The Roommate

24 Between Heaven and Disaster - Pt. 2


Notas iniciais
AEEEEEEEE CAMBADA, ESTOU DE VOLTA SEUS LINDOS DO MEU CORE!!! Como eu prometi, mais um update antes do mês acabar. Aproveitem o capítulo e se quiserem me desejar feliz aniversário atrasado, eu aceito, viu? (*ligando a Taylor Swift* I DON'T KNOW ABOUT YOU, BUT I'M FEELING FUCKING 22...) —--------------- KITTY: Durante essa segunda metade de Janeiro eu sofri uma séria crise de criatividade. Eu sabia aonde queria chegar na história, mas não conseguia chegar lá e isso estava me frustrando. Até por que eu queria adiantar a postagem aqui pra finalmente fazer o primeiro update do ano no Wattpad. Foi só depois que meu níver passou (e que eu me afundei nas minhas músicas) tive minha inspiração de volta e meti a cara no pc pra escrever. Se ficou bom, não sei. Como sempre, são vocês que decidem. (É, eu sei, essa nota ficou curtinha. Prometo melhorar na próxima... ;*)

Voltei para o apartamento e dei de cara com um cheiro novo, quente e delicioso. Minha boca de encheu de água na hora.

—Ah, olha quem chegou! –Kendall me viu da cozinha e me cumprimentou sorridente, segurando uma colher de pau- Estou fazendo o risoto de ervilha que eu tinha prometido a você, lembra? Já tá quase pronto...

—Obrigado, Kendall. –Sorri, meio tímido. Claro que eu lembrava que Kendall tinha prometido que me faria experimentar o famoso risoto de ervilha dele, mas achei que ele tinha se esquecido disso- Faz muito tempo que você tá aí?

—Não muito, pra ser honesto... –Kendall colocou a colher na bancada e coçou a nuca- Eu tinha ficado um tempinho fora, passei no mercado pra comprar os ingredientes do risoto e tudo mais. Até passei por perto do bar onde você e Lucy foram. Eu queria entrar e dar um oi, mas se eu quisesse o risoto pronto a tempo de você experimentar nem que seja uma garfada eu não podia ficar dando pausas no caminho. –Kendall mordeu o canto do lábio, sem graça- Enfim, falando na Lucy, como foi lá com ela?

—Muito legal. –Falei com toda a sinceridade- Lucy é bem legal depois que você passa da fachada de predatória que ela parece carregar. Ficamos conversando bastante.

—Eu queria ter ido junto. –Kendall suspirou- O apartamento fica meio grande demais sem você por perto.

—Eu também queria... –Confessei baixinho antes de voltar ao normal- E você, teve algum avanço com a música?

—Nada ainda. –O loiro deu mais um suspiro- Tentei mais um milhão de vezes, mas as letras simplesmente não saem. O que é uma pena, a melodia ficou tão incrível. Eu não queria ter que descartar essa música assim, eu sinto que ela tem potencial pra se tornar um hit.

Eu tive que morder a minha língua pra me refrear em sugerir o que estava pensando. Eu podia ajudá-lo nisso, de verdade, mas não estava pronto pra mostrar a ele. Ainda. Mas mesmo assim isso não me fazia me sentir menos culpado por não poder ajudar ele.

—Não se preocupa, esse bloqueio vai passar logo, eu sei. –Me aproximei de Kendall e pus a mão no ombro dele, tentando dar algum apoio a ele. Fui recompensado com um meio sorriso que fez meu coração se derreter dentro do peito. É, não fazia mais sentido tentar esconder o que sentia por Kendall. Não enquanto ele ainda tivesse esse dom de me deixar tonto por dentro toda vez que estava por perto- Você... Quer ajuda com algo? – Apontei o fogão, sem saber o que fazer. Eu queria mesmo fazer algo ao invés de ficar encarando Kendall como se eu fosse um idiota.

—Não precisa, Logie. –Aquele sorriso não havia abandonado seu rosto enquanto falava o apelido que ele me dera. Sinceramente eu ficava meio envergonhado (talvez por que não me acostumei com isso ainda), mas ao mesmo tempo achava fofo- Já tá tudo praticamente pronto. Só vou esperar mais um tempinho e logo vou servir. Além disso, você sempre tem feito as coisas pra mim, você merece uma folga da cozinha...

