The Queen

9 Capitulo 9 - Segredos do Trono


Notas iniciais
Boa Leitura!

POV: Renesmee

Caminhávamos por entre a multidão, cumprimentando a todos com pequenos acenos e sorrisos discretos. Jacob mantinha uma expressão sisuda; ele tentava disfarçar, mas eu conseguia notar que toda a situação envolvendo sua prima o incomodava. A mim não surpreenderia se o suposto filho de Claire fosse mesmo de Jacob. Afinal, os dois viviam se amassando por todos os cantos do castelo.

Ainda assim, essa história não me abalava nem um pouco, pois em poucos minutos seria eu a rainha, e essa criança não lhe garantiria nada além de uma pensão boa o suficiente para sustentá-la em alguma casa de campo longínqua pertencente ao rei, onde ninguém soubesse de sua existência. Contudo, eu duvidava que meros trocados fossem suficientes para calar Claire. Pelo que percebi, ela estava furiosa e não desistiria tão fácil.

Jacob pegou-me gentilmente pelas mãos, conduzindo-me até os degraus da igreja onde seríamos coroados. As portas se abriram, revelando Adrien sentado em uma espécie de trono. Ao seu lado estava Claire, vestida com um traje preto tão horrível quanto as expressões demoníacas que dominavam seu rosto.

Ergui o queixo quando uma música real começou a tocar e caminhamos pelo extenso corredor. Todos nos observavam sorridentes.

O padre nos recebeu, posicionando-nos lado a lado, de frente para o povo que nos assistia ansioso pela coroação. A cerimônia estava prestes a começar, e eu sentia um leve nervosismo. Meus pais estavam em pé, um pouco abaixo de nós, e nos reverenciaram brevemente. Olhei temerosa para minha mãe, que me encarou firme e fez um gesto discreto para que eu mantivesse a postura e erguesse a cabeça.

— Vinde, ó Espírito Santo, e visitai-nos. Implantai em nossos corações a vossa graça. Só através de ti conhecemos o Pai. Seja esta a nossa constante crença, que tu procedes dele. Iluminai nossos sentimentos e enchei nossos corações de amor. Diminuí nossos desejos carnais, fortalecei nossas virtudes sempre… Amém — rezou o padre.

Todos respondemos à oração.

Ele pegou a coroa e, em uma longa e demorada reverência, retirou-a da cabeça de Adrien, colocando-a sobre a cabeça de Jacob, reverenciando-o também. Em seguida, pegou a outra coroa, reverenciou-me e, de forma sutil, colocou-a sobre minha cabeça. Senti meu corpo tremer.

— Com estas coroas, eu solenemente os coroo rei e rainha! — anunciou.

— E aqui estão os dois cetros da soberania — Adrien os entregou a Jacob, que o reverenciou em sinal de respeito. — Honra e graça aos soberanos!

Todos repetiram, reverenciando-nos.

Finalmente, eu me tornara rainha.

Olhei de relance para Jacob, que forçou um meio sorriso, beijou levemente minha bochecha e conduziu-me novamente para o que agora seria a festa de comemoração na corte.

POV: Jacob

A festa estava a todo vapor. Meu tio, agora despojado do título de rei e reduzido a um nobre da corte, poderia aproveitar o resto de sua velhice em um de nossos incontáveis castelos, espalhados por nossos vastos territórios. Ele parecia aliviado por finalmente descansar, sem carregar o peso de um reino nas costas.

Agora, esse peso recaía sobre mim. Este era o meu lugar de direito, minha herança, e eu tinha a obrigação de não desapontar meus antepassados.

Sentado no trono, eu tinha uma visão privilegiada de todos. Meus olhos pousaram em Claire, que dançava sensualmente com Quil. Ela tentava me provocar com o olhar enquanto se esfregava nele. Aquilo me incomodava. Não por amor — eu não sentia amor algum por ela — mas por posse. Era como se o corpo dela me pertencesse e ninguém pudesse tocá-lo.

Aquilo era uma loucura.

Meu desejo por Claire era esmagado pelo fato de eu ter me casado com a mulher mais maravilhosa que já conheci: Renesmee. Eu não me deixaria mais levar por impulsos insanos. Ainda assim, por que eu a queria tanto? Claire parecia ter lançado uma maldição sobre mim.

