque da minha mãe. Eu devia ter me lembrado de ter ligado pra ela assim que terminei a mudança, mas o cansaço falou mais alto e nem pude mandar uma mensagem pra ela.

–Kendall querido, tudo bem aí em Los Angeles? -A voz da minha mãe soava preocupada, mas tentando soar despreocupada, como sempre.

–Oi mãe. Tá tudo bem aqui em L.A., devia ter ligado ontem, mas eu não pude por causa da mudança, desculpe...

–Tudo bem, filho. Entendo que deve ter sido cansativo ontem, tudo bem mesmo. -Eu pude ouvir o sorriso dela, respirando aliviada- E então, fez amigos aí? Como é o James Diamond? Eles estão te tratando bem aí?

–Calma, mãe. Perguntas demais, dá um tempo aí... -Dei um riso curto e continuei- Tá tudo legal aqui, o pessoal é bacana e até onde pude ver, James também é um cara legal. Eu só vou começar a trabalhar na semana que vem, então vou ter tempo o bastante pra me enturmar. Eu vou conhecer meu colega de quarto hoje...

–Colega de quarto? -A preocupação voltou a tingir a voz da minha mãe- Kendall, tome cuidado com esses colegas de quarto...

–Mãe, fica tranquila. Não é como se eu fosse querer um psicopata como colega de quarto. -Revirei os olhos enquanto vasculhava o quarto em busca da minha camisa xadrez verde favorita. Talvez ela me desse sorte pra hoje- E além disso, tenho 23 anos, sei me cuidar bem, mãe...

–Eu sei, mas sabe como eu sou... -Ouvi o risinho curto dela antes de ouvir uma voz ao longe. Devia ser a Katie- Katie acabou de chegar da casa da Mindy, está te mandando um oi.

–Manda um oi de volta a ela, diz que eu tô com saudade da minha pirralha favorita.

–Eu vou dizer. Tenho que ir agora, filho. Hoje tenho que varar a noite naquele restaurante e se eu não aparecer logo aquilo vira um caos... -Minha mãe suspirou. Depois que meu pai foi embora, ela ficou o negócio dele, um restaurante que fica no centro de Sherwood. Ela era a gerente de lá e vivia cheia de coisas a fazer por lá. Não que a gente reclamasse. Isso só serviu para que eu e Katie aprendêssemos a se virar por conta própria. E minha mãe nunca foi o tipo ausente. Ela fazia questão de acompanhar tudo em nossa vida- Me liga quando puder, querido.

–Ligo sim, mãe. Bom trabalho pra senhora. Eu te amo...

Desliguei o celular e suspirei ao olhar a hora. Eu tinha meia hora pra me trocar, tomar um café da manhã e me preparar pra entrevistar colegas de quarto em potencial.

–-----------------------------------

Fechei a porta, dando um tchau meio desanimado para o garoto que acabara de entrevistar. Eram 2 da tarde e o resumo de tudo isso até agora? Foi uma verdadeira merda. A maioria dos garotos eram esquisitos demais, metidos demais ou simplesmente não iam com a minha cara. Ou então eu não ia com a cara deles. Alguns até tinham um potencial, mas faltava... Alguma coisa... Eu ainda não sabia o que era, mas eu sentia isso...

Agradeci por dentro por já não ter mais ninguém pra entrevistar. Decidi visitar o parque ao lado do Palm Woods. Eu o havia visto da janela do carro da Rocque Records antes de chegar no hotel. Era gigante, com muito verde, tinha até um lago artificial no meio do parque. Era realmente um lugar lindo pra relaxar. Quando eu finalmente ia sentar e respirar um pouco, eu vi uma pessoa estranhamente familiar sentada em um dos bancos no parque com duas garotas a seu lado.

Bom, ao que parecia, James também teve a ideia de vir para o parque tomar um ar. E ele estava bem acompanhado.

–Ora ora, quem vemos aqui? -James me cumprimentou sorridente- E aí Kendall?

–E aí, James. -Sorri e apontei para as garotas- Não vai me apresentar suas amigas?

