Notas iniciais
Bianca é filha de dorlene porém quem foi a "barriga" foi Marlene, Killian é filho de wolfstar mas quem doou o esperma foi Remus, Arcturus é filho de blewett Gideon/Regulus, mas o doador foi Regulus. Toda essa turminha (incluindo o Harry, a Tonks e tals) se diz primo, mas os únicos consanguíneos são Arcturus e Nymphadora.

Introdução.

No auge de seus 20 anos, Harry Potter podia dizer que era um jovem feliz, ele tinha o melhor pai do mundo, tinha que tirar o chapéu para James Potter, afinal não deveria ser fácil ser o melhor detetive de Londres e ainda ter tempo para jogar videogames e futebol com o filho todos os finais de semana desde que ele havia aprendido a chutar uma bola ou mexer em eletrônicos. Harry também contava com a melhor mãe que alguém poderia querer (e que sua tia Marlene nunca ouvisse Bianca concordar com ele), Lily Potter era gentil, amorosa, inteligente, fazia a melhor torta de maçã do mundo e ainda lecionava Inglês para o ensino médio. O rapaz também contava com o amor incondicional de seus tios e padrinhos, e seus primos de consideração: Killian Black-Lupin, Bianca Meadowes-Mckinnon, Arcturus Prewett-Black, Nymphadora Tonks e Flora MacDonald-Pettigrew, o sexteto era inseparável e todos sabiam (quase) tudo sobre a vida um do outro, o que fazia deles a continuação do "legado" de seus pais que eram amigos de infância.

Ginevra "Ginny" Weasley (deuses, como ela odiava esse nome) tinha 19 anos e era a caçula de uma longa família de ruivos impertinentes e sarcásticos, ok, talvez Percival fosse uma exceção ou, como Fred e George chamavam, "um erro de percurso", mas os outros cinco e Ginny eram um poço de sarcasmo, talento pra se meter em confusão e teimosia. A ruiva tinha uma família incrível e o melhor pai do mundo, mas além de seus irmãos, ela podia contar com Luna, Rolf, Tonks, Bibi, Astie, Killian, Arct, Flora, Draco e, claro, seu melhor amigo Harry. A garota podia dizer com toda a certeza do mundo que tinha sorte e duas famílias incríveis que às vezes se tornavam uma só.

Harry e Ginny eram melhores amigos e apenas isso, bem, pelo menos era isso que eles diziam.

Game night.

Era comum que Harry passasse as férias de verão na casa dos Black-Lupin, além de Sirius e Remus serem seus padrinhos e Killian ser praticamente seu irmão por consideração, Sirius era supostamente o único adulto que gostava do caos que eles criavam, e Remus o único adulto que os pais confiavam para manter um pouco de sanidade entre os jovens quando eles resolvessem se juntar como naquela noite.

A noite era quente e Killian tinha uma piscina, o celular dos rapazes parecia uma árvore de natal devido às inúmeras notificações do grupo de WhatsApp, todos os amigos tinham a mesma reclamação: estavam entediados e com calor.

Harry olhou para Killian no outro lado da varanda, ambos deixando que um sorriso ladino se apossasse de seus lábios, o tipo de comunicação telepática que só se desenvolvia com uma vida inteira de convivência e decisões duvidosas.

— DADFOOT. — O loiro de olhos azuis gritou e Sirius apareceu na porta da copa usando um avental cor de rosa, Harry abafou o riso com um gole de cerveja decidindo, assim como Killian, não perguntar como ele planejava explodir a cozinha dessa vez, visto que precisavam dele em bom humor.

— Eu não sei o que você vai pedir, mas se ninguém for parar na cadeia ou no hospital, a resposta é sim. — Sirius disse distraído enquanto misturava uma massa que Harry poderia jurar ser brownie.

— Nós não podemos prometer nada, pai. — Killian respondeu.

— A gente só quer reunir a galera na piscina com álcool e apostas pra ganhar, dogfather. — Harry completou.

Sirius parou pensativo por alguns momentos e olhou para dentro da cozinha, provavelmente para Remus.

— Ok, mas tentem não vão fazer nada que a gente não faria. — O mais velho ofereceu uma piscadela para os rapazes.

— Isso não limita muita coisa… vai, Lian, avisa a galera. — Harry concluiu, terminando de tomar o líquido em sua longneck.

