Notas iniciais
Olá. ~ Bem, eu queria fazer um Reituki pra minha Uke-chan há algum tempo, e tive essa ideia há alguns dias. Já vou adiantando que a fic tá bem levinha em todo e qualquer aspecto, e esse era exatamente meu objetivo. Betada pela Thami-chan. Obrigada, flor. *OO* Anyway, boa leitura e espero que gostem. E... É TUA, LAISA-CHAN. ~

{Reita’s POV}

Por qual santo motivo, eu tenho a tendência de tomar atitudes sem antes pensar que tudo tem seu lado negativo?

Eu sempre fui uma pessoa ansiosa, e isso é terrível.

Porque, quando surgiu a primeira oportunidade de Ruki e eu mudarmos para um apartamento só nosso, eu fui o primeiro a apoiar completamente a idéia. Inclusive, eu acabei o convencendo de que era o certo.

Afinal, eu não queria ter de conviver com olhares indignados dos meus pais todos os dias, bem como ele. Porque, não, ninguém de nossas famílias sabia sobre nosso namoro.

E só de pensar em como seria acordar e ser alvo de olhares preconceituosos, ser maltratado, minha cabeça doía.

Sim, era a escolha certa. Para nós dois.

Era pra isso que tínhamos começado a trabalhar cedo.

Preocupamos-nos com cada detalhe, cada pequena coisa que poderia passar despercebido.

Compramos o apartamento assim que completei meus vinte¹ anos, sem que ninguém soubesse de nada. Decoramos e chegamos à conclusão que estávamos prontos para aquilo.

Claro que o fato de Taka ter sido expulso de casa, ajudou um pouco na mudança. Nem as malas o sortudo precisou fazer! Chegou em sua casa e estava tudo lá: pronto para mudança.

Eu não esperava outra atitude do pai ignorante que ele tinha.

Como se fosse um crime ser homossexual.

De início, ele ficou abalado, mas... Sair de casa fazia parte de nossos planos. Se desligar da família, mesmo que integralmente, fazia parte do pacote.

Ironicamente, meus pais aceitaram a idéia com certa... Felicidade. Mesmo tendo certeza que meu pai queria mesmo era cortar meu órgão genital com uma colher de pau.

Mas ele sorria pra mim. Ou, como eu imaginava, minha mãe o forçava a isso.

Por algum tempo, cheguei a ficar com dó do Ruki. Bem ou mal, mesmo morando em outro lugar, eu tive o apoio da minha família. Takanori, por sua vez, só não saiu mais roxo de sua casa graças aos apelos derrotados de sua mãe.

Grande mulher a mãe dele, por sinal.

Nos primeiros dias de apartamento novo, tudo parecia perfeito. Tudo estava limpo, novo e pedir pizza ou comer alguma coisa congelada era regra.

Ainda estávamos com aquela agitação gostosa, a sensação de dormir juntos todas as noites, ter carinhos a todo o momento e... Nada poderia ter deixado as coisas melhores.

Trabalhávamos e, mesmo chegando em casa cansados, o clima era tão... leve, tão novo que mal sentíamos aquela sensação desconfortável.

Meses passaram. E aí sim, vimos que, na verdade, não passávamos de dois homens extremamente idiotas e vagabundos.

Sim, porque a rinite do Taka denunciava aquela camada grossa de poeira nos móveis.

E eu podia jurar que morreria de enfarte, tamanha deveria ser a taxa de gordura nas minhas artérias.

Pensando em tanta coisa que parecia essencial, ambos esquecemos coisas... Fúteis.

Ou, pensamos nas coisas fúteis e esquecemos coisas essenciais.

Mas isso não importava.

O fato é que, tanto Takanori quanto eu, nem chegamos a pensar o que era realmente sustentar-se sozinho. Claro que tínhamos um ao outro, mas... Digamos que os dois juntos não davam um.

Não quando a matéria era sobre como cuidar de uma casa.

Sequer pensamos em quem limparia tudo. Muito menos sobre comida. E não tínhamos dinheiro o suficiente para pagar uma empregada, uma vez que ainda pagávamos as dívidas do imóvel e dos objetos de decoração.

Mas, naquele final de semana, decidimos que alguém ali precisava aprender a cozinhar.

- Não pode ser tão difícil. – começou Ruki, olhando os ingredientes espalhados sobre o balcão na cozinha. – É só... um bolo.

- Aham. – concordei, enquanto olhava tudo da mesma forma que ele: come se tudo fosse de outro mundo.

- Então?

