The Queen
12 Capitulo 12 - A verdade de um encarregado
Notas iniciais

POV: Renesmee
Enquanto eu balançava sobre aquele cavalo, martirizava-me em silêncio, culpando-me mais uma vez pela minha covardia. Tentava entender por que nunca conseguia me entregar completamente. Jacob cavalgava um pouco à frente, ao lado de Eliot. Quil vinha logo atrás de mim, montado em um cavalo de pelos escuros. Alguns metros depois, um cavalariço conduzia a carroça com nossos pertences e provisões para a viagem. Soldados nos cercavam, garantindo nossa proteção.
Meu corpo estava cansado, mas o ar fresco da floresta tornava a jornada mais agradável. Olhei para Jacob, posicionado com elegância sobre o cavalo — as costas largas, as mãos firmes segurando as rédeas. Um arrepio percorreu meu corpo ao observá-lo, mas, ainda assim, eu nunca conseguia me entregar por completo. Apertei os olhos, lembrando-me da última noite que passamos juntos.
Flashback OnEle caminhou lentamente até mim, e senti um frio no estômago, prendendo a respiração. Sua mão se ergueu, e ele alisou meu rosto em um carinho delicado. Suspirei, fechando os olhos, mas um cheiro diferente em sua mão me fez abri-los imediatamente. Afastei-me, enojada. Jacob me olhou sem entender minha reação.
— Onde esteve, meu rei? — questionei.
— Eu? Por que a pergunta? — respondeu, afastando-se.
— Responda! — ordenei, severa.
— Fui ver meu tio.
Soltei um risinho irônico.
— Claro. Como pude ser tão tola a ponto de pensar que não correria aos ouvidos dele para contar meu segredo? O que ele lhe aconselhou? Que me devolvesse imediatamente? Ou talvez que assumisse o bastardo da sua prima como herdeiro do trono?
— CALE-SE! — Jacob bradou, virando-se para mim. — Pare de falar desenfreadamente! Nunca faria isso!
— É mesmo? — retruquei. — E depois de ver seu tio, onde esteve?
Ele engoliu em seco.
— Voltei para cá.
Sorri, debochada.
— Então por que está com cheiro de mulher nas mãos?
— Renesmee, eu posso explicar…
— Cretino! — gritei, atirando um vaso de flores contra ele. O objeto se espatifou na parede.
— Por Deus, pare com isso! — Jacob segurou meus braços e me deitou na cama, prendendo-me com o corpo até que eu parasse de me debater.
— Solte-me imediatamente.
— Vai me ouvir?
Respirei fundo e assenti.
— Claire me encontrou no corredor — disse ele. — Ela me encurralou, colocou minha mão sob suas vestes e…
— Chega! — interrompi, levando a mão ao estômago.
— Eu não…
— Não ouse dizer que não teve culpa! — rebati. — Rei podre, encurralado e estuprado por uma prostituta grávida!
Soquei seu peito. Ele fechou os olhos.
— Perdão, minha rainha.
— Estou farta dos seus pedidos de perdão. Saia daqui. Deixe-me sozinha.
Ele saiu sem dizer mais nada.
Senti que jamais me livraria daquela mulher. Claire sempre estaria entre nós. O sentimento que eu nutria por Jacob se transformava em raiva, quase sempre por culpa dela. Eu estava esgotada. Desde o casamento, não consumamos nossa união. Sempre havia um obstáculo.
Flashback OffO lado bom daquela viagem era que eu ficaria longe de Claire por algum tempo. O sol se punha à nossa frente, e um vento gélido chicoteava meus cabelos. Jacob parou o cavalo e ordenou que a comitiva fizesse o mesmo.
— Vamos parar por aqui. A noite se aproxima.
Desceu do cavalo com elegância. Engoli em seco.
— Quer ajuda, minha rainha? — Eliot se aproximou.
Assenti, descendo com seu auxílio.
— Obrigada, mas pode me chamar de Nessie.
Ele sorriu, negando com a cabeça.
— Não acho apropriado. O rei mandaria cortar minha cabeça.
Suspirei, perdendo o sorriso.
— Acho que ele não se importaria tanto.
— Por quê? — Eliot tocou meu ombro.
— Ele se importaria mais se você prestasse favores à prima dele do que a mim.
Eliot hesitou.
— Quil tem mais a dizer sobre Claire do que eu.
Franzi o cenho.
— Do que está falando?
— Prometi não falar, mas talvez você devesse conversar com ele.
Assenti.
— Farei isso.
Antes de sair, Eliot falou com cuidado:
— Jacob nunca amou Claire. Ele sente posse, não amor. Enquanto você se afastar, ela se aproximará.
— Nunca aceitarei traição.
— Ele só será o rei que nasceu para ser se você o ajudar. Ele faria qualquer coisa por você… até matar Claire.
Aquelas palavras acenderam algo em mim.
— Deveríamos conversar mais vezes.
Ele sorriu.
— Sempre à sua disposição, minha rainha.
Jacob se aproximou.
— O que tanto conspiram? Planejam minha morte?
Eliot provocou, e Jacob fechou a expressão.
Pouco depois, pedi para falar a sós com Quil.
— Teve intimidade com Claire desde que voltou? — perguntei.
Ele engoliu em seco.
— Sim… forniquei com ela algumas vezes.
— E sabe que ela está grávida?
— Sei… mas ela me proibiu de vê-la. Disse que me mataria se eu contasse que o filho é meu. Queria que o rei assumisse a criança.
Respirei fundo.
— Você contará tudo ao rei. Assumirá sua responsabilidade. Se ela se recusar a casar, será enviada para uma casa distante, sustentada até a morte.
— Sim, minha rainha.
Jacob saiu de uma tenda.
— Espere aqui — disse a Quil.
Fui até Jacob.
— Quil precisa falar com você com urgência.
— Parece sério…
— Vá agora. É importante que saiba disso por ele, não por boatos.
Jacob segurou minha mão e beijou-a.
— Certo.
Vi-o se afastar apressado.
Arabella se aproximou.
— Deseja se limpar antes do jantar?
Sorri.
— Sim, vamos.
Pela primeira vez em muito tempo, senti-me um pouco mais leve. Talvez, finalmente, eu estivesse prestes a me livrar de Claire.
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