— Fiz isso enquanto meu pai fingia que existia a possibilidade dele dizer não.

Harry foi o primeiro a ir tomar banho para receber as visitas, ele tinha um grupo separado com Ginny, Luna, Draco e Astoria, lá eles tinham apostado quanto tempo demoraria antes de Tonks finalmente beijar Charlie e de Killian finalmente beijar Arcturus. Veja bem, uma dinâmica muito importante do grupo deles era que ninguém, e repito: NINGUÉM percebia de cara quando gostava de alguém, mesmo que seja óbvio pra todo mundo, mesmo que pareça evidente, e contar se mostrou uma tática nada boa, visto que todos ali pareciam viver na defensiva quando o assunto era ficar vulnerável romanticamente.

Ginny disse por mensagem que estava prestes a bancar o cupido e tentar acelerar as coisas, Harry achou um plano terrível que poderia dar errado de muitas maneiras, poderia causar problemas inimagináveis, e então obviamente perguntou como poderia ajudar.

Killian havia usado o banheiro dos pais para tomar banho e se arrumar, segundo ele, para quem iria ficar de bermuda enfurnado em uma piscina, os 30 minutos de banho de Harry eram um exagero, o que claramente fez com que Harry o chamasse de fedido e saísse correndo atrás dele com um vidro de perfume.

Depois dos banhos devidamente tomados (contando o segundo que Killian teve de tomar já que qualquer pessoa com nariz teria uma crise de espirros depois do tanto de perfume que Harry havia jogado nele), os dois rapazes se encontravam sentados nas margens da piscina, desfrutando de cervejas tão geladas que pareciam boas demais para ser verdade, enquanto esperavam que seus amigos chegassem.

Os Weasley foram os primeiros a chegar, Rony e Ginny entraram na frente, alegando que Sirius havia aberto a porta, e avisando para a dupla se proteger visto que os gêmeos estavam vindo logo em seguida. Fred e George, claro, chegaram gargalhando sobre algo que tinham conversado com Sirius, e se livravam de suas roupas conforme andavam confortáveis demais na casa dos Black-Lupin, visto que frequentavam o local semanalmente, e então se jogaram na piscina, encharcando Harry e Killian que ainda sentados nas margens, haviam ignorado os avisos de Rony e Ginny.

Logo foi a vez de Tonks chegar com Charlie, o capacete em sua mão indicava que o Weasley remanescente havia ido buscá-la para que ela não tivesse que pedir um uber. Como os mais velhos e "pais" do role, Charlie e Dora eram os que se davam bem com Remus e Lily, e como Lily não estava lá, foi com Remus que eles conversaram por alguns minutos antes de se juntar ao resto do grupo.

Draco, Luna, Bianca, Flora e Astoria chegaram em seguida, a simples expressão do loiro para Harry indicava que ele sabia muito bem como ajudar ele e Ginny, e estava disposto a isso. Claro que não tiveram tempo para discutir o assunto antes que os gêmeos jogassem o Malfoy na piscina, que apenas agradeceu por ter deixado o celular com a namorada e irrompeu em gargalhadas quando os gêmeos fizeram o mesmo com Rony que não reagiu tão bem como Draco.

Um Rolf pálido e ofegante entrou segurando um capacete, seguido pelas gargalhadas de Charlie, Tonks e Arcturus, aparentemente o Scamander havia pedido carona para o Prewett, mas não fazia ideia de que ele havia puxado o amor por motos de seu tio.

— Crianças inocentes que nunca avaliam o potencial da família Black-Lupin-Prewett-Weasley-Tonks antes de pedir favores como carona. — Harry constatou, dando de ombros e rindo. — Tem cerveja no freezer, Rolf, acalma o coração.

— Nem fodendo que eu vou embora com o Art, Killian pode preparar um colchonete na sala que eu vou dormir por aqui mesmo. — O Scamander disse, indo em direção ao freezer.

— Ele acabou de se convidar pra dormir aqui? — Killian perguntou com uma sobrancelha arqueada enquanto abria mais uma duff do cooler que havia deixado estrategicamente ao seu lado. Arcturus, que havia ido se trocar, aproveitou o momento para pegar uma cerveja do cooler de Lupin, ignorando seu olhar reprovador e se sentando ao seu lado na beira da piscina, apenas com os pés na água.

