The Righteous And The Wicked
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Demorei um pouco, mas em compensação o capítulo ficou grandinho '-'
E tem música o/ Do MCR dessa vez.
http://letras.mus.br/my-chemical-romance/892069/#traducao
Ela só vai aparecer lá pro fim, ok? Ok.
Tenho a impressão de que eu devia dizer mais alguma coisa... mas minha memória tem buracos do tamanho do Jô Soares, então é claro que não vou lembrar.
Boa leitura :)
— É sério que foram eles que te seguraram? — Ray perguntou pela terceira vez. — Você não se confundiu não?
— Não, Ray — Mika respondeu, exasperado, enquanto ele, os amigos e os grifinórios andavam no corredor apressadamente. — Até porque, eles teriam negado se não fosse verdade.
— Parem de fazer grande caso disso — Hayley disse. — Dois sonserinos foram legais uma vez na vida, não é o começo de uma nova era.
— Eu sei — Gerard falou. — Mas é estranho.
Gerard ainda estava com a testa franzida desde que Frank e Taylor se afastaram, e nem mesmo sabia porquê. Ele sabia que o fato de terem ajudado um garoto não deveria ser grande coisa, mas não conseguia parar de pensar nisso. Talvez, talvez fosse possível prever algo assim vindo da Taylor, mas do Frank? Ele mal tinha reações próprias. Por Deus, ele nem atacou Gerard quando este apontou a varinha para ele no dia anterior! O que pode justificar uma reação altruísta automática, então? Não fazia sentido que alguém como ele pudesse controlar um instinto “de briga” mas não um “de ajuda”... fazia?
— Ei — Gerard despertou de seus devaneios quando viu que os lufos estavam se despedindo, indo para sua aula, e Ray passava a mão na frente de seu rosto. — Tá tudo bem?
— Ah, sim, claro — Gerard respondeu rapidamente.
Ray, Steve e Mikey — que teria uma aula com a Lufa-Lufa mais uma vez — deram de ombros e se viraram, e Gerard iria fazer o mesmo, mas viu que Mika estava hesitando em sair.
— Ahn... posso falar uma coisa com você? — o garoto perguntou, e Gerard assentiu, curioso. — É rapidinho.
Hayley lançou um olhar aos dois e foi embora também, deixando Gerard e Mika sozinhos.
— Err, bom... eu só queria... — Mika pigarreou e deu uma risadinha nervosa; seu rosto já estava quase tão vermelho quanto as vestes da Grifinória de Gerard. — Eu só queria te dizer para não se culpar tanto.
— Me... o quê? — Gerard pareceu genuinamente confuso, mas Mika não ficou surpreso com isso.
— É, é isso o que você está sentindo, provavelmente. Culpa.
— Culpa por quê?
— Porque você sempre julgou todos os sonserinos da mesma forma, e nunca achou que houvesse a mínima possibilidade de um deles ser uma boa pessoa.
Gerard abriu a boca, mas não soube o que responder. É, isso era verdade... realmente era culpa o que ele sentia. Culpa por não ter dado chance, mesmo que só em sua mente, para que Frank e Taylor se mostrassem melhores do que pareciam ser.
— Acho que você tem razão... — ele murmurou.
— Mas o que eu queria dizer é para você não deixar isso te atormentar muito — Mika parecia bem mais sossegado nesse ponto da conversa, talvez por perceber que estava certo em suas suposições. — Não é inteiramente culpa sua, de qualquer jeito. Esse é um preconceito alimentado por gerações de bruxos, não é só você que julgou antes da hora.
— Bem, a Sonserina nunca teve fama de ter membros muito gentis — Gerard justificou.
— É claro, esse preconceito tem fundamento. Se bem que, em uma mente preconceituosa, todo preconceito tem fundamento, não é? — os olhos de Mika vagaram por um segundo antes de se focarem em Gerard novamente. — O que eu quero dizer é que a culpa não é bem sua, e sim de uma generalização que sempre foi feita.
— Entendi... — Gerard também divagou por um momento. — Obrigado por me esclarecer, nem eu tinha entendido o que estava sentindo. Como você soube?
— Eu acho que sei ler as pessoas — as bochechas de Mika, que tinham voltado à tonalidade natural, começaram a avermelhar novamente.
