The Reason
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Pov. Esme
Estava no meio da floresta correndo sem rumo e não importava a direção que eu ia era sempre um beco sem saída.
–Esta tudo bem?- Carmen? Me virei procurando a voz.- Como se chamam?
–Eu sou o Nathan e essa é a Esme minha irmã.- Falou sorrindo.
Era como se eu estivesse assistindo tudo mas ao mesmo tempo como se eu fosse a criança. Dei uma passo em direção a eles mas acabei caindo em um abismo que parecia ser sem fim, fechei meus olhos ao sentir um impacto, era finalmente o chão.
–Chegou a hora.- Era a Julia, abri meus olhos aos poucos e me deparei com o laboratório dela.- Deixe seu instinto falar por você.
Me levantei com cuidado olhando na mesma direção que ela. Era impossível. Eu estava atacando um humano. Um humano. Fechei meus olhos com força na tentativa de acordar daquela ilusão mas quando os abri o pesadelo só aumentou, eram dezenas de pessoas mortas todas com marcas de dentes. Olhei para o lado e me deparei comigo mesma, mas meus olhos estava fuscos e sem vida, como se estivesse hipnotizada.
–Levam-na daqui antes que ela acorde.- Julia falou sorrindo diabolicamente.- Sabe o que fazer Lino.
~~
Puxei o ar com força acordando. Ótimo era apenas um pesadelo. Respirei fundo várias vezes me levantando andando de um lado para outro. Era impossível, eu jamais mataria um humano. Minha garganta começou a arder e minha cabeça a doer. O que esta acontecendo comigo?
–Calma foi só um pesadelo.- Falei para mim mesma começando a chorar.
E se esse pesadelo fosse real? Assim como os outros? E se o Lino tivesse a ver com isso? Ele não. Ele não seria capaz. Certo?
–Lino!- Gritei entre os dentes.- Lino!!
– O que houve Esme?- Perguntou entrando no quarto apressado acompanhado dos outros.
–O que você fez?- Pedi com as mãos na cabeça.
–Do que esta falando?- Pediu segurando meu punho me fazendo o olhar.
–O pesadelo, minhas emoções, minha cabeça parece que vai explodir..- Sussurrei tentando ligar os pontos.- Minha garganta..- Sussurrei o olhando.
–Esme, foi apenas um pesadelo.- Nathan tentou me consolar.
–Não foi.- Edward disse serio e o Lino estremeceu.
–O que você fez?- Pedi entre os dentes segurando o choro.
–Esme, a Julia me pediu e essa era a única forma de você não sentir tanta dor.- Desabafou me soltando.
–As pessoas.. Eu.. Eu as matei?- Pedi desolada.
–Você a partir de agora vai lembrar de tudo aos poucos.. O melhor é você esquecer.- Tentou falar me olhando nos olhos.
–Não! Eu quero saber de tudo.- Gritei e ele estremeceu.- Eu as matei? Não foi?
–Esme. A Julia estimulou esse seu lado..- Disse triste.- Você nasceu alguns meses depois do seu pai ter se transformado, sua mãe ainda era humana. E quando você nasceu os Volturi não conheciam sua espécie por isso mataram seu pai, já que não a encontraram.
–Mas eles me viram, eu tentei salvar meu pai.- Sussurrei pasma.
–Eles ouviram seu coração e por esse motivo acharam que você era uma reles humana.- Falou suspirando.- Seu lado humano sempre foi mais forte, porém quando a Julia descobriu seu outro lado ela usou dele para destruir seus inimigos mortais.
–Eram pessoas inocentes.- Falei chorando.
–Esme, você não tem culpa.- Nathan tentou me acalmar mas não permiti. Eu era uma assassina.
–Por que não me contaram antes?.-Pedi gritando.- Vocês permitiram eu me tornar o monstro que sempre odiei! Porque?- Implorei me trancando no banheiro escorregando até o chão.
Liberei o choro desesperado quando ouvi os passos se distanciarem cada vez mais.
Passei anos da minha vida lutando contra tudo e todos para vingar a morte dos meus pais. Maltratei pessoas que não tinham nada com esse assunto, maltratei a Carmen e o Eliazer que tanto nos ajudou pelo fato deles serem vampiros. E agora eu descubro que sou uma deles, e o pior que matei pessoas inocentes para alimentar esse lado imundo. Como posso conviver comigo mesma a partir de agora?
Como pude ser tão tola? Passei tanto tempo adorando a Julia que mal falava com meu irmão. Ela foi a única culpada pelo que me tornei, mas isso não vai ficar assim. Antes de me destruir vou acabar com ela.
Levantei enxugando o rosto, fui para o meu quarto que já estava vazio peguei minha mala escolhendo uma muda de roupa e a fechei colocando a mala perto da porta. Vesti-me rapidamente e arrumei minhas coisas nas malas e desci com as mesmas.
Graças ao pai não encontrei ninguém pelo caminho, ouvi barulhos vindo da cozinha e de alguns quartos. Abri a porta indo em direção ao meu carro abrindo o porta-malas do mesmo.
–Pra onde vai Esme?- Reneesme perguntou doce, respirei fundo sentindo minha garganta arder.
–Nessie por favor entre.- Pedi sem olha-la me sentindo ainda pior em desejar seu sangue.
–Mas..- Ouvi sua voz embargada.- Você vai embora?
–Nessie, não chore por favor.- Pedi fechando o porta-malas.- Eu não sou boa okay? Você mal me conhece deveria estar agradecendo por isso.
–Você é boa sim. Me salvou sem pensar duas vezes.- Falou chorando me abaixei em sua frente a olhando.
–Nessie, eu não sou boa.- Falei segurando meu choro.- Eu só fiz o que achava certo. Agora por favor entre, está frio para você aqui fora.- Pedi a levando até a porta.
–Por favor, não seja aquilo que sempre odiou você é boa sim, só precisa acreditar nisso.- Pediu abraçando minha pernas.- Eu sou criança mas não sou boba, se você não fosse boa essa história não a machucaria tanto.
–Eu preciso ir.- Falei me soltando dela entrando no carro ouvi o Nathan gritar por mim e olhei pelo retrovisor chorando, ele tentou correr até mim mas eu fui mais rápida e sai com o carro.
Acelerei ao máximo dirigi por horas e parecia que minha garganta iria explodir a cada segundo o queimar só aumentava. Entrei na estrada que dava em direção a minha antiga casa, parei o carro em frente a ela e desci. Prendi minha respiração ao sentir meus olhos escurecerem e minha garganta queimar ainda mais.
Corri entrando na casa vazia, a tempos a Carmem havia falado por telefone que ela cuidava da casa como podia e já que era nossa única boa lembrança ela nunca permitiria que ela acabasse.
Era incrível como tudo parecia no mesmo lugar, tirando o fato da casa velha, algumas madeiras com a aparecia podre e o aroma leve de mofo, ainda era minha antiga casa. Respirei fundo deixando uma lágrima cair, tudo ali me lembrava o quanto éramos felizes.
A casa era toda de madeira, subi calmamente a escada tocando as paredes com as pontas dos dedos como costumava fazer quando criança. Por fim cheguei ao cômodo em que vivia escondida. Sempre que algo me perturbava era lá que me escondia para chorar. Era aquele cômodo velho e com a madeira agora podre que chorava pela falta da minha mãe, e é hoje que choro novamente pela falta dos meus pais, pela falta de mim mesma.
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