- Eu acho que... Hum... Primeiro: Qual seria a diferença de uma colher de sopa pra uma colher de chá ou pra uma colher de sobremesa? – indaguei, olhando atentamente à receita escrita num livro que havíamos comprado no caminho pra casa.

- Bom... Uma colher de sopa deve ser... maior...?

- Uma concha? – arqueei a sobrancelha.

- Se fosse uma concha, estaria escrito “concha”. — Ponderei alguns segundos, pensando sobre aquilo. – Ok... – foi até a gaveta, mexendo em alguns talheres. – A gente toma sopa com isso, então... Logo, essa é a colher de sopa. E – começou, quando eu abri a boca pra falar. – ouse dizer que não é e você acordará com essa bandana amarrada em outro lugar, Suzuki.

Assenti, desviando os olhos dele por alguns instantes. Eu poderia até me assustar com aquele surto de mau humor repentino, mas eu já estava cansado de saber quem era o cara com quem eu dividia os lençóis. Sabia muito bem que Ruki era tão bipolar quanto se podia ser. E também que ele poderia ser carinhoso da mesma forma que eu poderia encontrar uma bazuca escondida em seu criado-mudo.

Suspirei, voltando a olhar para a receita.

- Aqui diz... Três xícaras de chá de farinha. – continuei, fitando-o.

- Tá bem, eu abro o pacote de farinha e você pega a xícara.

Obedeci, indo direto para o armário que pendia na parede. No fundo, achava que a tarefa de pegar a xícara tinha ficado pra mim pelo simples fato de ele não alcançar o bendito armário sem o auxilio de um banquinho. Sorri, sabendo que, caso eu exteriorizasse isso, ia receber uma frigideira na cabeça dolorosamente.

- Koi... Ainda não compramos xícaras. Só temos copos. – informei, olhando para dentro do armário. – Acho que dá na mesma, nee?

- Dá sim... Dá pra tomar chá num copo, não é?

- Se o copo não estiver furado... – revirei os olhos.

- Tá bom, tá bom. Agora fica quieto e vem logo. – respondeu, sem o mínimo humor. – Três de farinha?

Assenti com a cabeça e logo ele encheu o copo de farinha e o esvaziou num recipiente de vidro, repetindo o processo mais duas vezes.

- É... Tudo bem até agora, nee? – sorriu, satisfeito.

Arqueei a sobrancelha. “Até agora”? Por Kami, só tínhamos colocado a farinha e ele já achava que estávamos indo bem. Doce ilusão. A parte difícil estava por vir.

Quebrar os ovos.

- Você sabe quebrar ovos? – perguntei, desgrudando os olhos do livro.

- Não pode ser difícil. – pegou um dos ovos, levando-o até a bacia de vidro e quebrando o mesmo ali. – Pronto, consegui. – sorriu, jogando as cascas no lixo e pegando outro ovo. – São quantos ov... Argh! PORRA, REITA, QUE NOJO!

Envolvido pela leitura da receita, não é exagero dizer que eu quase cuspi o coração pra fora com aquele grito.

- O que aconteceu, Ruki?! – corri ao seu lado, somente ao tempo de ver uma coisa preta caída dentro da bacia e o rosto do Taka contorcido de nojo. – Tá podre...

- Ah, jura, seu jumento?! Eu nem tinha percebido! Qual foi sua primeira pista?! O cheiro que ta me dando ânsia de vômito ou o treco preto que o ovo cagou, hein?! – me olhou, furioso. – Abre a merda da torneira pra mim, Reita!

Lavou as mãos, enquanto praguejava baixinho milhares de palavrões. Sim, seu repertório de palavras de baixo calão era invejável.

Mas eu queria... rir. Ok, aquilo estava mesmo fedendo, mas a cena toda foi... hilária. Porém, eu tinha muito amor à vida, então, tratei de fazer minha melhor cara de preocupado.

- Não quero mais cozinhar, Rei-chan! – choramingou, me abraçando por trás. É a bendita da bipolaridade não o deixava em paz. – A gente come pizza... Eu como até miojo se você quiser, mas eu... – parou de supetão, tirando os braços da minha volta e eu apenas pude vê-lo sair correndo.

Quando ouvi a porta do banheiro batendo, apenas suspirei.

Olhei para a cozinha, vendo a pequena bagunça formada ali. É... Não seria dessa vez que aprenderíamos a cozinhar. Saquei o celular do bolso e resolvi falar com Kai através de uma sms, uma vez que o baixinho me ouviria falando no celular.

Com a educação que não me era habitual, pedi que ele fosse em casa fazer a nossa janta. E, como das outras vezes, prometi que seria a última vez que lhe pedia esse favor.

