The Real Demons

1 First Chapter - A Primeira Vítima


Lembro-me de estar em meu quarto, um pequeno cômodo, porém aconchegante,com paredes brancas um pouco encardidas, repletas de pôsteres de diversos mágicos, desde Houdine até Harry Potter, vou ser sincero, eram tantos pôsteres que meu quarto mais parecia uma exposição de arte do “ Museu de magia e bruxaria do st.Dumbledore”. Enfim, no canto direito do quarto havia uma pequena cama de solteiro que sustentava diversos livros, sobre tudo que você pode imaginar,menos livros escolares, logicamente.

Eu estava deitado sobre minha cama, folheando as páginas de um livro de poesia, a leitura realmente era entediante mas fazer o que ? Eu sou apenas um jovem incompreendido, não tenho dinheiro pra comprar bons livros.

– Charlie ! – Berrou minha mãe, provavelmente, da cozinha.

– Já vou, mãe...

Em alguns minutos tomei coragem e resolvi ir até ela, sai do meu quarto e passei pelo longo corredor com paredes em diversos tons de azul, alguns quadros de família pendiam na parede, e alguns vasos recheados de flores se distribuíam rente às portas. Eu nunca entendi muito bem porque eu não conhecia nenhuma daquelas pessoas nos quadros, segundo os meus pais alguns tios morreram, e os que sobraram estão no outro lado do mundo trabalhando feito condenados sem poder vir nos visitar. Para falar a verdade eu nunca acreditei nisso, afinal eu nem possuía parentesco com aquelas pessoas, eu sempre soube que não fazia parte daquele meio, tanto por nem mesmo me parecer com “meus pais”, mas também por ter ouvido algumas conversas não mundo confortante entre ele.

– Garoto, não está me ouvindo !? — Ela voltou a gritar, agora ela parecia com muito mais raiva, eu podia até sentir seu ódio apenas pelo tom de sua voz.

– Estou chegando. — Falei, calmo, ao adentrar à cozinha. Cozinha, traduzindo para minha língua: “ santuário”, bem.. Era um cômodo normal, com alguns balcões, uma pequena mesa branca no centro e um grande armário, nada demais, uma cozinha comum para uma família de classe média baixa, mas não importa lá tinha comida,lá tinha VIDA.

Tudo parecia normal, exceto o peru sobre a mesa, refrigerante, e minha mãe tentando cozinhar. Geralmente quem fazia esse tipo de coisa era eu, sim, eu era o empregado da casa, além de cozinhar eu lavava louça, roupa, passava, limpava e tudo mais, as únicas vezes que minha mãe ia à cozinha era pra reclamar de algo que eu fiz ou era natal... Espera, natal ? Caramba, era natal !

– Vai comer logo garoto, daqui a pouco o papai Noel vai trazer seu presente!

– Não sei o que é mais irônico, se é a parte do papai Noel ou o presente.. Aliás, vai ser mais um daqueles equipamentos de luta que vocês me forçam a usar? Um saco de pancada, luvas ?

– Exatamente, garoto, você esta ficando velho.. Tem que saber alguma coisa que preste !

– Eu sei muito mais coisa que você, eu sei que 2 mais 2 são 4.. Diferente de algumas pessoas que acham que é 6. — Tentei não parecer muito irônico, mas foi em vão, abaixei minha cabeça e fixei meu olhar ao chão esperando um tapa ou mais um espancamento, mas nada aconteceu.

– Senta logo aí, menino, come tudo ! — Ela grunhiu, tentando conter a ira.

– Mas e Héctor, quer dizer.. Meu pai, não vamos espera-lo?

– Ele deve estar chegando.. — Ela foi interrompida pela porta da cozinha que se abriu e revelou meu pai, ele se vestia de forma engraçada, calça moletom laranjada que não combinava com o casaco amarelo florescente, segurava uma sacola extremamente pequena, um pouco rasgada e com algumas manchas pretas, vou ser sincero, ele parecia ter sido atropelado por um caminhão com aqueles olhos esbugalhado e os... Aquilo no braço dele era um arranhão? Arg..

– Cheguei, pessoal.. — Ele me olhou, com um sorriso, e voltou sua atenção à Emília, minha mãe, eu ainda não tinha percebido mas ela estava bem vestida,usava um vestido lilás, uma sapatilha e uma presilha prateada no formado de um coração, que não era muito a sua cara.

– Desculpe a demora,"72"na avenida.. Não foi muito fácil, mas eu os despistei.. Eu acho.

– " 72 " ?! — Minha mãe o fitou, espantada. — Certeza que eles não te seguiram ?

