The Reason Is You

27 Capítulo 27 - O Dilema de Uma Trégua


Notas iniciais
Heey grounders e skaikrus! Dizem que quem é vivo sempre aparece né hehe (desviando das milhares de facas). Na minha defesa, posso dizer que fui transformada na Escrava Isaura na faculdade. Mas enfim, MANO DO CÉU A 5° TEMPORADA ESTREOU E JÁ CHEGOU LACRANDO! Meu aquele primeiro episódio foi maravilhoso! Espero que a temporada toda seja assim (se tivermos outro plot igual o da city of lightzzzz eu juro que vou queimar o estúdio da CW inteirinho). O que me fez lembrar que eu ainda preciso matar o Finn aqui na fic né, mas infelizmente ainda não chegou esse momento. Aqui veremos nosso Lincoln voltando ao normal, um momento super sister entre a O e a Pitanguinha, #Murpheigh (isso é bem óbvio) e a primeira aparição da Heda Lexa poderosíssima de salto 15 ♥ Boa Leitura!

Kara Leigh não sabia se chorava de felicidade ou de pânico. Mas uma coisa era certa: ela queria cair em prantos ali mesmo, não importava se todos estariam olhando ou não. Ver Lincoln em um estado daqueles... ela não sabia se ficava desesperada ou se ficava feliz por ele ao menos estar vivo.

Ele demorou para acordar, depois que Bellamy e Murphy o amarraram no nível superior da nave. Aquilo trazia lembranças ruins para a terrestre. A última vez em que seu irmão fora amarrado naquele mesmo lugar, ele tinha sido torturado brutalmente. Aquelas lembranças voltaram na hora em que ela o viu acordar, gritar e se debater.

Ela e Octavia eram as únicas que nunca deixavam o nível superior. As duas compartilhavam do mesmo olhar apreensivo e da aflição pelo que iria acontecer depois. Kara Leigh não queria demonstrar, mas estava com medo. Quando era mais nova e ouvia as histórias sobre os Ceifadores, ela os imaginava como seres sanguinários e cruéis, como realmente eram. E ver que Lincoln havia se tornado um deles a assustou muito.

Lincoln continuava lá, se debatendo e gritando, lutando furiosamente para se soltar. Kara Leigh pensava que se ele conseguisse, nada e nem ninguém o impediriam de estraçalhá-la ali mesmo. Mesmo com essa possibilidade, ela não o abandonaria em hipótese alguma.

— Bellamy acabou de sair, ele foi buscar a Clarke. — Octavia disse, se sentando ao lado da loira, que mantinha o olhar aterrorizado em Lincoln. — Ela vai conseguir reverter isso...

— Nem você acredita nisso, O. — Kara Leigh respondeu, em um tom baixo, notando o semblante triste da morena.

Talvez ela estivesse sofrendo ainda mais com essa história toda. Afinal, depois de todo esse tempo pensando que seu amor estava morto, ela o reencontrou... transformado em um monstro.

— Preciso acreditar em algo. Eu não o encontrei vivo para que ele morresse agora. Não, eu não vou deixar isso acontecer! — Octavia respondeu, deixando uma lágrima escapar de seus olhos. A mais nova percebeu e segurou sua mão, como forma de conforto.

— Você está tão assustada quanto eu... — Kara Leigh disse, tornando a encarar Lincoln. — Como faz para não deixar o medo te dominar?

— Você precisa matar seus demônios. Olhar na cara do medo e dizer “Vá se danar! Eu não estou com medo”. — Octavia respondeu, também olhando para o terrestre preso.

Aquele mantra que Bellamy havia lhe ensinado anos atrás havia salvado sua vida tantas vezes. Havia a tornado forte para aguentar todos os horrores que lhe foram impostos durante toda a sua vida. Não faria mal se ela passasse esse mantra adiante, para alguém tão necessitada quanto ela.

— Você é tão corajosa... e é habilidosa, praticamente nasceu para ser uma guerreira. Entendo por que meu irmão te ama tanto. – Kara Leigh respondeu, cabisbaixa. — Talvez... talvez tivesse sido melhor se nossos lugares fossem trocados. Se você nascesse na Terra e eu passasse a vida trancada na caixa de metal. Acho que todos iriam preferir que fosse assim...

