Notas iniciais
He'yall, aqui é a Panda! Eu acho que já é melhor ir avisando que os capítulos dessa fi vão ser grandes, neh. Enfim, eu espero que vocês tenham uma boa leitura Eu juro solenemente não fazer nada de bom, A Panda Criminosa.


Tonight we are victorious
(Essa noite nós somos vitoriosos)
Champagne pouring over us
(Champanhe sendo derramado sobre nós)
All our friends are glorious
(Todos os nossos amigos são gloriosos)
Tonight we are victorious
(Essa noite nós somos vitoriosos)
Panic! At the Disco — Victorious


A 15km de uma das maiores plantações de lavanda do país, se encontra o vilarejo de Coelum. Alguns dizem que a antiga cidade parece ter sido esculpida da pedra da qual ela se repousa, e é mais ou menos isso mesmo que aconteceu; o calcário usado na construção dos edifícios foi tirado de uma antiga mina que costumava ser ativa no século XIX, isso de acordo com o que os livros de historia ensinam.
Mais conhecido como a Rosa dos Ventos da França, o vilarejo de Coelum se encontra espalhado sobre quatro montanhas na província, cada uma conectada por uma linha de bondinhos e de trens que viajam de montanha a montanha. Quem mora no vilarejo provavelmente já esta acostumado ao jeito meio peculiar no qual a cidade foi construída, mas para os turistas que são atraídos pela cultura gastronômica e artística da região a situação já se torna um pouco confusa, eis o porque:

Centáurea é o nome dado a parte da cidade que fica na montanha ao norte do vilarejo, conhecida pelos seus museus e teatros.
Limonium fica ao sul do vilarejo, alguns a chamam de a parte rural por conter as fazendas e mercados de tecidos.
“A flor que nunca murcha” é um dos apelidos dados a parte do vilarejo que fica ao leste. Nigella é conhecido pelo mercado de flores que envia milhares de flores por dia ao redor do país, lavanda sendo uma das principais.
Mas a parte central da cidade, atraindo centenas de turistas pelos seus concertos e restaurantes de cozinha francesa tradicional, fica ao oeste. Magnólia é onde a maioria dos habitantes de Coelum vive, e a mais tolerante a todos os tipos de daemons.

Durante toda sua vida, não que isso seja muita coisa, Mirena viveu com seus pais e seus daemons em Limonium. Ela sempre gostou da paz que morar na parte sul de Coelum trazia, os turistas não se interessavam tanto nas fazendas quanto ao que as outras áreas do vilarejo tinham a oferecer. Claro que a vida no sul não era cheia de concertos ou bailes em restaurantes com estrelas Michelin, para a tristeza de Niara, mas alguém com a rotina como a de Mirena não podia se interessar nesses tipos de coisas, ela era ocupada e nada que a sua melhor amiga tinha a dizer a faria mudar de ideia e pegar um trem ate a área leste.
Não leve Mirena a mal, ela sabia que na maioria das vezes ela iria parecer aquelas meninas chatas que nunca saiam de casa e ficavam tagarelando sobre como ela tinha que estudar, mas na verdade ela gostaria de dizer que ela só é focada no seu futuro. Ela tinha a mesma rotina desde os 16 anos; ela acordava cedo pra deixar o café da manhã dos seus pais pronto, ia para escola às 8h e voltava apenas às 15h, estudava ate as 17h, passava um tempo com Niara e seus daemons ate as 18h e ia trabalhar em um pequeno restaurante perto de sua casa ate as 21h. Agora que ela tinha 18 anos e no final do seu ano letivo, ela tinha de se esforçar mais para conseguir entrar em uma das faculdades que existem em Coelum, se não ela teria de se mudar e isso não estava na sua lista.

Mirena sempre teve um grande interesse em gastronomia, sua mãe conseguia queimar água se deixada sozinha, mas desde pequena seu pai sempre tirou um pouco de tempo pra ensinar ela algumas receitas italianas que ele tinha aprendido com a mãe dele, e ate hoje Mirena vai bater em qualquer um que falar que os cannoli da vovó Geovenna não são bons. Niara já era outra historia, para a dor de cabeça dos pais dela. Sua melhor amiga vem de uma família de floristas, uma das dezenas que moravam em Coelum, e enquanto o pai dela queria que ela se interessasse no ramo da família, Niara decidiu se dedicar a estudar moda; Mirane muitas vezes era carregada por sua amiga pelos mercados de pano de Limonium, e mais vezes ainda era obrigada a servir de manequim junto com seus daemons, mas essa era apenas Niara para você.

