The Reckless Fairy

1 The Reckless Fairy


Corria desesperado pela multidão. Batia violentamente nas pessoas, mas não se importava. E nem pedia desculpa, pois não tinha tempo. Claramente estava fora de si. Abandonara toda sua personalidade ou princípios para achá-lo. Mas era impossível. Quase caíra algumas passadas atrás. Que caísse e morresse pisoteado, mas procurando por ele. Ofegava. Parou em meio aos desconhecidos. Olhava em volta. Nenhuma referência. Havia se perdido. E sabia desde o começo, que se isso acontecesse, o condenaria.

— Onde você está, Laxus?

Nada mais foi dito. Nada mais foi ouvido. Nada mais foi visto. Viu algumas pessoas apresadas passando em sua frente. O mundo caía. Não, era ele. A luz ia desaparecendo. Uma dor na nuca foi a última coisa que sentiu antes do baque no chão.

O homem encapuzado se destacava na multidão. Seria fácil achá-lo, principalmente se continuasse correndo. Tirou a vestimenta marrom e caminhou no ritmo da multidão. Viu o garoto de cabelos verdes passar apresado. O seguiu, e esperou que parasse.

Agora, estava sentado no trono vermelho. Olhava para os dois soldados que seguravam Freed através de cordas que prendiam seus braços e pernas. Sorria maliciosamente, até vê-lo acordar. Seu sorriso sumiu quando ele começou a se mover.

Seus olhos se abriram. Estava tonto. As imagens embaçadas não lhe revelavam nada. A dor na cabeça era acompanhada pelo medo. A luz era fraca, mas ele conseguia ver. Levantou os olhos, e o olhou dos pés à cabeça.

— Laxus!

Quando se moveu, percebeu seu estado. Olhou desesperado para os soldados. Laxus riu como nunca havia rido antes. Seu sorriso era diabólico. Suas roupas manchadas de sangue… o trono vermelho… Era o diabo lhe dando boas-vindas.

— O que está acontecendo?

— Freed… você não devia ido atrás de mim para me fazer retornar. Você devia ter vindo para se unir a mim!

— Nunca! – Gritou. Laxus sorriu.

— Acha que está em condições de dizer isso? – Freed abaixou o olhar. Laxus riu alto. – Você está em nossas mãos agora. Eu posso fazer o que eu quiser.

— Por que você foi tão baixo? Por que você se uniu aos nossos inimigos?

— Porque eu quero… – Parou e sorriu, para assim sussurrar a última palavra: – poder.

— Você já era forte, Laxus. Não precisava disso.

— Você não irá entender até se unir à Tartaros.

— Eu nunca irei fazer isso.

— Vai. – Riu alto. – Vai sim!

— O que você pretende fazer?

— Ah, Freed. Você é tão ingênuo ainda. Aqui, eu adquiri poder suficiente para fazer o que eu quero. Eu posso fazer tudo o que eu quero. Não! – Parou bruscamente. Levantou-se e encarou Freed. – Nós poderíamos fazer tudo… nós poderíamos ter tudo. Mas, você deixou de amar, Freed. Justamente quando eu precisava mais de você.

— Eu nunca iria amar um demônio! – Gritou.

— Eu saí da Fairy Tail buscando poder… Desde que fui derrotado por Tempesta, eu sempre invejei seu poder. E você se negou a ir comigo. As coisas poderiam ter sido mais fáceis, Freed. Apesar de eu não querer destruir ou trair a Fairy Tail, eu necessitava de poder. Eu não participei da missão de destruição da Fairy Tail, exatamente por isso. E me surpreende que vocês ainda estejam de pé.

— Nunca seríamos derrotados por monstros repugnantes como vocês.

— Olhe para você mesmo. Quem aqui é o derrotado? O demônio, ou a fada? – Riu. – A Fairy Tail sempre possuiu algo que me interessava. Era a única coisa pela qual eu destruiria a guilda. Mas não precisei. Você veio atrás de mim.

— Eu queria te trazer de volta. Todos achavam que eu era o único que conseguiria. Mas, vendo você dizer essas coisas…

— Se eu voltasse para Fairy Tail, seria morto pela Tartaros. Não tenho mais escolha, Freed. É aqui que eu devo ficar. Mas eu não posso ficar sem você. E por isso te trouxe para nossa base. Freed, você se tornará um demônio em breve. E assim poderemos viver juntos, aqui no submundo. – Riu diabolicamente.

