Notas iniciais
Hey :D
Tem música hoje. GREEN DAY O/
http://letras.mus.br/green-day/99745/traducao.html
Meu plano de fazer só os membros da banda falarem as letras de suas músicas está indo por água abaixo ;-; Não dá pra fazer combinar sempre.
De qualquer jeito, postei esse capítulo logo porque é só um "ponto de vista". Enquanto Gerard está lá remoendo seus pensamentos na aula de Poções, estou mostrando o que estava acontecendo com o Draco e o Frank.
Espero que gostem ;)

— Podem ir. E se aparecerem com esses doces daquele maldito kit Mata-Aula de novo, vou deixá-los desmaiados por uma semana — Madame Pomfrey avisou, colocando Frank e Draco para fora.

— Seria ótimo — Draco murmurou quase inaudivelmente, logo se virando para acompanhar Frank pelo corredor em direção às masmorras.

— Obrigado por ter vindo comigo — o moreno comentou, andando com as mãos nos bolsos. — Eu estava precisando de uma folga das aulas, e Pomfrey não iria acreditar se eu simplesmente chegasse andando... Eu só esperava que ela não tivesse se tocado tão rápido que era mentira.

— Tudo bem. Eu tinha que te recompensar por ontem, de qualquer jeito.

Frank olhou de esguelha para Draco por um momento.

— É, e por falar em ontem... nós vamos ter que esperar esse período terminar, não vamos? Nossa sala comunal estará vazia...

— Você quer que eu conte porque eu fiz aquilo, não quer?

— Levando em conta seu desespero em escapar daquela aula, é de se esperar que eu ficasse curioso, não acha?

Draco suspirou.

— É, acho que sim. Mas você...

— … não posso contar pra ninguém, eu sei. Mas já aviso que vou contar para a Taylor.

Draco parou e abriu os braços em um gesto de indignação.

— Que foi? — Frank perguntou, continuando a andar. — Estou sendo sincero. Mas além dela, ninguém vai saber. Prometo.

Draco bufou e retomou a caminhada. Logo chegaram às masmorras, e a sala comunal se apresentou rapidamente, anormalmente quieta.

Frank suspirou pesadamente.

— Queria que fosse sempre assim.

Eles se sentaram próximos das janelas, com a melhor vista para o lago. Frank não disse nada; aguardou pacientemente enquanto Draco olhava para fora, parecendo tentar escolher as melhores palavras.

— Eu... está acontecendo algo comigo.

— Isso eu já notei. Todo mundo já notou, aliás.

— Cala a boca, deixa eu terminar — Draco falou rispidamente, e Frank não conseguiu conter um pequeno sorriso de passar por seus lábios. Aquele era o Draco que todos conheciam. — Eu estou sentindo... coisas. Acho. Não tenho certeza, talvez não seja nada. Provavelmente não é, vai passar logo. Quer dizer...

— Draco — Frank o cortou calmamente, e o loiro o observou quase parecendo em súplica. — É o Potter, não é?

Draco arregalou os olhos lentamente e apertou a mão na poltrona com tanta força que os nós de seus dedos ficaram ainda mais brancos. Ele abriu a boca diversas vezes, mas não emitiu nenhum som. Frank o encarou serenamente.

— Pra começar, você tem que admitir — ele disse então. — Confirme. É simples. Diga: é o Harry ou não é?

O uso daquele nome fez com que as pálpebras de Draco tremessem e ele desviasse o olhar.

— Por que... — ele falou em um tom muito baixo, e limpou a garganta. — Por que não discutimos primeiro o problema, depois a causa?

— Como quiser — Frank respondeu, sentindo-se positivamente um terapeuta.

— Isso... isso está acabando comigo. Obviamente. Como você disse, todos já notaram. É uma coisa estranha, eu... eu não sei bem explicar. É como... agora você me vê, agora não. Eu entro e saio da realidade, entende? Uma hora é normal, e na outra, nem me pergunte onde estou, pois estou a um milhão de milhas de distância.

— Eu sei, eu entendo. Não precisa explicar.

— Entende mesmo? — Draco parecia genuinamente perturbado.

— Mesmo que eu não entenda, talvez nem seja isso tudo...