//OoO//


O inverno em Coelum é uma das épocas em que o vilarejo mais recebe visitantes. Turistas ao redor do mundo vem a cidade para presenciar os concertos de orquestras regionais ou visitar os castelos na área principal do oeste, ate mesmo uma área entediante como Limonium recebe sua cota de visitantes curiosos sobre as plantações de lavandas e o mercado com tecidos de todos os lugares do mundo. Para Mirena, agora que o ano letivo tinha acabado isso apenas significava mais trabalho no pequeno restaurante Le Lion d'Argent, onde ela trabalhava como ajudante do chef. Ela tinha sido extremamente sortuda em achar um restaurante perto de onde ela morava que aceitasse Tiberius, a maioria dos restaurantes não achava uma boa ideia ter um leão nos seus estabelecimentos. Niara nunca mais a deixou de provocar quando a mesma conseguiu arrastar as duas para uma noite de meninas, e quando Mirena pediu para o garçom para que perguntasse ao chef o que ele tinha colocado no magret de carnad que ela tinha pedido pra deixar ele tão crocante, o chef colocou a cabeça pra fora da porta por alguns segundos e olhou fixamente para Tiberius que estava sentado ao lado da mesa, voltou para a cozinha, gritou alguma coisa, e depois se aproximou de Mirena e a ofereceu um emprego.

Não é um dos jeitos mais normais, ou responsáveis, de oferecer alguém um emprego, mas depois de meses trabalhando ao lado do Chef Albert “me chame de Aby, ma chérie*”, Mirena começou a entender que o homem não era um dos mais normais do mundo, seu daemon Nicole, uma linda mas brava gata da raça Chartreux, podia provar isso; não era todo dia que Mirena, Niara e Arden viam um leão como Tiberius receber umas boas patadas no rosto de uma gatinha como Nicole.

Normalmente Mirena adora o trabalha que ela tem, trabalhar em uma cozinha profissional é simplesmente tudo o que ela quer, mas com a chegada dos turistas e a preocupação com as cartas que ela tinha enviado as faculdades em uma esperança em receber uma bolsa estava começando a afetar a paciência que ela tem tanto orgulho, ate mesmo Tiberius parecia estar tendo problemas. O leão tinha ganhado um lugar como um tipo de garçom do restaurante, recebendo os pedidos dos clientes e os entregando para Nicole no balcão que levava à cozinha. Normalmente ele tinha o cuidado de nunca falar com a boca muito aberta, para não assustar os clientes com suas presas, mas nos últimos dias ele parecia como o rei da selva que sua raça levava como apelido, o que não deixava os clientes se sentindo muito seguros.

Com um suspiro, Mirena tentou voltou sua atenção na carne que estava cortando em um canto da cozinha, mas ela mesma não conseguia lembrar que tipo de carne ela estava cortando mais, ou mesmo pra que ela era. São nesses momentos em que ela queria ter uma mente como a de Niara, nunca se preocupando com as coisas e indo lidando com os problemas só quando eles chegavam; talvez a mãe dela tivesse razão e Mirena tinha um serio caso de ansiedade.

"Mirena!" Aby exclamou em um tom que dizia que não era a primeira vez que a estava chamando. Mirena olhou para o chef que tinha parado de cortar os legumes para o ratatouille e estava olhando para ela com uma expressão preocupada. "Esta tudo bem com você, ma chérie?"

"Eu estou bem, Aby." Ela respondeu, voltando sua atenção a continuar a cortar a carne. "Eu só estou um pouco..."

"Estressada?" Interrompeu Nicole, pulando no balcão da cozinha com uma graça que apenas os gatos pareciam ter. A gata cinza olhou para Mirena de cima a baixo e disse com desaprovação. "Você esta com uma cara horrivel."

Mirena apontou a faca que tinha na mão na direção da gata com uma cara feia.

"Bem, ela não esta exatamente errada." Sorriu Aby. "Você pelo menos sabe o que você deveria estar fazendo com esse salmão?"

Mirena olhou para a carne picada na sua bancada e pensou em todas as receitas que aquele restaurante tinha usado desde que ela começou a trabalhar ali.

