The Revenge Of Apófis
2 Capítulo 1 - Gatos maníacos ao resgate
– Lúcia! — quase derrubei minha varinha quando meu melhor amigo Lius me chamou. Ele veio trotando até onde eu estava e eu taquei a mão na boca dele para calá-lo e o puxei para baixo, atrás da lixeira onde eu estava me escondendo — O que foi?
– Serket – falei, quase inaudivelmente.
– O quê? Os deuses voltaram?
– Não sei, mas Serket voltou – falei desesperada.
– E os outros?
– Eles já foram para casa, eu fiquei pra falar com a diretora sobre nossos horários.
– Você acha que consegue derrotá-la?
– Não sei, quero dizer, eu nunca lutei contra um deus antes.
Lius deu um pulo, um escorpião saiu de baixo da lixeira e subiu no tênis dele, o qual saiu voando para o outro lado do estacionamento. Seu casco de bode ficou à mostra, ele tirou o outro tênis e jogou longe, um rugido de indignação veio de lá, me fazendo ter calafrios por todo o corpo.
Olhei para Lius, meu amigo sátiro, e nossos olhares se encontraram, concordamos e corremos. Um mar de escorpiões convergiu atrás de nós.
Não fomos muito longe, cinco mulheres com escamas verdes vinham do outro lado do estacionamento, seus corpos terminavam em dois corpos de cobras e lua língua bifurcada estava à mostra. Ela levavam uma cimitarra em cada mão.
– Dracaenae. Que merda é essa? — falou Lius.
Dracaenae, monstros gregos cruéis trabalhando junto com uma deusa egípcia?
Do outro lado do estacionamento, um risinho sarcástico chegou até nós, Serket vinha a passos lentos, sua túnica marrom tremulava como se fosse feita de pequenos escorpiões, muitas joias douradas com rubis enfeitavam seus braços, pescoço e cabelos pretos cortados em estilo grego. Um mar de escorpiões se espalhava em seus pés e subiam pelo seu corpo, em sua cabeça um escorpião gigante se agitava. Um olhar de nojo brilhava em seu rosto, e eu vi uma pontada de medo presente neles?
– Lúcia Kane – ela sibilou, raiva manchando suas palavras – você deve morrer aqui, querida.
As dracaenae sibilaram em uníssono, como ela: morrrrrersss, morrrrersssss.
– Lúcia, minha espada – disse Lius, enquanto fazia um circulo ao nosso redor.
Me concentrei e chamei meu “armário” do Duat, demorou alguns segundos, mas consegui. De lá tirei um cajado, uma espada grega de bronze celestial e 4 estatuas de Nut, a deusa do céu. Eu sei, não é comum um sátiro lutar com uma espada, geralmente eles lutam com flautas e galhos velhos de árvores, mas Lius era um sátiro diferente.
Não é comum usar Nut como uma deusa protetora, mas eu a usava porque eu estava estudando o caminho da deusa do céu. Coloquei as estátuas nos quatro pontos cardeais e pronunciei um encantamento, hieróglifos brancos surgiram no ar a nossa frente:

O hieróglifo para proteção brilhou no ar e logo desapareceu. Os hieróglifos proferidos por magos geralmente são azuis, vermelhos ou dourados. Os meus eram brancos, sou uma aberração total, eu sei.
O círculo que Lius havia traçado brilhou branco quando encostei meu cajado com cabeça de Fênix.
– Fique dentro do círculo – falei para Lius, que concordou com a cabeça. Apesar da determinação em seu rosto ele ainda era um sátiro jovem, seu chifres nem haviam começado a nascer ainda. Eu sabia que ele estava com muito mais medo que eu.
Eu também sabia que o círculo de proteção não iria durar muito quando Serket começasse a atacar. Como se para confirmar meus medos, Serket rosnou:
– Menina tola, não repita o erro de seus tolos parentes.
– Sabe de uma coisa, quem acaba de cometer um erro foi você – rosnei, saltando para fora do círculo protetor.
– Lúcia – gritou Lius.
– Fique no círculo – gritei.
– Você acha que pode comigo, querida? — sibilou a deusa.
– Por que não? — respondi de forma evasiva, enquanto pensava o que eu faria, ou melhor de que forma eu morreria.
Serket pareceu deliciar-se com a indecisão em meu rosto, arqueando o braços para frente e inclinando as costas, ela atacou com uma ferrão de escorpião que não estava ali antes. Joguei-me para o lado para desviar e quase cai em cima dos escorpiões. Convoquei uma rajada de ar, fazendo eles recuarem e Serket se desequilibrar com o seu ferrão de três metros de altura.
Ela logo se recuperou e atacou novamente, a única coisa que eu podia fazer era me desviar de seu veneno. Comecei a sentir pontadas em minha cabeça e percebi o que era, Lius lutava contra as dracaenae. Aparentemente, escudos egípcios não funcionavam contra monstro gregos.
Lius não aguentaria por muito tempo sozinho. Ok, monstros gregos vs deuses egípcios, era hora de fazer uma inversão. Convoquei os poderes herdados de minha mãe, além de ser a deusa da magia, Hécate também comandava a Névoa que encobria os olhos mortais para não verem monstros e deuses. A Névoa podia ser usada para confundi-los também, e eu era bem familiarizada com ela.
A névoa consistia em fazer as vítimas verem aquilo que elas queriam ver, me concentrei e senti os sentidos de Serket sento tomados, fiz ela me ver a alguns metros de onde eu realmente estava, ela atacou e seu ferrão mergulhou em seu mar de escorpiões, matando muitos. A deusa urrou de dor com isso.
Continuei fazendo com que ela me visse cada vez mais longe e me virei para Lius. Ele milagrosamente, havia conseguido derrotar uma Dracaenae, que havia se desfeito em um monte de areia, mas haviam vários cortes em seus braços.
– A'max– Gritei uma palavra divina e um hieróglifo brilhou sobre a cabeça das dracaenae, que entraram no modo “combustão instântanea”. Lius se afastou das chamas rapidamente, mas o círculo de proteção o salvou. Ao olhar pra mim, terror passou por seu rosto.
– Lúcia, cuid...
Dor, era tudo que eu sentia e pensava. Apenas dor. Serket me acertou com seu ferrão em cheio nas costas e eu fui jogada para dentro do círculo de proteção. Eu devia ter me desconcentrado e perdi o controle das ilusões
– Fique.. d-dentro do... círculo – consegui sussurrar para Lius, que me abraçou forte e ficou de pé, pronto para enfrentar a deusa sozinho, eu quase ri disso, se não fosse tão doloroso. O veneno se espalhava rapidamente pelo meu corpo e logo chegaria ao meu coração, mas eu não deixaria Lius morrer, como meu último ato eu selaria o círculo de proteção com minha vida.
Mas então, a coisa mais estranha aconteceu, um exército de gatos irrompeu de todos os lados, não sei se estava delirando por causa do veneno ou o quê. Gatos começaram a saltar dos telhados caindo em cima dos cabelos de Serket e a arranhando, outros começaram a caçar escorpiões como maníacos.
Uma gata negra como a noite olhou para mim e piscou, os gatos se afastaram dela e uma mini-explosão jogou os escorpiões longe, formando um círculo ao seu redor. Seu corpo começou a crescer e tomar a forma de uma mulher, duas facas saltaram de seu macacão de couro preto e ela encarou a deusa escorpião.
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