— Mas mesmo assim, você nunca achou que o Frank e a Taylor fossem capazes de generosidade, achou? — Gerard sorriu, esperando ansiosamente por uma confirmação, mas Mika mordeu o lábio inferior.
— Na verdade, eu nunca prestei atenção neles para analisar isso. Mas também nunca descartei a possibilidade de que isso era possível, porque... bem... eu não generalizo. Cada pessoa é diferente, independente do grupo em que ela se encaixa... — Mika desviou o olhar e abaixou o tom de voz. — … ou se não se encaixa em nenhum.
Gerard também desviou o olhar, sem ouvir direito as últimas palavras do colega, mas sentindo todas as outras como alfinetadas em seu orgulho. Ele sempre generalizou os alunos da Sonserina, não foi? Nunca os viu como indivíduos, e sim como uma grande e única serpente pronta para dar o bote. Mas até uma serpente pode ter suas falhas e doenças, não pode?
Quantas coisas mais ele generalizou na vida? Será que fazia isso muitas vezes? Será que sua mente era preconceituosa e, como Mika disse, encontrava um fundamento para justificar todos os preconceitos?
— Acho que devíamos ir pra aula — a voz do lufo alcançou Gerard de repente, e ele levantou a cabeça que abaixara sem notar. — Estamos atrasados. Muito.
Gerard arregalou os olhos e se virou, mas antes de começar a correr, olhou para Mika novamente.
— Ei, obrigado pela conversa — ele falou. — Devíamos nos falar mais vezes. Seu nome é Mika, né?
O garoto assentiu, com um sorriso infantil brotando nos lábios, e os dois voaram para suas aulas.
———
No almoço, Gerard dividiu seus pensamentos com Hayley e Mikey e contou tudo o que Mika lhe falara.
— Foi o que eu disse — Hayley comentou. — Vocês se cegam pelas cores verde e prata e não veem que existe um ser humano por baixo delas....
Ela lançou um olhar à mesa da Sonserina e fez uma careta leve ao avistar Taylor.
— … ainda que seja um ser humano irritante.
Gerard não pôde discutir dessa vez. As aulas no resto do dia o distraíram bastante, mas vez ou outra aquela pontada de culpa voltava a doer nele quando via algum sonserino passando pelos corredores. Mas então o sonserino em questão, ao notar que ele o observava, aproveitava a chance para zombar dele de alguma forma, e tudo o que Mika e Hayley falaram desaparecia de sua cabeça. Eles eram sim um bando de idiotas, e ninguém podia negar!
Gerard e Hayley compartilharam do receio de que a próxima aula deles com a Sonserina fosse ser um pouco mais desconfortável depois do ocorrido, mas Gerard tinha uma preocupação mais urgente.
Quadribol.
Os testes eram naquela semana, e vieram antes da próxima vez em que teriam de ver Frank e Taylor — ou foi o que imaginaram.
— Ahn, Harry — Gerard disse, no vestiário, assim que encontrou o capitão. — Porque tem tanta gente lá fora? Inclusive da Sonserina?
— Vieram assistir o treino — Harry suspirou. — Imaginei que isso aconteceria.
Enquanto se trocava, Gerard tentou afastar da mente a imagem de Frank e Taylor — e mais Ray, Mika, Steve, Brian, Stefan e não sabia quantas outras pessoas — o vendo voar pela primeira vez. Assim que terminou, Harry se aproximou dele de novo.
— Por acaso o Draco está lá fora também?
— Ahn? — Gerard acordou de seus pensamentos; podia jurar que já estava suando frio de tão nervoso. — Ah, o Draco? Não, eu não o vi.
Foi impressão, ou Harry pareceu desapontado?
— Devo estar com febre — Gerard murmurou para si mesmo.
Ele cumprimentou os outros jogadores que vieram fazer os testes, mas não quis conversar com ninguém. Estava nervoso, e não era o único; vários novatos iriam tentar a sorte também. Ele não sabia se era mais assustador ver o medo dos mais jovens ou a confiança dos que já jogavam há tempos.
Eles foram para o campo para encontrar outros grupos que iriam voar, e Gerard não conteve seu olhar de ir para as arquibancadas; além de Frank e Taylor, mais uma dúzia de sonserinos vieram assistir à seleção, incluindo Bille Joe e Mike. Viu que Harry também olhava para lá, e quase pôde ler em sua mente que ele estava tendo certeza da ausência de Draco.
