The Romance Of Sadness
17 XVI
XVI
A chuva caia insistente e pesada contra a janela do quarto. Os olhos verdes se ergueram e ele fechou temporariamente o livro, observando a janela embaçada e as gotas que escorriam pelo vidro. Há mais de uma semana Mario não sabia o que era ver o céu azul ou sentir o calor do sol tocar sua pele. Aquela ainda não era a temporada de chuvas, mas o céu nos últimos sete dias esboçava somente o mesmo tom cinza. Exatamente como o meu humor... Os olhos verdes encararam o livro e ele decidiu que não queria mais retomar a leitura. Uma longa espreguiçada e o ruivo estava fora da cama. Está quieto aqui em cima. Com exceção do barulho que vinha de fora, o segundo andar parecia deserto.
Havia vida na casa, e ela estava localizada basicamente no andar debaixo. A caminhada foi feita devagar e de maneira desinteressada. O Braço Direito não sentia dor, e as únicas recordações que tinha do incidente era uma pequena cicatriz em seu abdômen e os pesadelos em algumas noites ruins. No geral, Mario se recuperava melhor do que esperava e em poucos dias retornaria à sua antiga vida. Ivan havia permitido sua volta ao trabalho e uma parte do ruivo estava inquieta. Permanecer livre de responsabilidades e imóvel, sendo mimado e tratado como um inválido não condizia com sua personalidade. Então, quanto menos tempo o Braço Direito passasse em sua própria casa a partir da próxima semana, mais saudável ele sabia que ficaria. O delicioso cheiro que vinha da cozinha fez seu estômago roncar e Mario aproximou-se devagar. O ruivo parou na entrada, cruzando os braços e admirando a pessoa que cortava os legumes. Havia rapidez em seus movimentos, uma destreza e precisão que ele sabia que nunca teria. Cozinhar nunca foi seu ponto forte, mas era o hobby favorito do homem cujas costas eram tudo o que o Braço Direito via naqueles últimos dias.
Giulio depositou os legumes em uma larga panela e somente naquele momento notou ter companhia. Seu rosto se virou, os dois se encararam, porém, nada foi dito. Antigamente Mario teria engolido seco e se retirado, entrado na biblioteca e se servido de uma gorda taça de vinho, no entanto, não naquele dia. Bem, ele certamente beberia eventualmente, mas a presença do moreno havia se tornado rara e não seria sábio perder tempo com álcool. Sua adega particular o estaria esperando, contudo, o Vice-Inspetor provavelmente não voltaria tão cedo. O ruivo permaneceu imóvel enquanto estudava sua companhia. Naquela noite ele estava todo de negro, dos pés à cabeça. A manga da camisa fora levantada até os cotovelos e o avental perdia-se na calça e camisa escura. Ele parece mais apetitoso do que meu jantar. Eu passaria a semana a pão e água por cinco minutos sobre minha cama. O Braço Direito suspirou. A falta de atividade física estava subindo à cabeça e era preciso pensar em outra coisa.
"Você desceu cedo para jantar." Giulio disse com uma voz branda. Sua atenção foi para a carne que ele precisaria cortar. "Ainda levará algum tempo."
"Eu só vim pegar algo para enganar o estômago." Mario entrou na cozinha e foi direto para a pequenina mesa que ficava no canto. Em cima havia uma travessa de vidro onde repousavam suculentas maçãs. "Mas eu poderia ajudar..."
O moreno virou-se e ergueu uma sobrancelha. O ruivo mordeu a maçã e deu de ombros, mostrando que havia feito sua parte. A fruta estava madura e deliciosa, e serviria para acalmar seu estômago até que o jantar estivesse pronto.
"Como você está se sentindo?" A iniciativa do diálogo surpreendeu o Braço Direito, ao mesmo tempo que o deixou na defensiva. Ultimamente, as únicas conversas que eles tinham eram basicamente monossilábicas e iniciavam por parte do próprio Mario. O Vice-Inspetor mantinha distância, evitando ficarem a sós ou falar algo que pudesse colocá-lo em situação comprometedora.
"Ótimo, pronto para o trabalho." A resposta saiu ensaiada. O ruivo parou novamente na entrada da cozinha, esperando o assunto principal surgir. Ele vai dizer que não voltará mais...
"Você parece melhor, então não acho que minhas visitas sejam mais necessárias." Oh... "Ivan o liberou para o trabalho, logo, você não precisa de babá."
"É o que dizem." O Braço Direito deu uma última mordida em sua maçã. De repente ele não sentia mais fome ou necessidade de permanecer ali. Os restos da fruta foram para o lixo e Mario soube que precisaria de algo mais forte se quisesse esquecer certas coisas. "Eu estarei na biblioteca."
A biblioteca estava úmida e fria e especialmente desconfortável, exatamente como ele se sentia. O ruivo seguiu até a lareira, ajeitando os pedaços de madeira que ainda não haviam sido queimados e acendendo o fogo. Seria uma questão de minutos até o local se tornar habitável e nada melhor do que um copo de vinho para ajudar na espera. O Braço Direito possuía uma pequena adega na parte de trás, discreta e que mais lembrava uma estante, entretanto, não havia livros ou enciclopédias, e sim garrafas e mais garrafas de bebidas vindas de vários cantos do mundo. Sua companhia para aquela tarde seria uma garrafa francesa, presente do Chefe dos Cavallone para que ele melhorasse rápido. Ottavio não havia dito nada sobre bebidas, portanto, Mario não tinha com o que se preocupar.
"Você estava certo. É hora de cada um seguir o seu caminho," assombrou o ruivo durante aquelas duas semanas e foi com esse pensamento que a primeira taça de vinho desceu por sua garganta. Havia duas poltronas no centro do escritório e ele escolheu uma para acomodar-se melhor. A garrafa foi colocada sobre a mesinha de centro e o Braço Direito encostou-se à parte alta da poltrona, apoiando a nuca e fechando os olhos. Quando queria, Mario conseguia reviver nitidamente a última conversa significativa que teve com Giulio. Eles estavam no gigantesco quarto que ocupava um andar inteiro, e o ruivo havia subido com a intenção de ter uma breve conversa com o moreno. Enquanto permaneceu sem poder fazer nada, ele havia tido tempo suficiente para pensar em várias coisas, e o Vice-Inspetor era o primeiro item de sua lista. Eu achei que ele fosse me ouvir, mas no final eu não tive chance de dizer nada. Giulio disse que eu estava certo, quando eu não estava.
A primeira coisa que o Braço Direito lembrava após recobrar a consciência foi a dor enlouquecedora que sentiu ao acordar. O local ferido latejava, suas costas doíam e sua primeira reação foi gemer. Eu achei que estivesse morrendo, que haviam me deixado para morrer em algum buraco. Eu não reconheci o quarto ou a cama. Todavia, Mario sentiu os dedos entrelaçados aos seus e, quando seus olhos se abriram e ele viu quem estava ao seu lado, foi como se de repente nada mais importasse. A dor ainda estava ali, mas nada no mundo o faria retirar a atenção da maneira como Giulio chorou ao vê-lo despertar. Eu nunca o vi chorar antes. Por dez anos eu achei que já havia visto todos os lados daquele homem. Os soluços se misturavam com ofegantes pedidos de desculpas. A consciência do ruivo ainda não havia retornado totalmente e ele sabia que voltaria a dormir em poucos segundos, porém, também soube que quando abrisse os olhos novamente era o moreno que ele gostaria de ver. Era com aquele homem que ele gostaria de passar o restante de sua vida.
A recuperação do Braço Direito foi difícil. Os primeiros dias foram penosos e por várias vezes Mario sentiu como se talvez houvesse sido mais fácil ter morrido. A dor e a incapacidade de fazer certas coisas foram devastadoras, no entanto, o ruivo não poderia simplesmente desistir. Não quando encarava os olhos cheios de esperança de Giuseppe e sentia a preocupação quase palpável por parte daqueles que o amavam. O Vice-Inspetor tinha seu jeito único de mostrar-se presente, e o ruivo já conhecia aquele lado. Sempre que ficava doente Giulio esteve com ele, e naqueles dias isso não foi diferente. A presença quieta, os olhares, a maneira de se comportar... o moreno era tudo o que o Braço Direito nunca foi e jamais seria e era exatamente isso que o atraia e o fazia amá-lo tanto. O Vice-Inspetor entrou debaixo de sua pele e infelizmente ele só teve certas certezas depois de estar entre a vida e a morte.
Retornar para sua casa havia sido uma mudança positiva, Mario sabia. O irmão precisava reassumir sua função na Família e o próprio Giulio não poderia permanecer muito mais tempo afastado de seu cargo. O ruivo achou que ficaria algum tempo sem rever o moreno, contudo, seu ex-amante o visitou em um momento não muito oportuno. O Braço Direito estava em seu escritório, reabastecendo a adega quando o Vice-Inspetor o viu segurando as caixas de bebidas. O sermão que veio em seguida foi ouvido em silêncio e Mario, ao invés de sentir-se mal, foi agraciado com palavras duras e a promessa de que Giulio dormiria no mínimo duas vezes por semana na casa. Seu humor tornou-se melhor e por um momento o ruivo achou que talvez houvesse ganhado uma segunda chance. Se ele demonstrasse que o moreno ainda continuava sendo importante as coisas poderiam eventualmente mudar. Ou pelos menos era isso que o Braço Direito queria acreditar...