— Li, você sabe que com esse tanto de álcool e decisões questionáveis a serem tomadas, provavelmente todo mundo vai dormir aqui, quanto mais cedo você aceitar, mais fácil vai ser pra você aproveitar a noite. — O Prewett disse com um sorriso maroto nos lábios, oferecendo uma piscadela para Lupin, que desviou o olhar rapidamente, dando de ombros.

Ginny, que havia entrado na piscina em algum momento durante a bagunça, nadou até os pés de Harry, cruzando os braços em seus joelhos e deitando a cabeça sobre eles.

— Hey, Hazz, vai ficar de fora tomando sua cerveja como um romano, ou vai entrar na piscina comigo e se divertir como um grego? — A ruiva de olhos castanhos perguntou, oferecendo ao castanho de olhos verdes uma expressão que só podia ser descrita como o gato de botas do Shrek.

Harry soltou um riso sincero, passando a mão úmida entre os fios castanhos de seu cabelo, tirou seus óculos e passou a língua entre os lábios antes de descer para a piscina com um impulso. Ele parou entre a parede e Ginny, com ambas as mãos segurando sua cintura. — O que você me pede com essa carinha que eu não faço, Weasette? — Perguntou, e então depositou um beijo em sua bochecha antes de deslizá-la para o lado, afim de se livrar do formigamento que tomou conta de todo o seu corpo quando seus olhos se encontraram.

Ele mergulhou e atravessou a piscina, voltando para o ponto onde Ginny estava em seguida, pegou duas cervejas e as abriu, oferecendo uma para a amiga e brindando com ela.

— Acha que vai acontecer algo interessante hoje? — Perguntou se encostando na parede da piscina e observando os amigos interagirem e beberem.

— Hum, talvez… principalmente se a gente jogar o que o Dray sugeriu. — A ruiva respondeu tomando um bom gole de sua cerveja.

Harry se virou para encará-la, sorrindo marotamente, sempre que Ginny e Draco concordavam em um jogo, provavelmente era uma premissa de caos e era exatamente isso que eles queriam. — Qual jogo?

— O jogo se chama 7 a 1. — Draco começou a falar, Harry não fazia a menor ideia de onde o amigo havia saído ou se estava os observando a muito tempo, mas preferiu não pensar muito à respeito. — Funciona da seguinte forma: nós precisamos de um baralho, e para alegria de todos e felicidade geral da nação, eu trouxe um, a gente tira todas as cartas acima de 7, deixa só o Ás, 2, 3, 4, 5, 6 e 7. Tá prestando atenção, cicatriz?

— Tô sim, essa é minha cara mesmo. — Harry retrucou ainda focado em sua cerveja e observando enquanto Charlie e Tonks brincavam de briga de galo contra Arcturus e Killian, Tonks parecia prestes a cair e Art parecia se divertir até demais com o fato de Killian estar ganhando. Potter riu.

— É, sou familiarizado com ela. — O loiro pontuou, seguindo o olhar do Potter e rindo. E então pigarreou. — Continuando, a gente faz uma roda, embaralha as cartas, cada pessoa pega uma carta e tem que colocar no centro da mesa, quem tirar a maior carta escolhe o que quem tirar a menor carta tem que fazer, quem tirar a carta número 3 tem que beber, presumo que seus padrinhos tenham destilados aí, e quem tirar o Ás pode escolher o que todo mundo da roda tem que fazer.

— Parece perigoso. — Harry ponderou.

— Eu sei, genial, né? — Ginny disse animada, afastando Rony (que a chamava para participar do jogo dos mais velhos) com a mão.

— Tá, mas e se nenhum de nós tirar o Ás ou a carta mais alta quando eles tirarem a carta mais baixa? — O castanho parecia estar fazendo as engrenagens de seu cérebro funcionarem.

— Na dúvida, deixa o baralho comigo ou com a Gin, truqueiro sabe fazer macete. — Draco disse com naturalidade e Harry concordou, achando todo o conceito do plano e da noite muito divertido.

A noite continuou normalmente, eles precisavam esgotar as atividades sugeridas pelos outros antes de sugerir o infame jogo de Malfoy, Charlie era o único que não perceberia que algo não estava certo se eles interrompessem a briga de galo pra um jogo de cartas, os outros 3 conheciam os mais novos bem demais para não desconfiar. E foi assim que Harry e Ginny ganharam de Rolf e Luna, Rony e Bibi, Flora e Fred, e empataram com Draco e Astoria.

