The Righteous And The Wicked
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Música: http://www.youtube.com/watch?v=ZqX0YoMcxQQ Só quando o Mika começar a cantar, blz?
Steve havia chamado os amigos para a cozinha. Stefan e Brian ainda não estavam acostumados a terem tanta atenção dos elfos quanto os lufos estavam, mas acharam interessante irem para lá para conversar – e tocar.
O violão que Brian pediu finalmente chegara.
- Ahh, quanto tempo – ele suspirou, sorrindo, partindo logo para o trabalho de afinar o instrumento.
Eles decidiram começar por Come Undone, ainda muito satisfeitos com a resposta que tiveram por parte de Mikey. Os elfos assistiram atentamente e muitos ficaram com os olhos enormes cheios d'água, e Brian não soube se ria ou chorava junto com aquela cena. Era certo que os elfos eram exagerados, mas ainda sim, suas emoções eram sempre verdadeiras.
Quando estavam começando a tocar uma música que não era deles, o violão agora com Stefan, que ainda precisava pegar o jeito, ouviram mais alguém chegar à cozinha.
- Oi, Mika! Ray! — Steve os cumprimentou animadamente.
- Esse lugar é tão famoso assim? — Stefan perguntou.
- Entre nós, é – Steve respondeu.
Mika e Ray receberam aperitivos e bancos dos elfos e foram para perto dos outros. Mika não tirou os olhos do violão.
- Eu te disse que o Brian ia receber, não disse? — Steve comentou para Mika. — Quando você veio me procurar sobre suas composições. Tenho certeza de que ele pode te emprestar de vez em quando, não pode, Brian?
- Você compõe? Claro que posso.
Eles conversaram um pouco sobre música e acabaram convencendo Mika a cantar uma das suas. Ele só pediu para que Brian tocasse; as notas eram fáceis e ele pegaria o ritmo rapidamente. Mika se dava melhor no piano, como disse, passando grande parte das férias sentado em frente a um em sua casa.
- Ok.... acho que eu tô melhorando nisso de cantar pra outros ouvirem – ele falou, corando um pouco, e foi mais incentivado ainda.
Então começou.
- Você fala sobre vida, e você fala sobre morte, e tudo que está no meio, como se fosse nada; e as palavras são fáceis.
Brian estava improvisando bem, e Stefan o admirava tocando, mais do que olhava para o próprio Mika.
- Você fala sobre mim, e fala sobre você, e tudo que eu faço, como se fosse algo que precisasse ser repetido.
“Eu não preciso de um álibi ou que você perceba; as coisas que deixamos de dizer só ocupam espaço na nossa cabeça. Diga que é minha culpa, ganhe o jogo; aponte o dedo, decida o culpado; isso me faz subir e descer, não importa agora... Porque eu não ligo se eu vou falar com você de novo. Isso não é sobre emoção, eu não preciso de uma razão para não me importar com que você diz ou o que acontece no fim. Isso é minha interpretação.... e não faz sentido.”
Stefan, Steve e Ray trocaram olhares. Ray sorria, parecendo novamente orgulhoso de Mika como se ele fosse seu irmãozinho.
- As primeiras duas semanas tornaram-se dez, eu seguro meu fôlego e me pergunto quando acontecerá.... realmente importa? Se metade do que você disse é verdade, e metade do que eu não fiz pudesse ser diferente... isso faria as coisas melhores?
“Se nós esquecermos as coisas que conhecemos, teríamos algum lugar para ir? O único caminho é para baixo, eu posso ver isso agora; porque eu não ligo...”
Mika não havia se esquecido da última vez em que uma cena parecida com aquela ocorrera, e como Gerard reagira. Ele havia gostado muito daquilo, realmente, e estava analisando todos para saber se algo similar se desenrolava... e sorriu com a descoberta. Quem estava aéreo em pensamentos, dessa vez, era Stefan.
- Essa é minha interpretação, e não faz sentido.
“Realmente não é um sacrifício tão grande...”
Mika se perguntava o que se passava na mente de Stefan tanto quanto se perguntou isso a respeito de Gerard. Os dois podiam muito bem estar interpretando a música de uma forma completamente diferente da que ele pensara ao escrever, e era isso que o satisfazia e intrigava ao mesmo tempo. Stefan estava sendo mais óbvio, porém; não se preocupava em tirar os olhos pensadores de cima de Brian. Mika tentou ler o que acontecia ali, mas achou que saberia mais depois... teve quase certeza disso.