Do outro lado, quase a Grifinória inteira estava lá, Hayley e Mikey bem na ponta, sorridentes e incentivadores. Vê-los só fez com que Gerard ficasse com raiva; se não fosse por eles, não precisaria estar sob essa pressão toda.
Alguns alunos da Corvinal também marcavam presença, Brian e Stefan inclusive, sentados lado a lado e conversando baixinho. A Lufa-Lufa estava também em grande número, e Ray parecia ser o mais barulhento, gritando especificamente o nome de Gerard repetidamente e fazendo com que Steve o imitasse.
Ele sentiu uma vontade louca de matar todos os seus amigos.
Mas a visão de Mika, que parecia desconfortável no meio dos colegas, o acalmou um pouco. Talvez por perceber que havia alguém mais incomodado do que ele, e que nem sequer iria jogar.
Ele suspirou e aguardou Harry organizar os jogadores.
— Ok, artilheiros primeiro. Podem montar suas vassouras!
Gerard gemeu baixo por ser um dos que iria primeiro, mas assim que deu o impulso para cima, o vento agiu como anestésico em suas preocupações. Ele adorava voar, e no fim isso importava muito. Ele se daria bem.
Mal teria percebido que aquilo era um teste se não olhasse para baixo e visse todas as cabeças voltadas para cima; algumas focadas nele, outras seguindo os outros jogadores. Ele deixou o espírito do jogo entrar em seu corpo e se imaginou em casa, brincando com Mikey e conseguindo fazê-lo parecer um péssimo goleiro a todo minuto, sorrindo enquanto capturava a goles e a atirava nos aros com facilidade.
Quando desceu, demorou um pouco para entender que as palmas da Grifinória, Lufa-Lufa e Corvinal eram principalmente para ele.
— Você ficou com a maior posse de bola! — Gina disse, aproximando-se para dar uns tapinhas em seu braço. — Se soubéssemos que você era tão bom, teríamos te chamado há anos!
Gerard sorriu bobamente e permaneceu assim durante os testes para todas as outras posições.
No fim, como era de se esperar, Harry deu a posição vaga de artilheiro à Gerard, e ainda trocou um batedor. O resto do time permaneceu igual, com o próprio Harry como apanhador; Gerard notou que Taylor ficou muito atenta no momentos desses testes, e não entendeu porque ela parecia não gostar do fato de todos serem ruins, até que percebeu que isso significava que ela iria brigar com Harry na hora do jogo, e isso não devia deixá-la muito feliz.
Depois de agradecer à Harry pela oportunidade, Gerard foi até os amigos.
— AEE! — Mikey gritou, bagunçando os cabelos do irmão rapidamente. — Eu disse que você ia conseguir. Agora me agradeça, vai!
— Valeu por ter me convencido, maninho — Gerard já não sentia mais nenhuma raiva; na verdade, estava mais alegre do que achou que ficaria.
— Ei, e a gente? — Hayley reclamou. — Eu e Ray também trabalhamos pra te convencer.
Gerard puxou Hayley com uma mão e Ray com outra e deu um abraço nos dois ao mesmo tempo.
— Pronto, felizes?
Hayley e Ray riram; Gerard estava cercado por eles, Steve e Mika, e percebeu que Brian, Stefan e Tré também se aproximavam.
— Você foi muito bem — Stefan falou, sorrindo simpaticamente.
— É — Brian concordou. — Mas, desculpa, ainda queremos que a Corvinal ganhe.
— Vão sonhando, queridos — Tré comentou, mas sua cara se fechou um segundo mais tarde.
Todos seguiram seu olhar e viram Billie e Mike passando ao lado deles para sair do campo.
— Não precisam parar de falar só por nossa causa — Mike provocou. — Se bem que eu gosto assim.
— Bom saber — Tré respondeu. — Na próxima vamos tagarelar bastante.
Mike rolou os olhos e fez menção de sair, mas Tré deu um passo para a frente, e o movimento súbito o fez parar.
— Já vai? Achei que podíamos ter a chance de finalmente terminar aquele nosso papo.
Mike e Billie se entreolharam por um momento e colocaram as mãos nos bolsos imediatamente. Todos os outros ao redor petrificaram, e pareceram conjuntamente confusos quando viram um pessoa entrar na frente dos sonserinos sem nenhuma cerimônia.