—Tudo bem, eu vou lá pra cima arrumar a minha roupa para a reunião do Griffin. –Falei, apontando a escadaria- Me chame quando estiver tudo pronto.

—Pode deixar. –Kendall bateu continência de brincadeira e voltou sua atenção para o fogão enquanto eu subia as escadas e ia em direção ao meu quarto.

O tempo todo durante o almoço foi um tanto quieto. Eu pude perceber que Kendall estava nervoso, mal tinha comido duas garfadas do risoto enquanto eu já acabava com o meu prato. Dei um último gole no meu suco de abacaxi e empurrei meu prato para frente, para dar espaço para meus braços ficarem em cima da mesa.

—Alguém aqui não me parece faminto hoje...

—Ahn? –Kendall levantou a cabeça, olhando para mim. Ele devia estar mesmo perdido em seus pensamentos- Não é que eu tô sem fome nem nada, é só preocupação, eu acho...

—Ainda por causa da música?

—A música, a reunião de daqui a pouco com Griffin, as mortes que tem acontecido... –Senti meu sangue congelar em minhas veias assim que ele mencionou a última parte- Quando eu me mudei pra cá não imaginei que eu ia me ver no meio disso tudo, sabe? Isso faz qualquer um se abalar. Até mesmo o mais forte pode cair, certo?

—Mas achei que nada pudesse te abalar. –Dei um sorriso, tentando disfarçar o meu nervosismo. Como foi que chegamos àquele assunto? Sabia que ninguém ia ignorar as mortes, óbvio, mas Kendall parecia especialmente interessado, e isso podia ser algo ruim...- Caramba, você é Kendall Knight! Quer dizer, totalmente excluindo o fato de você ser filho de quem é, você é a pessoa mais destemida que eu já conheci. Mesmo tendo uma pequena crise de nervos você conseguia contornar a situação facilmente. Essa preocupação toda vai passar, você vai ver. Logo você vai encontrar a inspiração certa para terminar a música, e quando formos para a reunião do Griffin, você vai ver que se preocupou com isso à toa.

—Fácil pra você dizer isso. O Griffin te adorou, você não teria com o que se preocupar na reunião. –Kendall sorriu, um pouco mais calmo e arriscando até a dar uma piscadinha pra mim, me deixando vermelho. Ele tinha voltado a ser ele mesmo.

—E quanto a essas mortes... –Encarei Kendall, tentando fazer com que ele se esquecesse desse assunto, pelo bem dele- Eu garanto que elas serão resolvidas. Quando você menos perceber, tudo vai acabar e vamos poder nos preocupar com nossas vidas normais. Bom, tão normais quanto uma vida vivida em Los Angeles pode ser.

—Valeu, Logan. –Kendall falou, seus dedos tocando de leve meu braço que estava em cima da mesa junto com o outro. O simples toque de seus dedos em minha pele me fez se arrepiar todo. Isso não devia ser possível, devia?- E então, como foi o risoto?

—Hm... –Coloquei o dedo nos lábios, torturando Kendall um pouquinho- Eu dou 9 de 10 pro risoto.

—9 de 10? –Kendall se levantou, pegando o prato quase intocado dele e indo até a pia- Qual é, faz um tempinho que eu não faço isso e acho que depois de tanto tempo sem fazer, ficou até bom. Merecia nota máxima.

—Como sabe que ficou bom mesmo? Você nem tocou na comida... –Apontei o prato dele antes que ele jogasse o resto do risoto na pia e ligasse o triturador de lixo.

—É um quase touché por que você tá certo, nem comi direito. Mas eu comi, e achei que ficou legal. –Kendall voltou para a mesa, pegando meu prato vazio e nossos copos- Mas enfim, Sr. Crítico Culinário, o que foi que faltou pro risoto ganhar nota máxima?

—Uma picanha no ponto, como a que a gente comeu na churrascaria naquela noite, lembra?

Kendall parou na metade do caminho e me olhou, com um sorriso bobo no rosto, e eu tinha quase certeza que eu estava igual a ele. Nosso primeiro encontro, embora não tenha sido algo oficial, era algo que eu queria desde que vi aqueles olhos verdes abrindo a porta para mim naquele primeiro dia que nos conhecemos. Embora o susto do primeiro beijo (e de tudo o que senti com ele) tinha me deixado meio perdido, ainda assim tinha amado cada segundo daquela noite. Mas isso eu não teria coragem de dizer aquilo a Kendall. Ainda...