Nada realmente mudou naquelas duas semanas. O Vice-Inspetor manteve sua promessa, visitando-o com frequência após o almoço e dormindo quatro noites na casa. Nessas noites ele ocupava o quarto do irmão mais novo, que não pareceu chateado em dormir na mansão. Os dois conversavam muito pouco, embora permanecessem praticamente o tempo todo na companhia um do outro. Mario comportou-se o melhor possível, entretanto, não encontrou nenhum momento propício para mencionar uma nova conversa. Uma ou duas vezes ele achou que Giulio estivesse prestes a dizer alguma coisa, todavia, o moreno simplesmente se calava e o olhava. Ele vai me deixar e nós nos veremos raramente, isso quando eu precisar levar Ivan à sede de Polícia.
Imaginar-se revivendo aquilo fez com que a terceira taça de vinho tivesse um gosto não tão doce. Seria impossível não se lembrar das várias vezes que ele precisou dirigir o Chefe, logo quando seu amigo começou a cortejar Alaudi. As horas esperando no banco do segundo andar da sede de polícia, as xícaras de café e as longas conversas no escritório... a diferença é que o Vice-Inspetor provavelmente continuaria oferecendo o café, por educação, mas ele duvidava que os dois chegassem a conversar. E será uma questão de tempo até que Giulio encontre outra pessoa.
O pensamento não era inédito, porém, o ruivo sentiu pela primeira vez que ele estava prestes a se transformar em realidade. A garrafa tornou-se vazia e o Braço Direito piscou longamente, virando a cabeça para o lado da adega e ponderando se conseguiria ficar em pé. Sua tolerância para álcool era razoável, no entanto, ele não bebia daquela forma há algum tempo, além de estar de estômago vazio. O efeito da bebida começou no meio da segunda taça e as pontas de seus dedos já estavam dormentes. Mario respirou fundo, inclinando-se para frente. Uma de suas pernas pisou com mais força, mantendo-o em pé. O ruivo esticou os braços para cima e se espreguiçou. Seu corpo parecia leve, embora seu coração estivesse pesado. Os olhos verdes circularam o escritório e pararam em frente à mesa. A expressão em seu rosto tornou-se séria e por um momento ele pensou em esconder a taça atrás de suas costas. Eu não notei que tinha companhia.
"O que você está fazendo?" Giulio estava recostado à mesa, braços cruzados e uma expressão séria.
"Apreciando um bom vinho?" O Braço Direito agitou a taça em sua mão. "Eu posso te servir uma taça."
"Você bebeu uma garra inteira. Acredito que seja suficiente." O moreno aproximou-se devagar, ou pelo menos foi a impressão que Mario teve. Seu mundo parecia longe e funcionando em velocidade reduzida. O Vice-Inspetor retirou a taça de sua mão sem gentileza e a colocou ao lado da garrafa vazia sobre a mesinha.
"Eu estava apenas esperando o jantar, nada mais." O ruivo deu de ombros.
"Eu vim chamá-lo para jantar e você estava cochilando com a taça na mão. Mario, isso é irresponsabilidade. Você não deveria beber dessa forma." A voz de Giulio soou aborrecida. Eu não percebi que havia dormido...
"Eu já me sinto melhor e o que bebo não é assunto seu." O Braço Direito respondeu afiado. Por que diabos Giulio o repreendia?
"Você está bêbado!" O moreno o segurou pelo braço. Foi difícil para Mario não se surpreender. Eles estavam próximos, tão próximos que por um momento o ruivo achou, ou quis achar, que seria beijado. "Vá tomar um banho antes de jantar. Eu arrumarei a mesa."
"Eu não vou a lugar algum. Pare de me dar ordens. Nós não temos mais nada!" As palavras saíram sem aviso. O álcool o deixou mais valente e ousado. Os sentimentos que o Braço Direito vinha remoendo desde a conversa que tiveram na casa do Vice-Inspetor pareciam prestes a transbordar.
O Vice-Inspetor o encarou por alguns instantes e soltou o braço devagar, contudo, o olhar ainda permaneceu até que ele desse as costas. Mario arrependeu-se no mesmo instante, entretanto, seu corpo não se mexeu. O barulho da porta sendo aberta e fechada chegou aos seus ouvidos, fazendo com que os olhos verdes se erguessem e fitassem a larga janela atrás da mesa. O céu havia se tornado escuro e, realmente, ele não notara a passagem do tempo. Eu deveria ter dito outras coisas. Eu deveria ter pedido uma nova conversa. O ruivo umedeceu os lábios, relembrando a conversa que tiveram há duas semanas. A chance que ele queria aconteceu naquele dia e dificilmente Giulio se daria ao trabalho de repensar, ainda mais depois de receber tantas negativas. O Braço Direito abaixou os olhos, encarando o tapete escuro que forrava aquele lado do escritório. Ele teria permanecido um tempo indefinido naquela posição, pensando e buscando uma maneira de conversar com o moreno, todavia, o som da porta de entrada sendo aberta o acordou daquele transe. Ele vai embora... Giulio vai embora.
A chuva daquela última semana fora responsável por tornar tudo extremamente úmido, fosse o ar ou o gramado. O céu estava negro quando Mario saiu da casa, mas ele não se importou com as grossas gotas que caiam ou o frio que fazia. O vinho transformou seus sentidos e certamente a temperatura só seria sentida horas depois. Havia um carro estacionado quase na entrada da casa e foi ali que o ruivo encontrou o Vice-Inspetor. Giulio estava parcialmente inclinado ao lado do veículo, mexendo em alguma coisa com a mão direita, enquanto a esquerda segurava o largo guarda-chuva negro. Quando a presença de sua companhia tornou-se visível, o moreno virou-se e o encarou, porém, palavra alguma deixou seus lábios.
"Você está indo embora, não?" A chuva caia forte, mas o Braço Direito sabia que seria ouvido. "Você está finalmente me deixando, hm?"
"Você me deixou primeiro." O Vice-Inspetor respondeu sem emoção. "Você viu coisas que eu não vi e eu sinto muito por ter forçado meus sentimentos."
Mario entreabriu os lábios, no entanto, sua voz não saiu. O barulho da chuva tornou-se mais alto e o ruivo precisou passar as costas das mãos sobre os olhos. Eu estou ensopado. Ele não precisou se encarar de cima a baixo para ver o estado de suas roupas. O frio percorria seus braços e pernas, alojando-se em seu coração. O Braço Direito sabia que perderia aquele homem se não agisse rápido; na verdade, ele duvidava que a situação mudasse somente por causa de meia dúzia de palavras, contudo, era melhor do que vê-lo partir sem compartilhar sobre seus verdadeiros sentimentos. Sem dizer que, no fundo, Mario não deixou de amá-lo nem por um dia, nem por um único momento. O ruivo conheceu o que era amor nos braços daquele homem e permitiu-se viver os dez melhores anos de sua vida ao lado de Giulio. Eu me tornei ganancioso. Para cada momento que ele me proporcionava eu queria dois, três ou até mesmo quatro. Eu nunca me importei em ter milhões de amantes, mas não quero dividir Giulio com ninguém. Ele é meu... meu...
Os passos soaram molhados. A grama que forrava aquela área estava totalmente encharcada, entretanto, o ruivo não se importou. Seus pés o levaram até o carro, o suficiente para que ele entrasse debaixo do guarda-chuva do moreno. O Vice-Inspetor abaixou os olhos, olhando-o uma expressão indefinida. As mãos molhadas do ruivo subiram sobre a camisa negra, sentindo os músculos e a pele quente. Seu corpo inclinou-se à frente e ele apoiou a testa em um dos ombros de Giulio. Ele cheira a pimenta, chuva e madeira. Os lábios do Braço Direito sorriram. Eu achei que morreria naquela noite e que jamais teria a chance de estar próximo dele novamente. Meu corpo inteiro se lembra de todos os anos que passamos juntos. Não existe pedaço em mim que Giulio não tenha visto, tocado e amado. Eu não posso me dar ao luxo de perdê-lo.
"Você sabia que eu não estava falando sério naquela noite, no meio da primeira missão, quando eu disse que não queria mais vê-lo; por isso não me deixou argumentar e simplesmente aceitou minha decisão." O som que a chuva fazia ao cair sobre o guarda-chuva era alto e sonoro, todavia, ele não ouvia nada além das batidas de seu coração. "Por quê?"
"Por que você se colocou na frente daquela bala?" Giulio soou sério. "Por que você levou o tiro que deveria ser meu?"
"Você sabe o porquê." Mario corou. Ele era uma pessoa honesta e direta, mas quando o assunto era eles, o ruivo não sabia ao certo quanta informação deveria passar sem parecer redundante. A falta de resposta o fez juntar as sobrancelhas, e, ao erguer o rosto e ver a expressão do moreno, o Braço Direito suspirou. Ele acha que eu não o quero mais. "Eu não pude imaginar o que eu faria sem você. Quando vi aquele homem apontar a arma meu corpo simplesmente se moveu."
"E você não parou para pensar em como eu ficaria se você não houvesse sobrevivido?" A voz do Vice-Inspetor tornou-se mais alta do que a chuva. Sua mão livre agarrou o braço de Mario, apertando-o. "A bala não teria me acertado. Ela teria passado a quase um metro de distância. Você é egoísta, Mario! Você age como se as pessoas não fossem se importar em te perder." O desespero que tomou conta da voz de Giulio fez com que o ruivo arregalasse os olhos. Havia mais. Havia muito mais. "Eu passei horas imaginando o que faria se você não sobrevivesse, o que eu diria para Giuseppe, o que diria para mim mesmo. Eu aceito que você não me ame mais, mas não me peça para aceitar a vida se você não existir. Por isso eu aceitei sua decisão. Eu não me importo se você está comigo, com aquele francês abusado ou com quem for. Tudo o que eu quero é saber que você está vivo."