— Eu não quero me unir a vocês! Se você realmente me ama, me deixe ir embora! – Freed gritava, mas queria chorar.

— Se eu realmente te amo, não posso te deixar escapar! Não dessa vez, Freed. – Laxus perdeu completamente a calma, e gritou.

— Eu te amei tanto! Eu queria poder te amar tão puramente, no lugar de onde viemos! Na Fairy Tail! Mas não… esse amor que você deseja… ele é sujo! Sujo de sangue! Eu te amo, Laxus! Mas me deixe ir… por favor! – Chorava.

Laxus o olhava incrédulo, como se tivesse dito a maior ofensa do mundo. Aproximou-se do rosto do garoto, e sussurrou:

— Eu te amo.

Riu insanamente enquanto se afastava do garoto. Seu sorriso e seus olhos denunciavam claramente:

— V-você está… louco.

— Por você, meu amor. Eu tenho tudo, só me falta você! Venha! Venha! – Gritou. – Vamos dançar sobre as chamas do submundo!

E a mente de Freed foi apagada da existência. As cordas que o envolviam estavam seladas com runas. Mas não eram as de Freed. Os soldados balbuciavam palavras incompreensíveis, reescrevendo as orações. As palavras ecoavam leves pelo ambiente luxuoso. As orações e o selo manteriam Freed fora da existência humana. Laxus ajudou os dois soldados a levarem o corpo, para que não precisassem parar as orações. O tubo verde foi aberto. Um líquido transparente escorreu. Não era água. Colocaram Freed dentro do local e fecharam-no. Os soldados mantiveram suas orações. Laxus foi para seu quarto esperar.

— Só mais um dia.

Cada hora passava rastejando. Laxus permanecia na cama, pensando nas milhares de coisas que juntos poderiam fazer. O sangue fervia em suas veias. Era poder. Sorria sempre que percebia isso. Eu posso tudo. E agora, a única coisa que lhe faltava estava lhe esperando.

A consciência humana de Freed havia sido completamente apagada. Os soldados pararam ao conseguirem matar o humano dentro de Freed. Saíram de perto do tubo e pararam as orações. Olharam-se.

— O que será que Laxus-sama pretende ao transformar este garoto em demônio?

— Eu não sei. Talvez ele vire um servo ou uma arma secreta, dependendo da força que possuir.

— Mas você não acha estranho termos que destruir o humano dentro dele?

— Eu soube que Laxus-sama foi o primeiro a ter seu humano completamente “apagado”.

— Como assim?

— Alguns anos atrás, Kyouka-sama criou estas orações com a ajuda de nosso grande mestre.

— E.N.D.?

— Sim. Kyouka-sama queria testar esta nova forma de transformar humanos em demônios, e foi quando Laxus-sama apareceu, quando ainda humano.

— Quer dizer que ele foi a cobaia?

— Foi. Alguns outros soldados ainda não aprenderam as orações, por isso ainda usamos o método antigo.

— Mas eu ainda não entendo o motivo de Laxus-sama ter escolhidos a nós para usar as orações.

— Por meio das orações, o humano é morto, e do corpo sai um demônio. E isso faz com que a força do novo demônio seja muito maior. Quando um resquício humano ainda existe nos demônios, o poder é reprimido pelo humano. Laxus-sama quer que este garoto use sua força total.

— Se vocês têm tempo para conversar, têm tempo para trabalhar.

— Perdoe-nos, Kyouka-sama!

Os dois soldados saíram da sala. Kyouka se aproximou do corpo de Freed.

— Aqueles idiotas têm razão. Laxus quer que este garoto use toda sua força.

Kyouka riu abafadamente, e depois saiu da sala.

Laxus estava a ponto de dormir, quando bateram na porta. Irritou-se. Aqueles malditos soldados.

— O que vocês querem? – Gritou ao abrir a porta.

Quando viu que era Kyouka, pediu perdão.

— Os demônios não perdoam, Laxus-kun.

Kyouka riu, e Laxus lhe lançou um olhar intrigado.

— O que você quer?

— Saber o que pretende fazer com o garoto dos cabelos verdes. Ele também é da Fairy Tail, certo? Vi a marca em sua mão.