—Ah, eu lembro sim. –Kendall assentiu, sorridente- Me lembro que achei que tinha saído com um vampiro. Naquela hora achei que no final da noite você ia me encurralar em um beco qualquer e chupar meu sangue...

Pode ser que eu ia te encurralar em um beco sim, mas eu ia era chupar outra coisa...

Espera um pouco. O. Que. Caralhos. Foi. Isso?

—Mas... Mas eu te expliquei que não tinha sangue mesmo naquela carne... –Falei, de repente olhando pra baixo, como se os detalhes na minha calça fossem mais interessantes.

—Relaxa, eu sei bem disso. –Kendall falou e eu levantei a cabeça a tempo de vê-lo piscando para mim mais uma vez. Eu deixei que ele achasse que eu estava vermelho de novo por causa daquela piscada.

—Quer ajuda com os pratos ou... Sei lá... –Falei, ainda sentado na mesa.

—Nem pensar. Como eu disse, quero te dar uma folga do trabalho na cozinha. Eu posso cuidar de tudo por aqui.

—Então eu já vou tomar um banho e me preparar para a reunião. –Me levantei rapidamente e fui em direção às escadas. Kendall fez um som de concordância e eu corri para o meu quarto.

Um pouco mais sozinho, fui até a cômoda e peguei uma toalha limpa, enquanto eu pensava no que tinha se passado na minha cabeça lá na cozinha. Bom, acho que meus pais ficariam surpresos em saber que uma das teorias deles para mim tinha ido por água abaixo. Até eu estou surpreso em finalmente saber. Mas claro que isso também me deixava apreensivo. Eu queria Kendall, mas eu só poderia tê-lo quando todo esse pesadelo acabasse.

Com a toalha na mão, fui para o banheiro e comecei a me despir para tomar banho. Como eu tinha imaginado, eu estava meio ereto. A imagem mental que eu tive de Kendall e eu em um beco, minha boca envolvendo seu membro enquanto Kendall gemia, bagunçando meus cabelos com uma das mãos, havia feito meu próprio membro ganhar vida. E agora que eu estava sozinho, a imagem se repetia em minha cabeça, como uma música no repeat. Eu liguei a água do chuveiro e torcia mentalmente para que Kendall não pudesse ouvir meus gemidos abafados através do barulho do chuveiro.

Mais tarde, eu e Kendall estávamos indo em direção ao business room do Palm Woods onde Griffin faria a reunião. Lucy, James e Carlos já estavam lá sentados, conversando meio tensos. Na verdade o clima todo no lugar estava tenso, e Griffin nem tinha chegado. Era meio imprevisível o que ele poderia nos dizer logo depois de ter perdido a filha.

James nos avistou e apontou as cadeiras vazias perto de Lucy para nos sentarmos. Eu me sentei ao lado de Lucy e senti Kendall se apoiar na cabeceira da minha cadeira antes de se sentar ao meu lado. Resolvi dizer algo antes que o silêncio se instalasse por lá. Ultimamente ficar em silêncio tem me deixado louco.

—Então alguém sabe o que o Griffin exatamente vai falar?

—Eu ia te perguntar o mesmo. –Carlos falou, coçando a cabeça- Já que você agora é bem mais próximo à agência do que eu, poderia saber de algo.

—Na verdade eu não soube de mais detalhe nenhum... –Balancei a cabeça. Outra coisa da qual estava me descuidando e não fazia nem um mês direito que eu estava por lá- Mas é meio óbvio para todos nós que isso envolve a morte da Mercedes.

—Óbvio. –James suspirou, cutucando a mesa, um tanto abatido- Mas de qualquer modo, Griffin quer que a reunião seja breve. O enterro da Mercedes é hoje, e ele quer que tudo isso termine rápido. E não digo só a reunião.

—Não posso culpar o Griffin por isso. –Kendall murmurou do meu lado- Deve ser difícil ter que enterrar a própria filha.