— Nunca mais repita isso! Eu não sei quantas vezes eu vou ter que repetir que o que Anya e os outros falavam não era verdade. Você não é inútil. Guerreiros existem aos montes, mas quantos médicos tinham na sua tribo? Poucos, certo? Lincoln disse uma vez que eram apenas ele, Nyko e você. — Octavia respondeu. — Tenho certeza que o Murphy, por mais cretino que seja, já tenha dito que você não é inútil.

— O, seja sincera comigo, por que você não aprova que eu fique com ele? Eu juro, a visão que você e os outros têm dele é completamente errada. Ele é muito diferente quando está só comigo. — Kara Leigh indagou, finalmente cobrando a verdade por trás daquele desprezo. Octavia suspirou e voltou a encarar o chão.

— Eu já disse várias vezes. Você não o conheceu antes do banimento. Não sabe como ele era. Eu tenho quase certeza que ele ainda é aquele imbecil. Só não demonstra tanto porque você está por perto. — Octavia respondeu. — Sinceramente, você é boa demais para ele.

— Ele pode ter mudado. As pessoas mudam, sabia? Eu mesma mudei... depois de tudo o que eu vi, do que eu fui obrigada a viver... aquela garota medrosa que acreditava que a violência não é a resposta está morta. — Kara Leigh respondeu, com um tom sombrio. — Diplomacia não vai funcionar desta vez. Eu quero o sangue daqueles que me machucaram. Primeiro o Finn... depois os Homens da Montanha.

— Se for por esse caminho, pode não ter mais volta. Tem certeza que está pronta? — Octavia perguntou, voltando a encarar a mais nova.

— Você estava? — Kara Leigh perguntou, sem obter resposta da skaikru. Porém, ela sabia o que o silêncio da amiga significava. — Você tomou esse caminho porque alguém machucou àqueles que eram importantes para você. É por isso que eu estou tomando.

Octavia a encarou com admiração. Ela sabia que a terrestre não tinha um coração ruim, e nem fazia isso por sadismo. Ela só queria ser mais forte, ser capaz de proteger os outros. E o mais importante, poder cuidar de si mesma.

— Eu ainda estou aprendendo, mas não sou ruim. Você pode treinar comigo todos os dias, se quiser. Talvez até pudéssemos treinar com a Indra... se ela ainda não mudou de ideia sobre mim. — Octavia respondeu, colocando um brilho no olhar da loira.

— Obrigada... por acreditar que eu sou capaz. — Kara Leigh agradeceu. — O, me prometa uma coisa. Daqui em diante, não importa o que aconteça. Não vamos deixar que pessoas, clãs ou conflitos fiquem entre nós. Vamos ser amigas para sempre.

— Para sempre e mais ainda, L. — Octavia respondeu, segurando a mão da outra. — Mas não espere que eu vá usar pulseirinhas da amizade com você, isso é coisa de menininhas indefesas.

À frente delas, Lincoln, que estava quieto há algum tempo, voltou a grunhir e se debater. Octavia tinha trazido um estoque limitado de injeções soníferas com ela, e não podia usá-las o tempo todo, também considerando o fato do sistema nervoso de Lincoln não estar normal, e ele poder sofrer algum dano com algum estímulo de externos. Entretanto, usou uma dose nele agora, colocando-o para dormir, pelo menos até Bellamy e Clarke chegarem.

— Você deveria ir dormir um pouco também. Eu vou ficar com o Lincoln até meu irmão voltar. — Octavia disse, voltando a se sentar. — Aproveite para dar uma olhada no bandidinho. Ele está sem fazer barulho há muito tempo, aposto que está aprontando alguma!

— Sério? Sem restrições e sem cinto de castidade? — Kara Leigh perguntou, se levantando.

— Só dessa vez. Vá logo antes que eu me arrependa e mude de ideia. — Octavia respondeu. Antes da terrestre descer, Octavia a provocou uma última vez. — Se eu ouvir um único gemido, eu vou ser obrigada a castrar o Murphy, então fiquem de olho!