"Eu não quero ver você com ninguém." A resposta estava na ponta de sua língua. "E eu duvido que você seja altruísta o suficiente para me ver com outra pessoa sem sentir absolutamente nada." A maneira como o moreno engoliu seco respondeu qualquer dúvida que o Braço Direito ainda pudesse ter. "Eu fiquei com ciúmes, entende? Ciúmes! Quando eu vi você ao lado daquela mulher eu simplesmente perdi o controle. Ela estava sentada no nosso sofá, o espaço que passamos todos os domingos depois do almoço. Aquela mulher arruinou sua vida e vê-lo ao lado dela, conversando e agindo como se nada tivesse acontecido me deixou indignado. Você merecia mais, Giulio."
"Eu recebi mais." A mão que tocou o rosto de Mario estava fria. O ruivo sentiu-se corar, porém, era tarde demais para reprimir aqueles sentimentos. "E você nunca me disse que sentia ciúmes de Antonietta. Você nunca pareceu se importar."
"Aquela mulher me fez passar por uma das piores experiências da minha vida. Seria impossível não detestá-la." O Braço Direito ergueu uma sobrancelha. "Se não fosse por ela eu teria te seduzido com sucesso naquela noite. Nós perdemos muito tempo."
"É mesmo?" O meio sorriso que se formou nos lábios do Vice-Inspetor foi tudo o que Mario precisava para afastar as nuvens de seu coração. Seus olhos se abaixaram e o ruivo abraçou o homem à sua frente, sentindo suas mãos tremerem. "O que houve?" A mão de Giulio desceu por suas costas, acariciando-o e tocando-o por cima da roupa molhada. A voz soou rouca, preocupada e íntima. A intimidade que o Braço Direito tanto ansiava e desejava.
"Nós dois sabemos que você merece muito mais do que eu posso oferecer, mas eu realmente não sei como retomar minha vida se você não fizer parte dela." Mario mordeu o lábio inferior. Seus olhos estavam fechados, no entanto, ele sentia algo quente e úmido escorrer discretamente por uma de suas bochechas. "E sim, eu estou pedindo uma segunda chance. E não, não mudarei, eu continuarei falando alto e fazendo barulho quando passarmos os finais de semana em sua casa; Ivan e a Família virão em primeiro lugar e você vestindo um avental de cozinha continuará sendo a coisa mais sensual que já vi na vida."
O corpo do moreno vibrou quando ele riu. Para quem não conhecia o Vice-Inspetor a cena poderia soar estranha e até mesmo fora de contexto, contudo, não havia ninguém além do ruivo que conhecia aquele homem tão bem. Sorrisos, risadas, seriedade, raiva e lágrimas... ele conhecia e amava todas as facetas que Giulio oferecia. O moreno o ensinou o que era amar e ser amado, o que significava comprometimento e, principalmente, que a vida se tornava infinitamente melhor quando você encontrava alguém que fazia com que seus dias brilhassem e suas noites fossem inesquecíveis.
Se o Vice-Inspetor não houvesse aparecido em sua vida o Braço Direito tinha certeza de que não teria levado aquele tiro, assim como não saberia a gostosa e íntima sensação de olhar nos olhos da pessoa amada depois de horas intensas de prazer; ou estar tão completamente envolvido que a presença se torna natural, como respirar. Mario sempre se vangloriou por saber viver a vida e aproveitar cada momento. Entretanto, foi somente nos braços de Giulio que a vida pareceu realmente interessante e colorida, como um belo quadro exposto no meio da sala de estar ou um pôr do Sol assistido em uma tarde de primavera.
"Eu estou realmente feliz por ouvir essas coisas." O moreno falou baixo. "Eu finalmente poderei fazer algo que venho desejando desde que você abriu os olhos."
O ruivo ergueu o rosto, despreocupado com as lágrimas. Seu cabelo estava ensopado, logo, dificilmente o Vice-Inspetor notaria a diferença entre lágrimas e água de chuva. Os lábios se encontraram com fome, como basicamente todos os beijos que trocavam. Giulio desceu a mão livre pela cintura do Braço Direito, todavia, sem apertá-la. Mario entrelaçou o pescoço de seu amante, retribuindo a carícia e ficando nas pontas dos pés. O beijo foi longo e tinha gosto de saudades. O guarda-chuva permaneceu aberto por alguns segundos, mas foi uma questão de tempo até que moreno o largasse e envolvesse o ruivo com ambas as mãos. A chuva caia pesada e barulhenta, porém, nenhum deles parecia se importar. A mente do Braço Direito, que inicialmente estava branca, foi preenchida pouco a pouco com a presença do Vice-Inspetor.
"Você está ensopado." Os lábios ainda estavam próximos. Giulio havia descido as mãos até o quadril de Mario e aquele gesto muito lhe agradou.
"Vamos entrar e nos livrar dessas roupas." O ruivo respondeu baixo. Seu corpo inteiro desejava o moreno. "Você não vai mais embora, não é?"
"Ir embora?" O Vice-Inspetor o olhou com curiosidade. "Eu não pretendia ir embora."
"N-Não?" O Braço Direito ergueu as sobrancelhas. Ele só havia ido até ali porque achou que Giulio o estava deixando. "O que você veio fazer aqui fora?"
"Pegar um casaco." O moreno apontou para o interior do carro, onde um casaco negro descansava no banco do passageiro. "As noites estão ficando mais frias."
"Nós podemos acender a lareira no meu quarto." A conversa estava indo pelo caminho que ele queria e Mario não se preocupou em saber que havia feito aquela cena por nada. O Vice-Inspetor era tudo o que importava. "E depois nos livramos das roupas..."
"Eu concordo." Giulio esboçou um meio sorriso, depositando um gentil beijo na testa molhada de seu amante antes de se abaixar para pegar o guarda-chuva. "Mas nós não faremos sexo se é essa a sua intenção."
"Aparentemente não sou o único mal-intencionado." O ruivo apalpou o baixo ventre do moreno sem pudor. A resposta foi imediata, no entanto, o Vice-Inspetor deu um passo para trás. "Não me venha dizer que sou o único que quer isso. Faz mais de um mês, Giulio."
"Não podemos, recomendações médicas." Giulio tornou-se sério. "Ottavio disse que nada de intimidade por algum tempo."
"Quatro semanas é algum tempo." O Braço Direito cruzou os braços. Ele não gostava do rumo que aquela conversa estava tomando. O médico da família foi curto e grosso ao dizer que, embora o Anel dos Cavallone houvesse ajudado, o restante da recuperação precisaria ser feita ao velho modo. "Ninguém sabe ao certo como esses Anéis funcionam. Um dia, talvez, alguém possa estudar esse tipo de coisa, mas no momento tudo o que sabemos é que eles funcionam", foram as exatas palavras de Ottavio, seguido por um sermão e a punhalada final com: "Sem intimidade por seis semanas, Mario. Diga para aquele seu amante policial ir passar o tempo livre cozinhando."
"Se você não estiver disposto a seguir as orientações eu continuarei a dormir no quarto de Giuseppe." O moreno pegou o casaco de dentro do carro e fechou a porta. Não havia sinal em seu rosto de que ele brincava.
Mario deu de ombros. Não seria preciso perder tempo ponderando suas opções e, ao final, ele seria o único a sair perdendo. Eu preciso dele, mesmo que vestido e comportado ao meu lado. Os dois seguiram lado a lado até a casa, contudo, o Vice-Inspetor pediu que o ruivo esperasse um pouco, até que ele pudesse trazer uma toalha. O Braço Direito enrolou-se na felpuda toalha azul que lhe fora oferecida, subindo até o segundo andar e sentindo o corpo tremer. O vinho já perdeu o efeito e eu preciso de um banho quente. Aquele pensamento o fez virar o rosto, encarando seu amante no final da escadaria.
"Eu tenho apenas um banheiro e estamos ambos molhados."
Giulio o encarou e pisou no primeiro degrau. Os olhos verdes se ergueram e Mario sentiu um arrepio em sua nuca.
"Você sabe que eu estou fazendo isso por você. Eu quero vê-lo totalmente recuperado o quanto antes, Mario." O moreno recuou o passo que havia dado. "Mas eu não confio em mim mesmo o suficiente para prometer que não farei nada se estivermos juntos no banho."
O ruivo sorriu, dando as costas e subiu o último degrau. Seu corpo pedia um banho quente e roupas secas, entretanto, não havia nada que ele quisesse mais do que estar na companhia do Vice-Inspetor. Mais duas semanas e essa tortura terminará. O Braço Direito sabia que Ottavio jamais teria dado tal aviso se não fosse necessário. Então, ele aguardaria. Ele esperaria quantos dias fossem necessários para retornar à sua antiga vida de finais de semana calmos e tranquilos, deitado sobre seu amante no sofá da sala de estar ou gemendo alto no andar de cima. A porta do banheiro foi fechada e Mario encarou a cicatriz em seu abdômen após se livrar das roupas. Eu faria de novo, o ruivo entrou no box e abriu o registro. A água quente tocou sua pele como o suave e necessário toque de um amante gentil. Não existe nada que eu não faria por aquele homem.
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"Bom dia," disse a jovem moça de cabelos louros atrás da mesa da recepção.
"Ótimo dia, hm?!" Respondeu o Braço Direito do Chefe dos Cavallone, oferecendo um sorriso charmoso e propositalmente travesso que fez a moça corar e esconder o rosto atrás do livro em suas mãos.
