The Queen
6 Capitulo 6 - Ruptura e Redenção
Notas iniciais

POV: Jacob
— Ora, mas o que estais esperando?! — Eliot bradou, empurrando-me com brutalidade.
Sem pensar, pulei dentro do lago levemente congelado. A dor que me atingiu foi tremenda. Logo alcancei o corpo dela a poucos metros da superfície, duro como pedra. Puxei-a para junto de mim; seu corpo estava pesado. Abracei-a com força enquanto nadava para cima. Submergi e, imediatamente, seu corpo inteiro amoleceu em meus braços. Senti sua cabeça cair sobre meu ombro e seus braços balançarem conforme eu caminhava com ela. Meu corpo tremia involuntariamente por causa do frio.
Deitei-a sobre a grama, afastando os cabelos que grudavam em seu rosto. Ela estava branca como papel, com os lábios roxos.
— Quanto tempo será que ela está aí dentro? — Eliot questionou, temeroso.
Engoli em seco, sentindo uma pontada violenta no peito. Renesmee não podia morrer!
— Ela está morta? — Claire surgiu, tentando espiar por cima dos meus ombros. Não havia pesar algum em sua voz.
— Claire! Saia de cima de mim! — disse, quase berrando, fazendo com que ela se afastasse no mesmo segundo.
— Não precisa ser rude, Jake — choramingou, irritante, atrás de mim.
— Cala a boca, Claire! — bradei, olhando-a por cima dos ombros. Ela me lançou um olhar bravo e, enfim, ficou em silêncio. Sua voz estava me irritando. Raios!
— O que faremos? — Eliot se abaixou ao meu lado, olhando apreensivo para a garota inerte deitada na areia.
A culpa que eu sentia estava corroendo meu cérebro e me impedindo de pensar com clareza. Eu queria que ela acordasse para que eu pudesse pedir desculpas por tudo o que lhe disse. Seus olhos assustados e magoados vagavam pela minha memória como flechas. Vê-la ali, praticamente morta, pesava em minha consciência. Eu precisava salvá-la. Foi apenas naquele momento, naqueles átimos de segundo, que percebi que não poderia perdê-la. Só a ideia me causava náuseas.
Balancei a cabeça, tentando pensar.
— Por Deus, Jake, faça algo! — Eliot me empurrou, fazendo-me despertar.
Engoli em seco, voltando meus olhos para Renesmee.
Juntei minhas duas mãos em seu peito, sem saber muito bem o que estava fazendo, e comecei a pressionar para baixo, empurrando, massageando. Parava e soprava ar em sua boca, intercalando. Fiz isso por um tempo e nada mudou. Ela continuava imóvel.
— Não faça isso comigo, Renesmee… Vamos, vamos! — dizia enquanto pressionava seu peito com mais força.
Para minha surpresa, seu peito subiu sozinho em uma única e violenta respiração. Em seguida, ela expeliu muita água pela boca, tossindo. Seu corpo inteiro começou a tremer por causa do frio intenso.
Respirei aliviado.
Seus olhos encontraram os meus, e uma expressão furiosa tomou conta de seu rosto. Talvez eu não devesse ter ficado tão aliviado assim.
POV: RenesmeeMeu peito ardia de um jeito pavoroso, assim como meu nariz e minha garganta. Meu corpo inteiro tinha espasmos involuntários por causa do frio que eu sentia naquele momento. Parecia que eu estava congelando de dentro para fora.
Abracei meu próprio corpo, fitando as pessoas ao meu redor. Jacob e Eliot estavam agachados à minha frente, e Claire permanecia em pé a alguns metros atrás, observando tudo em absoluto silêncio.
— Eliot?! — chamei, sentindo meus dentes baterem uns nos outros.
— Sim? — respondeu, curvando-se um pouco até mim, com feições preocupadas.
— Me ajude a levantar, sim? — pedi, sentindo minha voz falhar.
Ele assentiu, segurou minhas mãos e me puxou para cima. Senti seu braço envolver minha cintura, sustentando-me em pé. Minha cabeça girou, e deixei que ele sustentasse meu corpo.
— Respire fundo — disse ao meu ouvido, calmo.
Assenti obediente. Inspirei profundamente, sentindo dor nos pulmões, três vezes, até que a tontura passasse e eu conseguisse ficar em pé sozinha.
— Obrigada — agradeci, soltando-me dele, embora ele ainda permanecesse próximo.
Jacob me observava atentamente. Então fitei Claire e caminhei até ela a passos firmes. Ela recuou, mas eu não parei. Estiquei meus braços — que naquele momento nem pareciam meus — e, mesmo fraca, alcancei seus cabelos, puxando-a para baixo e fazendo-a cair no chão.
Ela gritou, surpresa, tentando se defender em vão. Montei sobre ela rapidamente, prendendo seus braços sob meus joelhos e enrolando seus cabelos em minha mão como se fossem as rédeas de uma égua.
— Sua vagabunda! — dei um forte tapa em seu rosto, e ela chiou de dor. — Achou que ia se livrar de mim, não é mesmo? Sua mau-caráter! — bradei, desferindo outro tapa que a fez gritar.
— Me solte, sua louca! — implorava, e eu negava.
— Eu juro que vou acabar com você, sua meretriz de quinta categoria! — prometi, dando dois tapas seguidos em seu rosto, completamente enfurecida. Ela choramingou.