- E não precisa fazer sentido nenhum, porque é minha interpretação... yeah, yeah, yeah.
Deram uma rápida sessão de palmas para o garoto, que foi esticada pelos elfos até que o próprio Mika teve que mandá-los parar.
- Bom... o que acharam? — ele perguntou, logo emendando: — Adorei seu acompanhamento, Brian.
Brian piscou e foi o primeiro a responder:
- Ótima voz! E letra. Quer explicar, ou prefere que cada um ache o que quer?
- Hmm, que tal cada um explicar o que achou? — Mika sugeriu, olhando para Stefan.
- Eu acho que... — Ray começou, mas foi interrompido.
- Você não, Ray, já falamos sobre essa música! Não é justo. Stefan, começa você.
Ray fez uma careta e mostrou a língua para Mika. Stefan riu suavemente e falou.
- Fala sobre dar importância demais a coisas pequenas... ou não exatamente pequenas, mas não grandes o bastante para nos preocuparmos tanto.
- Não tão grandes como a própria vida – Brian continuou. — É, e nós exageramos coisas que poderiam ser simples, tentando achar uma justificativa para tudo...
- E esquecendo de que nada disso importa de verdade – Steve completou.
Os três olharam para Mika e ele assentiu com um sorriso.
- Só esqueceram uma parte.
- Qual?
- A de isso tudo não fazer sentido.
Eles franziram o cenho ao mesmo tempo.
- Então você nega o que falou? — Brian quis saber.
- Não, e sim. Acho que eu não consigo concordar completamente com o que eu digo. Ao mesmo tempo em que besteiras e paixões não são importantes, ainda assim são.
- Tá parecendo aquela conversa que o Frank e o Gerard tiveram na seleção pro time da Grifinória – Ray comentou. — Lembram?
- É, lembro... eu entendi. Acho que não concordo com mim mesmo também – Brian disse. — Da onde veio a inspiração pra essa, Mika?
Mika olhou para baixo rapidamente, mas voltou o olhar para cima.
- Uma decepção. Nada demais. Faz tempo que a escrevi... — ele pareceu se perder em pensamentos por um momento. — Tive uma pessoa e ela dizia que eu era tudo, que nós éramos tudo... disse tanto que realmente me fez acreditar que sem ela eu não poderia viver. Só que descobri que poderia, sim.
Ele deu um sorriso triste.
- Sinto muito – Brian disse, sincero. — Era daqui?
- Aham. Já saiu.
- O que não deu certo? — Stefan perguntou.
Mika deu de ombros e brincou com a unha distraidamente.
- Era segredo, e não poderia continuar sendo pra sempre, mas não concordávamos nesse ponto. Depois que percebemos que nenhum dos dois daria o braço a torcer, a coisa toda começou a desandar.
- Por que era segredo? — Steve questionou.
Brian e Stefan o lançaram um olhar de alerta, já que ele novamente agira sem muito tato. Mika não respondeu, e depois de alguns segundos Steve entendeu sozinho.
- Ah, era um cara?
- ... é. Eu devia ter percebido que ele nunca planejou uma vida comigo. Ele vai se casar com alguma bruxa e fim de história, eu fui só uma lembrança.
- Lembranças são importantes – Ray falou, chamando a atenção de todos para si. — Às vezes elas são o que há de mais importante.
Mika sorriu para ele, e algo fez parecer que aquela não era a primeira vez que Ray o dizia algo assim. Steve lançou um olhar inquisidor ao amigo, pensando na música que eles viram sem permissão, “Toy Boy”. Sim, Mika se sentia usado, e ele estava falando da mesma pessoa em todas as suas músicas até agora.
- Nós conhecemos esse cara? — Steve voltou a se pronunciar.
- Sim, era o Daron – Mika disse displicentemente.
Steve ficou surpreso, lembrando-se de alguém de quem Brian e Stefan nunca ouviram falar.
- Mas então, acho que devíamos ir, né? — Ray falou de súbito. — Eu pelo menos tenho treino de quadribol agora.
- E nós temos dever – Brian disse. — É, vamos. Quando quiser marcar algo assim de novo, Mika, fica a vontade.
Mika assentiu e seguiu Ray para fora da cozinha, acenando para os elfos. Os outros também se levantaram depois de falar um pouco sobre o que acabaram de descobrir sobre o lufo. Steve se despediu deles ao ir para sua sala comunal.