— O professor Flitwick está bem ali, com os alunos da Corvinal — Taylor disse, andando entre Billie e Tré sem olhar para nenhum deles, Frank a seguindo. — Se ele ver uma sombra de feitiço por aqui, vocês vão pra detenção de novo. Só avisando.
Tré suspirou audivelmente e guardou a varinha de uma vez, parecendo ter certeza de que Billie e Mike fariam o mesmo; e realmente fizeram.
Taylor parou e olhou para eles; Frank a imitou meio relutantemente.
— Vocês realmente pararam pra pensar! — a garota se admirou. — Não achei que funcionaria.
Frank sorriu para ela, um daqueles sorrisos sinceros entre amigos. Gerard, ao ver isso, se lembrou de tudo que passou pela sua cabeça nos últimos dias. Primeiro ele ampara o Mika, e agora tem um “sorriso sincero”? Argh, Frank precisava voltar a ser um simples idiota e fazer com que tudo tivesse sentido de novo.
— Então você entrou no meio de um duelo querendo ser atingida? — Gerard perguntou à Taylor, sarcástico.
Talvez se ele provocasse um pouquinho, pudesse dormir melhor a noite.
— Confiei na sorte — Taylor respondeu, sem se abalar. — E, segundo a lógica, você e seus amigos se jogariam no meio de um duelo do mesmo jeito, mas com a ilusão de serem heróis. É, eu realmente tive muita sorte aqui. Do jeito que são, vocês poderiam ter me atacado, todos de uma vez, para salvar... qual é o seu nome?
— Tré Cool — o grifinório respondeu, sorrindo indolentemente.
Taylor e Frank riram.
— Que nome estúpido — a garota comentou.
Antes que qualquer um pudesse responder, Frank puxou a manga da amiga.
— Vamos, Tay. Eu só vim porque você pediu, e ficar no meio de briguinhas não fazia parte do trato.
Gerard bufou. Agora Frank iria impedir uma briga de se desenvolver? Tudo bem que ele sempre fazia isso, e sempre sem querer, mas isso pareceria maduro e legal demais nas circunstâncias que cercavam a mente de Gerard. Ele precisava provocar um pouco mais.
— Isso é medo que estou sentindo, Iero? — ele falou, sem conseguir pensar em nada melhor para impedi-lo de ir embora.
Frank arqueou as sobrancelhas ao olhar para ele. Ah, por favor, pensava Gerard, me xingue pelo menos uma vez. Prove que você é um sonserino como eu sempre imaginei.
— Eu não tenho saco para sentir medo de vocês, Way — Frank respondeu.
— Isso deveria soar corajoso?
Frank deu de ombros.
— Não sei, não me importo. Eu já senti medo antes e o venci, talvez você possa considerar isso como algo corajoso.
— Já sentiu medo do quê? — Tré se intrometeu. — Do papai brigar por causa de uma nota baixa?
Os grifinórios, lufos e corvinais que estavam ali riram. Outros alunos os cercavam, sentindo a tensão no grupo, mas pareciam perceber que não haveria uma briga e, portanto, seguiam saindo do campo, deixando-o cada vez mais vazio.
— Não — Frank disse, sem se alterar. — Outras coisas.
— Que coisas? — Tré insistiu.
— Coisas do meu passado. As pessoas tem um passado, sabe? E eu não tenho nenhum motivo para contá-lo pra vocês.
— Oh, estou tão desapontado — Tré atiçou, mas logo se calou. Ele sabia que brigar com Frank era uma causa perdida.
— Bem — Gerard disse, deixando claro em seu tom que ainda não desistira de quebrar o suposto “autocontrole” do sonserino. — Você pode esconder muito sobre você mesmo, mas querido, o que você vai fazer?
— Como assim? — Frank questionou, ligeiramente intrigado.
— Você pode dormir num caixão, mas o passado ainda não terminou com você.
Frank abriu a boca e a fechou de novo. Gerard ficou satisfeito em deixá-lo sem fala, mas seu objetivo ainda não fora alcançado. Ele precisava provar para si mesmo que Frank era tão ruim quanto ele sempre supôs que fosse.
— Perdeu a língua? — Gerard prosseguiu. — Isso te faz parecer tão... trágico. Com “T” maiúsculo. Mas deixe estar, o que importa, né? Nada importa pra você.
Frank piscou uma vez e se recuperou.
