The Quest From The Chalice
10 Um Dia Agitado
Notas iniciais
Pov's Percy
Eu não podia acreditar, eu simplesmente não aceitava... É tudo culpa minha! Não deveria ter pedido ajuda a Blackjack. Eu sei que, se tivesse tentado, teria conseguido me virar sozinho. Eu falhei com meu amigo.
Depois que ele saiu da casa com Emily, fiquei mais tranquilo, me permiti relaxar. Não suspeitei nem por um segundo o que estava bem na minha cara.
Também saímos de lá e procuramos um lugar para passar a noite. Annabeth disse que não deveríamos gastar o dinheiro que mal temos, então sugeriu que acampássemos na floresta. Eu estava louco, fervendo de raiva. Nunca fui uma pessoa violenta, mas aquele monstro conseguiu me deixar enfurecido, cego de ódio. Quando chegamos, sai da vista deles sem nem me importar com o tempo frio que estava naquela parte da floresta. Fui para um lugar em que ninguém poderia ouvir minha histeria e me deixariam em paz. E de fato o fizeram. Eu achei, que sim!
Sai chutando a grama, socando árvores, gritando para os quatro ventos o quanto fui idiota... Como pude ser tão egoísta? Era uma missão pra seis e não sete. Não deveria te-lo metido nisso. Agora já foi. Ele está morto. Só espere que achem o corpo e deem um... Enterro? Enterro! Um enterro digno. Ajudou-me bastante sendo o único pégasus que não se recusou a me ajudar na aula de equitação e também dando a vida para salvar o Acampamento.
–Por que aconteceu isso a ele? Por que fui tão idiota?- Gritei, caindo de joelhos na grama molhada pela chuva que acabara de começar. Não me importei, apenas me deixei levar pelas lágrimas...
–Tenho certeza que não foi em vão, Percy!- Falou uma voz familiar
–Annabeth!- Exclamei surpreso- Como me achou?
–Não foi difícil, apenas segui você- Falou como se fosse óbvio. E realmente era- O fato é que você não deveria se culpar por uma coisa que você não fez. Não tinha como saber
–Tinha sim. Deveria saber que não deveria ser tão fácil encontrar um semideus. E ela cedeu a informação muito rápido. Deveríamos ter suspeitado
Annabeth, que estava encostada em uma árvore a mais ou menos 3 metros de distância, se aproximou, ficando a apenas meio metro de mim. Eu, que até então estava com a cabeça baixa e ajoelhado, fui levantado por uma mão em meu queixo.
–Olha pra mim- Pediu educadamente. Eu o fiz- Você é um cara incrível. É legal com seus amigos e entende todos nós. Tomou praticamente todas as iniciativas e agiu por todos. Não deveria estar assim. Permita-se pensar que a morte de Blackjack pode não ter sido em vão. Não pode ficar se lamentando. Temos uma missão pela frente. Me desculpe se estou soando um pouco, ou muito, insensível, mas nos três dias que fiquei no Acampamento, aprendi que os filhos de Atena devem fazer o certo, e focar no mais importante, e todos nós sabemos o que é mais importante: Jogar aquela criatura esquisita na parte mais repugnante do Tártaro.
Ela tem razão. Chorar não vai amenizar as coisas do momento. Tenho que focar no presente. Matar Equidna é o mais importante agora. E eu vou vingar o meu amigo.
Annabeth se sentou na grama, agora úmida, e fez um gesto para que eu o fizesse também. Deitei minha cabeça em suas pernas e deixei que ela fizesse cafuné em meus cabelos. Adormeci no mesmo instante.
[...]
Acordei com Annabeth deitada com a cabeça em meu peito e com minha mão em sua cintura. Não faço ideia de como isso foi acontecer, já que, quando dormi, estava com a cabeça em seu colo. Já estava escuro, e ela dormia serenamente. Fiquei mexendo em seus cabelos macios e lembrando quando fui ao chalé de Thalia, para avisá-la que Quíron estava nos chamando, e acabei ouvindo um trechinho de sua conversa com Annabeth. Ouvi-la dizer que gostava de mim acendeu minha esperança por completo, já que ela tinha se esvaído por achar que Annabeth não iria querer nada comigo. Quando ela disse que não iria me dizer por medo de não sentir o mesmo por ela, meu sorriso se alargou ainda mais, por que, na verdade, eu gostava dela desde a primeira vez que pus meus olhos em suas orbes cinza tempestuosas. Se ela me perguntasse, não teria como negar, eu soltaria tudo e confessaria o quanto a quero por perto.
Ela se mexeu, me tirando dos meus devaneios.
–Percy?- Disse meio sonolenta
–Sim?
–A quanto tempo está acordado?
–Não muito. A dez minutos, eu acho
Ela se alinhou mais ainda ao meu corpo, sorriu e fechou os olhos. Chamei-a antes que pudesse dormir de novo.
–Anna, a quanto tempo gosta de mim?- Perguntei sendo direto, mas sem tirar o sorriso do rosto. Isso foi o bastante para que ela despertasse totalmente.
–Como?- Respondeu num pulo
–Você sabe muito bem que eu sei que você gosta de mim. Eu vou abrir o jogo: Eu também gosto de você
Ela tentou, mas não conseguiu esconder sua felicidade. Abriu um sorriso que poderia ter rasgado seu rosto. Mas esse sorriso logo desapareceu e ela assumiu uma postura severamente ereta.