Os corredores estavam frios, o que não era muito comum para um dia de primavera. Os degraus geralmente não o incomodavam, todavia, naquela manhã, em especial, Mario sentia-se cansado. Nós exageramos ontem, mas eu não me arrependo de nada do que fizemos... O ruivo sorriu ao atingir o segundo andar. Pequenos vislumbres da noite anterior correram por sua mente e seria humanamente impossível não sentir-se saudoso. A pouca luz, os corpos unidos, o suor, o barulho que a cama fez todas as vezes que Giulio se moveu... nas últimas 48 horas aquela foi sua realidade e o Braço Direito teria passado mais dois dias nos braços do moreno se o mundo real não o chamasse de volta. Embora minha realidade esteja me esperando do lado de fora do Hotel... provavelmente sério e mal-humorado.
O terceiro andar surgiu enquanto ele se perdia em lembranças. O quarto que ele procurava ficava próximo ao final do corredor, do lado direito, mas de costas para a rua. Os passos não ecoaram devido ao tapete verde escuro que forrava parte do assoalho e a caminhada de Mario foi silenciosa. Os nós de seus dedos bateram três vezes na porta de madeira escura e a espera durou alguns segundos. É estranho estar aqui novamente. O hóspede do quarto 34 abriu a porta e ofereceu um gentil sorriso. Ele estava vestido formalmente, com calça social e um colete negro sobre a camisa branca. Os cabelos foram presos em um rabo de cavalo e Jules cheirava a banho tomado.
"Ocupado?" O ruivo perguntou ao entrar no pequeno quarto. Não havia tela ou tintas espalhadas, plásticos forrando o chão ou qualquer indício de que aquela pessoa era um artista, exceto por dois quadros: o primeiro, recostado à parede e embrulhado por um pedaço de papel; enquanto o segundo estava sobre uma das poltronas, somente embrulhado pela metade.
"Um pouco. Eu tenho uma reunião." O francês cantou as palavras. "Eu estava apenas te esperando."
"Eu não vou tomar muito do seu tempo." O Braço Direito sentiu-se incomodado. Era desconfortável retornar àquele quarto depois de tudo o que havia acontecido. "Eu também tenho que ir embora. Minha carona está me esperando."
"O belo homem de cabelos negros e olhos verdes?"
"O próprio." Mario corou. Ele raramente corava na frente de pessoas, com exceção do Vice-Inspetor e Giuseppe.
"Vejo que fizeram as pazes." O louro foi até a janela e segurou o quadro com delicadeza. "Não direi que estou feliz, mas pelo brilho em seus olhos acredito que te faça feliz."
"O que eu posso fazer? Ele suportou dez anos ao meu lado." O ruivo sorriu, segurando o quadro que lhe foi oferecido. "Tem certeza de que não quer aceitar pagamento por isso? Eu soube que você vendeu todos os seus quadros e as pessoas pagaram muito por eles."
"É um presente... para um amigo." Jules ofereceu uma piscadela. "E eu não vendi todos. Minha nova obra-prima retornará comigo para a França depois de amanhã." O louro apontou para o quadro sobre a poltrona.
"Você já retorna? Tão cedo?" Os olhos verdes do Braço Direito pousaram na tela. Ele não conseguia ver exatamente do que se tratava, porém, daquele ângulo era fácil identificar que era um homem, cabelos longos e louros, sentado em um lugar que lembrava muito um bar. O homem parecia triste, no entanto, uma tristeza bonita e que fez com que Mario juntasse as sobrancelhas. Eu conheço essa pessoa... mas de onde? "Seu novo amante?"
"Amante?" O francês sorriu tímido. "Eu gostaria que fosse, mas não. Apenas uma alma triste e conformada que encontrei em uma noite. É incrível como achamos que temos problemas únicos e que ninguém é capaz de compreender o que passamos, até encontrarmos alguém em situação pior." Jules suspirou. "A universidade que estudei quer fazer uma exposição com o acervo que tenho na França. A oportunidade é boa demais para ser desperdiçada."
O ruivo segurou o quadro firmemente entre seus dedos. Ele havia prometido que desceria assim que obtivesse o que o levou até ali, portanto, era hora de se despedir.
"Eu não vou tomar mais o seu tempo. Obrigado pelo presente, Jules."
"De nada." O louro voltou a sorrir. "Ele ficou muito irritado quando você mencionou sobre o nosso rápido beijo?"
Eu sabia que ele comentaria o beijo. O Braço Direito sorriu e aquela foi sua resposta. A realidade, contudo, não foi tão simples ou doce. Quando Giulio soube do que acontecera, Mario recebeu um olhar pesado e, literalmente, as costas. O moreno o tratou com certa indiferença por três dias, entretanto, depois desabafou ao dizer que não havia gostado de saber sobre aquilo e que o ruivo estava proibido de se reencontrar com Jules. Ele me dirigiu até aqui e aposto que está olhando no relógio para depois me acusar de ter demorado mais do que o combinado. É melhor eu voltar.
"Boa sorte na sua nova exposição."
"Obrigado e eu espero vê-lo novamente um dia."
A despedida foi um polido aperto de mão e o Braço Direito se surpreendeu por não ter pensado em nada impróprio. O francês o acompanhou até a porta e Mario refez o caminho, todavia, tendo cuidado para não esbarrar o quadro nas quinas das escadarias. A moça da recepção voltou a corar quando o viu, e o ruivo se despediu com um charmoso aceno. A temperatura fria da rua o fez tremer, imaginando que seu corpo se tornaria quente ao entrar no carro do Vice-Inspetor. Giulio o esperava do outro lado da rua, recostado ao veículo e de braços cruzados. A expressão em seu rosto era pesada e ele consultou propositalmente o relógio ao avistar o Braço Direito.
"Você demorou." As palavras mal deixaram os lábios do moreno. Quando nervoso, o Vice-Inspetor geralmente agia pior do que Francesco.
"Três lances de escadas e eu não quis correr o risco de arranhar a pintura. Lembre-se de que ela vai decorar o seu escritório." Mario colocou o embrulho no banco traseiro, entrando no carro e suspirando por encontrar um local quente.
Giulio sentou-se no banco do motorista e deu partida sem dizer uma única palavra. O ruivo sabia que receberia o tratamento silencioso durante o caminho, mas aquilo não o aborrecia mais do que o fato de que passaria basicamente aquele dia sozinho. Ivan estava na casa de Alaudi, provavelmente atormentando seu amante e aproveitando as curtas férias que o louro tirara da força policial. O moreno assumiu o posto provisoriamente e isso significava que o Braço Direito ficaria solitário até que seu amante retornasse do trabalho. Eu poderia ir para a mansão, mas não há nada para ser feito. Giuseppe acompanha Francesco na escola, Catarina está ocupada com suas lições e eu passaria o dia entediado. Mario optou por ficar no centro da cidade, distraindo-se na casa do Vice-Inspetor e esperando seu retorno. Não havia trabalho real e que necessitasse de sua atenção, logo, ele poderia fazer o que quisesse em seu tempo livre.
"Você já está de saída?" O ruivo disse quando o carro foi estacionado em frente à casa de Giulio. "Eu poderia passar na sede para almoçarmos juntos."
"Eu provavelmente não terei tempo para almoçar." O moreno não parecia irritado, apenas vestia a seriedade habitual. "Se eu precisar fazer hora extra enviarei uma mensagem através de um dos policiais. Tranque bem a porta."
"Certo, certo..." O Braço Direito abriu a porta do carro, porém, parou ao ouvir seu nome ser chamado. "Hm?"
O beijo que tocou seus lábios foi rotineiro e casual, o que eles sempre trocavam quando se despediam. No entanto, Mario, como de costume, jamais deixaria que aquele gesto fosse rápido ou sem importância. Sua cabeça pendeu um pouco mais para o lado e ele deslizou a língua para dentro da boca do Vice-Inspetor, intensificando a carícia e mostrando como aquilo era realmente feito. Giulio sorriu durante o beijo, segurando a nuca de seu amante e movendo os lábios em uma dança perfeita. E pensar que passarei minha tarde sozinho... O pensamento o inundou com uma breve tristeza e o término do beijo só pareceu piorar sua situação.
"Vejo você à noite." O moreno disse baixo e sussurrado. O tom rouco levou um arrepio pelo corpo do ruivo.
O Braço Direito ganhou a calçada e segurou o quadro em sua mão, acenando e entrando pelo baixo portão branco. A chave prateada dançou em seus dedos e o Vice-Inspetor só deslizou o carro pela rua quando o viu entrar na casa. O corredor estava frio e Mario sabia que precisaria aquecer o ambiente ou acabaria andando com um cobertor sobre as costas. O quadro foi deixado no escritório, localizado ao lado da sala de estar. Giulio que escolha aonde quer colocar. Ele insistiu para ficar com o quadro; eu fiz a minha parte.
A conversa que tiveram debaixo da chuva foi apenas o primeiro passo. Naquela mesma noite, após um banho quente e um delicioso jantar, os dois amantes tiveram uma real e séria conversa. O palco foi o quarto do ruivo, Giulio sentado em uma cadeira, enquanto o Braço Direito ocupou a cama. A conversa foi longa, contudo, definitiva. Nenhum deles tinha interesse em permanecer afastado e era evidente que ambos os sentimentos continuavam vivos e presentes, entretanto, a necessidade por mudanças era clara. Mario desculpou-se por seu comportamento e pela primeira vez em sua vida pegou-se falando abertamente sobre ciúme, assunto novo para ele. O moreno ouviu em silêncio, todavia, em determinado momento seus lábios sorriram e a conversa ganhou um tom mais descontraído. Ele ficou feliz ao saber que senti ciúmes ao vê-lo com aquela mulher. O Vice-Inspetor disse que não pretendia mais rever Antonietta e tudo parecia perfeitamente em seu lugar até que, três dias depois, Giulio mencionou o tal quadro.
