The Queen Of Vampires
4 A história de Malizia
Notas iniciais
Eu não sei quanto tempo fiquei com a nee-chan. Pode ter se passado dias, meses, anos. E aqui ninguém vê a data. Malizia se escondeu no tempo depois que Brian, seu grande amor e humano foi... como eu posso dizer de uma forma delicada? Silenciado.
A nee-chan contou para ele sobre ser vampiro e, vocês já podem imaginar o que aconteceu, certo? Não, foi bem pior do que aconteceu comigo e com Dimitri.
Ele tentou matá-la e quase conseguiu, se aquela fosse a maneira de se matar um vampiro nobre. Como é que se mata um nobre? Você deve ser muito ingênuo por pensar que eu contaria para você! Oras, sobre o que eu estava falando mesmo? Ah sim! Brian não só tentou como se tornou alucinado por destruir Malizia de alguma maneira. Ele também tentou revelar nossa existência aos humanos. E foi aí que eu e os caçadores o silenciamos, para sempre.
E claro, eu ordenei que fosse muito doloroso. Malizia pode ter um belo coração e não ser capaz de fazer algo que magoe alguém, mas eu sou capaz. Eu o fiz sofrer até ele implorar pela morte, e é claro que... eu não dei a ele o que ele queria. O que? É claro que eu não tenho piedade! Eu não sou boa como a nee-chan, e ele não teve piedade com ela, porque eu deveria ter com ele? Eu não sou assim... boa.
Ele ficou uns quatro ou cinco dias em tortura constante, mas é claro que a tortura só foi parada porque ele morreu.
- Lunacy? - minha irmã entrou no quarto e me pegou abrindo a janela.
- Vou para casa, preciso pegar algumas roupas se pretendo ficar aqui.
- Okay, volte logo. – Ela me deu um beijo. Ela sempre faz isso.
Ela sempre teve um coração puro, ao contrario de mim. E eu sei que ela ainda chora a noite, se lembrando de Brian.
Não demorei muito para chegar em casa e como sempre, fiz a mesma coisa que faço por anos, entrei pela janela. Eu sei, eu sei, é estranho, mas é um vicio meu. Vampiros... não gostam muito de portas. Fui direto à coisa que eu mais precisava fazer: encontrar-me no tempo.
Atravessei o quarto e fui direto à sala onde tinha deixado meu celular. Três meses haviam se passado desde a última vez que eu o vi. Aquela velha dor veio, assim como eu sabia e esperava que viesse. Era o que confirmava que, pela primeira vez, em meus milhares de anos, me apaixonei por alguém.
Desde pequena ouço falar sobre essa “doença”, como é chamada por todos os vampiros anciões. Algo tão poderoso, que faz você se virar contra si mesmo, cair em pecado e se destruir. Algo horrível, que apenas serve para fins problemáticos. Falso, uma hora te seduz e, depois que está em suas garras demoníacas, ela te esmaga, não deixando nada mais nada menos que uma grande tristeza e uma profunda solidão.
Mas também ouvi e vi os aldeões provarem desse amor. Por isso eu também queria tanto prová-lo, antes que eu não tivesse mais chance. Mas como podem ver, eu não sou digna de saborear das belezas do amor. Eu nunca “vivi” e não tenho esse direito, uma das maldições de nascer morta.
Estava tão perdida em meus pensamentos que demorei em notar um cheiro peculiar e já muito conhecido pelo meu hábil nariz. Segui a deliciosa essência que fazia à nós, vampiros provar a vida. Mesmo não sendo nossa, tomávamos para nós, literalmente.
O rastro delicioso se direcionava ao meu quarto, eu o segui aguçando meus ouvidos. Pude constatar que havia vida no recinto, a batida de um coração humano, em específico o MEU coração humano.
Me aproximei de minha cama. Lá estava ele, dormindo... calmo... toooodo folgado. Uma irritação apareceu, mas sumiu logo depois que ouvi ele murmurar “Lunacy”.
- O que está fazendo aqui? - eu sussurrei para ele, enquanto aproveitava esta chance para poder tocá-lo. Sua pele, exageradamente quente como sempre era, se arrepiou com o toque gelado da minha. Ele novamente murmurou meu nome. Não me contendo, me aproximei para dar-lhe um beijo, mas parei quando ouvi ele murmurar “tenho... medo de... você”.
Me afastei dele com o rosto envolto de uma máscara, sem expressão... sem sentimentos. Peguei as roupas necessárias, sem nem olhar uma última vez para ele e fui embora.
◘ Narração pela visão de Dimitri ◘
Eu acordei depois de ter um terrível pesadelo. Nele, Luna estava em frente a um lago. Eu a observava de longe e ela não notava minha presença. Tudo estava perfeito, até o sol começar a emergir. Eu não vi sinal dela começar a se mexer para fugir da luz que poderia tirar sua vida.
Corri em direção a ela, berrando para se esconder. Ela olhou para mim e perguntou porque, e eu disse a única coisa que eu sabia que era verdade em minha mente “Eu te amo! Eu... tenho medo de perder você!”. Ela sorriu dolorosamente “Mas isso não é o suficiente, não é?! Adeus Dimitri.” O sol atingiu sua pele alva e doce. Eu a vi em chamas, lentamente desaparecendo e deixando seu belo vestido no lugar onde há poucos minutos estava.
Notei as lágrimas em meu rosto e me soquei com força. Me amaldiçôo mil vezes por ter dito aquelas coisas horríveis a ela. Eu a amo tanto, como fui capaz de feri-la daquela maneira, enquanto ela oferecia a vida que eu sonhava ter com ela? Ela ofereceu o que eu mais desejava: ficar com ela pra sempre, e eu neguei.
Soquei a parede de raiva.
- Eu vou esperar você voltar.
◘ Fim da narração pela visão de Dimitri ◘
Fale com o autor