Notas iniciais
Ei, desculpem a demora mais a faculdade está tomando meu tempo. Espero que gostem do capítulo. Nos vemos nas notas finais!

Illíane

A notícia que correu por todo castelo naquela manhã após o Jornal Oficial foi que uma das selecionadas havia sofrido um ataque enquanto dormia. Não tardaram a descobrir que Isabelle havia sido a vítima. Ela era a única que não estava entre as outras quatorze. Em consequência disso, o clima animado da noite anterior havia evaporado completamente.

As garotas desceram normalmente para o café da manhã, entretanto ninguém da família real compareceu. O ar parecia ter engrossado drasticamente em poucas horas. De certo, não era esperado que algo assim acontecesse, ainda mais poucas horas depois da primeira apresentação ao povo de Illíane. Uma tensão pairava sob todo lugar, instigando as mentes de todas elas especularem o motivo de um ataque tão inesperado.

Algumas delas tentaram questionar Daiana, quando a encontraram mais tarde, porém ela não disse nada, apenas lhes disse para não se meterem no que não eram chamadas. Até mesmo ela parecia muito preocupada. Enviou-as para o Salão das Mulheres e não apareceu até o final da tarde.

— O príncipe pediu para avisa-las de que a senhorita Montoya encontra-se bem e em alguns dias estará de volta da enfermaria.

— Agora você poderia, por favor, nos dizer o que aconteceu nesta madrugada? – Mad perguntou.

— Até onde sabemos por meio do relato da própria senhorita Montoya, ela percebeu a presença de alguém em seu quarto durante a madrugada. Ao que tudo indica o agressor não esperava que ela se desse conta de sua presença tão cedo e a atacou levianamente, ferindo-a em seu pescoço. Com o grito, a pessoa fugiu e chamou atenção dos guardas, mas não foi capturada.

— E a Isabelle está bem? – Foi a vez de Angelina perguntar.

— O médico está cuidando de seu ferimento e logo poderá retornar ao quarto e a competição.

— Nós podemos visita-la na enfermaria? – Leah questionou.

— Amanhã, talvez. Peço para que não fiquem perambulando pelos corredores esta noite. Ainda não descobrimos o agressor da noite passada e não queremos que aconteça algo parecido outra vez. Após o jantar, todas voltem aos seus quartos e permaneçam com as portas bem trancadas. As criadas permanecerão em seus quartos por esta noite apenas por segurança. Mais guardas serão enviados para vigilância. Ao menor sinal de perigo, todas serão avisadas e conduzidas a um local seguro. O jantar será servido em seus quartos. Agora vão!

As quatorze garotas retornaram para seus quartos, ainda refletindo a história que ouviram. E naquela noite nenhuma se atreveu a colocar os pés para fora dos quartos, ainda mais com os guardas passando a cada cinco minutos pelo corredor, enquanto patrulhavam. Na manhã seguinte, após tomarem o café, algumas seguiram para o Salão das Mulheres novamente, enquanto outras foram até a enfermaria.

O local, até então, não havia lhes sido apresentado. Era basicamente um enorme salão, com várias camas forradas com lençóis azuis claros e uma espécie de cortina que poderia manter a privacidade de qualquer um que precisasse ficar ali sendo cuidado. Uma enfermeira encontrou as garotas na porta, Angelina, Sierra, Madeline, Lílian, Renesmee, Leah e Caitlin.

— Estão aqui para ver a senhorita Isabelle?

— Sim? Podemos? – Sierra pediu.

— O príncipe disse que ela poderia receber visitar se estivesse sentindo-se bem. A princesa acabou de sair. Passou quase duas horas aqui, consolando a pobrezinha. Sou Riley, a propósito.

— Daiana nos disse que ela estava bem. – Renesmee comentou confusa.

— Bem, sim... O trauma psicológico, coitada... Deve ser horrível acordar com um louco armado e perigoso em seu próprio quarto. Bem, ainda não sabemos se foi um homem ou uma mulher. Ela disse que estava muito escuro para identificar. E há também, pobrezinha, a cicatriz que certamente ficará para sempre gravada em sua pele. – Riley desatou a falar com visível lamentação. – O príncipe é tão nobre! Disse que se ela quisesse voltar para casa, para junto de sua família, receberia todo apoio. Mas ela não aceitou. Quer continuar apesar de tudo. E...