O assunto Jules surgiu quando as coisas começavam a se encaixar novamente. A rotina retornara, e os dois não se encontravam desde o último final de semana. Alaudi estava prestes a sair de férias, então Ivan não conseguia esconder o entusiasmo com relação às suas próprias férias. "Eu estou me dando férias, Mario, e não há nada que você possa fazer ou dizer!". O ruivo não tinha interesse em atrapalhar a felicidade pessoal de seu Chefe e melhor amigo, não quando aquilo significava que ele mesmo teria alguns dias para aproveitar sua reconciliação. Porém, na primeira chance que teve de ficar sozinho com o moreno, o francês foi o assunto e os planos do Braço Direito em tentar seduzir seu amante e burlar as duas semanas de proibição simplesmente desapareceram. Mario mencionou o beijo somente porque o Vice-Inspetor pediu total sinceridade. Ele pediu honestidade, mas me tratou com indiferença pelo resto da semana.
Não houve brigas ou discussões. Giulio apenas o olhou e perguntou se havia algo mais. Recebendo a negativa, no entanto, o moreno tornou-se distante e naquela noite o ruivo acordou sozinho na gigantesca cama, apenas para encontrar o Vice-Inspetor dormindo no sofá da sala de estar. A situação só melhorou com a chegada do novo fim de semana, quando Giulio o esperava no escritório bem cedo. Ele se desculpou, nós conversamos e Giulio perguntou se eu pretendia rever Jules. Quando mencionei o quadro ele me pediu se poderia mantê-lo e não vi porque não dá-lo de presente. A indiferença desapareceu e naquele mesmo dia, à noite, o Braço Direito finalmente pôde sentir que eles estavam juntos novamente.
O sexo foi infinitamente melhor do que ele recordava, embora o moreno tenha sido bem mais gentil do que o costume. Giuseppe dormia na mansão quando o Vice-Inspetor visitava Mario, então eles tiveram a casa para eles, sem preocupações com barulhos ou locais. Naquela noite eles não deixaram o quarto, mas o ruivo não reclamou. Ele sequer teve tempo de pensar em qualquer coisa que não fosse prazer. Seu corpo inteiro ansiou por aquelas preciosas horas e Giulio permaneceu a noite inteira basicamente dentro dele, amando-o e fazendo-o esquecer aqueles quase três meses de tristezas e sofrimentos. O dia seguinte foi muito parecido com o anterior e o Braço Direito estava exausto, contudo, feliz, na segunda-feira. Normalmente os amantes só se encontravam aos finais de semana, entretanto, com o Guardião da Nuvem oficialmente de férias, o Chefe dos Cavallone passava metade do tempo na mansão e a outra parte bolinando e seguindo o louro. E eu aproveito esses momentos para um pouco de distração.
A lareira da sala de estar foi acessa e ele espreguiçou-se.
As lembranças deixavam seu coração aquecido, pois ele sentia como se o moreno estivesse com ele. Todavia, quanto mais os olhos verdes fitavam o entorno, mais sozinho Mario se sentia. Trabalho. Nada como trabalho para passar o tempo. O ruivo sentou-se no sofá, encarando a pilha de papéis que estava sobre a mesinha de centro. Na última vez que esteve ali o Braço Direito trouxera alguns relatórios que precisavam ser lidos e aparentemente ele tinha tempo disponível para tal empreitada. Eu reconquistei meu lugar, tanto na casa quanto no coração de Giulio. E minhas roupas voltaram para o lado direito do armário... tudo está finalmente em seu devido lugar.
O resto da manhã foi passado naquela sala de estar de tamanho médio. Os relatórios não eram urgentes, mas Mario pegou-se entretido com os novos convites e alianças que Ivan havia recebido. Dentre todos, dois, em particular, chamaram sua atenção e o fizeram rir sozinho. Dois Chefes, um francês e outro inglês, literalmente ofereciam suas filhas como futuras esposas para Francesco. Eles até mesmo se deram ao trabalho de enviar fotografias. O ruivo encarou os retratos, imaginando se alguma daquelas moças estaria ao gosto do rapaz. Ele desfez uma aliança importante e disse que não tinha interesse em casamento, pelo menos no momento, logo, deduzo que esses convites serão declinados. A única dúvida é até quando. Eventualmente Francesco precisará assumir a Família e produzir um herdeiro. Com sorte ele se casará com uma moça por gostar dela, pelo menos um pouco... A visão do futuro Chefe assumindo um compromisso tão importante arrancou uma gargalhada dos lábios do Braço Direito. Aos seus olhos Francesco era apenas uma criança grande, geniosa e complicada.
"Você parece estar se divertindo."
O comentário fez Mario virar o rosto, surpreso por não ter notado que tinha companhia.
O Vice-Inspetor tinha algumas sacolas na mão e o estômago do ruivo automaticamente mostrou-se presente. Ele passara a manhã trabalhando e não percebeu a passagem do tempo. O Braço Direito comentou sobre as propostas de alianças e casamentos e até mesmo Giulio fez uma expressão engraçada ao mencionar Francesco casado. Os dois arrumaram metade da mesa na sala de jantar e Mario sorriu satisfeito ao encarar o suculento pedaço de lombo ao molho madeira. Havia ainda arroz, dois tipos diferentes de saladas e torta de morango como sobremesa. O moreno comentou que chegaria tarde, e que o ruivo poderia ir para cama sem esperá-lo. Difícil de acreditar que Alaudi resolvia todos esses problemas em horários normais. Ele não parece tão competente ou necessário. A refeição foi feita entre conversas isoladas e comentários dispersos. Aparentemente o Guardião da Nuvem queria voltar antes para o trabalho, porém, o Vice-Inspetor deixou claro que ele cumpriria todos os 15 dias, independente se aquilo significasse ter ou não o dobro de trabalho. Ele está feliz em ajudar o amigo.
"Eu cuido da louça," O Braço Direito disse assim que viu seu amante fazer menção de levantar-se e retirar os pequeninos pratos de sobremesa, "e obrigado pela refeição, estava deliciosa. Precisamos levar uma dessas tortas para a mansão, Catarina irá adorar."
"É uma confeitaria nova. Pensei em trazê-la no sábado, o que acha? Podemos levá-la em algum dos parques."
"Ela vai gostar da ideia." Mario colocou um prato sobre o outro e deixou a sala de jantar, sabendo bem que sua companhia viria atrás. "Convide Francesco também, assim Giuseppe o fará companhia."
"Gosto de ver como você está tratando seu irmão."
O ruivo arrepiou-se ao sentir-se abraçado por trás assim que colocou os pratos dentro da pia.
"Giuseppe e eu temos nossas diferenças, mas ele sempre será meu irmão."
"Hm..."
"Se você não tem intenção de ir até o fim eu sugiro que pare." O Braço Direito disse sério. Ele era totalmente a favor de preliminares e provocações inusitadas, desde que elas terminassem com ele gemendo sobre uma larga cama. "Eu sei que você veio me fazer companhia, mas também sei que tem que retornar e não há nada mais cruel do que me deixar literalmente na mão."
"Eu tenho..." Giulio consultou o relógio. "Cinco minutos..."
"Não conseguiremos fazer nada em cinco minutos, então, comporte-se." Mario virou-se, mas não conseguiu soltar-se do abraço. Era irônico que justo ele estivesse sendo casto.
"Cinco minutos é tempo suficiente."
O moreno deu um passo à frente e o ruivo gemeu baixo. O joelho subiu por entre suas pernas, tocando seu membro e fazendo com que uma onda de eletricidade percorresse seu corpo. As mãos do Vice-Inspetor desceram por sua cintura, abrindo o cinto e desabotoando a calça sem pressa. O Braço Direito fechou os olhos, escondendo o rosto no ombro de seu amante e decidindo simplesmente aproveitar o que lhe era oferecido. Seu corpo esfregava-se contra o joelho de Giulio e quando o moreno deslizou a mão para dentro de sua calça, a ereção já denunciava o quão excitado ele se tornara com aquele jogo ousado de palavras. Os lábios do Vice-Inspetor encontraram sua orelha esquerda, e a ponta da língua contornou a extensão, fazendo com que Mario se encolhesse e gemesse mais alto. Uma de suas mãos subiu pelo peito do homem que o masturbava, encontrando eventualmente o pescoço, nuca e deixando que os dedos se perdessem pelos cabelos negros. O beijo tinha gosto de morangos, creme e luxúria. Giulio abriu os botões da própria calça e o ruivo abaixou as mãos, ajudando-o a masturbar as ereções.
As vozes se misturavam, ecoando pela cozinha e fazendo-o lembrar-se de todas as vezes que o moreno o possuiu naquele cômodo. Não havia lugar naquela casa que o Vice-Inspetor não o houvesse provado, e qualquer local serviria para aquele intuito. O gemido mais alto do Braço Direito anunciou seu clímax, que foi acompanhado logo em seguida pelo de seu amante. Ambos permaneceram imóveis, respirações descompassadas e corpos praticamente grudados. Mario riu, sem entender ao certo porque aquilo parecia divertido. Eu o mudei, o ruivo inclinou-se para o lado, pegando um dos panos de prato e utilizando-o para limpar as mãos. O Giulio que conheci há dez anos jamais teria masturbado ninguém na cozinha. Eu não sou o único diferente. O moreno sorriu, voltando a beijá-lo, no entanto, dessa vez sem pressa. O Braço Direito fechou os olhos, retribuindo a carícia e desejando que a noite chegasse logo para ter aquele homem novamente em seus braços.
