The Queen - Interativa
8 Eight
Notas iniciais
Illíane
Will correu até o escritório do pai. Estava a caminho de convidar mais algumas garotas para conversar, quando um dos criados vieram lhe avisar que o rei requisitava sua presença imediatamente. Assim que chegou a porta do escritório, encontrou Alec.
— Sabe o motivo de nosso pai estar aparentemente furioso? Oscar quase vomitou o recado de tanto medo. – Ele perguntou.
— Tudo que eu sei é que houve alguma confusão perto da cozinha e ele está completamente enfurecido. – O irmão deu de ombros.
— Eu não quero nem imaginar. Vamos juntos?
— Desde que você vá primeiro e me sirva como escudo.
— Obrigado por se preocupar comigo, maninho.
O príncipe empurrou a porta, revelando o escritório do pai. Caius estava de costas para entrada, olhando fixamente pela janela. Homero, o Chefe da Guarda, procurava olhar para qualquer canto insignificante do local, menos para o Rei. Haviam duas outras pessoas na sala. Um soldado que Will via ocasionalmente pelos corredores da parte leste do castelo e uma garota. Ele não demorou a reconhecê-la. Era Korine.
— Pai, o que está acontecendo?
O Rei virou-se então, como se só esperasse sua presença para colocar toda sua fúria para fora. Lançou os olhos flamejantes sobre a selecionada e o guarda.
— Acontece, meu filho, que estava sendo traído por uma garota que entrou nesta Seleção para se casar com você e ser parte desta família! Está maldita garota que foi capaz de cometer um ato gravíssimo, um desrespeito para com a seriedade desta Seleção e para com o príncipe deste país!
— Acho que alguém foi pego se divertindo por aí com a guarda. – O caçula sussurrou, dando um risinho de escárnio.
— Homero, o que houve? – Will perguntou diretamente ao homem, que engoliu em seco antes de falar.
— Amber, a criada da senhorita Willah, estava indo até a cozinha preparar o café da tarde para princesa, quando notou sussurros e ruídos estranhos vindos de um dos armários perto da despensa. Pensou tratar-se de algo muito estranho e abriu a porta, os revelando aos agarros entre os sacos de farinha. – Homero explicou, roxo de vergonha. – Os dois tentaram detê-la para que não contasse nada a ninguém, mas Maria, uma das cozinheiras do castelo, veio logo em seguida e flagrou tudo.
— Mas Korine não estava com as outras selecionadas no Salão das Mulheres? Daiana afirmou que todas estavam por lá.
— Procuramos saber sobre isso também e perguntamos a Carrie, que acompanhava sua irmã no Salão. Ela disse que a garota escapou um pouco depois da saída das outras para encontrá-lo, mas que não disse nada por não ver um motivo aparente. Como todas estavam bastante envolvidas em uma conversa com a princesa e não notaram nada.
— E o que pretendem fazer? – Alec questionou. – A Seleção acaba de começar. Não podemos chegar a sexta-feira sem uma participante. As pessoas vão questionar.
— Essa garota precisa pagar o preço da traição. Ela deve ter uma punição pública e severa, para que nenhuma outra sequer imagine fazer o mesmo! – Caius falou severamente. – Ela será...
— Não!
— Como disse, William? – O pai o questionou, incrédulo e furioso.
— Eu disse que não. Não vou deixar que a levem à praça pública ou apliquem qualquer punição. Se Korine fez isso é por que não quer estar aqui e não podemos obrigá-la a permanecer.
— Príncipe Will, eu... – Korine soluçou, chorando.
— Ela vai para casa. Hoje mesmo. Ninguém além de nós sabe do ocorrido e deixaremos assim. Não vou permitir que a machuquem. Não quero isso pesando em minha alma.
— Você só pode estar enlouquecendo, meu filho. Isso merece uma punição!
— Não na minha Seleção! Sou eu quem vai decidir qualquer coisa que se relacione as selecionadas, então essa é a minha ordem.
— Ela traiu o futuro rei deste país! Como pode dizer um absurdo como este?