- Hey, o que você quis dizer com não concordar com si mesmo? — Stefan perguntou após alguns segundos. — Você também não sabe o que é ou não importante?
- É, não sei. Ou sei.
- Seja mais eloquente, que tal?
Brian sorriu.
- Ah, pensa comigo. A gente vive e vive e depois morre, e pronto, tudo que a nossa vida foi se torna algo sem sentido, você sabe. Mas ao mesmo tempo, se torna o que fizemos dela. Mas como eu vou saber se o que eu faço dela tem alguma importância?
- Pra alguém, tem.
- E devia? Eu sei que você está falando de você – Brian deu uma piscadela. — Mas por que você se importa?
- Porque eu te amo, oras.
- E eu também te amo, mas... sei lá. De qualquer jeito, acho que temos sorte. Nós não complicamos isso.
- Isso o que?
- Nós dois, esse amor, nós não complicamos. Então tendo ou não importância, não estamos perdendo tempo com isso, como Mika perdeu com aquele cara.
Stefan ficou quieto por mais algum tempo, remoendo o que queria falar, até que desistiu de segurar.
- Mas... o que seria perda de tempo?
Brian deu de ombros.
- Você sabe. Relacionamentos sempre dão merda por algum motivo, eu não acho que valha a pena sofrer por algo que você sabe que muito provavelmente não vai dar certo. Por isso gosto tanto do fato de sermos realmente amigos, porque, você sabe, muitos namorados não são amigos e isso é bem deprimente.
- É...
Stefan se calou novamente, acompanhando Brian pelos corredores e escadas. Mas ele não estava sossegado e Brian percebia isso. Então Brian parou de andar no meio de um corredor e empurrou Stefan para um canto, mesmo que não estivessem escondidos ali.
- Stef, você ainda não está 100% bem. Quando vai me contar o que quer contar?
Stefan apertou os lábios. Queria falar, mas não queria ser mal interpretado e nem afetar o sonho que estavam começando a viver com Steve. Estava tudo indo tão bem, que ele estava fazendo o máximo para aproveitar e deixar de lado aquele incômodo constante de não ser o que queria ser. E se antes ele tinha o benefício da dúvida, agora ele tinha certeza de que Brian gosta de como está. Mas não adiantava esconder o óbvio.
- Eu não acho que é perda de tempo – ele falou rapidamente, em uma daquelas ondas de coragem que às vezes brotam nas pessoas.
- Como assim?
- Um relacionamento. Um namoro, de verdade, algo fixo e seguro, não acho que seja perda de tempo. Ainda mais se os namorados forem melhores amigos.
Brian o encarou surpreso. Não disse nada à princípio, e Stefan esperou, nervoso, mas sem pressionar ou retirar o que disse.
Pronto, estava feito, e ele não tinha como recuar agora.
- Stef... — Brian pegou a mão dele e o puxou para mais perto, ficando na ponta dos pés para dar-lhe um selinho e colocar as mãos ao redor do seu pescoço. — Isso é... por que não disse antes?
Stefan deu de ombros, retribuindo o abraço.
- Eu... isso é muito... legal, mas... está tão bom do jeito que tá, você não acha? — Brian tentou ser cauteloso, mas deu para ver que não adiantou.
Stefan virou o rosto, sentindo uma pontada que ele já esperava no peito. Afastou-se, mas Brian não soltou sua mão.
- Eu já sabia – Stefan falou. — Desculpa ter falado. Eu estraguei tudo, devia ter...
- Não, foi ótimo que tenha falado! É só que... talvez a gente possa conversar sobre isso...?
- Não, deixa quieto. Não mencione pro Steve também, vamos fingir que eu não disse nada.
Brian mordeu o lábio inferior ao ouvir o nome de Steve, e Stefan reconheceu perfeitamente a culpa em seus olhos. Ele puxou sua mão para longe imediatamente.
- Brian, o que você fez com Steve?
- Nada! Nada, é só que eu... estava tentando. E eu sei que estou fazendo isso na sua frente, eu fui tão estúpido de não perceber, mas é que eu achei...
- Que estávamos na mesma página, é. Não estamos, mas tudo bem. Ainda somos amigos.