Kara Leigh franziu a testa e encarou Octavia pela última vez.

— Octavia, você me assusta às vezes. — Kara Leigh respondeu, descendo para o nível inferior da nave.

O nível inferior estava calmo e silencioso. Estaria vazio se não fosse por Murphy, adormecido em um dos cantos, longe da escada. A luz emitida na porta, por trás das lonas, indicava que o dia já havia amanhecido. O que significava que ela estava acordada há quase um dia inteiro. Ela não tinha percebido o quanto estava cansada até agora. Por mais que estivesse preocupada com Lincoln, precisava dormir pelo menos um pouco.

Então, ela simplesmente caminhou até o canto onde o namorado dormia e se deitou ao lado, aconchegando-se a ele para dormir. Ela não teve noção de quanto tempo passou, se foram segundos, minutos ou horas. Contudo, pareceu um piscar de olhos. Ela acordou sentindo dedos passando por seus cabelos.

— Está aí há muito tempo? — Kara Leigh perguntou, com uma voz sonolenta.

— Não muito. A última vez que eu acordei, era você quem estava fazendo isso, então estou revezando um pouco. — Murphy respondeu, em um tom baixo. — Fora que não é nada mal olhar para esse seu rostinho amassado enquanto dorme.

— Os outros já voltaram? — Ela perguntou, abrindo mais os olhos e o encontrando, de frente para ela.

— Ainda não. Mas já devem estar chegando, o que quer dizer que não temos muito tempo. — Ele respondeu, em um tom sugestivo, se aproximando mais dela. Contudo, ela o reprimiu.

— John, acho que não é uma boa ideia. E se eles voltarem e nós estivermos... bem, você sabe. — Kara Leigh disse, impedindo que ele continuasse. — Fora que a Octavia está lá em cima, vigiando meu irmão que virou um Ceifador.

Murphy deixou um suspiro de desapontamento escapar. Não por ela ter dito não, mas por ele ter imaginado que haveria algum clima para aquilo no meio de tudo que estavam passando.

— Desculpe, linda. Você tem razão, eles podem entrar por aquela porta e não vai ser bom se nós estivermos pelados. — Murphy respondeu, voltando a deitar, olhando para o teto. Por mais que ela soubesse que não havia clima nenhum para os dois irem até o fim, não significava que precisavam parar completamente. Então, ela voltou a se aproximar.

— Vamos, não faça essa cara. Ainda vamos ter muito tempo para isso, depois que todas as intrigas entre meu povo e o seu se resolverem. — Kara Leigh rebateu, um pouco mais impaciente que o normal. Contudo, esse humor não durou muito, já que seu olhar passou para sugestivo. — E eu não disse para não fazermos nada. Ainda podemos...

Sem aviso prévio e sem terminar a frase, ela praticamente pulou em cima dele, avançando em seus lábios. Surpreso, ele demorou a entender o que estava acontecendo, e só correspondeu depois de algum tempo. Foi uma surpresa boa. Ele não imaginava isso vindo dela. Porém, ele se lembrou de que ela estava se desinibindo cada vez mais quando estava com ele. Aquela não era mais a garota tímida que ele havia conhecido.

Não que fosse ruim, pelo contrário, ele estava aproveitando esse novo comportamento dela. Mas como tudo possui limites, ele ainda temia o ponto até onde esse comportamento iria chegar.

Como tudo o que é bom dura pouco, a pequena sessão de atracamento dos dois foi interrompida por barulhos de passos entrando na nave. Eles estavam em um canto afastado, então não iriam chamar atenção de primeira, o que deu tempo para se desgrudarem. Porém, algo estava diferente. Era para apenas Clarke e Bellamy voltarem para a nave. O número de passos ouvidos era muito maior do que passos de apenas duas pessoas. Kara Leigh se inclinou para olhar e sentiu o coração quase pular para fora do corpo.

— Nossa... é a Heda Lexa! Ela está aqui! — Kara Leigh exclamou, em um tom baixo, olhando para a figura da Comandante dos Doze Clãs, que subia a escada, atrás de Clarke. — Se a própria Heda saiu de Polis para acompanhar a situação do seu povo... ela deve estar muito furiosa!