— Talvez eu só não me importe com as mesmas futilidades que você. Quadribol, brigas, coisas idiotas.
— Acha que são futilidades? — Gerard rebateu. — Eu já tive minha cota de preocupações, assim como todo mundo, no último ano. Depois de tudo o que Voldemort nos fez passar, não temos o direito de viver? Não temos o direito de querer festejar quando o funeral acaba? Depois de ficarmos todos juntos para enterrar nossos amigos? Não diga que essas coisas de que gostamos são futilidades, porque elas são marcantes. Tanto quanto... tanto quanto o fato de fazerem sete* amargos anos que estou vendo sua cara.
Frank, inesperadamente, deu uma risada rápida e seca.
— Então o incômodo de me ver é algo marcante pra você? Só porque sou da Sonserina, ou porque você não gosta de mim, isso se encaixa na coisas “marcantes”? — Frank sorriu e balançou a cabeça. — Às vezes você tropeça e cai tão baixo... Estou chocado com o que você é capaz.
— E deve estar mesmo — a voz de Mikey os sobressaltou; os dois haviam até se esquecido de que havia outras pessoas assistindo a discussão. — Chocado com o fato de conseguirmos aproveitar a vida depois de tudo pelo o que passamos. Deve ser incrível para você, que não vê alegria em nada, em nenhuma dessas coisas pequenas. Meu irmão está certo, elas são importantes, sim.
— São? — Frank perguntou, e gesticulou com as mãos para o campo. — Se isso é uma coroação, eu não estou sentindo o amor. É... é, vocês estão certos, eu não vejo alegria em nenhuma dessas coisas. Sabem por quê? Porque nós somos só um bando de animais que nunca prestaram atenção na escola. E aí vocês todos me contam sobre seus problemas, como se fosse para eu me importar com qual time vence um jogo idiota, ou quem está namorando com quem. Vocês são fúteis, sim. Aposto que se preocupariam se eu dissesse que eu estava matando antes de matar ser legal, porque vocês querem ser... quer dizer, você são tão legais, não são? Vocês são demais, com suas fofocas e suas brigas e suas vidas sem significado.
Ficaram em silêncio. Ninguém ouvira Frank falar por tanto tempo, e agora ninguém sabia como responder. Suas palavras eram uma afronta a todos, inclusive os sonserinos, e ele sabia disso. Ele e Gerard se encaravam firmemente, enquanto os outros se entreolhavam, sem saber o que fazer. Somente Mika parecia ter algo a dizer, mas não conseguia arrumar coragem para falar, e ninguém prestava atenção nele, de qualquer forma.
— Alguém tem algo mais a declarar, ou posso ir embora? — Frank retomou a voz. Como ninguém disse nada, ele continuou: — Ótimo.
Olhou para Gerard mais uma vez.
— Não pense que não entendi o que você estava tentando fazer aqui, Way. E acredite, você nunca vai me pegar vivo.
— Você faz o que precisa para sobreviver, não é? — Gerard perguntou, consciente de que nem todos estavam entendendo a conversa.
— E por isso eu ainda estou aqui — Frank respondeu.
Ele começou a se afastar e Taylor, parecendo meio abobada com o que presenciara, virou-se para acompanhá-lo. Billie e Mike foram logo em seguida, sem dizer nada.
A felicidade que Gerard sentira por ganhar uma posição no time de sua Casa desaparecera completamente. Ele era uma mistura de raiva, dúvida e ansiedade.
Frank percebeu que ele estava tentando fazê-lo se descontrolar, e não conseguira. Mas foi bem mais longe do que normalmente. Gerard conseguiu chegar à algum lugar em Frank que ninguém alcançava, mas isso não fazia Frank parecer mal, como fora a intenção. O objetivo de Gerard não foi atingido.
Então seus questionamentos internos continuariam, com a adição de tentar entender porque Frank era assim, tão... fechado. Não que se importasse, mas era curioso...
Só que, depois disso tudo, a relação de “leve desafeto” entre os dois com certeza se intensificaria. Sem perceber, Gerard fez com que as próximas aulas com a Sonserina fossem ficar ainda mais desconfortáveis.
Ele olhou para a silhueta de Frank ao lado de Taylor saindo do campo de quadribol.
E você vai andando para longe e eu vou me afogar no medo.
Notas finais
É isso, acho... espero que tenham gostado :D
xoxo ♥
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