— Eu quero… Amá-lo.

Kyouka quase transmitiu surpresa. Controlou-se, e começou a falar ao entrar no quarto.

— Laxus… Você sabe que demônios são diferentes de humanos, não sabe?

— Claro que sei.

— Não é o que parece. Você só estava em busca de poder. Suas memórias e relações… Você prometeu que abandonaria tudo para se tornar um demônio. Mas você não o fez. Parece que as orações não deram o resultado que eu imaginava que dariam… Você não é um demônio. Você é um humano com força de um demônio. Suas memórias e relações ainda estão ligadas aos humanos. E isso não é permitido aqui.

Kyouka se virou, sua garra correu perto do rosto de Laxus, que se esquivou e agarrou o punho de Kyouka.

— Você pretende me matar?

— Demônios não pedem perdão… Demônios não amam. Você ainda é um humano. E eu vou acabar com sua raça inferior!

Laxus lançou uma maldição sobre Kyouka. O corpo da mulher começou a tremer devido às voltagens de eletricidade que percorriam seu corpo livremente. Laxus a encarou sério.

— Não conseguirá! E não tente tocar em Freed.

Uma luz forte saiu da mão de Laxus. Ele segurava uma esfera brilhante. Com toda sua força, prensou a esfera contra o rosto de Kyouka. Uma explosão destruiu completamente o quarto de Laxus, e explodiu a parede que dava para o lado de fora do castelo. O corpo de Kyouka caiu vários andares até o chão. Laxus murmurou uma maldição, selando o corpo de Kyouka para sempre.

Horas depois, Laxus estava em volta dos dois soldados. Os mesmos que oraram em frente ao corpo de Freed. Um deles parecia nervoso. O outro o repreendia com o olhar quando parecia que ia falar algo. Laxus suspirou.

— O que vocês querem saber?

— Laxus–sama, me perdoe… Mas, o que você pretende fazer com o corpo deste garoto?

— Joseph! Eu te falei para ficar quieto!

— Mas…

— Não se importe, Uruson. Vocês dois precisam saber a verdade. Depois de retirarem o corpo dele daí, tranquem os corredores em volta desta sala, e não deixem ninguém passar. Só deixem o soldado que já deve estar por aqui passar. Mais ninguém. Depois voltem aqui.

— Por que, Laxus-sama? – Perguntou Uruson.

— Você vai entender. – Sorriu.

O tubo foi aberto, e o líquido transparente escorria pelo chão. O corpo de Freed foi retirado. Parecia morto. Alguns minutos depois, e ele começou a tossir. Laxus sorriu. Freed abriu os olhos. Uruson, que segurava sua cabeça, o largou, aterrorizado. Quando Freed lançou um olhar para Joseph, ele fez o mesmo.

— Vocês dois, selem os corredores. – Laxus encarou os olhos de Freed enquanto ele se levantava.

— O que você fez comigo?

— Transformei você em um demônio.

— Então você conseguiu.

Laxus riu. Joseph e Uruson voltaram, acanhados. Laxus suspirou, e começou.

— Eu fui mandado por Makarov para cá. – Freed se espantou. – Eu sacrifiquei minha vida para destruir a Tartaros. – Joseph e Uruson se olharam. – Eu cheguei aqui com o único objetivo de me tornar um demônio. Pelo menos, aos olhos da Tartaros. Mas eu não fui tão imprudente. Mest, o soldado que trabalhava no conselho, possuía a magia de alterar as memórias das pessoas. Mest se infiltrou como um soldado da Tartaros. Ele alterou a memória de Kyouka e de E.N.D.

— Não fale besteiras, Laxus!

— Ele fala a verdade, Freed. – Mest saía das sombras. Uruson e Joseph estavam a ponto de desmaiar. – Eu me infiltrei aqui, alterando a memória de várias pessoas. Ou melhor, de demônios. Alterei a memória dos dois demônios mais fortes daqui: Kyouka e E.N.D. Fiz eles acharem que já tinham discutido sobre uma idéia de Kyouka. Uma forma diferente de criar demônios.

— A… a oração da fada! – Uruson associou rapidamente os fatos.