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O Vice-Inspetor retornou ao trabalho e Mario se viu com um tempo absurdamente livre nas mãos. O ruivo era uma pessoa agitada, que raramente estava parada, então, após lavar a louça e se dar conta que de lera todos os relatórios pendentes, o Braço Direito se pegou perguntando o que faria consigo mesmo. A casa estava limpa, não havia roupas que precisassem ser lavadas ou passadas e Ivan não teria trabalho até a próxima semana... Eu não tenho absolutamente nada para fazer. Mario sentiu-se incomodado, subindo até o segundo andar e jogando-se sobre a larga cama. Seu rosto afundou-se no travesseiro de seu amante, sentindo o cheiro do shampoo. O quarto parecia ainda mais largo e solitário, e o ruivo rolou sobre a cama, abraçando o travesseiro e fechando os olhos. Ele havia encontrado uma posição confortável e sentiu-se relaxando pouco a pouco. O cansaço da noite anterior acabaria sendo extravasando cedo ou tarde e o Braço Direito não lutou quando o sono começou a mostrar-se presente. Ele não tinha pretensão de dormir sozinho naquela noite, logo, seria válido e saudável descansar durante à tarde se isso significasse estar completamente alerta ao anoitecer.
As mãos soltaram o travesseiro lentamente e Mario dormiu.
A última vez que o ruivo se lembrava te ter tido uma primavera tão gelada fora há cinco anos mais ou menos, quando decidiu manter os cabelos mais longos. Os dias poderiam ser ensolarados, contudo, as noites permaneciam frias. As lareiras estavam sempre acessas e as comidas quentes eram praticamente obrigatórias. O quarto de Giulio, por exemplo, era definitivamente um dos lugares mais frios da casa, exatamente por ocupar um andar inteiro. A lareira ficava próxima à cama, entretanto, ela não conseguia esquentar todo o local, portanto, sair daquela região somente se fosse extremamente necessário. As janelas foram fechadas, a lareira apagada e o Braço Direito deixou a casa após trancar a porta. O céu estava escuro e uma brisa gelada batia em sua pele, deixando-a ainda mais vermelha. O banho foi longo e ele permaneceu alguns minutos debaixo do chuveiro, então sua pele ainda estava sensível às sensações externas.
O carro, todavia, possuía temperatura agradável e Mario pôde abrir os primeiros botões do sobretudo. O veículo seguiu em linha reta, virando à direita e entrando em uma avenida importante. Dali até a sede de polícia eram cerca de dez minutos, e o ruivo passaria aquele tempo usufruindo da total falta de movimento nas ruas. Também pudera. As pessoas de bem e respeito já estão em suas casas. Esse é o horário que a corja italiana decide deixar suas tocas. O pensamento o fez sorrir. Se não fosse pelo moreno ele certamente faria parte daquele seleto grupo de arruaceiros.
O Braço Direito dos Cavallone acordou quando o céu já havia escurecido. Seu corpo arrastou-se automaticamente para o banheiro, seguindo então para a cozinha no andar abaixo. O jantar foi uma versão mais modesta do almoço (sem a torta de morangos), e ele deixou a casa do Vice-Inspetor após trocar de roupa. Na teoria ele deveria permanecer quieto e paciente, aguardando seu amante retornar. Porém, Mario sabia que não aguentaria ficar mais um minuto sequer sozinho. O relógio marcava pouco mais de 22h quando ele estacionou em frente à sede de polícia. O horário de funcionamento havia terminado, mas o ruivo conseguiu entrar sem problemas graças ao policial que cuidava da segurança. Se todos esses cidadãos soubessem que a máfia entra e sai da sede de polícia como bem entende...
O Braço Direito perguntou a respeito do amante e agradeceu sorridente a informação. As luzes de todos os andares ainda estavam acessas, embora não houvesse uma viva alma sentada atrás das dezenas de mesas. Seu destino era o terceiro andar, local onde Giulio tinha um escritório isolado, ao lado dos arquivos da polícia. A sala de Alaudi, no segundo andar, estava fechada e com as luzes apagadas, e Mario só conseguia pensar que seu amigo estava provavelmente ocupado naquela noite. Eu gostaria de estar ocupado também. A sala do moreno estava fechada, no entanto, a iluminação saia pelas janelas altas. O ruivo bateu três vezes na porta, girando a maçaneta e entrando. Ele adorava aquele pequeno ritual, pois o fazia sentir-se íntimo e importante e esperado... bem, aparentemente não tão esperado.
Os olhos verdes se ergueram e as sobrancelhas escuras se juntaram, emoldurando um rosto confuso. O Vice-Inspetor pousou a caneta sobre a mesa, observando sua companhia entrar e trancar a porta. O Braço Direito sorriu, sabendo muito bem as dúvidas que dominavam a mente de seu amante. Ele havia ido até ali com um único intuito e esperaria pacientemente para que se tornasse real.
"Eu ainda tenho trabalho a fazer." Giulio disse baixo e Mario umedeceu os lábios ao notar que ele havia corado.
"Eu espero. Estou totalmente descansado." O ruivo aproximou-se da mesa e abaixou os olhos, encarando os papéis. "Já faz algum tempo desde a última vez e não há ninguém no prédio com exceção do segurança."
"Você deveria ter ficado em casa e me esperado." Embora parecesse acreditar em suas próprias palavras, o moreno não demonstrou se importar quando o Braço Direito abriu os botões do sobretudo ao dar a volta na mesa.
"Eu estava cansado de esperar sozinho, então decidi esperar aqui, qual a diferença?" Mario recostou-se à mesa e ofereceu um sorriso. O Vice-Inspetor o olhou por um momento, voltando a atenção para uma folha de papel, contudo, visivelmente desconcentrado. Ele sabe o que eu farei. "Eu estou tirando sua concentração?"
"Sim." Giulio respondeu sem olhá-lo. "Eu apreciaria se você aguardasse do outro lado da mesa."
"Você age como se esta fosse a primeira vez que venho aqui por esse motivo." A maneira visivelmente afetada e a súbita timidez deixaram o ruivo ainda mais obstinado. Ele deixara a casa de seu amante somente para poder vê-lo, entretanto, era impossível não provocá-lo. O moreno era sério e composto, então, quando esses raros momentos surgiam, o Braço Direito sabia que não poderia deixar a chance escapar por entre seus dedos. Provocar o Vice-Inspetor era um de seus passatempos favoritos. "Não preciso lembrá-lo de que da última vez nós só paramos por decisão minha, não?"
Giulio umedeceu os lábios para fazer algum comentário, todavia, tudo o que ofereceu foi um olhar de soslaio, soltando o pedaço de papel e recostando-se à cadeira. Mario sorriu vitorioso, passando uma perna de cada lado da cadeira e sentando-se sobre o colo de seu amante. O sobretudo deslizou por seus ombros, deixando-o apenas com a fina camisa branca. As mãos do moreno envolveram sua cintura e o ruivo ergueu levemente o corpo, apenas o suficiente para que ele se posicionasse melhor sobre o membro do Vice-Inspetor. Ele está realmente excitado... até mais do que eu estou.
O Braço Direito gemeu baixo, desejando que aquelas camadas de roupas sumissem para que ele pudesse sentir a ereção de seu amante sem intermediários. As mãos de Mario subiram pela camisa azul, tocando os mamilos propositalmente e começando a desabotoá-la. Giulio era mais encorpado e seu peitoral era largo e bem definido, resultado dos exercícios semanais que seu cargo exigia. O ruivo sempre admirou o moreno, desde a primeira vez que fizeram sexo. Não havia nada fora do lugar ou que deixasse a desejar. As costas eram largas, os braços fortes e as mãos grandes e pesadas. Intimamente o Braço Direito estava mais do que satisfeito, pois sabia que não existia combinação melhor do que alguém que possuía os materiais certos e a habilidade para manuseá-los. Ele é definitivamente perfeito para mim.
As pontas dos dedos tocaram a nuca, trilhando o maxilar bem definido e seguindo até os cabelos. Os fios estavam maiores do que o costume, e Mario adorava a sensação de poder ter algo para puxar. Seu quadril moveu-se devagar, fazendo com que o Vice-Inspetor gemesse entre os lábios entreabertos. Os rostos se aproximaram e o ruivo puxou a cabeça de seu amante para trás, passando a língua entre seus próprios lábios e voltando a movimentar o quadril. Os dois se encararam e o Braço Direito sorriu seu melhor sorriso. Ele adorava controle e poder. Ele amava ver aquele homem tão sério e íntegro perder totalmente a cabeça com provocações baratas. E, mais do que tudo, ele gostava de saber que era o único que tinha o privilégio de admirar aquela mudança.
Os olhos verdes se arregalaram e foi impossível para Mario não deixar escapar um som surpreso por entre seus lábios quando as mãos de Giulio agarraram sua cintura e o puxaram com força para baixo, fazendo com que a ereção se posicionasse diretamente em sua entrada. A respiração do ruivo tornou-se alta e instinto o fez tentar empurrar seu amante, mas a atitude não se mostrou das mais inteligentes. O moreno desceu as mãos por suas coxas, apertando-as e apalpando seu quadril, e segurando os pulsos do Braço Direito em seguida. O jogo de poder muito agradava Mario e ele teria ficado feliz em retribuir o favor, porém, o ruivo não imaginou que a situação seria totalmente invertida.
Um baixo click foi ouvido e a próxima coisa que ele sentiu foi a maneira nem um pouco gentil com que o Vice-Inspetor o colocou de pé. Tudo o que estava sobre a mesa foi para o chão com um único movimento: papéis, canetas, pastas, carimbos e uma infinidade de acessórios de escritório. Eles caíram com barulho, no entanto, Giulio não pareceu de importar e o Braço Direito não teve tempo de questionar. Seu corpo foi empurrado sobre a mesa e os botões de sua calça arrebentados. A peça desceu por suas pernas junto com a roupa de baixo negra e por um momento ele se sentiu completamente vulnerável.