Eu só fiquei calado, deixando que a conversa fluísse entre James, Carlos, Lucy e Kendall. Além da culpa que sentia por Mercedes ter morrido graças ao meu descuido, me sentia meio abalado também. Não era brincadeira dizer que eu e Mercedes realmente tínhamos virado amigos. Ela me contou uma vez, durante a pesquisa que eu fazia das rádios, que planejava se casar com Gabriel quando ela completasse 21 anos em alguns meses, e morar com ele em Oahu, no Hawaii. Mercedes me contou que embora ela fosse a herdeira do império Griffin, nunca se imaginou no comando dele, e que se dependesse dela, o dever de comandar tudo aquilo poderia ser todo do Gustavo. Ela confiava de verdade nele, e ela sabia que ele podia fazer um bom trabalho comandando tudo, mesmo sendo escandaloso e cabeça quente como ele era.

Mais um sonho que se foi. Mais uma garota sendo enterrada nessa cidade maldita.

Mais uma morte na minha conta.

Mesmo que não fosse eu diretamente a culpa dessa morte, Mercedes ainda estava na minha conta.

Eu devia estar tão perdido em meus pensamentos que até me assustei ao sentir a mão quente de Kendall encostando na minha.

—Logan, tá tudo bem? –Ele perguntou, seus olhos verdes cheios de preocupação de carinho. Eu desejava no fundo da minha alma que Kendall pudesse se preocupar menos comigo, mas acho que não seria possível. Eu já o conhecia o bastante para saber que ele sempre se preocuparia comigo.

—Tô sim, eu só tava pensando... –Falei de cabeça baixa, olhando nossas mãos tão perto uma da outra.

—Ele tá bem sim, Mille. Pode parar de drama agora. –Ouvi Jo falar a nossa frente, com Camille do lado. E ao que parece, o lencinho da Camille voltou a trabalhar. Ela ainda estava chorando bastante.

—Não é drama, Jo. Eu só tava curiosa, Logan tá muito quieto. –Camille deu de ombros- Bom, mais quieto do que o normal.

Olhei em volta e de repente percebi que a sala já estava cheia de agenciados da Rocque Management. Cantores, atores, escritores, instrumentistas, todos estavam lá. Na mesa estavam sentados praticamente todo nosso grupo. Dak e Stephanie, que estava com a cara enterrada no celular, digitando furiosamente (ao que parece, a inspiração deve ter voltado e ela queria aproveitar); as Jennifers, que estavam um pouco menos altivas do que normalmente pareciam; Gabriel, que estava afrouxando a gravata que colocara como se aquilo o sufocasse. Pelo jeito ele iria para o enterro de Mercedes depois da reunião. Uma pessoa se destacava na mesa, uma que eu havia deixado escapar do meu radar até agora.

Cabelos negros bem aparados, olhos azuis escuros e expressão serena.

Finalmente eu reencontrei Beau.

Ele havia mudado muito desde a última vez que o destino nos colocara frente a frente, mas eu ainda pude reconhecer um dos monstros que me fizera voltar a California depois de tanto tempo.

—Argh, essa sala já foi melhor frequentada... –Lucy falou do meu lado. Eu me virei a tempo de ver a cara de nojo dela. Tive vontade de concordar com ela, mas James falou antes de mim, me fazendo engolir meu comentário.

—Nem liga pra ele, Lucy. Finge que o Beau não tá aqui. Você consegue fazer isso, não é?

—Bom, eu não fiz duas semanas de atuação metódica forçada com a Camille pra nada. –Lucy assentiu, voltando a encarar Beau na outra ponta da mesa- Vai ser fácil.

Assim que Lucy terminou de falar, a porta da sala se abriu e o silêncio pairou sobre o lugar. Griffin e sua presença intimidante entraram, com Kimberly e Trem de Carga em cada lado dele. Embora dessa vez seu lado intimidador tenha sido um tanto ofuscado pelo luto, mas ele ainda era o homem que com um simples acenar de cabeça podia demitir todo mundo daquela sala. Logo atrás vinham Gustavo e Kelly, igualmente enlutados, e no caso de Gustavo, intimidador. Ele podia não ter a palavra final na demissão de alguém, mas cair no desagrado dele já podia te render um pé fora da Rocque.

Gustavo, Kelly e Griffin se sentaram, enquanto Kimberly ficou de pé ao lado de Griffin e James, e Trem de Carga foi para a porta. Griffin nem bem deu tempo para todos na sala se acostumarem com a presença dele, já foi logo falando.

