The Queen
11 Capitulo IX
Notas iniciais
– Como foi sua tarde? – questionou o rei certo momento durante a noite, ele tinha o rosto repousando entre os seios desnudos da esposa, enquanto a jovem brincava com os cachos avermelhados.
– Muito boa, — afirmou com um leve sorriso, os dedos afundando cada vez mais entre os cachos macios do marido. – as ladies e eu exploramos o castelo, e depois passamos o resto da tarde no jardim de vidro.
– Gostaria de tê-la levado até lá. – disse se acomodando para encarar melhor a esposa.
– Teremos uma vida inteira de oportunidades para que você me leve até lá.
O sorriso contente da jovem foi aos poucos sendo substituído por uma expressão mais séria.
– O que houve? – pediu preocupado passando a mão no rosto da esposa.
– Ouvi alguns boatos, cochichos das criadas e esposas de seus lordes, — mentiu, Elaena sabia que não deveria colocar o nome dos irmãos no meio, caso contrario, quando o rei soubesse que Godrik compartilhou dos lençóis de lady Talisa, ele saberia que foi tudo premeditado. – Elas dizem que Vossa Majestade trouxe sua amante para viver sob o mesmo teto que sua esposa, que pretende mantê-la aqui. – a voz da loira soou um pouco mais baixa. – Não sei se posso aceitar dividir meu marido com uma amante Robb.
Robb entendeu o motivo da momentânea tristeza que havia se abatido sob Elaena, ele sempre soube que cedo ou tarde as fofocas a cerca de sua relação com Talisa viriam a tona, e que muito provavelmente a presença da mulher na fortaleça tenha alimentado ainda mais os boatos.
– Não há nada entre lady Talisa e eu. – afirmou, segurando o rosto da esposa e a fazendo encara-lo.
– Mas já houve, não? – ela queria que ele contasse para ela, queria saber tudo por ele mesmo e não fofocas soltas pela corte.
O ruivo suspirou.
– Durante a guerra, muito antes de nosso casamento, antes mesmo até que do meu primeiro casamento – começou. – conheci Talisa no campo de feridos, ela estava ali como enfermeira, aquilo me impressionou, o que uma jovem de classe alta de Volantis fazia em meio a uma guerra que sequer era dela? Ela se voluntariou para cuidar de feridos, não importava a que lado o soldado pertencesse, — relatou – acho que eu me apaixonei por sua coragem e valores, — comentou com uma risada fraca – eu passei noites com ela, teria me casado com ela ali se não fosse por meu compromisso prévio com uma das ladies Frey, eu era não mais do que um garoto naquela época, tinha pesadelos sobre a aparência da minha futura esposa e de meus futuros filhos, sabe, os Frey definitivamente não são conhecidos por serem bonitos — contou – mas me casei com a garota Frey da mesma forma, deixando qualquer envolvimento com Talisa no passado.
Ele deu uma longa pausa, Elaena não esboçava nenhuma reação.
– Pouco antes que recebi a carta de seu pai, Talisa chegou – explicou – ela achava que, agora que eu era viúvo, poderíamos nos casar, como era minha intenção inicial, mas eu logo estava noivo novamente, eu tinha que pensar como rei, escolher como um rei, e eu escolhi, escolhi a esposa que me traria exércitos e meios de manter minha campanha de guerra, a esposa que me permitiria cuidar do meu povo e de seus interesses, eu escolhi você sem nem a conhecer. – por mais que doesse a rainha entendia, não era de se supor que ela pudesse se apaixonar por ele, e nem que ele poderia nutrir sentimentos por ela, no começo eram apenas negócios para garantir uma coroa. – Ela permaneceu mesmo assim, mesmo sabendo que eu me casaria em breve. Mantivermos um caso durante dois meses, nossa relação acabou um dia antes de nos casarmos, eu a deixei definitivamente na manhã de nosso casamento. Não tive qualquer contato com ela hoje.
– Ela vai permanecer aqui? – questionou a rainha depois de ouvir ao relato do marido.
– Ela permanecerá na fortaleza de lorde Umber. – explicou.
– Eu não posso viver na sombra dos seus sentimentos por ela. – afirmou a rainha se afastando um pouco do marido. – Nunca poderemos tentar realmente ser um casal com ela por perto, não pode haver três nesse casamento, — ela deu uma breve pausa. – eu me sentiria insegurança e ameaçada, e eu não quero viver assim.
– Nós iremos construir um amor, da mesma forma que foi com os meus pais, – ele afirmou segurando as mãos da loira. – forte e duradouro.
– O que quer que eu faça? – perguntou exasperado, não queria ver sua esposa infeliz, mas não sabia ao certo que atitude deveria tomar.
