Notas iniciais
Angel! Você é um verdadeiro anjo! Obrigado pela recomendação, sua linda! De verdade. Roube o capítulo para ti, se quiser *U*
Desejo que tenham uma boa leitura! :D

— Eu não entendo. — frustrado, Dean manteve os olhos no caminho que os levaria até o hotel. — Como um corpo pode desaparecer desse jeito, Sam?

Demoraram várias horas a mais do que o normal, porque o mais alto não conseguia fazer muita coisa naquele estado; até porque a pele ao redor do ferimento começara a inchar, num sinal de que as coisas já não estavam muito boas. E o loiro, que já estava exausto, teve trabalho em dobro. Isso, por si só, fez com que o mais velho ficasse mal-humorado. Todo aquele trabalho por nada. Por um caixão vazio.

Eram quase cinco e meia da madrugada, e ainda não tinham nenhuma pista.

— Não sei. — o moreno franziu o cenho, pensativo. — Um ritual, talvez?

Dean relanceou os olhos para o irmão, e comentou um pouco distraído:

— O pai e eu encontramos algo parecido há alguns anos. — os orbes esmeraldinos se voltaram para o asfalto. — Um Deus pagão foi invocado por um homem que sabia demais. Matava as pessoas e, onze dias depois, devorava seus cadáveres. Isso era para manter sua força e prosseguir com a vingança, porque só precisava ser chamado e ter os nomes dos alvos.

Sam virou-se para encará-lo, tentando não demonstrar o tamanho de sua surpresa enquanto pressionava a gaze com mais força sobre o corte. Já estava mais manchado do que poderia imaginar, o que significava que provavelmente teria que dar alguns pontos. Ainda assim, não conseguiu deixar de se perguntar o que o irmão e o pai haviam enfrentado durante todo aquele tempo, enquanto permaneceu longe das caçadas, longe de tudo.

Era melhor se concentrar apenas no caso, já tinha problemas demais sem aquele tipo de pensamento.

— Mas por que alguém mataria uma adolescente? — era algo que, desde o momento em que souberam do incidente com Gwen, não lhe saía da cabeça.

— Vingança contra a família, quem sabe. — o loiro apertou o volante com força o suficiente para que os nós de seus dedos ficassem brancos. — Você viu como aquela casa está agora? O estado do pai e do irmão da menina?

O maior apenas assentiu, e qualquer cosia que fosse dizer acabou morrendo em seus lábios pela cena que veio a seguir. Estavam longe do hotel ainda, porque o cemitério era praticamente do outro lado da cidade. Mas a surpresa foi encontrar alguma movimentação no caminho. Deephaven não era exatamente um lugar agitado. E, pelo visto, os acontecimentos dos últimos meses eram surpresas desagradáveis para os moradores.

Ao redor de uma pequena casa branca, várias viaturas policiais e uma ambulância. Havia um policial falando com uma mulher ao lado do lugar, ela gesticulava nervosamente e parecia chorar. Uma menina, que aparentava ter pouco mais de dezesseis anos, estava sentada sobre os degraus que levavam à porta da frente, as mãos sobre o colo, um óculos escuro no rosto, e, a julgar pela forma como os ombros se sacudiam, também chorava. E por que diabos alguém usaria óculos durante a noite, isso nenhum deles sabia, mas não comentaram nada nem mesmo entre si.

Uma breve troca de olhares foi o suficiente para que os irmãos soubessem que havia algo de errado ali. Dean estacionou próximo a uma árvore, do outro lado da rua, e encarou Sam por um breve instante.

— Acho melhor eu esperar aqui. — o moreno admitiu, sem que o loiro precisasse dizer nada a respeito.

Com um leve aceno de cabeça, o mais velho saiu do Impala e foi averiguar a situação. O mais alto ficou ali, observando, enquanto seu irmão falava com os policiais e mostrava o distintivo falso. Por algum motivo, sentia que o que acontecia ali era importante. Não sabia ao certo como, mas um sexto sentido parecia lhe sussurrar ao pé do ouvido que aquela morte significava mais do que transparecia.

Voltou a fitar a menina sentada nos degraus, e a mulher mais velha que poderia ser sua mãe. Quem estava morto, sendo carregado pelos paramédicos numa maca? E por que mesmo os policiais pareciam atordoados com aquela notícia? Aquilo era no mínimo esquisito.

Suspirando, Sam ergueu a mão e bagunçou os cabelos, tentando entender o que havia de errado em Deephaven. Atrair tantos desastres, mesmo para uma cidade pequena, não era normal. Não era nem a morte em si, porque isso era algo com o que conseguia sobreviver. Mas havia algo... Assustador na forma como tudo parecia tão teatral, tão errôneo e doentio. Era nesse pensamento que se focava, quando bocejou, e percebeu que estava simplesmente cansado.

Precisava de um banho, para, no mínimo, tirar aquele cheiro de túmulo de seu corpo. E de uma cama, por mais vagabunda que esta fosse. Num rompante, o barulho de metais tilintando ocupou sua mente, e o moreno arregalou os olhos.

Ah, não...

Dean iria matá-lo, com certeza. Fazer picadinho dele, usá-lo como tapete, qualquer coisa do tipo. Sam checou os bolsos, para ter certeza, relanceou os olhos para os bancos de trás, mas não havia qualquer sinal das chaves do hotel. E poderia jurar que não havia mexido nelas! Não importava, de qualquer forma.