— Ei — o loiro apertou os olhos subitamente. — Não diga que meus pensamentos não são pra valer, ou você não me verá de novo.

— Desculpa — Frank falou simplesmente, e Draco pareceu meio chocado com isso, então só balançou a cabeça.

— Continuando, eu nunca sei como me sinto. Às vezes me pego pensando nas coisas do dia a dia, e às vezes em... outras. E nunca sei o que isso tudo significa! Eu estou aqui ou estou lá? Pra que mundo minha mente fica me levando? Eu não sei mais o que fazer, Frank, eu... eu sou o garoto esvanecente.

Draco fitou o chão por alguns segundos e Frank deixou que suas palavras pesassem um pouco antes de retomar a fala.

— Certo. Agora temos que ir para a causa do problema.

Draco fechou os olhos e os punhos. Olhou para Frank de súbito e crispou os lábios.

— Por que você se importa, de qualquer forma? Você nunca se importa com ninguém, por que comigo é diferente? Ou é só pra poder rir de mim depois?

— Com você é diferente — Frank respondeu sem pestanejar, como se já estivesse esperando a pergunta. — porque em você eu vejo um espelho de mim mesmo. As dúvidas, a dor, o desligamento de tudo.

O loiro fechou a boca e desviou o olhar de novo, parecendo emburrado por não ter como brigar.

— A questão, Draco — Frank prosseguiu. —, é que eu sinto como se pudesse te impedir de chegar aonde eu cheguei. Eu já não tenho retorno, mas você sim. E é por isso que eu quero te ajudar. Vai ser como uma segunda chance para me salvar.

— Então é egoísmo — Draco falou baixinho, sorrindo de leve.

— Claro, achou que fosse o quê? Empatia?

Draco riu rapidamente e pareceu mais sossegado por um momento.

— Mas o que aconteceu com você? Se apaixonou por quem não devia? — ele arregalou os olhos de novo e continuou veloz: — Não que isso tenha acontecido comigo, é claro, é só que...

— Não, não foi isso — Frank o interrompeu. — O problema foi a minha família. Mas não estamos falando de mim. Conta como o seu “problema” começou.

Draco suspirou mais uma vez.

— No ano passado... e você não pode contar isso para absolutamente ninguém, nem pra sua amiga, tá me ouvindo?, no ano passado o Harry meio que... ahn... me salvou.

— Salvou? — Frank franziu o cenho.

— É. Foi durante a Batalha. Ninguém pode saber disso!

Frank fez um gesto exasperado, e Draco continuou.

— Bem, depois daquilo... depois que eu voei com ele naquela vassoura... não me olhe com essa cara! Que droga! Enfim, eu passei as férias remoendo isso. Você consegue imaginar o quão humilhante é ser salvo pelo seu pior inimigo? Eu perdi o sono por causa daquilo. Fiquei imaginando quanto tempo demoraria até que ele e os dois comparsas espalhassem a história e meu pai aparecesse no meu quarto com um artigo da Rita Skeeter na mão: “Potter e Malfoy: Misericórdia de um ou covardia de outro?”. Só que o tempo foi passando e isso não aconteceu. Quando as aulas voltaram, achei que a escola toda saberia no primeiro dia, mas não... então pensei que, no mínimo, a Grifinória estaria rindo de mim pelas minhas costas. Mas parece que eles também não souberam.

— Você realmente achou que o Harry iria perder tempo falando disso? — Frank perguntou, as sobrancelhas levantadas.

— É, bem... achei — Draco se mostrou envergonhado por um segundo. — Pelo menos o Weasley iria, vai!

— É, ele iria — Frank concordou. — Mas se não fez, provavelmente foi porque o Harry não deixou.

— Foi o que eu pensei também — o loiro disse, baixo. — E por isso comecei a pensar em mais coisas. Quer dizer, comecei a ver as coisas de um jeito diferente, e a me fazer perguntas. Por que ele havia me salvado? Por que isso me afetava tanto? Significou algo?

— Você quer que tenha significado algo?

— Essa foi uma das perguntas. E elas começaram a me sufocar, e... argh, eu realmente não sei explicar! Tudo ao meu redor começou a parecer cada vez mais distante. Quando eu ando em salas lotadas, eu sinto como se fosse minha sentença. Eu sei que eu não pertenço aqui, a essa escola. A pior hora é no salão principal, quando estão todos juntos. Naquele cômodo eu o vejo... — Draco parou por um momento. — Eu o vejo e ele está com ela. Eu me viro e então vou embora. Ninguém nunca sabe o que estou passando. E ninguém se importaria.