— Ela é a nova líder do seu clã? — Murphy perguntou.

— Não, essa é a Indra, a que acabou de subir. — Kara Leigh respondeu, apontando para a chefe do exército, que assumira o posto de líder. — Não, a Heda não é a líder apenas do meu clã. Ela é a líder de todos os clãs. A comandante da coalizão. O posto de poder mais alto é dela. Ela raramente sai de Polis, somente quando precisa lidar com uma situação difícil. Uma guerra, por exemplo. Ela já deve estar sabendo sobre o Finn. Eu não queria dizer que eu avisei, mas... é, eu avisei.

— Então eles estão ferrados. Significa que nós também estamos ferrados? — Murphy perguntou. Ele estava receoso, e o antigo plano de fugir com a terrestre voltou a pairar por sua mente.

— Depende do que a Clarke vai fazer com o meu irmão. Falando nisso, eu deveria estar lá. — Kara Leigh respondeu, se levantando e indo até a escada. — Você vai estar mais seguro se ficar aqui, os guardas da Heda devem pensar que você ajudou no massacre. Vou tentar falar com ela.

— Só tome cuidado para ela não fazer nada com você! — Murphy a alertou. Já nas escadas, Kara Leigh o encarou com um olhar preocupado, continuando a subir. Ela agradeceria se nenhum dos guardas da comandante reparasse a presença de Murphy ali.

As coisas no segundo piso da nave não estavam muito melhores, para o desespero da jovem terrestre. As vozes pelo lado de fora já alertavam. Assim que a loira terminou de subir as escadas, encontrou não apenas Clarke, mas também Abby tentando trazer Lincoln de volta. E pela histeria de Octavia... as Griffins não estavam conseguindo.

— Façam alguma coisa! Não o deixem morrer! — Octavia gritava, desesperada. As lágrimas já caiam por seu rosto.

— Estamos fazendo o possível! — Clarke respondeu, se voltando para Lincoln, que estava desmaiado no chão.

— Não há mais nada a fazer... ele se foi. — Abby disse, com pesar, parando os procedimentos de ressuscitação no terrestre.

Kara Leigh sentiu seu mundo cair. Uma sensação horrível, como se um pedaço enorme de si fosse brutalmente arrancado. O que não era mentira. Lincoln era uma parte enorme de quem ela era. Perdê-lo, em palavras... doía muito mais que qualquer humilhação que ela sofreu na vida. A mesma sensação de quando perdeu sua mãe. Quando deu por si, já estava de joelhos, no chão, derramando grossas lágrimas. Até que algo a obrigou a voltar para a realidade.

Natrona!* — Indra exclamou, no idioma terrestre, desembainhando sua espada contra Kara Leigh e o resto das pessoas ali presentes. — Vou matar todos eles!

— Não, você não precisa fazer isso! — Clarke implorou para os terrestres não os atacarem. Contudo, involuntariamente, Kara Leigh já mantinha sua adaga em mãos desde o momento em que Indra os ameaçou.

— Ei, o que está fazendo? — Um nervoso Bellamy perguntou, se aproximando de Kara Leigh e abaixando a mão que segurava a adaga. — Você ainda vai se matar desse jeito, garota.

— Nunca mais tente tirar a espada da minha mão! Você não é meu irmão, caso não tenha percebido, ele está bem ali no chão! — Kara Leigh rebateu, se levantando, ainda mais nervosa. — Quer fazer algo por mim? Conforte a Octavia. Ela está precisando de apoio agora.

Bellamy se recuperou do pequeno surto. O fato de Kara Leigh ser a melhor amiga de Octavia fez com que ele criasse uma certa necessidade de proteção para ela. Principalmente por Octavia já saber se cuidar sozinha, uma parte do apego que ele tinha pela irmã fora transferido para a jovem terrestre. Isso desde quando a encontraram no penhasco, ferida e inconsciente. Bellamy passou a vida toda protegendo Octavia. E quando ela não precisava mais... foi quando ele percebeu que era ele quem precisava proteger alguém.