— Exato. Na verdade, a oração das fadas é uma magia criada por Mavis Vermillion. Ela foi usada contra Zeref. É uma magia que desfaz os efeitos do líquido desses tubos. Ela desfaz a maldição que transforma humanos em demônios. Na verdade, ela retarda o processo. Laxus foi enviado para ser transformado em um demônio. A oração retardou o processo, e Laxus apenas adquiriu novos poderes.

— Freed, o mesmo aconteceu com você. Nós ainda somos humanos. – Laxus disse, apressado.

Freed não conseguia acompanhar os fatos. Mas sabia que não era um demônio. Ainda sentia-se um humano. Aquela sensação estranha agora fora desvendada. Sentia-se forte, poderoso. Não era um demônio.

— A prova disso – disse Mest – está em seus olhos.

— Eu achei que o processo havia falhado. Mas isso seria impossível. – Uruson disse, aliviado.

— Como assim? – Freed perguntou sem entender o acontecia.

— Ali. – Mest apontou para um espelhou no outro lado da sala.

— O que tem? – Disse Freed ao se enxergar. – Meus olhos estão completamente normais!

— Exatamente. – Freed olhou intrigado para Mest. – Quando demônio, seu olho geralmente perde a íris. Ou fica completamente branco, ou completamente negro. Uruson e Joseph se espantaram por não verem isto ocorrer. Eu alterei a memória de várias pessoas aqui, para esquecerem este fato. Se não, iriam facilmente descobrir Laxus.

— Outra forma de confirmar que você é um humano, é apresentando sentimentos. Como o amor. Eu deixei um destes sentimentos escaparem para que Kyouka batalhasse comigo. Eu a matei através de algumas maldições. E foi por este motivo que Makarov me escolheu. Eu quase nunca demonstrava meus sentimentos, e por isso eu fui enviado. Só eu conseguiria disfarçar meu lado humano.

— O resto foi por minha conta. – Mest suspirou. – Você foi imprudente, Freed. Acabaria se matando se chegasse até aqui.

— Foi por isso que Makarov resistiu tanto que eu fosse?

— Exatamente. Provavelmente, a guilda já ouviu essa história, e está seguindo para cá. Vocês dois! – Mest apontou para Uruson e Joseph. Ambos se encolheram. – Vocês são, na verdade, dois sobreviventes do ataque ao conselho. – Eles se entreolharam. – Eu irei desfazer minha magia, que altera a memória, e vocês irão entender.

Alguns segundos depois, os dois pareciam estar vendo um filme na própria mente. Uruson e Joseph mudaram de postura. Joseph foi o primeiro a falar.

— Mest-sama, estamos honrados em servir o senhor.

— Eu digo o mesmo, Mest-sama.

— Parem com formalidades. Eu lhes agradeço por terem se oferecido para esta missão.

Ambos assentiram. Freed suspirou, e perguntou:

— Por que eu fui… quase transformado em um demônio?

— Porque você chegara cedo demais. Iria estragar o plano. – Laxus disse pesaroso. – Sua humanidade foi posta à prova. Mas, você consegue sentir o poder pelas suas veias? – Freed afirmou que sim. – Eu matei um dos demônios facilmente. Isso por causa do poder que eles têm. Dois de nós, com poderes inimagináveis, ficará muito mais fácil destruir Tartaros, não acha? – Laxus deu uma risada desajeitada.

— Eu vou indo. – Disse Mest. – Fiquem perto de algum demônio. Quando a Fairy Tail entrar, vocês atacam o demônio enquanto ele estiver desprevenido. Joseph, Uruson, me acompanhem. Precisamos abrir os portões para a Fairy Tail!

Os três saíram da sala. Freed encarava Laxus. Laxus suspirou.

— Desculpe. Eu lhe fiz sofrer.

— O que você disse…

— O que?

— O que você disse àquela hora, era verdade?

— Sobre…

— Você me ama, mesmo?

— Eu não sabia a hora certa de te falar. O que você me disse, também me deixou um pouco triste.

— Não vale mais nada agora. Tudo foi uma reação que eu tive ao pensar em você como um demônio.

— Então está tudo bem?

— Claro.

Abraçaram-se. Laxus passou a mão pelos cabelos de Freed. Freed aproximou-se do rosto de Laxus, devagar. Encaravam-se à medida que se aproximavam. Ao encostar dos lábios, ouviu-se um estrondo. Riram. Laxus falou primeiro, segurando a mão de Freed.

— Chegou a hora de lutar.

— Sim.

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