– Mande-a de volta para Volantis. – pediu Elaena. – Aqui não é o lugar dela, nunca me sentirei confortável aqui com a presença dela me assombrando.
– Ma... Se essa é sua vontade. – ele concordou. – Só peço que me de um tempo para pensar em como fazer isso.
A rainha sorriu, beijou os lábios do marido e o abraçou de lado. Ela havia conseguido o que queria.
– Se quiser poço falar com ela. – ele a encarou estranho no mesmo momento em que ela sugeriu tal coisa, Elaena então explicou: — Somos mulheres, podemos nos entender, tenho certeza que ela ira entender melhor se for eu que falar com ela, se você for ela fará um escândalo, pois sabe que isso pode lhe comover. – ela subiu no colo do marido, distribuindo beijos por seu pescoço e peito, o distraindo da conversa, ela o sentia se excitar novamente em baixo de si. – Concorda?
Robb assentiu excitado demais para pensar com o que estava concordado, talvez fosse cedo para dizer que a amava ou que estava apaixonado por Elaena, mas ela fazia com que algo se aquecesse dentro dele, ele se sentiu um garoto perto dela, não um rei, ela o encantava, o enfeitiçava, e olhando dentro dos azuis dos olhos dela ele podia ver um futuro para eles.
O fogo crepitando na lareira era a única fonte de luz do quarto. O solar ocupado por Caesar e seu irmão ficava em uma torre alta, com uma ampla janela com vista para o pátio de treinamento, não era uma vista particularmente bonita ou inspiradora, mas os príncipes Lyazar não eram aquele tipo poético de cavaleiros que dividem suas tardes entre torneios, cortejar belas damas, escrever sonetos e compor melodias tristes e românticas.
– Quanto tempo até os soldados aportarem em Westeros? – questionou Henrik ao irmão, Caesar estava confortavelmente sentado em uma poltrona próxima à lareira, observando atentamente o liquido em seu cálice enquanto o irmão atiçava o fogo.
– Um mês e meio, dois no máximo, eles já começaram a se mobilizar, vão parar nas cidades livres, e então seguem para Westeros. – respondeu.
– O que você disse ao rei e aos seus lordes?
Caesar soltou uma risada nasal, que Henrik interpretou como sarcástica, principalmente ao ver o sorriso irônico nascer no resto do mais velho. O príncipe voltou o rosto para o irmão.
– Disse que os navios com nossos exércitos deveriam chegar em quatro ou cinco meses, e que até lá a fortaleza seria protegida pela guarda da rainha. – contou. – Robb Stark e seus lordes devem partir para a guerra em um mês, talvez um pouco mais.
– Porque você mentiu? – questionou intrigado.
– Sinto o cheiro de traição. – explicou. – Tenho olhos e ouvidos em todas as partes, e meus olhos e ouvidos também veem traição.
– Não deveria contar ao rei? – Henrik era um bom rapaz, um excelente cavaleiro, mas Caesar via nele a inocência da infância, a pureza de alguém que ainda não havia sido contaminado pelo mundo, alguém que ainda não entendia dos jogos de poder existentes naquela sociedade deles.
– Não. – respondeu simplesmente. – Algumas informações valem ouro, e o que podemos adquirir agindo a partir delas mais ainda, é preciso ter certeza. – Henrik o encarava, absorvendo as palavras do irmão mais velho. – E só então nós agimos. Por isso ninguém além de nós e de meus generais deve saber da previsão de quando o exercito chegara.
– Quer que tenhamos o elemento surpresa. – concluiu o mais novo.
– Quero que os traidores ajam, para que possamos agir contra eles. – afirmou Caesar bebendo do cálice de vinho, e então concluindo sua linha de pensamento. – Quero que Robb Stark confie em nós.
– Lady Sansa. – a jovem ruiva se virou assim que ouviu a voz melodiosa chama-la, sorriu ao ver a cunhada correndo com delicadeza até ela, deixando suas damas de companhia para trás.
– Vossa Majestade. – Sansa ia fazer uma reverencia polida ao que foi interrompido pela própria rainha, que a segurou pelos ombros, a mantendo em pé.
– Não seja boba, — disse sorrindo docemente, enquanto soltava os ombros da mesma – somos irmãs agora, como eu já disse antes, cortesias polidas não são necessárias entre nós, ao menos não em privado, você me chama de Elaena e eu a chamarei de Sansa.
– Sim. – concordou alegre, Sansa ha algum tempo não tinha uma companhia nobre de sua idade, antes da guerra ela tinha Jeyne, desde que regressara à Winterfell sua companhia mais frequente era lady Catelyn, Arya, selvagem como sempre passava seu tempo com os rapazes, com Gendry em especial, o bastardo Baratheon sob proteção do Rei do Norte.