"Você terá de manter a voz baixa." O moreno o segurou pelo queixo com uma das mãos, enquanto a outra desabotoava a camisa branca que Mario vestia. "Não importa o que eu faça com você, mantenha a voz baixa."
"Isso é uma ameaça?" O ruivo sentiu a voz sair de maneira diferente. Ele não percebeu que tremia de pura excitação e que seu corpo implorava aquele tratamento menos delicado. "Você está com medo que eu faça alguma coisa?" O comentário se referiu à algema que prendera seus pulsos há poucos segundos.
"Você não está em posição de fazer exigências." O Vice-Inspetor sorriu, voltando a empurrar o Braço Direito contra a mesa. "Eu vou te ensinar a não vir me importunar no trabalho. Você é o tipo de pessoa que só aprende pelo caminho difícil, Mario."
"Seu plano pode surtir o efeito contrário." Mario deixou sua nuca pender além da mesa, encarando o outro lado da sala. Tudo estava de ponta cabeça. "Eu posso gostar do tratamento e voltar com mais frequência..."
Giulio riu baixo e o ruivo tentou manter-se controlado. Era difícil, ele precisaria reconhecer. Com as mãos presas às suas costas, ele estava literalmente a mercê dos caprichos de seu amante. O Braço Direito sentiu quando suas pernas foram afastadas, contudo, nada o teria preparado para a sensação que se alastrou por seu corpo quando o moreno abocanhou sua ereção, sem aviso ou preliminar. O Vice-Inspetor não era adepto de fetiches estranhos, entretanto, gostava de sexo um pouco menos convencional, com movimentos forçosos e sensações máximas. Mario nunca reclamou, pelo contrário. Sendo uma pessoalmente extremamente sexual, o ruivo recebia com um sorriso todas as investidas por parte de seu amante e isso incluía tanto os dias em que ambos faziam sexo cru e parcialmente doloroso, como aqueles momentos em que Giulio o tratava como se ele fosse a criatura mais delicada do mundo. Em ambos os momentos o Braço Direito sabia que valeria a pena e, naquela noite, ele tinha certeza absoluta que agradeceria o tratamento peculiar que receberia.
A tortura durou menos de cinco minutos. Mario era experiente e seu corpo havia sido condicionado a suportar prazer por um longo período de tempo até chegar ao limite da satisfação. Todavia, seria humanamente impossível não desistir e simplesmente aceitar que não havia nada que ele quisesse mais do que permitir que o moreno o usasse como bem queria. A boca do Vice-Inspetor parecia devorar seu membro, e, se as sensações já não fossem suficientes, ouvir os barulhos do ato o deixava mais e mais excitado.
O orgasmo fez sua voz tornar-se mais alta e os olhos verdes se fecharam, imaginando a garganta de Giulio se movendo, enquanto recebia a tudo sem pestanejar. O momento do ruivo, porém, durou poucos segundos. Seu corpo foi puxado para cima e virado, sem aviso ou permissão. O Braço Direito teve dificuldades em manter-se em pé, ainda fraco devido ao clímax intenso. Seus pulsos começavam a ficar dormentes, mas houve certa gentileza na maneira como o moreno tocou suas costas e pediu que ele se inclinasse sobre a mesa. As pernas foram afastadas e, quando Mario sentiu a língua de seu amante em sua entrada, a promessa de se manter silencioso foi quebrada no mesmo instante. Aparentemente, naquela noite, seria impossível manter-se quieto.
Por longos minutos o ruivo não fez nada além de gemer. Os sons pareciam ter moldado sua garganta, tornando sua voz rouca e desejosa. O Vice-Inspetor o provou como queria, provocando-o e conseguindo reações que o Braço Direito geralmente só mostrava quando estavam a sós, em um quarto, e longe de olhares ou ouvidos. Ele está me devorando... aos poucos, foi a sensação que Mario sentia enquanto a língua de seu amante o invadia. Ele adorava aquele tipo de carícia, e, depois de uma década sentindo aquele homem dentro dele, o ruivo sabia que seu corpo estava condicionado a não conseguir prazer se não fosse daquela forma. Uma das gavetas foi aberta e a próxima coisa que o Braço Direito sentiu foram dois dedos penetrando-o com certa facilidade. Giulio não foi contido e os dedos entraram e saíram várias vezes e o tocaram por completo. A ereção de Mario retornara e ele agradeceu mentalmente quando o moreno retirou seus dedos. O ruivo sabia que o prato principal viria em seguida e aquilo era a única coisa que ele conseguia pensar e desejar.
O barulho da algema sendo aberta o surpreendeu, e o Braço Direito virou-se, encarando seu amante com uma expressão confusa. O Vice-Inspetor o olhou, juntando os corpos e tocando os pulsos avermelhados. "Eu te machuquei?" foi murmurado por uma voz preocupada e Mario corou ao notar a atenção que recebia. Suas mãos terminaram de tirar a calça de Giulio e o ruivo o empurrou de leve na direção da cadeira. A camisa branca deslizou por seus ombros e o Braço Direito dos Cavallone posicionou-se sobre a ereção e sentou-se devagar. O gemido ficou preso em sua garganta e Mario precisou esconder o rosto no pescoço de seu amante, enquanto a dor misturava-se aos espasmos de prazer que seu corpo sentia quando o moreno estava completamente dentro dele. A língua do Vice-Inspetor subiu pela orelha esquerda, enquanto suas mãos seguravam firmemente a cintura do ruivo, empurrando-a ainda mais para baixo. Por um momento o Braço Direito achou que chegaria novamente ao orgasmo e foi preciso muita força de vontade para simples não desistir de tudo e simplesmente deixar que aquele homem fizesse o que quisesse.
Os movimentos começaram devagar, uma lentidão torturante. Mario utilizava os pés como apoio, erguendo o corpo apenas para sentar-se novamente sobre a ereção de Giulio. O membro o invadia com facilidade, e cada estocada o fazia emitir um gemido baixo que demonstrava um pouco de como aquilo o agradava. As mãos do moreno o empurravam para baixo e após os minutos iniciais nenhum deles parecia pensar em outra coisa. O ruivo segurou o rosto do Vice-Inspetor, beijando-o longamente, enquanto seu quadril movia-se com mais rapidez. Em determinado momento o Braço Direito inclinou a nuca para trás, apoiando as mãos nos joelhos de seu amante e movendo-se com mais força.
O gemido que saiu junto com seu orgasmo foi mais alto do que os anteriores, no entanto, ele teria pouco tempo para se recuperar. Giulio o trouxe novamente para perto, lembrando-o de que eles ainda não haviam terminado. Mario abriu um largo sorriso, erguendo-se e sentando-se com vontade, apenas para ver as sobrancelhas do moreno se juntarem e um baixo gemido escapar pelos lábios rosados. A próxima estocada foi tão forte quanto a anterior, e, quando o ruivo pensou em simplesmente pedir que o Vice-Inspetor o virasse e o possuísse, o Braço Direito percebeu que eles não estavam completamente sozinhos.
As batidas foram leves, contudo, presentes. Mario parou de se mover, encarando Giulio e esperando algum tipo de explicação. O olhar que recebeu foi branco, mostrando claramente que ele também não fazia ideia do que estava acontecendo. A porta está trancada, não há como entrar. O ruivo virou o rosto, encarando a entrada do outro lado da sala. A maçaneta girou duas vezes e a pessoa mostrou-se presente.
"Giulio, abra a porta, eu preciso falar com você."
Isso não pode ser real! O Braço Direito revirou os olhos e permaneceu quieto. O moreno engoliu seco e fez menção de se levantar, entretanto, Mario meneou a cabeça em negativo e cobriu sua boca com a mão esquerda. A voz de Alaudi voltou a ecoar pela sala e o ruivo apertou os olhos, irritado. Esse homem precisa de uma lição. O que você está fazendo, Ivan? Porque não está aproveitando suas férias como deveria?
"ELE ESTÁ OCUPADO!" A voz soou alta e somente naquele momento o Braço Direito notou que falava falhado e um pouco arfante. "VÁ PARA CASA, ALAUDI!"
Não houve nova tentativa e Mario teve certeza absoluta de que eles não seriam importunados novamente.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!A expressão no rosto do Vice-Inspetor era de total incredulidade e Giulio precisou de alguns segundos até conseguia voltar à realidade.
"O-O que você fez?"
"Nós estamos ocupados aqui... muito ocupados." O ruivo moveu o quadril apenas como lembrete. "Você está completamente dentro de mim, então não acho que tenha tempo para conversas tolas com seu amigo."
Os olhos verdes se semicerraram e o Braço Direito esperou a reação de seu amante. O moreno o encarou por alguns instantes, oferecendo um meio sorriso ao mesmo tempo em que subia as mãos pelas coxas de Mario. A próxima estocada foi mais forte e o ruivo chegou a morder o lábio inferior, omitindo um gemido. Seus braços entrelaçaram o pescoço do Vice-Inspetor, envolvendo-o e sorrindo ao ouvir Giulio desculpar-se. As grandes mãos do moreno subiram por suas costas, todavia, logo desceram novamente para a altura da cintura, fazendo com que seu corpo fosse empurrado para baixo.