— Você poderia nos levar até ela, Riley? – Lílian pediu, fazendo-a finalmente parar de falar.

— Claro! Sigam-me meninas. Nossa paciente está bem ali.

Deitada sobre uma das inúmeras camas ali, estava Isabelle. Sua aparência era meio pálida, com um grande curativo que ia da base de seu queixo até em baixo no pescoço e o restante do corpo coberto por um lençol. Ela sorriu levemente ao ver as outras, porém logo substituiu por uma careta de dor. O ferimento ainda era muito recente e exigia certa mobilidade na parte inferior do pescoço.

— Olá meninas. É bom vê-las aqui.

— Nós queríamos visita-la ontem, mas Daiana não permitiu. – Leah disse. – Acho que nunca a encontramos mais carrancuda.

— Oh, então não é só comigo que ela está assim. A princesa disse que ela anda vagando pelos corredores e soltando pragas para cima de todos os guardas que pode encontrar pelo caminho. Acho que está descontente pela “notável falta de habilidade dos homens que guardam este castelo” ou pelo menos foi o que disse na última vez em que esteve aqui. – Isabelle comentou, distraidamente.

— Talvez ela esteja muito frustrada por não poder soltar os cachorros para cima do rei e seus filhos. Claramente ela precisa punir alguém pelos últimos acontecimentos. – Caitlin falou.

— Pode estar certa, Caitlin.

— Mas e você? Sente-se melhor depois de tudo que passou?

— Sinceramente ainda tenho pesadelos com aquele punhal descendo sobre a extensão da minha garganta, mas o doutor Cliver tem me dado alguns remédios para os nervos. Ainda vai levar um bom tempo até esquecer aquela noite horrível, mas vou sobreviver.

— Quando será liberada daqui? – Angel perguntou.

— Acredito que em dois ou três dias. Como o ferimento ainda está cicatrizando e preciso trata-lo a cada três horas, o doutor só deve me liberar quando já estiver suficientemente fechado.

— Você não viu mesmo quem a atacou naquela noite, Belle? – Madeline questionou. – Nem mesmo um vulto?

— Infelizmente não. Tudo que me lembro é sentir muita sede e preparar-me para levantar e apanhar um copo de água. Acho que assustei quem quer que fosse a pessoa com minha movimentação repentina e ela me acertou com a lâmina no pescoço. Estava tão escuro que mal podia enxergar a minha frente. Mas algo me diz que não era exatamente onde a pessoa esperava acertar.

— O que quer dizer?

— Bem, por que acertar a garganta, não é mesmo? Não é um lugar muito atraente para ser mutilado. O rosto ou talvez ate mesmo meus pés, já que sou bailarina, seriam opções mais espertas. Minha mãe pode ser cantora, mas é a única em nossa família. Eu não tenho uma bela voz a ser prejudicada. Por isso acho que quando acordei, acabei frustrando os planos de quem quer que estivesse lá.

— Pensando bem, você tem razão. – Leah concordou. – Para que acertar seu pescoço?

— E você não chegou a tocar a pessoa? Sentir a pele? As mãos? Algum cheiro? – Mad insistiu.

— Não consegui tocar a pessoa, mas... Agora que mencionou, eu posso ter sentido um cheiro bem perto de mim quando fui atacada. Um perfume feminino, eu acho. Não sei. Minhas memórias estão meio nubladas quanto àquela noite.

— Por que está fazendo todas essas perguntas a ela? – Renesmee perguntou à Madeline.

— Me desculpe, é quase que uma medida padrão. Já cuidei de muitos feridos por ataques, principalmente nas ruas, e isso era que eu e os outros médicos fazíamos para tentar identificar os agressores. Foi durante o tempo em que tive prática de medicina no hospital público.

— E vocês conseguiam identificar o agressor?

— Geralmente não. Apesar de que a pessoa ferida desse todos os detalhes e até mesmo o nome da pessoa que o agrediu, eram moradores de rua e as autoridades não tinham interesse em ouvir as castas mais baixas nesse tipo de assunto. Ainda mais quando envolviam pessoas de castas mais altas.

— Isso é horrível. – Isabelle suspirou. – Não posso imaginar o sofrimento que essas pessoas passavam, quero dizer, agora tenho uma ideia. A sensação de impunidade é esmagadora.