—Senhores, senhoras, senhoritas, serei breve com vocês. Estamos passando por uma situação delicada. Três pessoas da nossa agência foram assassinadas em menos de um mês. Sei que isso preocupa, e até abala, alguns dos presentes aqui. –O olhar de gelo de Griffin passou por cada um do nosso grupo na mesa. Ele sabia bem quem havia se abalado com todas aquelas mortes- Portanto, tomaremos algumas medidas de segurança, medidas essas que entrarão em efeito imediatamente. Srta. Wainwright, se a senhorita puder dar mais detalhes...

—Sim, Sr. Griffin. –Kelly se levantou e falou alto para a sala inteira- A segurança dentro e fora do prédio da agência será reforçada. Nossos agenciados terão escolta 24 horas por dia de um segurança, se assim desejarem. Se escolherem ficar sem a escolta, terão que começar a andar em grupos. Em especial, essa é uma recomendação para as garotas, já que elas estão sendo os alvos principais dos... assassinatos. –Todos sentimos a hesitação de Kelly nessa última frase. Por que ela tinha tanto medo de expor a verdade. É só dizer em alto e bom som: estupro. Necrofilia. É isso que está realmente acontecendo. Se fossem só simples assassinatos até seria um pouco mais fácil de lidar. Talvez aquilo tenha sido ideia do Griffin. Talvez todo o esquema de segurança tenha sido ideia dele- Nossos agenciados mais valiosos também terão segurança particular, sem exceção. Quer vocês queiram ou não.

Todos na sala começaram a falar ao mesmo tempo, alguns preocupados, outros revoltados. Aquilo estava virando um caldeirão de emoções totalmente fora de controle.

—SILÊNCIO TODOS VOCÊS! –Gustavo se levantou e soltou um berro, fazendo todos na sala se calarem. Griffin olhou para o amigo e arriscou um sorriso meio triste, meio alegre. Kelly, como sempre, parecia inabalada com os gritos de Gustavo- Continue, Kelly.

—Obrigada. Bom, detalhes do esquema de segurança de alguns dos nossos agenciados mais valiosos vai variar dependendo do artista, então não se preocupem. Kimberly vai passar para alguns agenciados o esquema de segurança especial, e para os outros o esquema de segurança padrão. –Kelly falava enquanto Kimberly pegava alguns papeis e distribuía a todos nós- Hm, James, Lucy, talvez o esquema que arrumei para vocês em conjunto com seus agentes pode não ser bom...

—Ah não... –Carlos deixou o papel dele de lado e olhou para o papel de James e de Lucy, um tanto irritado- Não faça isso Kelly. Você lembra que isso não deu certo? Eles não sabem que insistir no erro é burrice? Santa madre de Diós, yo no puedo creer...

—Não deu certo é apelido. –Lucy leu rapidamente seu papel e o jogou na mesa, um tanto contrariada- Eu não quero fazer isso. Foda-se o que minha agente diz, eu me recuso a fazer isso de novo.

—Fazer o quê? –Perguntei um tanto perdido. Quis ler a folha da Lucy, mas ela voltou a pegá-lo só para amassá-lo em suas mãos.

—Eu acho que sei o que é que deixaram eles assim, Logan. –Kendall, que tinha ficado quieto aquele tempo todo, falou- Tô até surpreso em ver que você não sabe disso. Teve uma época que James e Lucy namoraram...

Meus olhos se arregalaram por um segundo. Isso Lucy não tinha me contado no bar.

—Não foi bem um namoro de verdade, foi mais um lance publicitário, pra tentar aumentar nossas fanbases e criar o mais novo power couple de Hollywood. –Lucy falou, ainda amassando o papel- Não deu muito certo por que meus fãs criticavam ele, os fãs dele me criticavam, ninguém via a gente como o casal queridinho do mundo da música, nem nós mesmos.

—Não importava o que nossos agentes tentavam fazer a gente fazer, nunca deu certo, nem pras nossas fanbases, nem pra nós mesmos. –James falou, torcendo o lábio- Combinei com a Lucy e nós dois fomos falar com nossos agentes, dizendo que aquele “namoro” era a coisa mais idiota que inventaram, e que estaríamos bem melhor sem isso. Eu e Lucy “terminamos” na semana seguinte, fez um estardalhaço e tanto nas redes sociais.

Disso eu me lembrava vagamente. As pessoas estavam falando daquilo o tempo todo, mas na época nem me interessei em me aprofundar mais no assunto.