Só de lembrar que ela foi capaz de empurrar Renesmee em um lago congelado e quase matá-la, balancei a cabeça, tentando afastar aquela imagem da mente.

Outra coisa corroía meu juízo: o suposto filho que ela carregava no ventre. E se aquela criança fosse mesmo minha? Eu seria capaz de fingir que não era o pai?

Deus, me ajude.

Nunca tomamos cuidado em nossas escapadas.

Respirei fundo. Eu era o rei agora. Precisava agir com inteligência. Não podia deixar meus sentimentos me dominarem. Precisava de ajuda… precisava da minha rainha.

Procurei Renesmee pelo salão. Ela estava linda — perfeita naquele vestido. Ela nascera para ser rainha: postura, elegância, inteligência. Agora eu entendia por que Edward deixava Isabella auxiliá-lo nas questões do reino. As mulheres daquela família eram educadas desde pequenas para governar.

Levantei-me, sendo reverenciado a cada passo, e me aproximei de Renesmee e de seu pai. Eles interromperam a dança.

— Será que o senhor pode me conceder uma dança com esta bela dama? — perguntei solenemente.

Ela me analisou.

— O que acha, meu pai? Devo dançar com este homem cortes? — brincou.

Edward riu.

— Uma dança eu concedo, mas estarei de olho de longe.

Sorri, peguei-a pelas mãos e envolvi sua cintura, conduzindo-a pelo salão.

— Vejo que seu humor melhorou, meu rei — comentou Renesmee.

— Percebi que estava perdendo tempo pensando em besteiras.

— Uma dessas besteiras se chama Claire e seu suposto bastardo? — questionou.

— Eu sou fraco — sussurrei.

— Você é humano, Jacob — disse, erguendo meu queixo com delicadeza. — Errar é humano. Se essa criança for sua, acredito que não conseguiria desprezá-la.

— Acha?

— Se assim desejar, eu o apoiarei — afirmou. — Mas, se não conseguir, pode cuidar dessa criança à distância, em um castelo, com amas e servos.

Fiquei surpreso.

— Aceitaria isso?

Ela assentiu.

— Mas Claire não terá favorecimentos. Dela, espero o seu total desprezo.

— Eu já lhe dei minha palavra — garanti.

— Ainda não confio totalmente em você. Parece que ainda me esconde algo — ela disse, analisando-me.

— E eu deveria confiar plenamente em você também? Agora somos casados. Qual é o seu segredo, Renesmee?

Ela empalideceu.

— Não quero falar sobre isso agora.

— Mas terá que falar até o final desta noite.

— À noite conversamos — respondeu, firme. — E quanto a Claire, mantenha-a longe até que tenha essa criança. Depois, sugiro que suma com ela de nossas vistas.

Assenti.

— Espero ansioso pelo final desta noite, minha rainha — sussurrei.

O rosto dela corou, e sorri de canto.

Foi então que Claire passou por nós e pisou na barra do vestido de Renesmee. Ao girarmos durante a dança, o vestido rasgou, chamando a atenção de todos.

— Oh, céus! Perdoe-me, minha rainha! — disse Claire, de forma teatral. — Espero que não me puna por isso.

Renesmee a fuzilou com o olhar.

— Não é por isso que a punirei. Tenho motivos maiores para mandá-la à forca — rosnou.

Aproximei-me, e Claire engoliu em seco.

— Saia daqui! — ordenei.

— Você está expulsa desta festa — Renesmee reforçou, com a mesma autoridade que a minha.

Claire saiu batendo os pés, atravessando o salão e deixando o castelo.

— Vou chamar Arabella para ajudá-la — disse, afastando-me.

Renesmee segurou minhas mãos.

— Não. Venha comigo. Precisamos conversar.

— Não acha que estranharão nossa ausência?

— Logo estarão tão embriagados que nem lembrarão que somos os reis.

Ri.

— Tem razão.

Ela parecia nervosa, mas a segui.

Era agora. Finalmente eu descobriria qual era o segredo de Renesmee Cullen.

Notas finais
Comentem, beijos!