The Reason Is You
1 Capítulo 1 - Exílio (Murphy Conhece Kara Leigh)
Notas iniciais

Ódio, raiva, humilhação. Esses eram os sentimentos que agora dominavam a mente de John Murphy. Recém-banido do acampamento de seu povo por ser responsável pelo suicídio de Charlotte, e agora vagando pela floresta, à mercê dos terrestres.
Bellamy acha que sabe de tudo! Gritava em sua mente. O ódio que ele sentia de Bellamy naquele momento era tanto que se seus caminhos se cruzassem novamente, iria mata-lo, com certeza. Bellamy havia tentado matar Murphy duas vezes. Uma quando tentou enforcá-lo sob suspeita da morte de Wells, e a outra quando Charlotte pulou do penhasco. Se Clarke não tivesse tomado a iniciativa de bani-lo ao invés de matá-lo, já estaria morto há muito tempo. Mesmo assim, banimento na terra dos terrestres era a mesma coisa que a morte. Murphy estava sentenciado à morte.
Obviamente, não demorou muito tempo para que ele fosse capturado pelos terrestres. Ele apenas sentiu uma paulada na cabeça antes de cair e perder a consciência. Depois de um tempo, retomou parte da consciência e, meio sonolento, percebeu que seu corpo estava sendo carregado por dois terrestres. Antes que pudesse ver o rosto deles, perdeu a consciência novamente.
*~*
Já era tarde da noite quando os terrestres chegaram à sua aldeia. A maioria estava dormindo. Os únicos acordados eram os guardas em seus postos. Porém, havia uma terrestre acordada, pois saiu da cama assim que ouviu os portões abrirem. Ela espreitou por uma fresta e viu os dois que chegaram carregando um garoto. Ele era diferente. Usava roupas diferentes e, mesmo que ele estivesse machucado, ela viu que ele não usava pinturas. Talvez ele seja do povo do céu. Ela pensou, se lembrando do meteoro que vira cair dias atrás, que se mostrou uma nave cheia de pessoas, as quais estavam em constante guerra com seu povo.
Quando a fresta já não lhe dava visão suficiente, ela saiu de casa e seguiu os soldados, se escondendo aonde dava. Como já era esperado, os soldados levaram o garoto até Anya, a líder terrestre. Ela entrou e se escondeu atrás de alguns barris de suprimentos. A única visão que tinha era a do rosto desacordado do garoto no chão, mas isso acabou quando os soldados o levantaram.
—Capturamos este entrando em nosso território. Ele veio do povo do céu. – Disse um dos soldados, segurando o rosto de Murphy. – Devemos matá-lo como os outros?
A palavra “matar” pareceu ter acordado Murphy de seu estado vegetativo. Porém, ele não demonstrou que estava acordado. A garota, escondida atrás dos barris, emitiu um pequeno som de preocupação.
—E o que estão esperando? Já era para terem feito isso! – Exclamou Anya.
Os soldados, novamente, jogaram Murphy no chão e já estavam com a espada posicionada para matá-lo. Quando iam fazê-lo, Murphy abriu os olhos em desespero.
—Se me matarem, nunca saberão os segredos necessários para derrotar os que vieram do céu! – Disse Murphy, quase como um pedido para que não o matassem.
Anya ouviu e deu a ordem para o soldado abaixar a espada. Ela se aproximou de Murphy e o pegou pelos cabelos.
—Que segredos são esses? – Perguntou Anya, em um tom firme.
Murphy deu uma risada cansada. Ele estava machucado, mas ainda tinha forças para jogar com as palavras.
—Não está achando que eu vou dá-los de graça, está? – Perguntou Murphy, em seu usual tom sarcástico.
Anya, furiosa, o golpeou, novamente fazendo-o perder a consciência. A garota terrestre ainda assistia tudo escondida. Ela estava com as mãos na boca e uma expressão assustada. Diferente dos outros terrestres, ela não era uma guerreira. Não gostava de machucar os outros, muito menos de matar. Pelo contrário, ela era a favor da paz. Desde o começo ela achava desnecessária essa guerra entre seu povo e os que vieram do céu. Porém, nunca disse nada para não se meter em encrencas.
—Tranquem-no em uma jaula. – Ordenou Anya. – Vamos ver se depois de um pouco de pressão ele irá revelar seus segredos.