—Mas agora a intenção é diferente. –Kelly tentou acalmar os dois (na verdade, tentar acalmar Lucy. James estava em modo passivo agressivo, assim como Carlos)- Eles querem juntar vocês de novo para organizar uma estratégia de segurança melhor. Eles acreditam que Lucy estará mais segura se...

—Se eu estivesse namorando James? –Lucy levantou a sobrancelha- Okay, pra começo de conversa, eu nunca precisei de um homem pra me proteger. Fala sério, eu sou o tipo de garota que dorme com a guitarra de machado duplo do lado. As lâminas daquela belezinha não são decorativas, sabia? –Meu respeito por Lucy havia aumentado. Isso nós dois tínhamos em comum. Vamos dizer que uma daquelas katanas no meu quarto também não serve só pra decorar...- Além disso, sugerir que eu preciso de um homem pra me proteger é perpetuar a hierarquia patriarca desse país que diz que toda garota precisa de um homem pra proteger ela. Eu me protejo sozinha, nunca precisei de um homem pra me proteger como se eu fosse uma donzela indefesa, e não é agora que vou precisar.

—Lucy, procure entender, é uma medida de segurança... –Kelly tentou explicar melhor a situação, mas foi interrompida por Griffin, que somente levantou a mão e se levantou.

—Eu posso entender seus motivos de discordar do sistema que seus agentes criaram, Srta. Stone, mas entenda que você não pode ficar desprotegida também. Se tiver alguma outra ideia que não entre em conflito com sua liberdade, é só dizer...

Lucy abriu e fechou a boca algumas vezes, tentando falar algo, mas não conseguindo. O assunto poderia dar-se por encerrado quando Kendall levantou.

—Espere um pouco. Sr. Griffin, você por acaso tem alguma segurança mulher disponível?

—Para ser honesto, sim. Nosso quadro de seguranças na Rocque Management conta com seguranças femininas muito competentes. –Griffin assentiu.

—Ótimo. Lucy, James, vão ter que aceitar o esquema da Kelly.

—O QUÊ? –Lucy e James falaram em uníssono, mas Kendall continuou.

—Diga a seus agentes que vocês aceitam ser visto juntos, mas que não querem ser vistos como namorados. Até onde todos sabem, James está trabalhando em um single novo. Ele pode dizer que você vai ter uma participação especial, o que explicará sua presença constante com ele. Quando não forem vistos juntos, Lucy pode ter a escolta de uma das seguranças da agência, ou até andar com o nosso grupo, ou com as outras meninas, não importa. Dessa forma o esquema de segurança deles não será quebrado e dará mais flexibilidade para James e Lucy fazerem o que quiser sem ter a obrigação de um namoro falso. E o mais importante, ela estará protegida.

Todos na sala ficaram surpresos por um bom tempo, inclusive eu. Eu queria poder ter pensado em algo para Lucy, mas minhas ideias funcionariam melhor se ela estivesse em perigo real. Por um minuto fiquei grato por Kendall ter sugerido algo que agradasse todo mundo ali e que tinha chances reais de funcionarem.

—Bom, parece que não houve discordâncias sobre seu plano, Sr. Knight. Muito bom. –Kendall sorriu, um tanto sem graça com o elogio polido de Griffin, voltando a se sentar. James e Lucy lhe lançaram um olhar de gratidão enquanto Carlos disfarçava um suspiro de alívio- Sr. Garcia, Srta. Wainwright, conversem com os agentes do Sr. Diamond e da Srta. Stone. Discutam as mudanças no esquema de segurança dos dois. Kimberly, verifique o quadro de seguranças femininas e designe uma para escoltar a Srta. Stone. Mais alguém tem algo a falar sobre seus esquemas de segurança? –Diante do silêncio de todos, Griffin assentiu silencioso para si mesmo- Bom, se ninguém tem mais nada a acrescentar, declaro esta reunião de emergência encerrada. A Srta. Wainwright passará os recados finais a todos. É só.

Griffin se levantou e já saía da sala, com Kimberly atrás dele, quando parou ao lado da mesa e pôs a mão no ombro de Gabriel, cochichando algo rapidamente. Ele assentiu e se levantou, seguindo Griffin até saírem da sala. Já lá dentro, Kelly dava os últimos avisos.

—Okay pessoal, a polícia de Los Angeles vai continuar as investigações no prédio da agência por mais um dia. Depois de amanhã voltaremos ao ritmo de trabalho normal, portanto não se atrasem...