— Essa é a minha decisão. – Ele virou-se outra vez à Homero. – Quero que a levem imediatamente para casa dos pais. Sem desvios, sem tocar neste assunto com ninguém. Inventem um mal súbito ou qualquer coisa para justificar sua saída. Não podemos deixar o boato sair desta sala ou iremos enfrentar o descontentamento da população.
— Sim, senhor. – Homero caminhou até a porta, sendo seguido por Korine aos prantos.
— Obrigado... Obrigado... – Ela sussurrou, em meio as lágrimas, enquanto era levada para fora dali.
— E quanto a este verme? Pretende ter compaixão por sua alma também? – O Rei perguntou, cuspindo seu ódio nas palavras.
— Homero vai se encarregar de conduzi-lo de volta para sua família. Está na guarda a pouco tempo, se me lembro bem. Mas nunca mais colocará os pés novamente dentro deste castelo. Vai voltar a viver em sua casta original. Isso é o melhor que posso fazer.
— Obrigado senhor... Agradeço. – O guarda tropeçou até a porta, parecendo querer cair a qualquer momento sob o olhar do Rei.
Caius encarava o filho como se tivesse crescido uma outra cabeça em seu pescoço.
— Você definitivamente ainda tem muito que aprender sobre ser um rei de verdade, William. O respeito se impõe com o cumprimento das regras e da punição aos atos que ferem nossa dignidade.
— Eu jamais ordenaria que açoitassem ou fizessem algo pior para uma garota que mal tem dezesseis anos. Não vou agir como um monstro, que não sou.
— É o correto a se fazer.
— Não. O correto é o que fiz, punindo-a por seus próprios erros e evitando um escândalo que só iria nos prejudicar gravemente com a população. Você não afirmou que a Seleção era um modo de torná-los mais amigáveis, enquanto a crise com os rebeldes é contida? Nós precisamos manter a esperança deste povo em que seu futuro rei pode concertar as coisas, então é o que vamos fazer. Nada de punições públicas.
— Bem, a conversa está realmente interessante, mas temos um probleminha que já mencionei, embora acredite que estiveram surdos nos últimos dez minutos. – Alec comentou, atraindo a atenção dos dois para si. – Perdemos uma selecionada? Como vamos explicar isso?
— Diremos que teve algum problema familiar e retornou para casa. – Will disse.
— Mas a Seleção precisa ter quinze garotas, pelo menos no começo. Então é preciso resolver isso. Só nos restam quatorze.
— Há milhares de inscrições enviadas. Só é preciso escolher outra garota e trazê-la para cá. Qualquer explicação poderá ser dada depois.
— Eu posso escolher? – O caçula perguntou, empolgado.
— Não. – O pai negou. – A nova será escolhida assim como as outras, pela avaliação do conselheiros. Não queremos que hajam fofocas sobre uma possível predileção pela nova selecionada.
— O senhor sabe que os conselheiros olham as fichas e escolhem as mais belas, não é papai? Não há nada de democrático nisso. – Ele revirou os olhos, mas calou-se diante do olhar do pai.
— Então já está decidido. – Will suspirou, longamente. – Precisa de mim ou já posso me retirar?
— Você pode ir. Não acho que qualquer coisa que eu diga, vá entrar em sua cabeça dura. Mas você terá que aprender, William. Não é assim que se governa um povo.
— Acho que teremos alguns problemas por aqui, meu pai. Por que é desta forma que pretendo governar.
Will deixou o escritório e caminhou vagarosamente pelos corredores até a torre leste, onde ficava o quarto de sua irmã. Havia perguntado uma criada no caminho, que lhe informou que ela já estava por ali. Bateu na porta, ouvindo a autorização para entrar logo em seguida.
— Está bravo, Will? Posso ouvir sua respiração lenta e profunda. Me parece que está tentando se acalmar. – Willah perguntou, confusa.
— Você já sabe o que aconteceu lá embaixo?
— Eu ouvi alguns boatos pelos corredores. As garotas ficaram realmente assustadas com a movimentação de agora a pouco. As criadas vieram correndo até o Salão das Mulheres e levaram todas aos seus quartos. Então, o que houve?
