The Reason
1 Capítulo Único - The Reason
Notas iniciais
Espero que gostem! :3
Hermione andava apressadamente pelos corredores de Hogwarts carregando vários livros e não gostaria de ser pega por Umbridge, portanto queria chegar o mais rápido possível ao salão comunal da Grifinória. Porém deteve-se ao ouvir um choro vindo de alguma sala vazia.
Pensando poder ser algum aluno que passara pelas mãos impiedosas de Umbridge aproximou-se e entrou cuidadosamente se deparando – surpresa e até assustada – com Professora Trelawney.
A mulher estava sentada em uma cadeira e chorava segurando um lencinho próximo ao nariz, e assim que percebeu a mais nova virou-se assustada e quase caiu.
— Professora Trelawney, eu não queria assustá-la.
Hermione percebeu no instante em que se aproximou que os olhos da outra, que pareciam tão pequenos por causa dos grandes óculos, estavam vermelhos assim como seu nariz e sentiu seu coração se apertar pelo estado em que Trelawney se encontrava.
— Tudo bem, querida. Só não conte a Umbridge que me encontrou aqui, por favor.
A Grifinória assentiu e virou-se para sair, mas algo a deteve ali. Hermione sentiu que não deveria ir e deixá-la sozinha, pelo contrário queria ficar ali junto dela, tentar ajudá-la se possível fosse. Sendo assim, depositou os livros em uma mesa próxima a si e sentou-se em uma cadeira em frente à Trelawney que acompanhou cada movimento da garota com o olhar.
— Eu não entendo. – disse passando o olhar de Hermione para os livros e depois de volta para a garota.
— O quê houve professora Trelawney?
— Não é nada, querida. Fique tranquila.
— Eu não ficarei tranquila se sair dessa sala a deixando assim, do jeito que está. – a maneira como Trelawney a olhava fazia parecer que estava tentando ler sua alma e Hermione desconfiava de que talvez ela estivesse. – Se eu puder ajudá-la de alguma maneira, me diga. Sei que tem sido tempos difíceis para todos com Umbridge aqui.
— Ah... – e Trelawney voltou a chorar ao ouvir o nome de Dolores. – Ela me pediu para fazer uma profecia, eu não poderia fazê-la, não de repente e por um pedido... – explicava e vez ou outra soava o nariz no lencinho. – Profecias vêm sem que eu perceba e principalmente sem que eu espere.
— Eu compreendo. – Hermione estendeu o braço e acariciou o ombro da professora. – Umbridge é ridícula em tudo que faz e com certeza o que ela fez com você foi algo muito horrível e incompreensível.
— Eu continuo sem entender.
— Sem entender o quê?
— Pensei que talvez me odiasse afinal me achava uma fraude e sempre odiou minhas aulas, até as abandonou. – Hermione enxergou naquele olhar apenas tristeza e não raiva como pensou que talvez pudesse encontrar.
— Eu sinto muito, professora. – olhando em seus olhos teve a certeza de que não encontraria raiva jamais, não nela. A raiva estava em si mesma e agora se culpava por isso. – Adivinhação nunca foi meu forte, e eu realmente não acreditava muito, mas você já provou não ser uma fraude, naquele ano mesmo. Por isso lhe peço desculpas.
— Tudo bem, querida. – Trelawney sorriu pela primeira vez desde que Hermione entrara e por fim havia parado de chorar. – Você é uma garota muito inteligente, fiquei muito triste quando deixou minhas aulas, pois eu sentia que havia perdido um talento.
— Talvez um dia você possa tentar me ensinar novamente. – sorriu verdadeiramente e sentiu tirar um peso de cima de si. Agora entendia que não sentia raiva ou desconfiança por Trelawney, era outro sentimento e ela tentava entender qual. – Professora Trelawney, não importa o quê às pessoas digam sobre você ou sua disciplina, nenhuma delas a conhece o bastante para entender, então nada do que ouvir será verdade.
— Você tem razão. Obrigada!
Hermione assentiu e levantou-se, Trelawney a acompanhou novamente com o olhar em todo o momento. A garota recolheu seus livros e se dirigiu até a porta, mas antes de sair sentiu que precisava sorrir uma última vez e foi o quê fez.
***
Mais tarde naquele dia Hermione voltava do banheiro quando viu um aglomerado de alunos se reunindo do lado de fora do castelo, ao longe avistou Harry e Cho acompanhando a multidão apressados e apreensivos.
Ao chegar do lado de fora entendeu o quê acontecia. Umbridge estava depositando uma grande mala aos pés de Trelawney que estava cercada por mais algumas e chorava novamente.
— Eu estou em Hogwarts há 16 anos, é o meu lar. – Trelawney falava com dificuldade entre os soluços de seu choro.