As garotas sorriram calorosamente para mim. Uma delas parecia ser minha irmã gêmea ou sei lá. Cabelos loiros, sobrancelhas grossas, mas seus olhos eram castanhos. Parecia uma princesa de contos de fada. Já a outra parecia ter saído de um show de rock. Cabelos negros, com mechas vermelhas brilhando intensamente, seus traços orientais pareciam sombrios graças a maquiagem pesada em seus olhos.

–Claro, essas são Jo Taylor -James me apresentou apontando a loira e logo em seguida a oriental- e Lucy Stone. Jo vai ser protagonista em um seriado na Universal Channel e Lucy acabou de voltar da turnê europeia dela. Meninas, Kendall vai ser meu compositor esse ano. Eu mostrei o vídeo dele pra vocês.

–Ah, então é você... -Lucy me mediu com os olhos, parecendo satisfeita. Mudei o peso do meu corpo, meio desconfortável- Você é muito bom, Kendall. Quem sabe eu te roube do James pra escrever umas músicas pra mim.

–Nem vem, Stone. Eu tenho prioridade criativa sobre o Kendall, okay? -James levantou um dedo, segurando a risada. Jo nem se preocupou em segurar, ela já estava rindo.

–James e Lucy se provocam o tempo todo, parecem um casal de velhos... -Jo balançou a cabeça- Se bem que ele e o Carlos também ficam desse jeito o tempo todo...

–Hey Taylor, que tal você deixar meu chaveiro em paz? -James se virou para Jo, que pareceu nem se abalar- O que acontece entre o Carlos e a minha pessoa só diz respeito a nós dois...

–Tá, desculpa aí, Diamond... -Jo levantou as mãos, como que pedindo desculpas- E então, Kendall, o que tá achando de Los Angeles até agora?

–Achei incrível. Não tive muito tempo pra ver a cidade, mas o que eu vi dela foi demais. -Sentei ao lado dela no banco (sorte que havia espaço pra eu sentar)- Você é agenciada da Rocque?

–Sou sim, mas dei uma pausa na música pra me dedicar a atuação. -Jo sorriu timidamente- Na verdade eu já cantava desde os 15 anos, mas sempre quis ser atriz. E você Kendall, sempre quis ser cantor ou outra carreira te atrai?

–Bom, até os 10 anos queria ser jogador de hockey, mas aí meu pai me deu um violão e me ensinou a tocar. Desde então, não consigo imaginar minha vida sem música. Ela virou parte de mim agora... -Tive que dar uma pausa para engolir o nó que se formara na minha garganta. Falar do meu pai sempre me dava essa sensação de vazio que não conseguia preencher...

–Isso é legal. Você tem tanta certeza do que quer. -Jo suspirou, olhando pro alto- Já eu estou dividida entre a música e a atuação. Adoro as duas, mas se tivesse que escolher uma delas pra fazer a minha vida, seria complicado...

–Hey, do que vocês estão falando? -Lucy virou a cabeça para nós, James também fazia a mesma coisa, de repente interessado no que estávamos conversando.

–Sobre escolhas profissionais, por quê? -A sobrancelha de Jo se levantou, inquisidora- O que achou que estávamos conversando?

–Ah, nada... -Lucy deu de ombros- Hey Kendall, já sabe da festa que a Rocque Records vai dar esse domingo?

–Já Lucy, James me convidou ontem pra essa festa -Cocei a cabeça. Se eu não soubesse, diria que Lucy estava flertando comigo. É uma pena que não estava interessado mesmo. Se fosse em uma outra vida, quem sabe? Lucy era bonita, isso era óbvio, mas ela não me atraía. Sei que é confuso de entender, mas é o que eu sinto- Suponho que vocês duas vão também, não é?

–Claro, eu vou estar lá. -Lucy apontou para si mesma- Só não sei quanto a Jo. Já falou com a Mille?

–"Mille"? -A testa de Jo se franziu- Quando é que você teve toda essa intimidade com a Camille?

–Tá, foi mal. Já falou com a Camille? -Lucy sorriu sarcástica. Parecia se divertir com a irritação da loira ao meu lado.

–Falei, mas ela ainda não se decidiu. Ela vai deixar tudo para a última hora como sempre... -Jo revirou os olhos- Mas eu vou sim, com ou sem ela.