–Não brinque comigo, Perseu!- Respondeu friamente
Ela se levantou e começou a caminhar. Fui atrás dela, mas parei. Segurei seu braço fazendo-a parar também e a fiz virar-se para mim girando-a e a empurrando delicadamente em uma árvore larga. Apoiei-me com os braços na árvore, rente ao seu pescoço, fazendo com que ela não tivesse nenhuma escolha a não ser olhar pra mim. Aproximei meu rosto do dela. Podíamos sentir a respiração um do outro. Aquilo estava me deixando tonto, mas não podia hesitar.
–Eu não estou brincando com você, Senhorita Chase!
Dito isso, acabei com os poucos centímetros que nos separava e a beijei. Não sei como explicar o momento, então não espere muitos detalhes!
Apenas coloquei as mãos em sua cintura e deixei acontecer. O ar, de repente, não estava mais tão frio e o clima passou a agradável. Não me importei mais com todos os nossos problemas e questões não ou mal resolvidas de semideus. Não me importei com a missão. Acampamento. Equidna. Apenas esqueci-me de tudo por um momento. Ela colocou os braços em volta do meu pescoço e eu apertei meu braço a sua volta.
Separamos-nos quando o ar se fez necessário. Coloquei minha testa na sua e ficamos ali, respirando ofegantes e sorrindo feito bobos.
–Por que demorou tanto tempo?- Ela perguntou olhando nos meus olhos
–Não sei. Medo, talvez? Não. Insegurança
–Deixa isso pra lá. Só... Me pede logo em namoro, Cabeça de Alga!- Ela disse, rindo
–Tudo bem, se quer tanto
Eu peguei um galho, o mais dobrável possível, quebrei, deixando-o do tamanho do seu dedo e fiz um circulo desajeitado. Peguei uma pequena flor e encaixei o seu caule no galhinho circular, como se fosse um anel. Annabeth riu.
–Annabeth Chase, você, uma filha de Atena, aceitaria esse idiota aqui como seu namorado até o dia em que nossos pais surtem e proíba-nos de namorar? Ou até mais do que o dia em que dê a louca neles?- Perguntei de joelhos
–Me deixa pensar- Ela colocou a mão no queixo- Está sugerindo que namoremos, correndo o risco de sermos totalmente expulsos do cargo de filhos de deuses? É claro que sim, Cabeça de Alga!
Ela sorriu e me beijou de novo. Mas, como tudo que é bom acaba rápido, isso acabou tão depressa quanto começou. Ao longe, mas nem tanto, ouvimos o som de um rugido. E quanto mais perto ia chegando, mas o rugido parecia assustador, e, logo o rugido foi se transformando em os rugidos. Saquei a Contracorrente (Uma espada que Quíron me deu quando soube que eu era filho de Poseidon, disse que era um presente do meu pai), e então, com o brilho da espada, vi olhos vermelhos como larva e presas afiadas com punhais. Logo de cara soube o que eram: Cães Infernais.
–O que vamos fazer?- Perguntou Annabeth
–Fique invisível e não deixe que te peguem. Eu cuido disso
–Claro que não. Eu ainda sou uma guerreira, apesar de estar namorando. Vamos juntos no três... Um
–Dois...
–Três- Dissemos em uníssono e fomos pra cima deles.
Eram dois. Tinham, pelo menos, 2 metros de altura. Não seria tão fácil como imaginei. Annabeth ficou invisível e acertou sua adaga na pata dianteira direita do animal fazendo com que ele perdesse o equilíbrio e caísse para o lado, bem em cima da lâmina da adaga dela. Um já foi. Falta o outro.
Eu também não perdi tempo. Corri pra longe de Annabeth. O Cão pulou em cima de mim, mas eu fui mais rápido. Balancei a espada na frente dele. Ele recuou, não muito, mas recuou. Acertei a parte chata da lâmina no seu focinho comprido e ele cambaleou, mas logo se recuperou. Ele pulou em cima de mim, mas eu rolei pro lado. Ele veio junto, eu me levantei rapidamente, ele estava a meio metro de mim. Em um movimento rápido, eu saltei por cima da sua cabeça, girando e caindo sentado em cima do seu pescoço, e finquei Contracorrente em seu pescoço fazendo-o se dissolver em sombras, retornando ao Mundo Inferior.
Annabeth corre até mim e me abraçou. Ela começou a rir histericamente. Eu a olhei sem entender nada.
–Já reparou que nós nunca temos um momento de paz?
Seguindo sua lógica, gargalhei e então me joguei no chão, cansado depois do dia de hoje. Já estava amanhecendo, e precisávamos voltar até o nosso acampamento improvisado. Levantamos-nos e, de mãos dadas, seguimos até os outros. Ao chegarmos lá, todos já estavam (Ou ainda estavam) dormindo. Fizemos o mesmo. Deitei-me com Annabeth. Ela apoiou a cabeça no meu peito e dormiu rapidamente. Não pude deixar de pensar: Ela me fazia um bem que não conseguia explicar. Com esse pensamento, dormi com um sorriso no rosto.
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