A melhor coisa que fiz foi vir para cá esta noite, o Braço Direito inclinou a cabeça para trás, entreabrindo os lábios e gemendo. O ritmo tornou-se rápido, embriagando-o com a atmosfera erótica e a ideia de que eles não deveriam fazer aquilo. Tudo começou neste escritório. As conversas, os olhares, a cumplicidade... pouco a pouco esse homem foi me amansando, me moldando e, principalmente, me mudando. Eu sou alguém completamente diferente se comparado há dez anos. O clímax de Giulio foi seguido por um gemido rouco e Mario abriu os olhos, encarando o teto da sala. Ele não tinha ideia de como sua vida teria sido se o moreno não houvesse lhe oferecido aquela primeira xícara de café, eu provavelmente estaria fazendo o que faço agora, mas jamais seria a mesma coisa, porém, o ruivo tinha certeza de que alternativa alguma seria tão satisfatória como aquela realidade. Ninguém jamais conseguiria se comparar ao Vice-Inspetor.
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Os dois grandes olhos cor de mel o fitaram com um brilho piedoso, mas o Braço Direito não se deixou abalar. Sua mão moveu-se rápida, retirando o relatório assinado e o substituindo por outro que necessitava de confirmação e carimbo. Ivan deixou a caneta dançar entre seus dedos, pousando-a na mesa somente para deixar o símbolo da Família gravado no pedaço de papel. Só mais um pouco, Mario gostaria de dizer, no entanto, a pilha de papéis ao lado demonstrava que seu incentivo seria falso. A realidade era outra e o moreno passaria boa parte de sua tarde com trabalho de escritório, que era uma das coisas que ele mais detestava fazer. Jantares longos, reuniões enfadonhas, missões suicidas e perigosas... O Chefe dos Cavallone receberia tudo isso de braços abertos. Entretanto, tudo o que o ruivo precisava era avisar que havia certa quantidade de relatórios ou cartas, que Ivan retornaria aos onze anos e agiria como um garoto mimado, recusando-se a fazer seu trabalho.
"Vamos fazer uma pausa." O Braço Direito disse após segurar um novo relatório assinado e carimbado. "Você disse que temos que conversar, então use esses minutos para isso."
"Ah sim." O moreno estalou os dedos e espreguiçou-se. "Eu pensei em algo e gostaria de saber sua opinião a respeito, entre outras coisas." A cortina estava aberta e a larga janela que ficava atrás da mesa permitia que uma parte do jardim fosse vista. O céu estava azul e a primavera era visível em basicamente todos os cantos. "Eu estou pensando em designar mais trabalho a Giuseppe."
"Hm..." Mario havia arrumado os relatórios e caminhara até uma das poltronas, sentando-se e fitando seu Chefe e amigo.
"Eu tenho duas viagens até o final do mês e gostaria que ele me acompanhasse. Durante as semanas que o tive como Braço Direito eu notei o quão competente ele é, e acredito ser uma boa chance de crescimento." Ivan pareceu ponderar. "O que me diz?"
"A ideia é boa e acredito que funcione. Giuseppe assumirá meu lugar eventualmente e não há melhor treino do que a prática." O ruivo foi direto e imparcial. Era trabalho e ele não poderia deixar que seus sentimentos e preocupações pessoais sobressaíssem seu senso de dever.
"Eu pensei sobre isso... por um bom tempo." O moreno esboçou um meio sorriso. "Eu criei esta Família e me dediquei a ela por muitos anos. Sei que Francesco precisa aprender a dar um passo de cada vez, então decidi oferecer um pouco de responsabilidade a ele."
"Você quer passar mais tempo com Alaudi, não?" Aquilo estava mais claro do que uma manhã de verão.
"Isso me torna fraco, não é?" O Chefe dos Cavallone abaixou os olhos. "Antes de Alaudi aparecer na minha vida eu achei que Francesco só assumiria a Família depois de minha morte e que eu trabalharia até meu último dia, porém, hoje eu quero assisti-lo crescer e amadurecer, mas tudo isso ao lado de Alaudi."
Isso te torna humano, o Braço Direito gostaria de repreender Ivan e dizer que a Família vinha em primeiro lugar, contudo, a quem ele queria enganar? Se o moreno delegasse mais trabalho ao filho, isso significaria que ele próprio estaria livre com mais frequência. A figura de Giulio surgiu em sua mente e Mario pegou-se sorrindo ao pensar que aquele homem se tornara tão essencial que não havia um momento livre em que ele não se imaginasse ao lado do moreno.
"Se esta é sua decisão então não há nada que eu possa dizer. Faça o que achar melhor." O ruivo colocou a franja atrás da orelha. "Mas eu gosto da ideia. Francesco irá amadurecer mais rapidamente, Giuseppe terá mais experiência em seu cargo e reconheço que tempo livre muito me agrada."
"Vê?" O Chefe dos Cavallone pareceu contente com a permissão. "No entanto, eu ainda precisarei de seus sábios conselhos, claro."
"Estou aqui para isso. E eu obviamente não abandonarei Francesco, pois meu irmão ainda não é capaz de impedi-lo de fazer bobagens. Imagine se eu não estivesse ao seu lado durante todos esses anos?"
Ivan riu baixo, todavia, uma de suas sobrancelhas se ergueu. O Braço Direito soube que havia mais.
"Mudando de assunto, existe algo que precisamos conversar. Uma coisa que vem me assombrando desde a semana passada..." O moreno esboçou um meio sorriso. "Eu não tenho interesse na sua vida sexual, mas na sede de polícia, Mario? Na sala do Vice-Inspetor?"
Mario gargalhou alto. Ele sabia que aquele assunto seria trazido à tona.
"Alaudi está extremamente bravo. Eu tentei acalmá-lo, mas nada adianta. Você precisa aprender um pouco de autocontrole, Mario! Existem lugares e lu—"
"Você está com inveja, assuma!" O ruivo lançou um olhar cheio de significados para o amigo. "Você está com inveja porque aposto que Alaudi nunca permitiu essas coisas."
O Chefe dos Cavallone entreabriu os lábios para dizer alguma coisa, mas palavra alguma saiu. Ao invés disso, ele simplesmente apertou os olhos.
"Sim, eu estou com inveja." Ivan abaixou o rosto e apoiou a testa sobre a mesa. "Alaudi havia ido à sede de polícia para pegar a assinatura de Giulio para alguma coisa que ele não me disse. Eu o esperei em sua casa, achando que seria algo rápido e de repente ele volta irritado... você não faz ideia dos absurdos que ouvi." O moreno suspirou cansado e por um momento o Braço Direito sentiu-se mal pelo amigo. "Ele nem ao mesmo quis vir no fim de semana. Certo, ele veio, mas não dormiu e foi embora depois do jantar. Eu estou frustrado... e a culpa é sua!"
"Minha?" Mario riu. "Não tenho culpa se você escolheu Alaudi como amante. Eu sempre disse que era uma perda de tempo. Não me culpe se ele não oferece o que você quer." O ruivo ficou em pé. "Você precisa ser um pouco mais persuasivo se quiser as coisas, Ivan. E aquela noite foi excelente, permita-me o comentário. Se eu consegui mudar Giulio, você consegue dobrar o Guardião dos Vongola!"
"Eu não acho que Giulio tenha mudado. Talvez ele sempre tenha sido daquele jeito, só precisava de um empurrão." O Chefe dos Cavallone ponderou, dando de ombros.
"E quem garante que Alaudi também não é assim e só precisa de um empurrão?" O Braço Direito ergueu as duas sobrancelhas, soando positivo. "O que acha de terminarmos com esses relatórios antes do jantar? Eu talvez possa liberá-lo para ir a Roma... talvez amanhã você não precise trabalhar no período da manhã e talvez Giuseppe possa dormir na mansão esta noite para fazer companhia aos seus filhos."
A esperança que surgiu através dos olhos cor de mel fez Mario se sentir bem. Ivan correu a mão até a pilha de relatórios, assinando e carimbando com destreza. O ruivo aproximou-se devagar, permanecendo ao lado do amigo, onde era seu lugar. Ele parece mais feliz agora. A pilha de relatórios não desapareceria em um piscar de olhos, porém, o Braço Direito nunca gostou de forçar o moreno a fazer nada. Aquele trabalho não deveria ser maçante ou obrigatório. Ser Chefe deveria vir natural para Ivan, e era seu trabalho garantir que aquilo ocorresse. Há dez anos, se o moreno sugerisse trabalhar menos para ficar com qualquer amante Mario jamais teria permitido. Então, o que havia mudado? Por que, agora, quando o Chefe dos Cavallone mencionou a ideia ele simplesmente a aceitou? Eu gostaria de dizer que é porque Francesco não é mais uma criança, mas isso seria injusto. A verdade é que Ivan merece um descanso, mesmo que seu tempo livre seja passado ao lado de alguém como Alaudi. O louro jamais seria de seu agradado, no entanto, o ruivo já não perdia tempo tentando separá-los.
O Guardião da Nuvem era a peça que sempre faltou para aquela família, ele sabia. Tanto Francesco como Catarina o viam como figura paterna, um membro indispensável e querido. Não é como se eu não soubesse o que isso significa. Se Ivan nunca houvesse ido atrás de Alaudi, depois daquele baile, eu certamente jamais teria conhecido Giulio. Nós teríamos passado por essa vida indiferente um à existência do outro. Portanto, se a vida era feita de pequenos momentos e grandes pessoas, o Braço Direito tinha certeza de que teria companhia para passar seu tempo livre. A Família sempre viria em primeiro lugar, contudo, havia sempre espaço para mais alguém.
Mario esboçou um meio sorriso, oferecendo um novo relatório para Ivan assinar. Naquela noite, o Chefe dos Cavallone não seria o único a jantar em Roma.
Continua...
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