Foi quando Hermione entendeu o quê de fato estava acontecendo: Umbridge estava a demitindo e expulsando de Hogwarts. No mesmo instante deixou sua mão escorregar até sua varinha desejando estuporar Dolores, mas conteve-se se não também seria expulsa.
Viu quando Minerva saiu do meio dos alunos e correu até Trelawney e a abraçou. Ela sentiu o coração apertar-se novamente e desejou poder estar lá junto dela, como fizera mais cedo a acalmando. Aos poucos começava a entender que sentimento era aquele que a afastava e ao mesmo tempo a aproximava de Trelawney, um sentimento que a fazia estremecer ao imaginar que Umbridge de fato poderia mandá-la embora.
Suas pernas moveram-se sem sua ordem, queria correr até ela e dizer que tudo ficaria bem, mas foi interrompida pelas grandes portas do castelo que se abriram dando passagem para Albus que se aproximou com o semblante sério.
— Minerva, poderia levar Sibila para dentro, por favor?
— Oh, Albus, muito obrigada! – foi o quê a professora disse ao passar ao seu lado.
— Eu não sei entendeu, mas acabei de demiti-la. – a voz de Dolores ecoou mais alto do que o necessário e mais autoritária do que nunca.
— Você pode demitir, mas não tem direito de expulsar professor algum de Hogwarts, isso ainda é algo que cabe somente ao diretor.
— Por enquanto! – sorriu cinicamente e Hermione sorriu da mesma forma, sentindo uma alegria imensa por Dumbledore ter aparecido e estragado a festa de Dolores.
Só quando ouviu o diretor mandando os alunos voltarem aos estudos, foi que se deu conta de que Minerva havia entrado com Trelawney. Rapidamente correu por entre os alunos e foi até a sala dos professores onde imaginou que pudessem estar. Ao chegar ao local encontrou as duas, Minerva entregando um copo d’água para a outra.
— Professora Mcgonagall, talvez queira ir conversar com o professor Dumbledore sobre o ocorrido. Se quiser posso fazer companhia a professora Trelawney.
— Querida, tudo bem se ficar com a senhorita Granger um momento? – Mcgonagall perguntou para Trelawney que assentiu com um pequeno sorriso no rosto antes de beber mais um grande gole de água.
Assim que ficaram sozinhas na sala, a garota sentou-se ao lado da mais velha e a olhou cheia de ternura.
— Eu juro que não disse nada a Umbridge mais cedo.
— Eu acredito em você! Mas ela me acha uma fraude.
— Ela é uma idiota! – conseguiu arrancar uma risada de ambas. – Albus disse a ela que você ficará aqui e eu estou muito feliz com isso.
— Hermione, quando conversamos mais cedo eu vi algo sobre você, mas fiquei com medo de lhe dizer e voltar a me achar uma charlatã, mas você tem sido tão boa comigo.
— Eu não penso mais assim sobre você, pode me dizer o quê viu? – de repente interessou-se bastante e algo dentro de si se acendia a fazendo começar a acreditar.
— Você ama muito alguém, mas sente medo desse sentimento. – Trelawney sussurrou como se ao falar aquilo em voz alta alguma tragédia pudesse acontecer.
Já Hermione permaneceu em silêncio e a olhando fixamente. Era isso então, agora percebia e entendia perfeitamente tudo. Trelawney estava certa.
— Querida, disse algo errado? – a trouxe de volta à realidade.
— Não, você está completamente certa. – os olhos brilhavam mais a cada segundo e o coração começava a bater mais forte.
— Não deveria temer o amor.
— É que é tão complicado... – não sabia o quê dizer e nem o quê fazer, só sabia que queria aquilo. – Eu amo, mas não sei como será.
— Se não tentar, jamais saberá.
E Hermione então decidiu que queria tentar. Já havia feito loucuras tão grandes ao lado de Rony e Harry, e era uma Grifinória, decidida e corajosa, precisava tentar. Aproximou-se mais ainda de Trelawney e delicadamente enxugou as lágrimas que estavam no rosto da mais velha antes de tocar seus lábios nos dela.
E no momento que em que a beijou soube que estava fazendo a coisa certa. A mais velha assustou de início, mas conforme Hermione a beijava foi relaxando e deixou suas mãos repousarem nos ombros da garota.
Quando se separaram, Hermione sentia medo de abrir os olhos e encontrar um olhar de reprovação, ou pior, vê-la levantar-se e ir embora, mas ao fazê-la viu apenas o semblante suave de Sibila a olhando.
— Sibila... – sussurrou o nome da outra procurando as palavras para explicar, mas não teve tempo de formular frase alguma, pois a mulher segurou seu rosto entre as mãos e a puxou para mais um beijo.
Hermione não sabia se Trelawney havia visto que ela era a mulher que ela amava ou não, mas sabia que naquele momento Sibila havia descoberto, assim como ela também descobrira ser um sentimento recíproco.
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