Brian abriu a boca, mas não soube mais o que dizer. Stefan deu um sorrisinho meio solidário e se virou, mas Brian o puxou de volta. Não sabia o que dizer, mas sim o que fazer; puxou-o pela nuca e o beijou enquanto ele ainda tinha os olhos abertos. Stefan hesitou, mas retribuiu o beijo. Por mais que estivesse acostumado, a linha que seus pensamentos tomavam tornou o ato tanto mais intenso quanto mais triste. Ultimamente ele descobrira que beijos podiam ser bem tristes.
Pararam ao ouvir um som de conversa se aproximando, lembrando-se de que estavam à vista e que algum professor mal-humorado podia dar uma advertência por fazerem aquilo no corredor. Olharam para o lugar de onde as vozes vinham, e acabaram por reconhecê-las como sendo de Taylor e Hayley.
- … não sei tudo! — Hayley reclamava. — Cuide melhor dele na próxima.
- Desde quando eu cuido do Frank?
- Se não cuida, deixa ele em paz. E me deixe em paz também.
- Eu quero falar com ele, ruivinha, e se ele saiu com o Gerard...
- Não quer dizer que eu sei onde estão! — Hayley bufou. — Até porque eu quero falar com o Gee também, estou com medo do que eles podem estar fazendo.
Taylor formou um sorriso malicioso, mas o tirou do rosto assim que notou Brian e Stefan ali parados, observando as duas. Todos ficaram em silêncio por um instante.
- Por que vocês não procuram eles juntas, então? — Stefan sugeriu, com a intenção de quebrar o desconforto momentâneo.
- Boa ideia. Hayley, vamos.
- Não! Por que eu não vou procurar por eles e você volta pra ficar com o Billie Joe?
Hayley quase formou um bico nos lábios. Taylor sorriu novamente, triunfante, e deu um passo para perto dela, com o olhar sedutor.
- Ciúmes, ruivinha?
- Ah, meu Deus.
- Se não, então vamos juntas e eu quero ver você não fazer mais nenhum comentário sobre o Billie.
Hayley fechou as mãos com força, mas não respondeu. Simplesmente andou e passou por Brian e Stefan, Taylor indo logo atrás.
Depois que viraram no corredor, um meio grito de Stefan ecoou quando Brian o deu um tapa no braço.
- Seu idiota! — Brian o repreendeu. — Era a Hayley!
- E daí? — Stefan passava a mão no lugar onde Brian batera, sem entender.
- Não lembra do Mikey chorando no banheiro? É dela que ele tava falando, e com essa química toda, é óbvio que a Taylor é a pessoa que Hayley disse ter beijado!
- … ah...
- E você acabou de fazer as duas irem juntas. Consegue imaginar no que isso vai dar?
Stefan se encolheu, culpado.
- É – Brian prosseguiu. — Eu só espero que ele não as encontre... acho melhor irmos procurá-lo. Distraí-lo pra que ele fique bem longe de encontrar as duas juntas.
Stefan concordou e eles saíram a procura de Mikey, indo ao corredor da Grifinória. Os pensamentos dos dois variavam durante o trajeto; no quanto Mikey podia estar sofrendo, no que Taylor e Hayley iriam fazer, no que Frank e Gerard estavam fazendo naquele momento... e no próprio drama deles, Brian e Stefan, que sempre foram os perfeitos amigos sem problemas. Stefan estava vendo com seus próprios olhos como relacionamentos eram problemáticos, não estava? Por que estragar uma amizade tão perfeita com isso, com ciúmes e desconfiança e medo? Brian tinha razão... Brian sempre teve razão.
Sim, Stefan entendia. Só restava seu coração entender, agora.
Notas finais
É um movimento mundial que os fãs de Placebo estão fazendo pra comemorar o aniversário do Brian e se baseia em espalhar a frase Molko, Y'Know? em vários lugares, físicos e virtuais, pra criar curiosidade nas pessoas e fazer com que acabem por conhecer a banda.
Eu vou tentar sair com minha prima pra colar uns cartazes, mas até lá, participo por aqui mesmo fazendo o Brian da fic falar "you know" algumas vezes a mais -q
E AH, OLHA ESSA FOTO DO STEVE: http://25.media.tumblr.com/tumblr_me0ut7NgYk1rjj9r4o1_1280.jpg Quer dizer que eles já sabem ♥ Dá mais ânimo ainda pra continuar ♥
Ok, BJBJ pra vocês, see ya. Próximo é orange Tayley, já tá meio óbvio isso -q
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