The Red Room
7 Capítulo 7
Estavam naquele lugar mais como penetras do que qualquer outra coisa, apesar de nenhum dos dois se sentir muito à vontade num ambiente tão deprimido. Dean estava nitidamente inquieto, sempre movendo as mãos, ajeitando a gravata, mexendo no colarinho do terno. A todo momento, Sam tinha de chamar sua atenção, com leves acenos sugestivos que indicavam a família Tranks.
O nome do falecido? Robert Tranks, pai de Alanis Tranks e Brooks Olivier. Até onde Michael lhes explicara o motivo de estar ali, alegara que Alanis era sua ex-namorada, antes de dizer que realmente precisava ajudar a consolar a mãe das meninas. Ao que parecia, Witting não tivera muito contato com nenhum deles, mas estava ali por tê-los conhecido; pelo menos por algum tempo, ele praticamente vivera na casa daquela família, por causa de Alanis.
— Não acha estranho, Dean? — Sam mantinha os olhos na mulher aos prantos, mas o que lhe chamara a atenção de fato fora a garota ruiva de óculos.
— Parecer que as mortes estão girando ao redor dele? — o loiro concluiu o pensamento, e, logo em seguida, acrescentou: — Talvez sim, talvez não. Pode ser apenas uma coincidência.
O moreno voltou os olhos claros para encará-lo durante alguns instantes. O mais velho coçava de forma incessante as costas da mão esquerda, que começavam a ficar ligeiramente avermelhadas. Franziu o cenho durante alguns instantes, incomodado, mas não disse nada a respeito.
— E desde quando no nosso trabalho, existem coincidências? — foi seu argumento, e o mais baixo ergueu os ombros em sinal de derrota.
— Mesmo que seja, deveria haver um motivo, não é? — Dean comprimiu os lábios, também observando a família ao longe. — Gwen tinha envolvimento direto com Michael, por ser sua irmã. E o Sr. Tranks, ou seja, lá o que for, teve um curto período de importância na vida dele. Pode significar alguma coisa, mas por que aqui? E mais: por que agora?
Aquelas perguntas não atormentavam somente ao loiro, mas Sam não conseguiu encontrar uma resposta convincente o bastante para que pudessem debater a respeito. Contentou-se apenas em sacudir a cabeça, sem que houvesse de fato a necessidade de expor sua opinião em palavras.
— Vou te esperar no carro. — o mais velho declarou de repente, e, sem dar mais satisfações, virou-lhe as costas e saiu dali, murmurando algo que soava como “sair daqui” ou “terminar o caso”; o moreno não sabia ao certo, por não ter ouvido direito.
Suspirou, erguendo as mãos até os cabelos e bagunçando-os um tanto irritadiço. Estavam sem pistas. Sem um corpo. A única coisa que tinham era um quarto vermelho, um pai furioso, um irmão atormentado e mais uma morte em mãos. Não fosse o fato de o homem acabar de ter sido enterrado, provavelmente tirariam Robert daquela cova naquela mesma noite. Mas, afinal de contas, até mesmo os caçadores respeitavam algumas coisas.
Observando Michael ao lado da loiríssima esposa de Robert, Sam se questionou a respeito da sinceridade do rapaz.
Ele havia dito tudo o que sabia, de fato?
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Brooks sentia como se seu mundo estivesse desabando. Ela escutara, o tempo todo, aquela voz infantil a alertando, e não lhe dera ouvidos. Agora, quando finalmente parava para pensar, arrependia-se amargamente de não tê-lo feito. Seu pai estava morto. Não era como se tivesse algum elo mais forte, não era como se ele fosse seu herói desde pequenina. Robert só aceitara cuidar de Olivier porque sua mãe estava morta, e, mesmo a menina já tendo sete anos, Dana a aceitara como se tivessem alguma ligação de sangue. A única pessoa não muito feliz com a história, fora Alanis, um ano mais nova, acostumada a ter sempre toda a atenção dos pais.
A ruiva nunca teve problemas com a cegueira; convivia com aquilo desde que se conhecia por gente. Mas, naquela noite, desejara mais que tudo, poder ver ao menos por um instante. Conseguiria ter colocado a chave reserva na porta do banheiro, teria ao menos ganhado algum tempo, conversando com o pai, caso o pequeno objeto se encaixasse na fenda da fechadura.
Tão perto chegara, de evitar o desastre! Não fosse sua deficiência, não se sentiria tão culpada. Não fosse sua incapacidade, Robert a teria ouvido enquanto ela berrava para que ele soltasse a arma. O som do gatilho sendo apertado repetia-se em sua mente, de novo e de novo e de novo, mas não havia nada que pudesse fazer para evitar aquilo. Se pudesse ver alguma coisa... Bem, teria sido mil vezes pior, porque presenciaria o mesmo que Dana.
E, apesar de não terem o mesmo sangue, considerava-a como uma mãe. Fora ela quem lhe deu carinho, educação, e colo nas noites em que estava assustada alegando existir monstros debaixo da cama. Fora ela quem cantara baixinho ao pé de seu ouvido, uma música infantil, e lhe contara histórias de uma princesa que derrotava o dragão.
Por isso, mesmo sentindo como se estivesse em pedaços, não desgrudou da mulher, os braços ao redor de seus ombros, massageando delicadamente e esperando passar um conforto que não sentia.
Quase podia sentir sobre si o olhar raivoso de Alanis, que deixara bem claro, desde o momento em que soube da morte do pai, que culpava a “irmã desvalida que não servia para nada”. Nunca entendeu o porquê de tanta raiva, e também nunca fez questão de perguntar, por saber que isso só inflamaria o gênio da mais nova.
— Ela tem inveja. — a menina ao seu lado sussurrou, depositando uma mão em seu ombro. — Acha que você roubou os pais dela.
Aquilo era tão absurdo! Brooks não roubara nada de ninguém. Ela só precisava de uma família!
Em total silêncio, sacudiu a cabeça com veemência, negando-se a acreditar naquelas palavras, envolvendo Dana com mais força entre seus braços e desejando desesperadamente poder desaparecer. Ela não era forte como Alanis, não conseguia conter o choro.
E, talvez por isso, não se surpreendeu ao sentir as lágrimas rolando por seu rosto.
Just one more moment, that’s all that’s needed
[Só mais um momento, é tudo que eu preciso]
Like wounded soldiers in need of healing
[Como soldados feridos precisando de curativo]
Time to be honest, this time I'm bleeding
[Hora de ser honesto, dessa vez estou sangrando]
Please don't dwell on it, cause I didn't mean it
[Por favor, não insista nisso, porque foi sem querer]
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