Mas nunca era. E Kai sabia disso melhor que eu.

Com uma resposta nada educada, Kai disse que iria, mas Miyavi iria junto. Apenas revirei os olhos, guardando o saco de farinha. Se precisasse agüentar aquela lagartixa tatuada pra ter uma janta boa... Até que não era a pior das punições.

Ouvi a porta do banheiro sendo aberta e resolvi deixar aquela bagunça ali mesmo, querendo dar atenção ao mimado do meu namorado. Eu o mimava demais sim e, embora aquilo me irritasse profundamente às vezes, eu adorava mostrar que ele teria a mim para qualquer coisa. Não era simplesmente dar tudo o que ele queria ou enchê-lo de carinho. Era só que... Eu gostava de mostrar a ele que era sempre eu quem o ajudaria e emprestaria meu ombro pra ele em qualquer situação. Eu o ajudaria e o faria sentir-se melhor sempre.

Eu não seria como seus pais.

E era exatamente esse o ponto. Eu o mimava como ele não fora mimado quando criança. Talvez esse fosse o segredo do nosso relacionamento. Ambos supríamos o que o outro precisava. Porque, sim, eu era muito mais carente que ele, embora tentasse não demonstrar.

Não conseguiria passar um dia sem ele, caso precisasse. Sempre me disseram que toda essa necessidade de carinho me atrapalharia num relacionamento, mas eu nunca havia percebido nenhum ponto negativo entre nós por isso.

Pelo contrário. A necessidade de atenção de Ruki completava a minha necessidade de carinho. Eu precisava de seus sussurros carinhosos assim como ele precisava da minha devoção.

Podia parecer difícil, mas era algo natural. Não tínhamos sugerido ou construído essas leis de convivência como um acordo. Só... acontecia.

Adentrando ao quarto que era iluminado somente pela luz vinda do corredor, parei ao lado da cama. Ele estava chorando.

Sorri, pensando no quanto ele podia se parecer com uma criança, mesmo com aquele instinto assassino que lhe brotava quando eu esquecia de tapar a pasta de dente.

Toquei-o, esperando que ele pedisse por meus braços. Mas o pedido nunca veio.

Preocupado, resolvi chamar-lhe pela voz, mesmo tendo a leve impressão de que ele não me daria atenção.

Suspirei, usando minha força para subir na cama e levantar seu tronco, sentando-me sob ele e o alojando em meu colo.

- Taka...? – eu sabia perfeitamente que precisava ter paciência de um monge em situações como essas. Mas algo estava errado; Ruki não parecia estar só querendo atenção e meus toques, como sempre. – O que foi amor?

Ele apenas chorava baixinho, enquanto a mão direita brincava com a barra da minha camiseta.

- Não vou perguntar de novo. – comecei a ficar com certa irritação. – Foi só por causa daquele ovo? Por fav-

- Que ovo o que, Aki... – começou, entre os soluços baixinhos. – Eu... Eu tenho medo, Rei...

Arqueei a sobrancelha. Ele tinha medo de... um ovo podre?

- Acho que você precisa ser mais específico, Ru. – levantei seu rosto, vendo as lágrimas pararem de descer lentamente.

- Será que você não vê Rei? – começou baixo. – Eu morro de medo que nosso namoro não dê certo! Olha o tanto que deixamos pra trás, Reita. – enxuguei-lhe algumas lágrimas, prestando atenção em seus olhos. Seus orbes sempre me diziam muito mais que suas palavras. Culpa da convivência. – Eu sei que pode parecer paranóico... – continuou. -... Mas, olha, eu nunca acreditei que um relacionamento durasse pra sempre. Um dia, a paixão acaba.

- Ruki, mas que história é essa? – tudo bem que nós não tínhamos conseguido cozinhar outra vez, mas pelo menos não havíamos estourado outro microondas.

Ele suspirou, parecendo cansado.

- Rei... – se endireitou, ficando de frente pra mim, mas sem me olhar nos olhos. – É que... cada vez que alguma coisa na nossa relação fracassa, eu sinto muito medo. Mesmo que tenha sido uma merda de uma receita, não me interessa. É só que... Se um dia o “nós” que existe agora acabar, eu não ter pra onde ir. Eu não sou mais aceito na minha casa e... Bem, nós sempre fomos melhores amigos, caso nosso namoro acabe, não vou ter com quem chorar, entende? – umedeceu os lábios com a língua, voltando a falar. – O que eu quero dizer, Reita, é que: Você sem mim pode reconstruir sua vida. Só que... Sem você, eu vou ficar em ruínas, sozinho.