"É claro que eu sei." Ela disse com segurança. "É um steak tartare!"

"Steak tartare não esta nem no cardápio de hoje." Nicole zombou, se retirando da cozinha.

O chef olhou para a gata com uma expressão exasperada, já acostumado com o jeito meio arrogante da mesma. Chef Albert era um homem bastante estranho, como Mirena havia dito antes. De acordo com o que ele contou quando ela começou a trabalhar, ele costumava a morar em Paris com sua esposa e os dois trabalhavam em um restaurante popular, mas depois de um acidente ele decidiu se divorciar e morar em Coelum, onde abriu seu restaurante com a ajuda do pai, que trabalha nos mercados de Nigella. Ele era um homem alto com traços fortes, o cabelo era uma mistura de preto e branco assim como sua barba, e seus olhos castanhos eram quentes e convidativos; Mirena e Tiberius viam o chef como uma espécie de tio, daquele tipo que faz a piada do pavê.

Aby se aproximou dela e colocou as mãos em seu ombro, um sorriso gentil no rosto. "Que tal falar o que esta te incomodando, ma chérie?"

"É idiota." Murmurou Mirena, largando a faca e limpando as mãos num pano de prato. "É que o ano já esta acabando e ate agora eu não recebi nenhuma noticia das faculdades com quem eu entrei em contato."

"Ah, entendo! Mas Mirena, você sabe que não tem que se preocupar." Aby disse. "Você é uma das meninas mais dedicadas que eu conheço, e pelo o que você me contou suas notas são perfeitas. É claro que eles vão te aceitar!"

"É que da aquele frio na barriga." Ela suspirou. "Eu sei que fui boa, mas mesmo assim tem aquele medo de eu não ter conseguido."

"Bem, não se preocupe ma chérie!" O chef exclamou com um sorriso aberto, voltando para sua bancada e começando a colocar os legumes um uma tigela enquanto balançava a faca na direção de Mirena. "Tenho certeza de que você vai conseguir, e quando você conseguir eu, Nicole e os outros vamos fazer aquele Paris Bret que você tanto gosta. Mas por enquanto vá pra casa, eu não posso ter você distraída e se cortando, ma chérie."

Mirena pensou por um momento em protestar que ela podia continuar trabalhando, mas quando ela ouviu um rosnado do salão e a voz de Nicole brigando com Tiberius ela decidiu que seria melhor apenas escutar o conselho do seu chef por enquanto.

//OoO//


No dia seguinte ela aproveitou a folga de não ter de se preocupar em ir à escola e decidiu dormir um pouco mais tarde do que o normal, acordando apenas quando seu celular na mesinha ao lado da cama não parava de tocar. Se esticando antes de se sentar, ela tirou o cabelo do rosto e pegou o celular com uma expressão irritada, nada surpresa quando viu as varias mensagens de Niara já esperando por ela.

[Niara Zunduri, 11h23minh.]
Mira, você ta acordada?

[Niara Zunduri, 11h24min.]
Você tem que estar acordada.

[Niara Zunduri, 11h24min.]
Mirena você realmente dormiu ate tarde? Que vergonha!

[Niara Zunduri, 11h25min.]
Você sabe que eu vou continuar ate você acordar neh?

[Niara Zunduri, 11h25min.]
Mira é importante ENTÃO ACORDA!

Respirando funda e pedindo a Deus que a desse paciência pra aturar Niara mais um dia, Mirena mandou uma mensagem rápida e se levantou, esticando mais uma vez e ouvindo sua coluna estalando. Ela colocou uma playlist qualquer pra tocar e abriu a porta da varanda do seu quarto pra deixar um pouco de luz entrar, ignorando o barulho que Tiberius deu quando a luz bateu no seu rosto.

"Não esta na hora de acordar ainda." Murmurou o leão com uma voz grossa, colocando uma pata encima dos olhos.

"Já passou da hora de acordar." Respondeu Mirena, saindo do banheiro já trocada de roupa e decidindo que ela não estava no clima de fazer uma trança ela se virou para o leão deitado ao lado da cama. "A gente ainda tem de fazer nosso café da manhã."

"Não precisamos de comida, precisamos dormir." Mesmo falando isso ele se levantou e balançou a juba algumas vezes, seguindo a menina ate a cozinha da casa. "O que a Niara queria?"