No final, a noite estava sendo muito mais divertida do que eles planejaram, e ironicamente, foi Tonks que sugeriu que eles fizessem algo fora da piscina antes que começassem a criar escamas.

— Ok… — Arcturus disse, tragando seu cigarro e admirando a fumaça que saía do mesmo. — Tá tudo muito bom, mas o que a gente vai fazer agora? Não quero ir dormir.

Harry, Draco e Ginny trocaram um olhar, fingindo estar tendo uma conversa silenciosa para tomar uma decisão que eles já haviam tomado horas atrás. Eles tinham desenvolvido muita prática em fingir que estavam em um impasse, afinal sabiam que esse era o melhor jeito de aguçar a curiosidade dos amigos.

— Ei, ei, eu conheço esses olhares, no que estão pensando, hein? — Foi Killian quem falou, e então Harry pediu que Draco explicasse o jogo pra todos.

O resto do grupo parecia pensativo, mas o que mais preocupava Harry era que Killian, Art e os gêmeos trocavam olhares cúmplices enquanto olhavam de relance para ele e então para Ginny.

— Ok, parece arriscado, existem grandes chances de dar merda, é isso mesmo que a gente vai fazer. — Foi George que se pronunciou, e em questão de minutos todos estavam em roda em volta da bancada, Draco estava separando o baralho, e Killian foi apagar as luzes da cozinha, visto que seus pais tinham ido dormir, afinal o relógio marcava 00h30.

O jogo começou lento, os desafios envolviam beber ou selinhos, mas foi Tonks que fez tudo esquentar quando tirou o número 7 e Rony o número 2, o desafiando a beijar "a garota mais bonita da roda", se fazendo de ofendida quando ele beijou Bibi. 20 minutos depois, boa parte deles já havia tomado pelo menos 4 shots de tequila, vodca ou gim, Luna já havia beijado Scamander, Fred beijou Flora, George reclamou umas 90 vezes que não podia beijar ninguém ali, e Harry teve que beijar Ginny, o que definitivamente o confundiu e o fez esquecer por alguns momentos do objetivo do jogo.

Foi como uma cena em câmera lenta, a noite toda havia se passado com momentos em que Harry cogitou a possibilidade de talvez ter algum interesse pela amiga, mas eles estavam em um jogo e todos estavam olhando, ainda assim ele hesitou, aproximando o rosto devagar do dela, levando o polegar até seu rosto e acariciando sua bochecha, lhe perguntando com o olhar se tava tudo bem pra ela se ele fizesse isso. E, por fim, unindo seus lábios, sentindo uma onda de energia atravessar seu corpo, um frio se apossar de sua barriga, não sabia se era normal se sentir assim, afinal se tratava de Ginny, sua melhor amiga.

Depois disso, Ginny tirou um Ás, e a expressão em seu rosto fez Harry ter certeza de que o momento em que ela criaria o caos havia chegado. A ruiva olhou ao redor, parecendo fazer uma conta mentalmente de quem estava ao lado de quem.

— Ok, começando com o Lian, que tá do lado do Art, todo mundo beija a pessoa imediatamente à sua esquerda, aproveitando que o George foi ao banheiro. — Ela virou um shot de tequila, colocando o copo virado pra baixo na mesa. — Isso quer dizer que o Lian beija o Art, a Tonks beija o Charlie, a Astie beija o Draco, o Rolf beija a Luna, o Harry me beija, o Rony beija a Bibi, e a Flora beija o Fred. Sem mimimi galera, é só beijo, todo mundo aqui já beijou na vida.

— Ah que se dane. — Killian foi o primeiro a falar e se virou para beijar Arcturus, e antes que os olhos de Harry pudessem se adaptar à vista de todos se beijando, Ginny entrelaçou os braços ao redor do pescoço de Harry, o beijando pela segunda vez naquela noite.

Por alguns instantes não se ouvia nada e o castanho se deixou envolver pelo momento, apreciando um beijo que ele jamais achou que vivenciaria, àquela altura do campeonato, ele já estava repassando todos os momentos em que ele e Ginny estiveram sozinhos, sóbrios ou não, e flertaram "de brincadeira", percebendo que talvez pra ele não fosse tão brincadeira assim.