Primeiro, ele queria fazer isso por Clarke, e já fazia até demais. E por mais que ele a amasse, também sabia que Clarke era outra que podia se cuidar sozinha. Ele tentou fazer isso por Charlotte... e falhou. Talvez não falharia com Kara Leigh. Ou simplesmente, poderia estar se enganando de novo.

— Você também precisa. — Bellamy respondeu, secando uma das lágrimas do rosto dela com seu dedo, antes de ir até Octavia.

— Você mentiu para mim! E seu prazo acabou! — A voz de Lexa pode ser ouvida pela primeira vez. E não estava nada contente. — Não tenho escolha, a não ser matar todos vocês.

— Não, isso não acabou! Me dê outra chance, eu posso trazê-lo de volta! — Clarke implorou. O acordo de paz que ela tinha feito com Lexa dependia do sucesso em ressuscitar Lincoln. Caso não conseguisse, skaikru estaria em sérios problemas.

Heda... peço que dê somente mais uma chance a skaikru. Se falharem, eu mesma a ajudarei a matá-los. — Kara Leigh disse, se aproximando da comandante. Lexa a encarou de cima a baixo.

Kara Leigh Kom Trikru. Indra falou sobre você. Sobre vocês dois. — Lexa respondeu, apontando para Lincoln com a cabeça. — Traidores do nosso povo.

— Ela não é uma traidora! Ela acredita que todos nós possamos viver em paz. E eu também. — Clarke interveio, a favor da jovem Trikru. Kara Leigh a encarou, achando que Clarke não ouviu as últimas palavras dela sobre matá-los. Claro, ela disse aquilo para dar mais tempo para trazerem Lincoln de volta. Mas não estava mentindo sobre ajudar a matá-los...

Antes que o povo do céu e os terrestres começassem a se engalfinhar, um barulho elétrico na direção de Lincoln chamou a atenção de todos. Bellamy estava com seu bastão de choque ativado, e havia atingido o corpo do terrestre, que mostrou leve reação, mas não o suficiente.

— Encoste o bastão nele outra vez, Bellamy! — Clarke disse, esperando ter encontrado uma solução para seu problema.

Bellamy o fez, causando uma reação em Lincoln que o fez acordar, sugando o ar com todas as suas forças. Ao ver o irmão com os olhos abertos e respirando, Kara Leigh não perdeu tempo em correr até ele. Ela e Octavia eram as primeiras a verificarem se o procedimento havia funcionado.

Bro? — Kara Leigh o chamou, no idioma terrestre, implorando para que ele tivesse voltado ao normal. Passados alguns segundos, ele a olhou nos olhos com ternura, como não fazia há muito tempo.

Sis... — Lincoln respondeu, com uma voz fraca. Olhando para o outro lado, ele viu sua amada skaikru. — Octavia...

— Você vai ficar bem. Nós vamos cuidar de você. — Octavia respondeu, com lágrimas de alegria. — Vai estar novo em folha, em pouco tempo.

— É impressionante. Realmente impressionante. — Lexa disse, se aproximando do recém acordado Lincoln. Contudo, ela direcionou o olhar para Clarke. — Levem-no para onde ele possa se recuperar. Depois, me encontre no meu acampamento para discutirmos os termos da trégua.

A comandante, Indra e seus outros guardas se retiraram. Enquanto Octavia e Bellamy ajudavam Lincoln a ficar de pé, e Abby os instruía a como terem cuidado com ele, Kara Leigh se aproximou de Clarke.

— Você pediu uma trégua para a Heda? — Kara Leigh perguntou, admirando a audácia de Clarke.

— Precisamos de toda a ajuda possível para derrotar os Homens da Montanha. — Clarke respondeu. — E poder viver sem estar em pé de guerra com o seu povo não vai ser ruim. Kara Leigh, antes de voltarmos, preciso te perguntar uma coisa.

— Sobre o que eu disse para a comandante, sobre ajudá-la a matar todos vocês, não é? — Kara Leigh perguntou. — Só disse isso para ganhar tempo. Meu mundo iria acabar se eu perdesse o Lincoln...

— Se fosse em uma situação real, você faria isso? Mataria todos nós? Até mesmo a Octavia, a Juliet... e o Murphy? — Clarke perguntou, cruzando os braços, séria.

