Mesmo com a agitação dos rebeldes do lado de fora Lawler continuou sentado no trono, encarando as grandes portas de ferro e os guardas do castelo as segurando. A frustração era visível em seus olhos, e, pelo que bem entendia, o início daquilo tudo tinha sido uma mentira. Ao seu lado, Lya mexia nos anéis em seus dedos, as lágrimas marcando seu rosto e os soluços sendo abafados pelos beijos que dava no cabelo do filho de cinco anos, Tommy. O menino encarava a mãe sem compreender, tudo naquela manhã estava diferente, desde os gritos lá fora até os pais completamente mudos.

Quando as portas cederam e a população revoltosa entrou no grande salão, Lawler se levantou, ansiado. Tinha aguardado por aquele momento fazia meses, mas, na hora em que aconteceu, não conseguiu expressar-se. Os camponeses entraram com machadinhas, alguns mais ricos com espadas. Os guardas seguraram a primeira parte da horda, para depois serem pisoteados. Então ali estava uma cena diferente: o rei das terras de Basniar diante dos rebeldes, os quais tanto temera durante seu longo reinado. Todos agora encaravam o grande rei e sua rainha, o menino pequeno tinha começado a chorar. Os homens logo desistiram de tentar falar e partiram para cima do rei, o qual puseram no chão, xingando e batendo. A criança foi tomada dos braços da mãe, que tentou inutilmente se agarrar ao filho antes que uma espada lhe atravessasse a barriga. Lawler foi arrastado para fora com as mãos presas por cordas, suas vestes de seda e linhas de ouro foram rasgadas. O menino teve a cabeça decepada, e a população adentrou nos outros cômodos do castelo, matando quem encontravam no caminho.

Ao som dos gritos de vitória o líder da rebelião, um sujeito cego do olho esquerdo, com uma cicatriz profunda na bochecha esquerda subiu para a última torre. Chamando pelos companheiros ele escancarou a porta de madeira que havia no final do corredor. O sorriso que ele levava nos lábios se desfez ao ver a cama arrumada e tudo em seu devido lugar. Voltando-se para os compartes, berrou:

— Ela não está aqui!

A mensagem foi repassada pelos corredores e depois se destinou para as ruas. Dentro de meia hora todos sabiam que a princesa de Basniar não se encontrava no castelo. Passava pela ponte de divisa do reino uma carrocinha com duas mulheres dentro, ambas enroladas em rudes tecidos, com apenas os olhos para fora. Viram passar a cabalo sete homens, os quais evitaram contato visual. Vinham comentando sobre a princesa. Quando eles passaram, ela não pode deixar de sorrir ao notar que ninguém a reconhecera.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.