— Caras, eu juro, eu só fui ao banheiro. — A voz de George cortou o silêncio confortável, e todos pararam para encará-lo. — Sério, que isso aqui? Vocês literalmente me esperaram sair pra começar a festa? — O ruivo falou fingindo estar indignado.

Fred riu, seguido por todos, o momento havia acabado, agora as atenções estavam todas em fazer piadas com George sempre ser a vela do role, mas Ginny notou algumas coisas que a agradaram: o braço de Rony ao redor da cintura de Bianca, a mão de Arcturus sobre a mão de Killian em sua coxa, e os dedos de Tonks e Charlie entrelaçados. A ruiva se inclinou para sussurrar no ouvido de Harry. — Mal feito, feito.

The Roof.

A noite continuou correndo e depois de algumas rodadas, todos haviam se cansado do jogo e trocaram por "Eu Nunca", logo, Tonks sugeriu que eles voltassem para a piscina, todos concordaram, e Ginny disse que iria colocar mais cerveja para gelar, visto que o estoque do freezer da varanda estava acabando, ao que Harry reagiu se oferecendo prontamente para acompanhá-la.

Veja bem, o castanho passara algum tempo pensando sobre os… um? Dois? Ok, talvez ele tenha perdido a conta de quantas vezes havia beijado a ruiva aquela noite, mas quem poderia julgá-lo? Ginny Weasley tinha um campo magnético absurdamente forte, e um dom para mexer com sua cabeça e te fazer duvidar de tudo o que você acreditava na vida. Até o início daquela noite, ele nunca tinha pensado em Ginny de qualquer forma que não fosse fraterna, ou pelo menos acreditava que não, claro, talvez ele tenha odiado todos os namorados dela, e ficado estranho com a Luna quando elas tiveram um rolo dois anos atrás, mas isso era só ser protetor com sua melhor amiga, nada demais, certo?

Ainda divagando sobre todas essas coisas, Harry seguiu a ruiva até a cozinha, a ajudando a tirar todas as latinhas de cerveja dos engradados e colocá-las sobre a mesa.

— Ok, você praticamente mora aqui, alguma ideia de como mudar esse freezer pro modo turbo? Porque aqueles jovens inconsequentes e tarados lá fora não vão esperar muito e minha única ideia é dançar Luisa Sonza pro freezer e ver se ele muda sozinho. — Ginny perguntou a Harry em um tom brincalhão.

O castanho riu. Se abaixou nos joelhos com uma faquinha de serra entre os dentes, ele, Killian e Sirius ja tinham um esquema de emergência pra quando precisassem gelar a cerveja rápido, e visto que Arcturus tinha quebrado a chavinha do freezer 2 anos atrás, a melhor saída era usar uma faquinha de serra para girar os controles. — Ok, Gin, presta muita atenção, enquanto eu giro o controle você tem que apertar aquele botão verde ali, tem que ser ao mesmo tempo, se não ele não funciona, beleza? — Ginny assentiu, concentrada no que tinha que fazer e se posicionou ao lado do freezer, eles tentaram a primeira vez e não funcionou, a segunda também falhou miseravelmente.

— Eu não acredito que eles tem uma casa com tudo isso, e insistem em manter essa lata velha de freezer. — Ginny riu.

— Ei! Não fala assim da Gertie, ela sobreviveu ao meu pai bêbado cantando Summer Lovin' pra minha mãe em cima dela, ao tio Worms caindo em cima dela umas 900 vezes, e ao striptease do meu dogfather pro padrinho Moony em 1999. Ela é uma guerreira. — Harry defendeu a lata velha, e posicionou a faca, percebendo que um botão muito importante não estava ligado, e o ligando. — Vai, tenta de novo! — Ele girou a chave ao mesmo tempo em que Ginny apertou o botão, e, finalmente, o freezer fez um barulho muito alto e começou a funcionar em seu glorioso modo turbo que gelaria aquelas cervejas em menos de 20 minutos.

Ele se levantou em um salto e começou a colocar tudo dentro do freezer com a ajuda da ruiva, que tinha um sorriso que Harry não sabia decifrar nos lábios, mas ignorou isso e focou em encher Gertie com muitas latas de cerveja, a noite parecia que ainda ia ser longa. Quando eles terminaram e ele abaixou a tampa, Ginny ainda tinha aquele sorriso brincalhão em seus lábios e não saber o motivo estava o matando, então, ele revirou os olhos nas órbitas e se apoiou na mesa.