— Prefiro morrer a matar pessoas que eu amo. — Kara Leigh respondeu, igualmente séria, indo até a escada e descendo para o nível inferior.

Aquela era uma situação complicada. Não era uma resposta exatamente confortante. Uma coisa era certa, Kara Leigh não era mais a mesma garota que se expôs ao perigo, entrando no acampamento do céu, somente para impedir que Murphy matasse Bellamy. A montanha a mudou.

Mesmo que, se em uma situação de batalha, a terrestre fosse obrigada a assassinar membros do povo do céu, e poupasse Octavia, Juliet e Murphy, não a impediria de assassinar qualquer outro. Afinal, ela não tinha dívidas com eles. Alguns deles até deviam a ela. E Clarke sabia como os terrestres cobravam suas dívidas...

*~*

HORAS DEPOIS

Aproveitando sua última saída em busca de ervas, Kara Leigh ensinou Abby e Jackson a manipularem algumas, em prol da medicina. As ervas, junto com a medicina skaikru, ajudariam Lincoln a se recuperar muito mais rápido. Ele estava na enfermaria do Acampamento Jaha, sendo acompanhado pelos dois médicos, pela irmã e por Octavia, que se recusava a sair do seu lado.

Kara Leigh apenas saiu quando Lincoln pediu um momento de privacidade com Octavia. Ela devia isso a eles, então deixou a enfermaria. Quando ela saiu, encontrou Juliet a esperando na porta.

— Por onde você andou? Parece que não te vejo há dias... — Juliet disse, quando as duas se esbarraram.

— Parece mesmo... vamos pegar algo para comer, então você pode me contar da expedição que vocês fizeram até a montanha. — Kara Leigh respondeu. — Tenho certeza que vai ser muito mais interessante do que o que eu fiz.

As duas foram até o refeitório do acampamento, apenas para descobrirem que a comida estava acabando, e que teriam que comer em quantidades mínimas. Após xingar muito pela falta de comida, e falta de gente caçando na floresta, Juliet finalmente contou sobre suas peripécias ao pé da montanha.

— Fomos interrompidos pela névoa ácida. Não me feri, ainda bem. E melhor ainda, Raven descobriu um jeito de ouvir o sinal de dentro de Mount Weather. — Juliet disse. — Vamos poder ouvir o que o inimigo diz! Ela deve estar trabalhando nisso agora. Mas e você, onde esteve esse tempo todo?

— Saí para coletar ervas... a névoa ácida também me pegou de surpresa, mas encontrei abrigo na nave dos prisioneiros. Depois, a Octavia e o Bellamy apareceram com o Lincoln, e bem... o resto você já deve saber. — Kara Leigh respondeu. — Vocês não deixaram o Finn escapar, deixaram?

— O que? Mas é claro que não? Eu o vi perto do portão quando estava esperando você. Ele estava conversando com o seu namorado... — Juliet respondeu. — Falando no seu namorado, eu não vou bancar a irmã chata e vir com proibições para cima de você, mas eu gostaria que me avisasse quando fosse passar a noite com ele. Fiquei te procurando um tempão na outra noite.

— Eu sei, desculpe. Eu devia ter avisado. É que... isso tudo sobre sermos irmãs ainda é novo para mim... não que eu não a queira como irmã, é só que eu já estou muito acostumada com a figura do Lincoln... — Kara Leigh respondeu.

— Acho que forcei a barra um pouco... ainda estamos nos conhecendo. Mesmo sendo sua irmã de sangue, não posso tomar o lugar do seu irmão de criação. — Juliet respondeu, com um ar de desapontamento. Kara Leigh segurou sua mão.

— Tem espaço para vocês dois. — Kara Leigh respondeu. — Mas por favor, não se apaixone por ele! Seria muito estranho e ele tem a Octavia, não daria certo.

— De onde você tirou uma coisa dessas? — Juliet perguntou, franzindo a testa, pasma com o comentário da irmã. — Irmãzinha, tem muitas coisas sobre mim que você não sabe. Uma delas é: da fruta que o seu irmão gosta, eu como até o caroço.