Senti braços envolvendo minha cintura e me levantando do chão, afastando-me dela. Seu rosto estava em chamas, completamente vermelho e inchado. Vi que era Eliot quem me segurava, pois Jacob observava toda a situação parado, como uma múmia.
— Olhe para mim! — berrou Claire, levando as mãos ao rosto.
— Isso é pouco para você, sua maldita! — grunhi.
— Renesmee, acalme-se — Eliot pediu, e eu assenti.
— Tudo bem, pode me soltar. Não pretendo mais sujar minhas mãos com estrume de égua por hoje — disse.
Ele me soltou lentamente, provavelmente preparado para me segurar novamente caso eu tentasse algo.
— Muito bem, Black! Se o problema era surrar Claire na sua frente, está feito! — declarei. Jacob continuava me olhando sério, sem reação. — Eu lhe avisei às escondidas, mas posso dizer em alto e bom som para quem quiser ouvir, Claire: juro que, quando me tornar rainha, não pouparei esforços para acabar com a sua raça. — Apontei em sua direção. — E, caso não queira morrer, tenho uma oferta. Ou isso, ou conto a todos sobre o caso podre de vocês.
Eles me fitaram.
— Então faremos um trato. Eu não conto nada a ninguém sobre o caso pobre de vocês dois, e arrumamos um marido para essa promíscua para ontem — sugeri.
— Nunca! Eu serei rainha! EU! — ela veio em minha direção, mas permaneci imóvel.
— Juro que, se encostar em mim, faço um escândalo agora mesmo — ameacei.
Foi então que Jacob finalmente deu sinal de vida, puxando Claire com violência para trás.
— Aceito sua oferta generosa, Cullen — sua voz surgiu do nada.
Ele não me olhava; fitava Claire com ódio explícito nas feições e no tom de voz.
— O QUÊ?! — ela berrou.
Jacob lançou-lhe um olhar lascivo de raiva; seus dentes estavam trincados.
— Foi você, não foi? Empurrou Renesmee dentro do lago.
Respirei o ar frio e, em seguida, o prendi. Meu corpo voltou a tremer violentamente; a adrenalina provavelmente havia passado.
— E-eu? Ora, como podes pensar algo assim de mim? Eu…
— Sim, Claire empurrou-me dentro do lago — declarei firme —, admitindo, com um sorrisinho de vitória, que tinha conseguido fazer a cabeça de você, soberano, mais uma vez.
Meus dentes voltaram a bater. Encolhi-me e senti minhas costas encostarem no peito de Eliot. Ele passou os braços ao redor de mim, tentando me aquecer. Suspirei, aproveitando o máximo de seu calor. Claire, por outro lado, me lançava um olhar mortal.
— Como pude ser tão tolo? — Jacob bradou, com os punhos fechados. — Realmente tens razão quando dizes que sou uma criança. Como posso pensar em assumir um reino se não sei nem perceber quando me fazem de… de BOBO?!
Ele me olhou, triste e decepcionado consigo mesmo. Ignorei, abaixando a cabeça.
— Vou arranjar um jeito de sumir com você de nossas vidas, Claire — Jacob bradou, enfiando o dedo no meio do rosto dela, que se encolheu. — De agora em diante, está proibida de se aproximar do futuro rei. Juro que, se tentar, mandarei os guardas arrastá-la para as masmorras, e não me importa se és filha de Adrien ou não!
Claire não retrucou como costumava fazer. Talvez, finalmente, tivesse tido um vislumbre do rei que Jacob pode se tornar. Eu, por outro lado, vi ali um homem de atitudes firmes. Um sorriso se abriu em meu rosto.
— Suma daqui — rosnou Jacob entre dentes.
Claire saiu correndo, aos prantos, como uma louca.
— Ela fará fofoca ao Adrien — Eliot advertiu.
— Não me importo. Ele fará o que eu quiser. Eu vou ser o rei deste maldito reino — Jacob praguejou, seguro de si.
Então seus olhos se voltaram para mim, que tremia descompassadamente.
— Vamos tirar você daqui.
Ele se aproximou, e eu me encolhi ainda mais junto a Eliot, que respirou pesado.
— Deixe que eu cuido da futura rainha. Amanhã, com mais calma, vocês podem conversar — disse Eliot.
Graças aos céus. Parecia ter lido minha mente.
Jacob me olhou com pesar, mas desviei os olhos.
— Faça isso — respondeu por fim, seguindo em direção ao castelo.
Suspirei aliviada.
— Deve estar congelando. Vamos — Eliot disse, ajudando-me a caminhar. Minhas pernas pareciam blocos enormes de gelo.
— Obrigada — sorri gentilmente.
Ele afagou meus cabelos molhados.
— Disponha — devolveu o sorriso amigável de sempre. — Venha.
Ele me pegou no colo, e eu o encarei surpresa.
— Ora, posso andar — argumentei.
— Assim evito que congele e vire uma estátua de gelo enfeitando este jardim — brincou.
Ri e assenti. Deixei minha cabeça repousar em seu ombro e enfiei minhas mãos por dentro de suas vestes, buscando calor. A dormência começou a ceder conforme sentia seu calor em minha pele. Seu cheiro era agradável; aquilo me inebriava. Meus olhos foram se fechando, como se eu tivesse sido embalada.
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