— Vai ruiva, desembucha, por que você tá com essa cara aí?

— Eu só… — Ela disse começando a subir no freezer. — ...estava tentando imaginar como foi que seu pai fez a serenata pra Lily. — Ela agora estava deitada de bruços no freezer, usando uma garrafa de vinho como microfone. — Como é a música mesmo? Ah é! Summer lovin'... had me a blast… — Puxou Harry para perto pela mão, dando um pouco de vinho pra ele. — Só vou fazer se você fizer comigo, vai.

— Summer lovin' happen so fast… I met a girl — Ele pegou a garrafa para si, agora sendo aquele que usava o microfone, e se inclinou com o rosto perto do dela. — crazy for me.

Ela pegou o "microfone" de volta. — I met a boy as cute as can be… — Passou a mão levemente pelo rosto de Harry, seus olhos estavam fixos um no outro e eles não piscavam, ela começou a rir. — Hazz, eu não sei o resto da música. — Esticou os braços para ele ajudá-la a se levantar. Ele riu, murmurando que também não sabia, e a ajudou, a ruiva agora estava sentada na beirada do freezer e puxou Harry para o vão de suas pernas usando seus pés. Harry mal respirava.

— Ginny Weasley me fez uma serenata com Summer lovin' em cima da Gertie, a história se repete, huh? — Brincou, passando a mão entre os fios ruivos de cabelo da garota, já sem saber o que estava falando, apenas seguindo seus instintos.

— Se a história se repetisse, agora estaríamos fugindo pro terraço com 3 garrafas de vinho, nos agarrando pelo caminho e prontos pra beber e dar uns amassos sob a luz da… — Ela começou mas Harry a interrompeu com um beijo, segurando firme em sua cintura e sua nuca enquanto o fazia, queria muito poder culpar a bebida por aquilo, mas a verdade era que ele queria beijar Ginny, queria muito, mais do que se permitia admitir em voz alta.

— É isso que você quer? — Perguntou ofegante, apontando pro terraço.

— O terraço, você, sim. — Ela respondeu, saltando do freezer e pegando garrafas de vinho com uma mão e a mão de Harry com a outra, o arrastando para a escada externa.

Harry se deixou ser puxado escada acima, ele não tinha certeza de quase nada aquela noite, mas as únicas certezas que tinha eram: ele nunca foi "só amigo" de Ginny, e ele precisava que ela o levasse para cima, ele queria chegar no terraço o mais rápido possível, queria ficar sozinho com ela, queria falar sobre o que estava acontecendo e descobrir se eles realmente haviam perdido tanto tempo quanto ele acreditava que haviam.

Não era difícil chegar ao terraço sem acordar ninguém, mesmo que os dois estivessem rindo como estavam e que tivessem duas garrafas de vinho batendo uma contra a outra em alguns momentos, a escada externa que saía da varanda lateral realmente ajudava naqueles momentos. Claro que Harry não deixou de cumprir o que Ginny mencionou querer no caminho, parando em pontos estratégicos da subida para beijá-la e adorando ver a expressão em seu rosto. O jovem tinha certeza que em algum momento da subida, Killian e Ronald saíram na porta e os viram, e também tinha certeza que vira Killian dar um tapa no braço de Rony como quem o mandava ficar quieto e voltar pra dentro, oferecendo uma piscadela para Harry enquanto encostava a porta de correr.

E, por fim, o terraço. Uma vez, seu padrinho Remus havia dito a ele que era impossível não se apaixonar naquele terraço, e agora enquanto caminhava para o centro dele de mãos dadas com Ginny, ele só conseguia se lembrar do motivo para ter tido aquela conversa com Remus.

[♡] flashback, 4 anos mais cedo.

…O relógio marcava 7h30 da manhã quando Remus teve o primeiro vislumbre dos 4 adolescentes no terraço. Killian e Arcturus dividiam uma manta e seu filho tinha a cabeça deitada no ombro de Art, já Harry e Ginny estavam quase imediatamente ao lado dos dois primeiros, Ginny usava o agasalho de Harry em cima do biquíni já seco, e Harry tinha um braço ao seu redor, cochilando com o rosto apoiado no topo de sua cabeça, e um sorriso bobo nos lábios.