–Camille é a colega de quarto/namorada da Jo. Você provavelmente vai conhecê-la na festa. -James me explicou enquanto eu arregalava os olhos. Não que isso me chocasse, afinal estávamos na California. E pela primeira vez senti que estava no mesmo barco que a Jo. Talvez não seria tão ruim se me abrisse... Enquanto eu pensava, James continuava a falar- Ela é legal, só... Um tanto dramática. Vai ver quando conhecê-la.

–Eu espero... -Dei um sorriso tímido enquanto via Jo e Lucy ainda se enfrentando por causa da tal Camille.

–-----------------------------------

Cheguei ao apartamento depois de conversar um bom tempo com James, Lucy e Jo. James agia como se fosse meu GPS, me mostrando os lugares importantes perto do Palm Woods, como o Starbucks, a Domino's Pizza, um mercado Whole Foods, uma loja de smoothies (essa eu tive um interesse especial. Adorava smoothies). Ele sempre arrumava um jeito de estar no centro da conversa, mas não fazia por mal, eu acho. Quer dizer, ele fazia isso sem nem ter consciência disso. Ele tinha um magnetismo único. Jo adorou conversar comigo, assim como eu gostei de conversar com ela. Em um nível bem profundo a gente se conectava. Eu poderia dizer que seríamos bons amigos. Uma pena que eu não poderia dizer o mesmo da Lucy por um bom tempo. Claro, ela podia ser bem legal quando queria, mas sempre que falava comigo, ela se jogava em cima de mim. Teria que deixar as coisas bem claras com Lucy antes que ela se magoasse.

Quando eu finalmente tinha me sentado no sofá pra descansar ouvi uma batida na porta. Com um suspiro cansado abri a porta.

Naquele momento eu me esqueci de tudo. Me esqueci como se fala, como respira. Esqueci até do meu nome...

O garoto à minha frente estava mudando o peso de um pé para o outro, deixando bem claro que era tímido. Seu cabelo castanho escuro estava arrumado em um topete arrepiado no topo e por um segundo me perguntei se era tão macio quanto parecia. Ele era baixinho, não tanto quanto Carlos, mas era do tamanho certo pra ficar na ponta dos pés pra beijar alguém que fosse mais ou menos do meu tamanho. Era pálido, como se nunca tivesse visto um dia de sol em sua vida, mas um tom rosado coloria suas bochechas. E seus olhos... Oh, seus olhos... Eram cor de chocolate, tão lindos, tão brilhantes. Eles me encaravam de uma forma tão inocente, tão assustada, mas ao mesmo tempo tão intensa. Aqueles olhos castanhos me prenderam tão fácil...

–Com licença, eu estou procurando Kendall Knight. -A voz dele soou baixa, quase que inaudível, mas eu podia ouvi-lo perfeitamente. Ele tinha um sotaque todo doce na voz dele que transformava meu nome de Kendall para Kindle. Era até fofo. Eu podia ouvi-lo falando meu nome o dia todo- É sobre a vaga de colega de quarto...

–Ahn? -O assunto havia me trazido de volta a realidade. Pisquei umas duas vezes antes de responder, meio sem jeito. Eu tinha secado o garoto na maior cara de pau e ainda nem o conhecia. Eu devia levar um tapa na cabeça por isso- Claro, tá falando com ele.

–Você é Kendall Knight? -Os olhos dele se arregalaram de surpresa, me encarando de cima a baixo. Um leve vestígio de sorriso parecia brotar em seus lábios, revelando um par leve de covinhas em suas bochechas, covinhas como as minhas. Céus, teria como ele ser ainda mais surreal?

–Sou sim, e você é...? -Estendi a mão para ele, um sorriso amigável em meus lábios.

–Logan. Logan Mitchell. -Seu sorriso tímido ficou mais confiante e eu podia ver suas covinhas de verdade, uma cópia perfeita das minhas. O toque da sua mão na minha era frio, mas gentil, macio. Como um cara podia ser assim?, eu pensava- Desculpe-me pelo atraso, é que tive que resolver umas coisas antes de vir pra cá.

–Tudo bem, não tem problema. Quer entrar? -Abri ainda mais a porta, deixando Logan entrar em meu apartamento.

Logan encarava todo o meu apartamento, com um misto de encanto e confusão assim que pôs os olhos no tobogã.

–Quem tem um tobogã no apartamento?