Pisquei algumas vezes, tentando assimilar tudo aquilo.

- Olha, não sei por que você resolveu pensar em tudo isso agora... Mas eu te entendo perfeitamente. – concluí, vendo seus olhos subirem em direção aos meus pela primeira vez. – E, olha, não precisa ficar com medo disso, Ru. – peguei sua mão que ainda brincava com a minha camiseta e apertei entre a minha brevemente, começando a acariciar com leveza depois. – Eu nunca vou te desamparar, ta bem? Eu também não sou iludido a ponto de pensar que nosso relacionamento é perfeito e vai durar pra sempre. – suspirei. – Mas não vamos pensar no futuro... Não agora com aquela cozinha fedendo ovo podre e meu namorado cheirando a vômito. – sorri, vendo-o ficar emburrado e me bater com força em seguida.

- Eu não agüentei, me embrulhou o estômago de tal forma que... Credo. – terminou, deitando a cabeça sobre meu peito. – E eu to fedendo mesmo, é? – perguntou, numa preocupação leve.

- O suficiente pra tomar um banho enquanto o Kai vem pra cá fazer nossa janta. – respondi calmo, sentindo-o levantar.

- Você ligou pra ele? – mencionei a sms e o vi sorrir, sapeca. – Ele deve ter ficado muito puto da vida.

- Sem dúvida. – comecei, imaginando como o moreninho estaria com o humor insuportável quando chegasse ao nosso apartamento. – De qualquer jeito, vai tomar um banho. Limpa o rosto dessas lágrimas e se acalma.

- Hai. – me olhou, abrindo um sorriso puro. – Me perdoa tá? Às vezes, acho que eu vou acabar fazendo tudo o que a gente tem ir por água abaixo.

- Eu te amo. – roubei seus lábios num selinho casto. – Por ora, é o que a gente precisa.

Sorriu novamente.

E estava ali a minha confirmação de que era recíproco. Eu conhecia bem meu baixinho e sabia que ele não era de expor seus sentimentos em voz alta.

Por isso, até, fiquei preocupado quando o vi chorando. Não foi pelo acontecido de hoje. Aquilo deveria estar a um bom tempo o sufocando e ele precisava colocar pra fora. Ele era um teimoso e eu sabia que não mudaria.

Suspirei, andando pra fora do quarto que já fora abandonado pelo ruivinho há algum tempo. Ouvi a água batendo contra o piso ao mesmo tempo em que a campainha tocou insistente.

Deus do céu, Kai deveria estar à personificação do belzebu. Tossi algumas vezes com o pensamento, girando a chave na porta.

- Kai. Miyavi. – dei espaço para os dois entrarem, sem ter a coragem de ver o semblante do mais baixo.

- Fala ai, nariz do Michael Jackson. – Takamasa cumprimentou, educadamente.

Sem fazer cerimônias, Ishihara foi de encontro ao sofá, apoderando-se da televisão e do controle remoto da mesma, assim como Kai partiu para a cozinha sem me dirigir a palavra.

- Mas o que... Que merda de cheiro é esse?! – Kai me fuzilou com os olhos, como se a culpa do maldito ovo estar estragado fosse minha. – E cadê o Ruki?!

- Longa história. – comecei. – No banho.

- E você espera que, além de cozinhar, eu limpe a cozinha e desinfete esse cheiro? – colocou as mãos na cintura.

E eu pensando que o maior problema ali seria Miyavi...

Arrependendo-me amargamente por não ter feito o mais fácil naquela noite, corri pra sala, pegando o telefone e discando a alguns números já decorados.

Assim que fui atendido, disse à frase que mais havia repetido nos últimos meses:

- Eu gostaria de pedir uma pizza, por favor.

-

¹No Japão, a maioridade é atingida aos 20 anos (acho que já sabem, mas é sempre bom falar.) XDD

²Isso já aconteceu comigo, quase morri de nojo. *faz careta só de lembrar*

Enfiiim. *suspira* Eu espero que tenham gostado e que não tenha ficado bobinha demais. *chutando pedrinhas* Se tiver ficado, culpem a Luana-chan que leu e disse ter gostado e a Thamii-chan, que betou e disse que ficou fofa. (Aliás, MUITO obrigada por betar a fic, amor. ♥)

E... Acho que é isso. Nee... Agora a parte que vocês sabem, reviews são amor e eu adoraria receber o seu. -QQQ

E eu não gosto do espaço de notas finais do Nyah, ele comeu meus emotes. u_u /tonta

Kissu. ;* Até a próxima nee!

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!