– Um se foi e o outro eu não vi.. — Eu não estava entendendo nada do que eles falavam, como sempre eu nunca conseguia entender aquelas conversas codificadas em números: "32", "25".. Blá blá blá, eu nem tento compreende-los, acho que só ficaria mais confuso.- Aqui, Charlie, seu presentinho.. Espero que use bem, sempre que precisar segure-o firme e isso ai vai te ajudar, garotão ! –

Ele jogou a sacola pra mim, para falar a verdade eu não esperava um bom presente mas quando eu retirei a caixinha azul, um pouco empoeirada e aparentemente velha, do interior da sacola e a abri quase enfartei, era um anel dourado com algumas escritas que estranhamente eu consegui ler, lá dizia: "Ουρανοξύστης" que no inglês era algo como "Arranha-Céu". Era realmente bonito, e não hesitei em coloca-lo em meu dedo, enfim eu me sentia feliz.

– Muito obrigado, pai ! – Não pude evitar o sorriso que se desenhou à minha face, de forma espontânea.

Nós jantamos juntos, algo muito difícil de acontecer, e tudo parecia bem, finalmente tomei coragem e perguntei algo que me deixava intrigado:

– Por que vocês não falam como se conheceram, aliás.. Por que não falam nada do passado e nem dos membros da família ? Eu tenho quinze anos e ainda não sei o nome da minha avó.

– Isso é algo difícil de se falar, Charlie, nada é exatamente como parece.. — A felicidade parecia se esvair do corpo dele. — Os pais de Emília estão mortos, e os meus... Bem, eu não cheguei a conhece-los. Outra pergunta ?

– Sim, muitas: Por que eu não posso estudar em uma escola como os outros ? Por que eu tenho que treinar todos os dias ? Por que me deram o nome de Charlie ? Por que seu braço está machucado ? Onde eu nasci, exatamente ? E o mais importante por que eu sou estranho ?

– Você não é estranho, cara, você apenas é diferente ! — Héctor, respondeu.

– Sou sim, você sabe pai. Aquilo das coisas se mexerem, os sonhos, previsões, eu estou ficando louco !

– Tudo vai se resolver em pouco tempo, creio que não vamos poder te deixar escondido do mundo por muito tempo. — Minha mãe resmungou.

– Vamos adiantar tudo isso, Charlie, nós não somos exatamente seus pais.. Eu acho que você já sabia, eu sei que ouve algumas de nossas conversar escondido, mas só para confirmar, você realmente é adotado. Nos te protegemos de coisas ruins e de pessoas ruins, você não é apenas diferente você é especial... — O homem foi interrompido por um brilho intenso que atravessou a janela, quebrando-a, e atingiu a mesa da cozinha de forma a incendiá-la, iluminando todo o local.

– Emília, leve-o daqui.. Os 72 me seguiram, fuja !- Todos se levantaram, meu pai foi na direção da janela e olhou para o céu, e desesperado pegou duas facas que estavam sobre o balcão. Minha mãe, veio até mim, me agarrou pelo braço e me puxou até a garagem. Eu não estava entendendo absolutamente nada, mas resolvi cooperar, entrei no carro e esperei que ela o ligasse.

– O que é isso ? — Perguntei apavorado. Ela me ignorou, ligou o carro e saímos de dentro da garagem. Quando chegamos á rua pude ver algo que eu queria esquecer, era um réptil, um lagarto, enorme com asas e escamas prateadas que reluziam, ele tinha garras enorme e cuspia fogo sobre o homem, Héctor, meu pai que lutava contra aquela criatura de aproximadamente 10 metros de altura apenas com duas facas.

– Por favor, o que está acontecendo ? — Não pude evitar as lágrimas, que romperam dos meus olhos, enquanto via sem poder fazer nada o homem que me criou ser queimado vivo por uma besta, a pele de Héctor tomava um tom avermelhado como manchas que fragmentava seu corpo, enquanto as chamas tomavam seu cabelo por completo, eu podia sentir sua dor, sua agonia, apenas por ouvir seus gritos e gemidos.

Eu não sabia o que fazer, enfim, abri a porta do automóvel que ainda se movia muito vagarosamente, sai, correndo na direção da criatura, apertei meu anel, firme, como “ meu pai” havia mandando, e o anel reluziu em um tom de dourado, a luz do anel se moldava, oscilando sua forma, em poucos segundos eu me via segurando uma lança, a arma era um tanto grande, com descrições em seu cabo, e possuía uma lâmina extremamente afiada em sua ponta. Segui com a lança em punho, compactando sua lamina contra as costas do dragão, acertando-a, entre algumas escamas.

A besta se virou para mim, pude ver seus olhos azuis repleto de ódio, e então senti sua cauda acertando meu peito e me lançando pelo ar, fazendo com que eu caísse na calçada, fiquei imóvel no chão e a última coisa que eu vi foi o dragão, aproximando-se, prestes a disparar mais um lança chamas. Tudo escureceu.