— Nisso você está quase certo — Frank disse displicentemente. — Só uma pessoa aqui se importa de verdade com você.

— Quem?

Frank sorriu e balançou a cabeça.

— Você vai chegar a essa resposta sozinho. Mas você não disse o que aconteceu ontem. Era isso o que eu queria saber.

— Ah, é.

No dia anterior, Frank encontrou Draco desmaiado próximo à entrada para os dormitórios, e o levou para a enfermaria. Depois que saíram, Draco disse que usou um dos produtos das Gemialidades Weasley para poder escapar de uma aula, mas se recusou à explicar porque. Frank, então, prometeu que manteria o segredo, desde que ele retribuísse o favor; o que acabou acontecendo hoje mesmo.

— Bom, a aula que eu escapei era com a Grifinória — Draco respondeu, olhando pela janela. — Mas isso você deve ter adivinhado. Eu precisei matá-la porque eu tinha acabado de trombar com o Weasley no corredor e... ele disse que eu deveria ir falar com o Harry.

— Por quê?

— Ele disse que o Harry tem andado estranho, do mesmo jeito que eu, e que nossos “sintomas” estão parecidos.

Frank riu baixinho.

— E aí, ao invés de ir falar com ele, você fugiu da aula?

— Não me julgue — Draco disse firmemente. — Além do mais, eu não tenho o que falar com ele.

— Você tem muita coisa a falar com ele, Draco. Pra começar, você tem que se declarar...

— NÃO fale assim! Eu não... eu não aceito que esteja realmente sentindo alguma coisa. Quanto mais longe eu ficar dele, mais fácil de ignorar isso até o ano acabar e nós nunca mais nos vermos de novo.

Frank revirou os olhos.

— Se você quer assim, eu não sou ninguém para te fazer mudar de ideia. Só estou dizendo que é estúpido. É um ano da sua vida que você está desperdiçando.

— E eu não estaria desperdiçando se falasse com ele? Por favor, Frank, o garoto tem a namorada perfeita, os amigos perfeitos...

— O inimigo perfeito.

— Que seja. Falar com ele não ajudaria em nada a minha situação.

Os dois olharam para cima ao perceberem que o período daquela aula terminou. Eles se entreolharam e levantaram.

— Bem, faça o que você quiser — Frank falou. — Eu continuo achando que ficar sofrendo em silêncio é estúpido. O futuro é imprevisível, sabe.

Eles caminharam para fora devagar, enquanto dois ou três alunos da Sonserina corriam para dentro para pegar alguma coisa antes da próxima aula.

— É fácil falar — Draco retrucou. — Você não sabe o que é estar em contradição. Eu tenho minhas dúvidas... sobre onde eu pertenço, sobre muitas coisas.

— Isso é algo a se pensar — eles ouviram uma voz dizer, passando por eles, e só então perceberam Billie Joe piscando para eles e entrando pela porta por onde acabaram de sair.

Frank sorriu com a rápida intromissão do colega, apesar de Draco parecer irritado.

— De qualquer jeito — o loiro prosseguiu. —, eu ainda não sei o que fazer da minha vida, é isso. Mas que se dane, já cansei de ficar perdendo tempo pensando nisso.

Frank não respondeu; havia voltado ao seu estado natural de quietude observadora.

— Aliás, porque você quis matar aula hoje? — Draco perguntou de repente. — Era com a Grifinória?

Frank não disse nada por alguns segundos, olhando para frente, um rosto pipocando subitamente em sua mente.

— É, era com a Grifinória. Digamos que... eu também tenho alguns “problemas” naquela Casa dos quais quero fugir.

Notas finais
Espero que tenha ficado tudo bem explicado '-'
Eu mudei um pouco a letra pra dar certo, notaram, né? -q
E apesar do Draco ser quem falou tudo, dei uma participação especial pro Billie ♥ Até porque, a música é dele -Q
Esqueci o que mais eu ia falar. Ah. *suspira*
Até o próximo, xoxo!