—Ou vão sofrer as consequências. –Gustavo falou, fechando suas mãos em punho antes de batê-las na mesa, assustando todos (menos Kelly, óbvio)- E ISSO É SÉRIO, CÃEZINHOS!!!

Todos começaram a assentir, nervosos, antes de saírem da sala aos poucos. Kelly gritava seu último aviso.

—Amanhã os seguranças designados a vocês estarão aqui em Palm Woods. Combinem com eles todos os detalhes descritos em seus esquemas de segurança.

Com esse último aviso Kelly já saía da sala também, junto de Gustavo, que apontava um dedo para todos nós.

—Tomem cuidado, cães. Não fiquem fazendo bagunça aqui nessa sala ou aquele projeto de concierge vai tentar nos arrancar outra taxa de gerência para pagarmos.

Finalmente a sala ia se esvaziando até ficar nosso grupo, que também saía. Dak e Stephanie tinham saído em silêncio, Steph ainda digitando no celular, como se ela estivesse feito aquilo o tempo todo sem parar, mas agora ela tinha um ar preocupado que parecia não ter nada a ver com o que quer que estivesse acontecendo no celular. Dak lia em silêncio seu esquema de segurança. Provavelmente ele teria que proteger a irmã dele. E para o bem dele, é melhor que Stephanie estivesse protegida mesmo. Se bem que acho que ela seria mais bem protegida por qualquer outra pessoa, menos ele.

As Jennifers ficaram comentando que elas foram uma das poucas que tiveram sorte, afinal elas sempre andavam em grupo. Elas teriam que mudar muito pouco a rotina delas. E tudo isso quem dizia era a Jennifer loirinha, a Thompson, provavelmente só pra irritar Lucy, e logo saíram também. Lucy saiu também, trocando poucas palavras conosco. Mesmo que o novo arranjo do Kendall tinha a feito ficar mais tranquila, ela ainda estava formigando de raiva, dava pra sentir.

Jo e Camille também foram uma das poucas pessoas daquela reunião que teriam suas rotinas literalmente inalteradas, mas elas foram bem mais reservadas sobre isso, em especial Jo. Ela sabia mais do que ninguém como um “romance” criado pela mídia e pelos agentes era algo ruim, então talvez ela pudesse entender a raiva de Lucy e não quisesse colocar mais lenha na fogueira. Elas se despediram de nós, nos lembrando de que o jantar de noivado das duas seria dali a uma semana. James e Carlos foram os últimos do nosso grupo a sair, indo embora em silêncio, mas pude ver o olhar grato que Carlos lançou em direção a Kendall. Se tinha alguém que ficara mais aliviado com a ideia de Kendall do que Lucy, com certeza era Carlos.

—Ele não sabe ser sutil quando o assunto é o James, não é? –Falei para Kendall, depois que estávamos sozinhos na sala.

—Nem um pouquinho... –Kendall balançou a cabeça, soltando um riso curto- Acha mesmo que a minha ideia foi boa?

—Honestamente? –Perguntei, e Kendall assentiu suavemente- Acho que foi bem melhor do que a ideia dos agentes do James e da Lucy.

—Eu achei que não era justo colocar os dois naquela situação chata de novo, mesmo que fosse para proteger os dois. –Kendall colocou as duas mãos em cima da mesa- Eu queria ter elaborado melhor essa ideia, mas fico feliz por eles terem aceitado ela de qualquer forma. Eles são meus amigos agora, e quero que eles estejam bem, mas não quero que isso aconteça enquanto eles ficam por aí se sentindo tristes e miseráveis em um relacionamento falso que ninguém apoia e que não fará bem a ninguém.

Eu não sei bem o que deu em mim. Talvez fosse o jeito como Kendall tinha falado sobre tudo aquilo, talvez fossem seus olhos verdes, brilhando mesmo com a luz fluorescente da sala. Ou talvez fosse mesmo meu próprio eu, que estava cansado de negar tudo o que eu sentia pelo Kendall. Talvez eu não quisesse rotular todo esse turbilhão de sentimentos que tenho pelo Kendall ainda, mas se tinha uma coisa que eu sabia com certeza era que o que eu sentia por ele era forte, intenso. Algo que eu realmente nunca senti em toda minha vida. Tudo bem que no meu caso isso era bem mais que uma força de expressão, mas o que eu sentia por ele não senti por mais ninguém. Nunca.