As garrafas de vinho e tequila, e os cinzeiros lotados de bitas de cigarro denunciavam que eles tinham tido a brilhante ideia de (nas palavras de um Harry ébrio horas mais cedo) "ver o pôr do sol nascer", mas o sono talvez tenha vencido a batalha antes que o sol desse seu primeiro ar da graça.

Claro que os 4 fingiram que não havia clima romântico nenhum enquanto desciam as escadas ao lado de um Remus debochado, mas ele sabia e ele disse quando estava sozinho com o filho e o afilhado: — Algo aconteceu aqui, é impossível não se apaixonar nesse terraço.

Eles não tentaram negar, tampouco admitiram qualquer coisa, ambos apenas refletindo sobre a frase de Lupin e sobre como a luz do sol podia deixar qualquer pessoa muito mais bonita que o habitual.

[♡] presente.

Harry já tinha ficado com outras pessoas antes, mas seu coração batia diferente dessa vez, talvez porque fosse sua amiga ali, ou talvez, por ser Ginny, sua melhor amiga, a pessoa que o apoiava e o entendia. Por mais que sua mente repassasse o filme da noite em que Ginny usou seu casaco, e dormiu encostada em seu ombro esperando para assistir o nascer do sol, ainda parecia que aquela era a primeira vez que ele pisava naquele terraço.

Era como se ele estivesse vendo tudo ali pela primeira vez, o banquinho de madeira, o balanço de corda no jardim suspenso, as estrelas… Ginny. De repente, ele entendeu o que seu padrinho Remus queria dizer quando afirmou que era impossível não se apaixonar naquele terraço, estar ali com Ginny fez daquele local um terreno sagrado.

Ginny puxou sua mão, querendo beijá-lo e ele deixou, a abraçando pela cintura e rindo quando ela pediu pausa para colocar as garrafas no chão. O beijo deles era ávido, faminto, eles definitivamente estavam se segurando para não fazer isso por anos, mas Harry ainda precisava ter uma confirmação verbal.

— Gin… — Ele chamou baixinho e a ruiva revirou os olhos.

— Sim, Hazz, eu tenho certeza e sim eu já queria fazer isso há muito tempo. — Ela retrucou antes que ele pudesse falar qualquer coisa.

Harry riu. — Garota, você nem me deu tempo de falar nada.

— Potter, eu te conheço, você tá aí tentando saber se eu sempre quis ficar com você, se a gente perdeu tempo e poderia estar junto desde sei lá, o começo, se eu gosto de você, se eu realmente quero isso. — Ela agora tinha uma sobrancelha arqueada enquanto encarava os olhos de Harry. — A resposta pra todas essas perguntas é sim. Então será que você pode ficar quietinho e me deixar te beijar porque eu tenho esperado pelo momento em que você iria perceber que retribui meus sentimentos há muito tempo?

O castanho a encarou por alguns segundos, se esquecendo de piscar. — V-Você sabia?

— Harry, a Luna acha que você odeia ela até hoje. — A ruiva riu.

Harry corou. — Em minha defesa, eu não sabia que era ciúmes, não com certeza, não até hoje. Mas é, eu...

— Eu sei, Hazz, eu sei.

— Sabe? Tipo, eu ainda tô tentando entender…

— Amigos não cuidam de mim do jeito que você cuida. — Ela enroscou os braços no pescoço dele, lhe dando um selinho delicado. — Eu sempre soube.

— Por que nunca me contou? — Perguntou, unindo suas testas.

— Achei que sabia, todos nós achamos.

— Ah, então todo mundo sabia que a minha melhor amiga era o amor da minha vida e ninguém me contou? — Harry fingiu estar ofendido, Ginny riu.

— Starwarrior and Chonks are judging you now. — A ruiva retrucou. — Amor da sua vida, é?

— Meu Deus era tão óbvio quanto eles? — Riu, percebendo que realmente era exatamente o que eles faziam com Tonks, Charlie, Killian e Arcturus desde sempre. — Eu disse o que eu disse, Gin.

A ruiva o beijou, fazendo com que o tempo parasse ao redor deles, e ele queria morar pra sempre naquele terraço.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!