Os soldados obedeceram e levaram Murphy para fora. A garota os seguiu para onde eles iriam levá-lo. Uma jaula, encostada em uma árvore grande o esperava. Os soldados atiraram Murphy para dentro da jaula com violência, e a trancaram, indo embora em seguida. A terrestre, escondida atrás de uma árvore próxima, esperou os soldados estarem longe para se aproximar da jaula. Então, ela se aproximou, se ajoelhou e ficou observando aquele garoto machucado e desacordado. Seu rosto sangrava em algumas partes, e algumas mechas do cabelo se misturavam com o suor e o sangue. O coração inocente da garota logo fez surgir uma pitada de remorso por aquele garoto. Ela foi embora e voltou, não muito tempo depois, trazendo água e panos.
A garota molhou um pano, estendeu o braço por dentro da jaula e começou a limpar os machucados do rosto de Murphy. Ele estava realmente ferido. Seu rosto era uma mistura de sangue, suor e terra do chão. Por ter sido arrastado por tanto tempo, era um milagre que seu rosto não estivesse em carne-viva. Ela limpava os machucados suavemente, para não acordá-lo com a dor. Mas ele estava tão machucado que acabou acordando mesmo assim.
Ao ouvir o primeiro gemido de Murphy, a garota deu um passo para trás, assustada. Ele abriu os olhos, lentamente, e observou onde estava. Estava preso numa jaula, na aldeia dos terrestres, machucado e banido do seu acampamento. Ou seja, ninguém o viria resgatar. Ele estava ferrado.
Porém, sua cabeça deu uma reviravolta quando viu uma garota terrestre, ajoelhada, segurando um pano sujo de sangue. Tirando o fato de estar preso e podendo ser morto a qualquer momento, ele a achou bonita para uma terrestre. Era loira, de olhos azuis como os dele, porém, ela usava pintura neles. Ela o encarava com uma expressão assustada.
—O que faz aqui, terrestre? Já veio me executar? – Perguntou Murphy, sarcasticamente.
A garota ficou calada por alguns instantes, pensando se deveria respondê-lo ou não. Após pensar muito, ela decidiu responder.
—Eu não vim machucá-lo. Pelo contrário, vim limpar seus cortes. – Ela respondeu. Sua voz era aguda e meiga. Ela pôs um pouco da água em um recipiente e o estendeu para ele. – Aqui, beba. Deve estar com sede.
Murphy, desconfiado, aceitou a água assim mesmo. Não estava podendo recusar ajuda nessas condições. Mesmo de uma terrestre.
—Por que está fazendo isso? É uma terrestre, não é? Nossos povos estão em guerra. – Disse Murphy.
—Não gosto dessa guerra. O que meu povo está fazendo com o seu não é justo. Assim como o que o seu está fazendo com o meu também não é justo. Acho que deveríamos viver em paz. – Respondeu a garota.
Ela pegou o pano e outra vez, estendeu o braço para limpar os machucados dele. Ele recuou por um segundo, mas o braço dela o alcançou e ele não teve escolha, a não ser, deixá-la terminar o serviço.
—Depois de tudo o que aconteceu, é difícil pensar que ainda vai ter paz. Você está iludida. – Retrucou Murphy.
—Não tanto quanto você, que pensa que a paz é inalcançável. – Rebateu a garota, fazendo Murphy gemer enquanto limpava um machucado.
Aquela terrestre era diferente de todos. Ela não tinha desejo de sangue e nem de vingança. Seu coração era puro como o de uma criança. Ela não se importava se Murphy era do povo do céu, tanto é que estava ajudando-o. Murphy não estava totalmente convencido, pois os terrestres estavam atacando seu povo desde que chegaram na Terra. Mas algo o dizia que ele poderia depositar uma certa confiança naquela terrestre. Ela terminou de limpar todos os machucados e se preparava para ir embora quando Murphy retomou a fala.
—Eu sou John Murphy. Mas todos me chamam de Murphy. Qual é o seu nome? – Ele perguntou.
Ela deu um sorrisinho tímido e se levantou.
—Eu sou Kara Leigh. – Ela disse, indo embora.
Murphy esperou a garota estar longe o suficiente para que não pudesse ouvi-lo.
—Kara Leigh... – Ele sussurrou antes de adormecer.
Continua.
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