"Testar minha paciência." Mira respondeu, colocando os ingredientes necessários para fazer um simples crepe de frutas na pia da cozinha. Enquanto ela misturava a massa com uma mão ela desbloqueou o celular com a outra.

[Mensagem Enviada, 11h26min.]
Obrigada por ter me acordado, você não sabe o quanto eu sou grata.

[Niara Zunduri, 11h37min.]
Own, não foi nada amiga.

[Niara Zunduri, 11h37min.]
Enfim, eu tenho ótimas noticias! Noticias importantes!

[Mensagem Enviada, 11h38min.]
Noticias? Que noticias?

[Niara Zunduri, 11h38min.]
Surpresa! Me encontre na clareira as 12:30.

[Niara Zunduri, 11h38min.]
E nem tente não aparecer, ou eu te encontro e te arrasto ate lá. Bjss.

Tiberius se senta ao meu lado, sua cauda balançando preguiçosamente de um lado para outro. "O que ela queria?"

"Ela quer que a gente a encontre na clareira, disse que tem noticias." Respondeu exasperada, terminando de montar o seu prato e colocando alguns pedaços de carne em uma tigela para o seu daemon. Ela sentou-se na mesa e começou a dar uma olhada na correspondência, mas tirando contas de luz e água para seus pais não tinha nada ali que interessasse ela. Sem nada pra fazer enquanto comia ela começou a ler uma carta do banco encaminhada para seu pai quando um canto na janela a chamou a atenção, e batendo o bico na janela estava o daemon da sua mãe, Airic. Airic era um pássaro da raça Shama, com penas azuis e laranjas, não muito conhecido na França por ter origem na Ásia, e ela tinha uma personalidade gentil e uma paciência que às vezes parecia ser eterna. Mirena se levantou pra abrir a janela para ela. "Airic, o que você esta fazendo aqui? Cadê a maman?"

"Sua mãe e eu fomos ao mercado." Respondeu Airic com uma voz melodiosa, saltitando da janela a pia. "Ela já esta chegando com as compras."

"Pensei que o mercado estava fechado hoje." Tiberius disse curioso. "Alguma coisa sobre estoque."

"Verdade. É por isso que fomos ate o mercado de Centáurea." Ela levantou uma das asas e apontou para a direção da cidade. "Belle acordou um pouco mais cedo hoje e um dos vizinhos disse que estava tendo uma promoção por lá."

Assim que ela terminou Mirena ouviu a porta da frente abrir, sua mãe tentando passar enquanto segurava agressivamente as varias sacolas de papel que tinha no braço, xingando em francês coisas que Mirane tinha certeza que ficaria de castigo se ela repetisse. Ela se levantou e pegou algumas das sacolas, colocando na mesa.

"Ah mon chaton*!" Sorriu sua mãe, jogando as sacolas na bancada ao lado da pia e correndo pra abraçar a filha. "Você tem que ver as coisas que encontramos no mercado de Centáurea!"

"Eu tenho certeza que são bastante interessante, maman." Sorriu Mirena, acostumada com o jeito energético que a mãe tinha. Isabele “Belle” Winterborn era o tipo de mãe que te deixaria fazer qualquer tipo de coisa, contando que ela sempre esteja sabendo. "Meio estranho você ir ate o norte apenas pra fazer compras."

"Fica tão chato nesse pedacinho de terra que é bom ir visitar as outras áreas de vez em quando." Respondeu Belle, começando a tirar as compras da sacola quando ela reparou nas correspondências abertas encima da mesa. Olhando para a filha que fingia estar olhando algo nas orelhas de Tiberius ela suspirou e sorriu gentilmente. "Mirena? Algum problema, mon chaton?"

"Não!" Mirena respondeu rapidamente, mas quando a sua mãe apenas continuar a olhar ela murmurou. "Eu só queria ver se tinha chegado alguma carta pra mim..."

"Você ainda ta garrada nisso?" Sua mãe continuou a colocar as compras no lugar. "Mira, eu sei que ninguém te respondeu ainda, mas não adianta ficar se preocupando com isso a cada momento."

"É claro que eu preciso!" Protestou Mirena. "Isso é o meu futuro maman! Eu quero muito estudar gastronomia e apenas duas faculdades aqui em Limonium e Centáurea são a favor de um daemon como o Tiberius."

"Então a culpa é minha agora?" O resmungo do leão foi ignorado.