– Minhas damas e eu iremos cavalgar, pedimos à lady Catelyn que permitisse a presença de Bran e Rickon, meu irmão Henrik virá também. – informou, foi só então que a Stark notou as roupas de montaria de Elaena.
Elaena vestia calça de couro, que apesar de ser um escândalo para muitas das senhoras parecia perfeitamente adequada ao corpo da jovem rainha, a camisa de linho branco estava ajustada no corpo da mesma por um corpete de veludo vermelho e dourado, e por cima, para mantê-la aquecida contra o frio, havia uma longa casaca de veludo negro, que se ajustava no corpo como um vestido, mas ainda permitindo a visão de seu escandaloso traje de montaria, as ladies pouco atrás dela se vestiam de forma semelhante.
– Gostaria de vir conosco? – perguntou com um sorriso esperançoso de que a ruiva aceitasse.
– Adoraria. – respondeu pensado que seria interessante passar um tempo na companhia da rainha e suas damas, e é claro, de príncipe Henrik.
– Maravilhoso. – Elaena comemorou, um sorriso alegre se formou no rosto que ainda apresentava formas infantis. – esperaremos por você próximo ao pátio de treino.
O motivo que levou a rainha e suas damas a esperarem no pátio de treino não foi um simples acaso. O rei estava treinando com seus guardas, e duelaria com Caesar, Elaena não perderia por nada a oportunidade de vislumbrar os dois em uma luta. Soldados, guardas e civis se reunião ao redor do pátio para assistir ao duelo do Jovem Lobo e do Príncipe Negro.
Rei Robb lutava com a longa espada Gelo, enquanto o príncipe duelaria com duas espadas, revelando sua capacidade ambidestra; as espadas que surpreendentemente eram lâminas de aço valiriano eram conhecidas como Gêmeas Sombrias.
O irmão da rainha lutava tão bem quanto o Jovem Lobo, qualquer lorde e até mesmo os civis podiam ver, era eletrizante vê-los cruzar lâminas, uma cena digna de canções, pareciam dois titãs cruzando armas. Robb era forte, rápido e feroz. Caesar era gracioso, astuto, e aplicava fúria em cada golpe. A aparência soturna e silenciosa do príncipe escondia ferocidade em combate, o Rei do Norte via em seu cunhado um oponente admirável, e um aliado desejável.
Elaena descia a escada de madeira para o pátio, quando viu as lâminas de ambos chegarem muito próximas um do outro.
– Meu rei, imploro que ao menos poupe o rosto de meu irmão nesta luta, não gostaria que meus filhos tivessem um tio deformado. – gracejou, os dois homens pararam de cruzar espadas ao ouvir a voz da mesma, ambos sorriram para ela.
O sol pálido da manhã parecia reverenciar a beleza da rainha, mostrando-a ainda mais bela naquela luz fraca.
– Irmão. – ela beijou o rosto do irmão com afeto, antes de se voltar para o marido. – Meu senhor. – antes que ela pudesse sequer reverencia-lo, ele a puxou pela cintura, beijando a loira com gentileza.
Não era um beijo como o qual costumava trocar quando estavam só os dois no quarto, este era mais contido, mas igualmente apaixonado.
– Vai passear com suas damas? – questionou o rei, encarando a esposa e as moças que a seguiam, todas vestidas para passeio.
– Iremos cavalgar na Mata dos Lobos. – sem dar a oportunidade para que Robb falasse algo continuou – Bran, Rickon, Sansa e meu irmão Henrik virão conosco, assim como Cão Felpudo e Verão. – informou – São bestas assustadoras, e tenho certeza que nada de mal nos acontecera com elas por perto. – comentou enquanto contornava as placas de couro no gibão do ruivo. – Quando poderei conhecer seu lobo? Disseram-me que se chama Vento Cinzento.
– Mandei que o mantivessem preso, não queria assusta-la. – explicou – Pretendia esperar pela oportunidade certa de apresenta-los propriamente. – brincou beijando levemente os lábios da esposa.
– Será que ele me aprovará? – um sorriso zombador se abriu nos lábios da rainha.
– Quem seria louco o bastante para desaprova-la senhora?- ela riu com graça, rapidamente se lembrando de que estavam em publico.
– Bem, senhores, creio que já tomei demais o tempos de Vossa Majestade, permitirei agora que meu senhor retorne a seu treino. – disse para todos os presente, no entanto sem tirar os olhos do marido.
Fez um reverencia em sinal de respeito e se retirou para junto de suas damas de companhia, aguardando a chegada de Sansa, para o inicio do que prometia ser uma tarde agradável.
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