— Tenho certeza de que o príncipe vai dar um jeito de descobrir quem é que fez isso, Isabelle. Afinal, ele deve zelar pela vida de todas nós aqui dentro. – Sierra garantiu.

— Espero que sim.

— Bom, meninas, agora nossa paciente precisa descansar. Ela já teve agitações demais para uma manhã. – Riley avisou. – Vocês poderão visita-la em outra hora.

— Tudo bem. Voltaremos outra hora.

— Foi ótimo ver todas vocês.

Com um último sorriso, todas se dirigiram para saída da enfermaria. Angelina e Lílian se despediram, partindo para o Salão das Mulheres. Porém, os últimos minutos ali tinham colocado uma pulga atrás da orelha de algumas delas. Mad e Leah eram as que pareciam mais intrigadas.

— Isso está me cheirando muito mal. – Leah comentou.

— O que? – Caitlin questionou.

— Um cheiro de perfume feminino? Que coincidência não? Ela foi atacada em meio a quatorze opções e foi a única.

— Está querendo dizer, o que acho que está querendo dizer?

— Eu não sei o que acha que quero dizer, Caitlin, mas talvez sim. Ela sente um perfume de mulher. E a conclusão sobre a ferida tem bastante coerência.

— Mas ela disse que não tem certeza do que sentiu. Falou que suas lembranças daquela noite são confusas. – Angelina lembrou.

— Entretanto temos que levar em conta que é bem mais possível que tenha sido alguém de dentro do castelo a ataca-la do que alguém de fora. Em primeiro lugar, como a pessoa teria tão fácil acesso ao quarto? Só se estivesse dentro. – Mad concordou com a teoria.

— Vocês estão loucas? Quem seria capaz de fazer algo assim? – Sierra espantou-se, sem acreditar.

— Alguém com muita determinação para retirar Isabelle da competição. Alguém que queira muito ganhar. – Leah pontuou.

— É loucura! E é bom que não fiquem falando essas coisas por aí ou a Daiana vai ficar furiosa.

Sierra partiu, deixando o grupo para trás.

— Fala sério, não podemos esquecer que estamos em uma competição aqui. Aposto que muita gente daria uma mão para ganhar, imagine então sabotar alguém que está a meros passos de distância. Não podemos descartar essa hipótese.

— Eu concordo com você, Leah. Ainda mais depois de ver a Isabelle na enfermaria. Algo está muito errado nessa história.

— Ótimo! Então vai me ajudar a investigar.

— Esperem aí! Vocês duas não estão mesmo pensando em dar uma de investigadoras sobre isso ou estão? – Caitlin perguntou chocada.

— Nós só queremos saber onde isso vai terminar e suspeito que em alguma das garotas naquele salão. – Madeline disse, dando de ombros.

— Eu não posso participar disso. Mas também não vou dizer nada. Apenas finjam que eu não ouvi isso. – E saiu.

— E você, garota nova? – Leah perguntou. – Vai cair fora também?

— Apesar de achar que as duas são um pouco malucas por quererem ir atrás de alguém que tentou mutilar o rosto de uma garota, eu estou dentro. Não vou fingir que não passou pela minha cabeça a mesma conclusão que passou por a de vocês.

— Perfeito! Agora poderíamos deixar o papo furado de lado e começar a buscar nossa trilha de migalhas?

— Acha que a pessoa que fez isso deixou pistas?

— Ninguém comete um crime perfeito. E a começar pelo fato de que a Isabelle surpreendeu nossa agressora, é pelo quarto dela que deveríamos começar a investigar.

— Já estamos tratando-a por ela? – Mad questionou. – Suas convicções são tão fortes assim?

— Eu quase posso sentir o cheiro de armação vindo desta história. Agora, vamos investigar.

As três passearam pelos corredores fingindo serem meras garotas sem ocupações, ludibriando os guardas. Mas a realidade era que agora que a dúvida estava plantada, não poderiam parar até descobrirem o que de fato havia ocorrido naquela noite.

Notas finais
Perdoem qualquer erro. Espero que tenham gostado do capítulo voltado para as meninas, sem nosso Will ♥ Espero vocês nos comentários! Até logo, Selecionadas!