— Amber flagrou Korine e um guarda em um dos armários perto da cozinha. Logo, o circo estava armado.
— Oh, não! Isso é verdade?
— Infelizmente, sim.
— O papai deve estar furioso como o inferno. Posso até imaginar o chão tremendo com sua fúria. Mas o que vão fazer agora? Ele vai ordenar que ela seja punida?
— Não. – O irmão suspirou. – Com algum esforço e muita insistência, consegui que ela fosse enviada de volta para casa e o escândalo fosse acobertado. Não quero ter que punir uma garota tão jovem por uma atitude imprudente. Por papai, ela seria levada a punição em ferro e fogo.
— Talvez ela não quisesse estar aqui realmente, Will. Algumas garotas se deslumbram demais quando pensam em se casar com um príncipe, um futuro rei. É melhor ter sido agora, do que no futuro, quando poderia já estar apaixonado por ela ou alguma outra.
— Eu acho que sim.
— E o guarda?
— Ordenei que perca o posto e volte para sua família e casta. Era tudo que eu podia fazer. Por salvar Korine, precisei ser um pouco duro com ele. O rei jamais permitiria que ele continuasse, então acredito ter feito a coisa certa. Era melhor do que ser punido fisicamente.
— Sim, você tem razão. Mas e agora? A Seleção vai prosseguir normalmente ou haverá alguma mudança? – Willah questionou.
— Tudo segue. Vão convocar os conselheiros e escolher uma substituta. Não podemos aparecer na sexta-feira com uma integrante a menos. Iremos inventar qualquer desculpa para saída dela e a entrada de outra.
— O povo já não está muito contente com os rebeldes. Eu entendo sua decisão. Só espero que nenhuma outra queira fazer o mesmo. Elas me parecem tão boas.
— Eu soube que passou a tarde com elas. O que achou?
— São bastante diferentes umas das outras. Cada uma tem uma particularidade incrível de se descobrir. Sinceramente acho que será difícil escolher uma só. Talvez devêssemos ficar com todas por muito tempo, assim eu poderia ter algumas amigas por perto.
— Eu preciso escolher uma delas, Willie. – Ele tocou a ponta do nariz da irmã, que riu.
— Mais isso pode levar um pouco mais do que seis meses, certo? Seria muito divertido tê-las por aqui por um longo tempo. Elas me fazem sentir como aquela Willah de antes, cheia de alegria. E sem contar que finalmente posso fazer coisas de meninas, como as unhas e o cabelo, sem ter dois pentelhos me atrapalhando.
— Alec e eu agradecemos o elogio.
— Tudo bem, eu já entendi que não posso ficar com todas elas. Muito menos você. Então só espero que escolha bem, por que eu já tenho algumas torcidas em segredo.
— Oh, algumas delas já tem a princesa de Illíane como fã número um? É isso mesmo? – Ele riu.
— Talvez, só talvez, algumas delas já tenham ganhado meu coração de irmã.
— Sortudas! Eu tento essa vaga há anos!
— Não se preocupe, maninho. Tenho certeza de que vai escolher muito bem. Agora, me ajude a levantar e vamos pegar alguma coisa para comer na cozinha. Estou faminta.
Os dois saíram do quarto, rindo e brincando pelos corredores até a cozinha. Maria logo veio os recepcionar, assim que os viu entrando. Sentaram-se na mesa dos funcionários e tomaram café, enquanto saboreavam um bolo fresquinho de chocolate. Quase no fim da tarde, passeavam no jardim, quando Alec apareceu com um papel na mão.
— Estava até agora no escritório? Está doente ou algo assim? – O primogênito provocou, vendo a cara de desgosto do irmão.
— Sorte a sua que escapou logo das garras do “todo poderoso”. Eu tive que ficar e ainda ouvir suas reclamações, mas serviu para algo no fim.
— O que poderia ser tão bom assim, Alec?
— Aqui está o nome da mais nova selecionada. – Ele disse abanando o papel onde lia-se um nome: Renesmee Claire Black.
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