Me aproximei dele, hesitante. Respirei fundo e fechei meus olhos enquanto nossos lábios se encontravam. Pude notar Kendall ficar tenso, a princípio, com a surpresa, mas logo ele se recuperou e tomou a iniciativa de aprofundar nosso beijo. Senti sua língua passar de leve na divisa dos meus lábios, e permiti sua passagem sem pensar duas vezes. Ficamos ali, nos beijando por um bom tempo, nossas línguas se encontrando e se colidindo, explorando a boca um do outro, me fazendo pensar que, se existisse um paraíso, parte dele estava materializado ali na minha frente, me beijando com tanta paixão que fazia minha cabeça ficar leve.

Kendall interrompeu nosso beijo, nossas testas se tocando enquanto tentávamos respirar. Tão pertinho assim dele, pude reparar em muitos detalhes de Kendall: as pequenas sardas que ele tinha na ponte do nariz, os pontos dourados nos olhos verdes de Kendall, o modo como seus lábios estavam entreabertos, tentando recuperar o fôlego, me fazendo querer beijá-lo ainda mais.

—Então... –Kendall falou, sua voz rouca fazendo com que um arrepio descesse pela minha espinha. O mesmo arrepio que senti quando nos beijamos no elevador- Quer explicar alguma coisa pra mim, Sr. Mitchell?

Aquela voz, somado com o jeito como ele disse meu nome, mandou outro arrepio pelo meu corpo, dessa vez em uma parte um pouco mais específica...

—Primeiro eu teria que explicar a mim mesmo... –Eu sorri, igualmente sem ar- Eu só achei que não valia mais a pena negar que...

—Que... ? –Kendall me encorajou a continuar a falar. Olhei mais uma vez em seus olhos, me perdendo neles.

—Que... –Eu comecei a falar devagar, tentando escolher as palavras certas, para ele e para mim mesmo- Definitivamente... Sinto algo por você...

—E eu sei que tem um “mas” nisso. –Kendall suspirou, sua mão esquerda fazendo carinho na minha bochecha- Você acha que não, mas eu te conheço bem Logan, e sei quando você quer dizer algo e não consegue. Sei que você ainda tem suas reservas quanto a ter um relacionamento. Não importa o que você pode ou não sentir por mim. –Seus olhos ganharam um brilho meio triste que eu queria apagar naquele momento- Mas eu não estava blefando quando disse que esperaria por você, Logie. Não blefei quando disse que te daria um tempo pra pensar. Você tem todo o tempo que quiser. E quando você achar que esse tempo está no fim, quando achar que está pronto, eu estarei aqui, de braços abertos, pronto pra você...

Senti um bolo preso em minha garganta. Quantas coisas eu queria dizer a ele... Mas tive que me contentar com uma delas, uma que não deixava de ser verdadeira.

—Você é realmente um homem interessante. –Sorri, fechando os olhos. Sua mão não havia deixado minha bochecha nem um segundo- Eu não mereço você, sabia? –Eu podia tentar refazer a minha vida inteira do zero se eu quisesse, nunca faria nada que me fizesse merecer alguém como Kendall.

—Merece sim, Logan. –Kendall colocou sua outra mão em meu rosto, dessa vez o firmando para que ele pudesse olhar para mim- Você merece a mim e tudo o que tenho guardado no meu coração pra você. –Ele terminou, me dando um beijo rápido em meus lábios- Então, quer voltar para o apartamento? Precisamos ver nossos esquemas de segurança com mais calma...

—Claro. –Assenti de leve, me afastando de Kendall e me levantando- Vamos?

Kendall sorriu e se levantou, me guiando para fora da sala. O caminho todo para o apartamento me ecoava na cabeça o que Kendall me dissera.

Você merece a mim e tudo o que tenho guardado no meu coração pra você.

Será que depois que Kendall souber da verdade, ainda merecerei seu coração?

Isso eu não saberia dizer.

Notas finais
Só pra avisar a vocês, meus amores, estou postando uma tradução Kogan no Wattpad e eu queria muito que vocês ajudassem a titia Kitty e desse uma olhadinha. É uma short fic, de 7 capítulos, e já está completa no original (comecei a traduzir nessa semana ^^) A história se chama Blue Castle e o link dela é esse aqui: http://w.tt/1P6iiqd Ah sim, não se esqueçam da fic aqui também. Comentem muito, a titia aqui ama vocês ^^