Kara Leigh quase engasgou com a naturalidade que Juliet usou para dizer aquilo. Ela não julgava, cada um era livre para amar quem quiser. Apenas não conhecia muitas pessoas que amavam dessa forma. Na verdade, a única de quem Kara Leigh sabia, pelo menos dos rumores, era Lexa. De qualquer forma, não era da conta dela. Kara Leigh e Juliet continuaram a conversar até o momento de Juliet voltar para seu posto no portão.

*~*

A terrestre fez questão de acompanhar a irmã até o portão, apenas para dar de cara com uma cena particularmente desagradável. Murphy ainda estava conversando com Finn, perto do portão. A mistura de sentimentos que a loira emanava era indecifrável. Não se sabia se era raiva, ciúme ou tristeza.

— Acho que a casa vai cair para o Murphy hoje... — Raven disse, se aproximando dela. — Vamos, não fique tão bravinha, foi só uma brincadeira.

— Você sabe o que ele fez. Por que o defende? — Kara Leigh perguntou, quase com uma pitada de ironia na voz.

— Eu ia te perguntar a mesma coisa... sobre o Murphy. — Raven respondeu. Aquele era um assunto delicado. Principalmente levando em conta a paralisia da perna de Raven...

Nesse momento, o portão se abriu, revelando Clarke e Bellamy, que voltavam da tenda de Lexa, após discutirem os termos da trégua. A loira e a morena se aproximaram deles, assim como Finn e Murphy.

— Então? Vamos ter uma trégua? — Raven perguntou.

— Vamos... só não do jeito que esperávamos. — Bellamy respondeu, com pesar, encarando Clarke. A Griffin sabia que teria que anunciar o veredito mais cedo ou mais tarde.

— Ela disse que o único jeito de termos a trégua... seria se entregássemos o Finn a eles. — Clarke continuou. O ar de graça de Raven se foi, dando espaço para um ar furioso.

— Irão amarrá-lo a um tronco, cortá-lo inúmeras vezes, arrancar os olhos e a língua... depois, a Heda vai apunhalá-lo com o golpe certeiro da morte. E irão queimar o corpo dele. — Kara Leigh disse. — Já vi isso acontecer com criminosos de outros clãs, Anya me obrigava a assistir. É como nossa justiça funciona. Jus drein, jus daun.

— É assim que funciona é o caramba! — Raven exclamou, nervosa. — Não vamos entregá-lo. Vamos dar um jeito, nós sempre damos.

Se estão pensando em salvar esse traste, não contem comigo! Nem que eu mesma tenha que entregá-lo para a comandante! Kara Leigh pensou, fechando a cara, virando as costas e se afastando do grupo. Antes que ela pudesse ir muito longe, Murphy foi atrás dela, procurando impedir que ela fizesse alguma besteira.

Continua

Notas finais
*Natrona: Traidora AI A CHINELA VAI CANTAR KKKKKKKKK Podem se preparar para uma DR Murpheigh monstruosa vindo por aí. Será que o relacionamento vai sobreviver? Nunca nem vi. Putz mano, terminar por causa do Finn é sacanagem kkkk não, eu não seria tão demônia pra fazer isso... ou seria? Enfim pessoinhas, já que Bellarke está sendo real/oficial na fic, precisei preencher o vale com outra personagem, e por que não a Juliet? É MUITO SAPATÃO SIM ♥ E por que não rolar uma atração entre ela e a Lexa... uiui, não sei (ok, agora confesso que eu viajei de vez). E essa rivalidade entre a Pitanguinha e a Raven, será que não acaba nunca? Só posso dizer que só vai acabar depois que o Finn estiver morto. Enfim, LINCTAVIA SENDO O MELHOR SHIPP NA SÉRIE E NA FIC ♥ Sabemos que vem partes pesadonas nos próximos capítulos, então vou colocar uns avisos para quem se sente desconfortável. Mas vamos lá que a novela mexicana não pode parar! (PS SPOILER: Ceis que já viram o primeiro ep da 5° temporada, percebemos que Murphy e Emori estão indo de mal a pior, seria isso uma esperança para Murpheigh?) Kisses ♥