Precisariam voltar.

— Droga! — praguejou.

A madrugada estava bem longe de acabar...

xxx

Michael sentia a cabeça latejar de forma insuportável, e, definitivamente, o tapa que havia acabado de receber não fez com que se sentisse melhor. Alanis parecia simplesmente enfurecida por sua atitude fria, talvez um pouco arrependida. Witting realmente desejava não ter feito aquela grande besteira, ainda mais naquele momento, após ouvir as palavras raivosas da ruiva; algo sobre ele ser um babaca e qualquer outra merda do tipo.

As coisas ficaram ainda piores quando a moça percebeu que o loiro não estava dando a devida atenção à sua tagarelice, ficando vermelha feito um pimentão maduro. Calou-se, virou as costas e, sem nem uma única palavra, foi embora batendo o pé. O rapaz sabia que deveria se sentir um pouco culpado, ao menos, pela forma como a estava tratando, mas, naquele momento, a única coisa que conseguiu de fato fazer foi agradecer aos céus por Tranks ter calado a boca.

Perscrutou a rua com o olhar sonolento, bocejando e levando a mão ao lado do rosto que ainda ardia pela bofetada; e que certamente ficaria vermelho mais tarde. Viu quando o Chevy Impala passou em frente à sua casa, tendo a nítida impressão de que os homens dentro do carro estavam discutindo. Reconheceu os agentes do FBI, mas apenas sacudiu a cabeça novamente.

Tudo já estava confuso demais sem precisar se preocupar com algo que nem lhe dizia respeito, e a dor de cabeça apenas piorava...

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— Mike! — corada pela vergonha, Gwen deu um leve tapa na mão do irmão, que segurava uma pequena agenda de capa lisa, preta, e sorria como se acabasse de ganhar na loteria. — Solta isso!

— Eu juro que não sabia que você tinha um diário, ruivinha. — ele provocou, mas o carinho era nítido naquela frase.

— Devolve! — a menina era três anos mais nova, mais baixa, e ainda assim conseguia grudar no rapaz de quinze anos como um chiclete, como se tentasse escalá-lo. — É sério, Mike, isso não é da sua conta!

— Gwen tem um diário, Gwen tem um diário! — Michael cantarolou, escapulindo das mãos pequenas da ruiva e fugindo para o outro lado do quarto.

Ela pegou o primeiro objeto que encontrou, uma almofada branca, ao lado da cama e, atirou na direção do loiro, mas ele conseguiu se esquivar, e a peça foi de encontro à parede cor-de-rosa. Era apenas mais um dia comum na casa da família Witting. Sue estava fazendo o almoço, Joe estava trabalhando, os irmãos se desentendiam por uma bobagem qualquer.

Mike, obviamente, sempre levava a melhor. Gwen não era muito rápida, então ele conseguia correr e se esconder “na barra da saia da mãe” enquanto o pai não chegava. Mas, naquele momento em especial, não queria encrenca. Apenas mostrou a língua e atirou a agenda sobre a cama da irmã, que automaticamente se lançou sobre o pequeno objeto, fitando-o ainda corada pela irritação.

— Idiota!

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Pressionou as têmporas com força, e mordeu o lábio pelo incômodo. Voltou para dentro da casa, e seus pés o levaram inevitavelmente em direção ao quarto da irmã. Seu peito doía pela saudade, pelo pesar. Quantas vezes a perturbou, pelo simples impulso? Quantas vezes a provocou por besteiras, fez com que ela ficasse com raiva de si? Pareciam atitudes tão... Idiotas. Sim, ele era um idiota. Gwen sabia que a amava? Quantas vezes ele disse aquelas simples palavras? Quantas vezes ele se permitiu expor a forma como se sentia com relação a ela?

Você acha que o pai volta ainda hoje, Mike?

Por que uma simples pergunta doía tanto? Lembrava-se nitidamente daquela noite. Lembrava-se dos gritos, da escuridão da casa. Ele entrou no quarto e... E ela estava lá, caída, inerte. Os olhos arregalados e sem vida, nenhum rastro de sangue, perfeitamente normal a não ser pelo fato de não respirar. Ainda estava quente quando chamou pelos vizinhos, pela polícia... Desejava que a ruiva nunca tivesse saído de seus braços. Desejava não ter sido idiota ao ponto de ficar assistindo televisão na sala, enquanto ela esperava impacientemente pelo pai, que só aparecera de fato no outro dia, sob as acusações da cidade e o silêncio do filho.

Tudo aquilo era um grande pesadelo do qual não conseguia escapar, por mais que tentasse. Entrando no quarto que outrora pertencera à Gwen, sentia-se mais próximo da irmã. Sentia como se, de alguma forma, pudesse se redimir pelas besteiras que havia feito, pelas bobagens que dissera, pelas atitudes infantis que não soube conter quando mais novo.

— Ah, ruivinha... Eu sinto tanto a sua falta...

Os olhos cravaram-se nas paredes, antes de perscrutarem o ambiente com cuidado, avaliando cada objeto, percebendo o quão fraca era sua memória, em contraste com a dura realidade.

Não havia nada cor-de-rosa ali. Nada branco.

Apenas vermelho.

Gwen era tão viva quanto essa cor...