"O que sua mãe esta tentando dizer..." Interrompeu Airic, pousando no ombro de Belle. "É que todo mundo aqui tem absoluta certeza de que você vai receber uma carta, e se ela não chegou ate agora provavelmente é por conta de algum erro."

Mirena estava com uma resposta pronta quando o barulho de uma mensagem chegando no seu celular a fez parar e respirar fundo. Ela sabia que estava preocupando sem motivo, mas quando todo mundo da classe dela já estava com cartas na mão e preparando para faculdade ela estava aqui esperando a quase um mês e meio sem nenhuma resposta.

[Niara Zunduri, 12h25min.]
É melhor você estar saindo de casa.

"Quem é?" Perguntou Belle.

"Quem mais poderia ser." Respondeu Mirena, guardando o celular no bolso. "Ela pediu pra que eu e o Tiberius a encontrasse na clareira, diz que tem uma surpresa pra gente."

"Bem, não queremos deixá-la esperando." Roncou Tiberius com um ar divertido.

// OoO //


Grande parte da floresta de Coelum se encontrava na cidade de Limonium, um dos grandes motivos pela parte rural ser concentrada aqui. Quando crianças, Mirena e Niara descobriram uma pequena clareira perto de uma fonte atrás da casa de Mirena e logo essa clareira se tornou o lugar secreto das duas, aonde elas iam quando iam discutir algo. A clareira não era perfeitamente redonda como nos filmes de romance, e as duas e seus daemons passaram um bom tempo ate que o local ficasse do jeito que eles queriam, cortando plantas aqui e empurrando troncos ali, ate mesmo trazendo algumas cadeiras de madeira que a mãe de Niara nunca soube onde foram parar.

Quando ela entrou na clareira Niara já estava sentada e conversando animadamente com Arden, ambos olhando dentro da bolsa que ela tinha trago com ela. Mirena já começou a ficar cautelosa com a cena, nada bom acontecia quando aqueles dois ficavam tão animados com alguma coisa; algo sempre acabava explodindo, normalmente na cara dos dois e Mirena e Tiberius sempre tinham que limpar a bagunça.

"Finalmente!" Exclamou Niara com um sorriso aberto, se levantando e me abraçando. "Eu achei que você nunca ia chegar aqui!"

Mirena abraçou a amiga de volta, respondendo exasperada. "Eu cheguei em menos de 5 minutos."

"Ou seja, uma eternidade!" Arden saltitou ate elas, olhando para cima com o nariz balançando.

"Não é nossa culpa vocês serem tão impacientes." Disse Tiberius, abaixando a cabeça o suficiente para que o furão pudesse subir ao topo, ficando de frente para as meninas. "Enfim, o que você queria falar com a gente?"

"Oh sim!" Niara bateu as mãos juntos e correu para pegar sua bolsa no banco. Niara Zunduri vinha de uma família de afro-americanos que se mudaram para França quando ela era pequena, e tem sido melhor amiga de Mirena desde então. Com quase 1,85m de altura, Niara tinha a pele morena com algumas sardas espalhadas, um afro descontrolado e os olhos castanhos escuros, e uma personalidade bastante forte pra acompanhar o físico.

"Você parece estar bastante alegre com essas noticias." Tiberius se sentou ao lado de Mirena no banco a frente de Niara, Arden ainda agarrado no topo de sua cabeça.

"É... Sobre isso." Niara olhou de relance para Mirena e mordeu os lábios. "Você tem que prometer que não vai ficar com raiva."

"O que?" Oh de novo não, pensou Mirena suspirando. "Niara o que você fez dessa vez?"

"Nada de ruim eu juro!" Ela pausou, a mão dentro da bolsa. "Mas antes de eu te mostrar você tem de prometer."

"Okay, eu prometo." Concordou Mirena. "Agora que suspense todo é esse?"

Niara tirou um envelope da bolsa e hesitantemente entregou para a amiga, retirando o braço rápido como se Mirena fosse arranca-lo. Mirena franziu o cenho para a amiga, pedindo a Deus que a desce apenas mais um pouco de paciência e que estrangular alguém ainda era proibido na França. Tirando a carta de dentro do envelope ela começou a ler as primeiras linhas.

"Carta de Aceitação.
A Universidade Aurea tem o prazer de informar que Mirena Jenner Winterborn, da Escola Avançada Malli (Limonium), foi aceita pela Gastronomia e Ciências da Nutrição da Universidade Aurea (Magnólia), para realizar as modalidades..."