–Era dos antigos donos. -Dei de ombros- Eu escolhi manter, achei que seria legal. Quer se sentar, Logan?

–Claro... -Nos sentamos no sofá laranja, nos encarando com um breve segundo até que minha capacidade de falar voltasse.

–Então, Logan, me fala um pouco mais de você. De onde você é?

–Texas. Me mudei pra cá há umas 2 semanas pra trabalhar, mas fiquei esse meio tempo em uma pousada em Santa Monica. Foi quando eu vi o seu anúncio e decidi me arriscar. Afinal de contas, me mudar pro Palm Woods me deixaria até mais perto do trabalho.

–Vai trabalhar com o quê?

–Vou ser estagiário em uma agência, mas só começo na segunda feira. -Logan deu um meio sorriso- E você Kendall, o que faz?

–Eu sou compositor... -Falei meio sem jeito- O que me leva a primeira pergunta. Como compositor, eu vou ter que tocar bastante, ás vezes até de madrugada quando a inspiração me chamar. Você não vai ter um problema com isso, não é?

–Claro que não. Eu tenho umas crises de insônia de vez em quando, seria bom passar o tempo ouvindo música do que ficando quieto sem fazer nada. Além disso, fiquei curioso quanto a você. Me pergunto se você é bom músico... -Mais uma vez seu sorriso torto apareceu, me deixando meio envergonhado. E era raro eu ficar envergonhado.

–É, acho que dou pro gasto... -Cocei a cabeça- Você não é do tipo que usa drogas ou anda com gente estranha por aí, né?

–Na última vez que chequei não... -Logan riu- Se quiser um exame anti-doping, posso fazer na boa.

–Não, que isso. Eu acredito em você. -Sorri de volta- Bom, pode parecer estranho, mas acho que seria perfeito se você fosse meu colega de quarto. Aceitaria se mudar, tipo... Hoje mesmo?

–Hoje? -Os olhos de Logan pareciam que iam sair de seu rosto pálido- Tem certeza? Eu nem arrumei direito as minhas coisas. Na verdade nem tinha certeza se ia conseguir... Pode me dar até amanhã pra fazer as minhas malas?

–Claro, que cabeça a minha. É claro que sim, eu espero até domingo. -Eu sorri, tentando esconder minha idiotice. Por que eu tive que ser tão apressado para convidá-lo a se mudar hoje?- É que eu tava tão animado em finalmente ter achado um colega de quarto decente. O pessoal que passou por mim eram todos uns idiotas... -Balancei a cabeça me lembrando das entrevistas anteriores enquanto guiava Logan até a porta.

–Nossa, foi tão ruim assim antes de eu chegar?

–Não faz ideia... -Ficamos um bom tempo ali nos olhando. Meus olhos verdes encaravam os olhos castanhos de Logan com interesse e esperança. Decidi sair do transe que me auto impus e peguei uma caneta e um pedaço de papel na mesinha perto da porta. Me apoiei no batente da porta e comecei a escrever- Esse é o meu número. Qualquer coisa pode me ligar.

–Valeu. Ahn, pode me emprestar...? -Logan apontou meio sem jeito para a caneta e o papel, e eu entreguei a ele. Usando a parede como apoio, ele também escreveu seu número de telefone- É mais do que justo você também ter o meu número de telefone, assim você não vai estranhar se eu te ligar.

–É claro. -Peguei o papel de suas mãos na mesma hora que ele pegou meu número. O toque frio ainda estava lá, mas me mandava um surto de eletricidade pelo meu corpo, ao mesmo tempo em que um calor invadia meu interior. De alguma maneira inexplicável esse moreno baixinho do Texas tinha realmente despertado minha atenção, mesmo sem saber disso- Até amanhã, Logan...

–Até amanhã, Kendall... -E com um sorriso de covinhas ele sumiu pelo corredor, me deixando na porta do meu apartamento, sorrindo como um idiota.

–Logan Mitchell... -Murmurei pra mim mesmo, enquanto voltava ao meu apartamento, o sorriso ainda estampado no meu rosto.

Notas finais
Até que enfim!!! Mais detalhes desse episódio só no próximo episódio semana que vem (e antes que me perguntem, os updates serão semanais, sempre no fim de semana, okay?). Quero comentários fofos (e estarei de olho nas mentions, galera do Twitter)