Mirena parou de ler e olhou para Niara surpresa, a carta ainda aberta nas mãos.

"O que?! Mas eu nunca mandei meu currículo para a Aurea!" Ela exclamou, balançando a carta na direção da amiga que estremeceu para traz. "Niara?!"

"Você prometeu não ficar com raiva!"

"Eu não estou com raiva!" Gritou Mirena. "Eu estou furiosa e eu quero saber o significado disso!"

"Okay..." Niara hesitou antes de jogar os ombros para traz e olhar a amiga nos olhos. "Mira, eu mandei o seu currículo para a Aurea junto com o meu."

"Mas por que você faria isso?" Perguntou Tiberius. "Você nunca falou que estava pensando em ir para Aurea."

"E eu não estava!" Concordou Niara. "Eu sei que a gente tinha um plano de nos inscrever nas faculdades aqui mesmo de Limonium, mas Mira..." Ela olhou para amiga com um olhar ansioso. "Você estudou tanto, se dedicou tanto, e pra que? Pra ficar procurando uma faculdade qualquer que aceitasse o Tiberius? Eu sei que você esta com raiva por eu ter feito isso atrás das suas costas, mas amiga, essa é a melhor universidade que a gente tem no estado, e você foi aceita!"

"Niara, essa universidade fica na Magnólia! Isso é quase uma hora de viagem daqui!" Mirena respirou fundo e tirou o cabelo do rosto.

"Mira, esse é o seu futuro, o nosso futuro." Niara pegou uma das mãos da amiga nas duas dela. "Pense por um momento nas possibilidades! A gente vai poder estudar juntas, a você não vai ter de preocupar com o Tiberius lá porque a universidade aceita qualquer tipo de daemon."

"Mas os meus pais, e o meu emprego..." Mirena disse mais calma, pensando na ideia.

Arden sorriu para as meninos e disse alegre. "Eu falei com o chef Aby e ele disse que tem um amigo dele em Magnólia que estava precisando de ajuda com o novo restaurante dele, e que ficaria de aceitar você e a Niara!"

"Meus pais..."

"Mira." Tiberius resolveu interromper, colocando uma das enormes patas encima da mão que Niara não estava segurando, olhando para a menina com olhos verdes gentis. "Você sabia que uma hora esse momento iria chegar. Você já tem 18 anos e tem uma oportunidade maravilhosa em suas mãos, você realmente vai deixar ela escapar?"

"Eu sei que você ama seus pais, amiga." Sorriu Niara. "Mas a gente não pode viver nas costas dos velhotes pra sempre. Alem disso, a gente vai poder morar juntas!"

"Talvez aquela sua tia louca possa ajudar a gente a achar um lugar."

"Não chame a tia Agatha de louca." Tiberius balançou o furão na sua cabeça e voltou a olhar para Mirena, que tinha voltado a olhar a carta no seu colo. "Mira, cher coeur, você não acha que deveria ao menos dar um chance?"

Mirena fechou os olhos respirou fundo, pensando sobre tudo o que eles tinham acabado de dizer. Era verdade que a Universidade de Aurea era bastante conhecida e sempre estava recebendo elogios, ela era quase como uma Juilliard daquela região, e pra ela ser aceita era mesmo uma honra. Mas ao mesmo tempo ela nunca tinha ido alem de Centáurea, e as vezes que ela tinha ido os pais delas sempre a acompanhavam, como era poderia ir a uma universidade em Magnólia?! Mas Tiberius tinha razão, ela iria se arrepender se ela não ao menos tentasse. "Eu acho que eu poderia tentar por alguns meses, e me transferir se não der certo?"
"Esse é o espírito Mira!" Sorriu Niara, abraçando a amiga forte. "Eu sei que você não vai se arrepender dessa escolha!"

Mirena tinha quase toda certeza de que ela iria se arrepender daquela escolha.

Notas finais
Se vocês virem qualquer erro, por favor aponte pra que eu possa concertar Sobre o daemon da mãe de Mira, o significado do nome Airic é agradavel. Ma Chérie*: minha querida Mon Chaton*: gatinha Cher Coeur: querido coração, ou dear heart em inglês. Obrigado por lerem minha fic, espero que tenham gostado. Mal feito, feito.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.