The Queen
25 Parte I - Você é a arma perfeita
Notas iniciais
Autor
Momentos antes de Sasuke acordar e ver o que Sakura se tornou, esta vira o próprio pesadelo diante de seus olhos.
Logo após ser mordida por Sasori, Sakura entrou em uma nuvem negra inconsciente e tenebrosa. Sasori levou o corpo da garota até o local onde seu mestre estava.
Ele reapareceu diante uma entrada dourada incrustada no vazio. Parecia que a dimensão tivesse simplesmente rachado ao meio e aquilo era uma mera fenda. Ele curvou-se e entrou.
E desceu.
Não havia nada além de nebulosas roxas, negras e azuis. Tudo com a aparência de morto ou estava sendo. Então sentiu seus pés tocarem algo sólido e simplesmente parou.
Sasori, com Sakura no colo, olhou para frente. Para um garoto que estendia as mãos diante de uma enorme besta. O longo cabelo negro esvoaçando sem a gravidade. Sasori tremeu quando encarou a criatura.
Tão terrível e tenebrosa. Derivava o próprio medo, não necessitava ter uma forma. Na verdade parecia ser tudo e nada, ao mesmo tempo. Tudo o que mais odiava.
Mesmo sendo um vampiro, Sasori congelou diante o medo, seu corpo pareceu desabar diante a cena. Quis soltar-se rapidamente de Sakura e fugir para o mais longe possível.
_Onde acha que vai? — Drácula perguntou, e Sasori se manteve. Não sabia o que seria pior, aquela besta ou aquela criatura que habitava um corpo humano. No momento que este se virou para encara-lo, a besta acorrentada sorriu e transformou-se nele.
Naquele momento, Sasori percebeu, nunca sentira tanto medo na vida.
_Impressionante o seu poder, criança. — A besta falava, e sua voz era metálica e destruidora, a única coisa que realmente a diferenciava do verdadeiro Drácula. Além de seus olhos, eram negros por fora e dourados dentro, como se pegasse fogo. — Ele chega a ter mais medo de você do que a mim, o Senhor do Inferno.
Drácula sorriu.
_Sasori, o que trouxe para mim? — Perguntou e sua voz era doce e oscilante. Suas decisões não podiam ser pre-medidas, não havia uma consistência. Era como brincar com uma balança sempre, com o resultado sempre pendendo a negativo, positivo ou neutro.
O ruivo fraquejava de temor, seus braços sucumbiam a desabar, como um prédio sendo destruído. Lutando contra o tremor, ele encarou o jovem, estendendo a mulher para este.
A besta eriçou em contentamento, salivando em ácido e presas nasceram de sua boca. A bela aparência que tinha tomado, deformava-se como uma máscara de cera em alta temperatura.
_É a sua mãe... — Sibilou e Drácula o encarou, severo e superior. Apesar do título da criatura ser muito superior a de Drácula, este pareceu ter o total poder sobre a besta, que conteve sua ânsia pela rosada.
_Nunca tocara nela, Maior. Ela não é sua.
_Senhor, — entrometeu-se Sasori com uma curiosidade insaciável, de origem humanoide e antiga. — quem é este que vos fala?
Drácula erguera a sobrancelha em tom de displicência.
_Ora, não reconhece? — E encarou a besta, a procura de uma resposta.
_Não sou tão famoso como o Diabo ou como seu pai, Lucian.
Sasori não entendera sobre quem a besta falara ao mencionar Lucian, achara ser um outro ser diabólico, não que fosse seu próprio senhor.
_Chamo-me Sinner, Rei dos Pecados. — Ele falou e por sarcasmo, fez uma reverência.
Drácula sorriu e encarou Sinner.
_Sinner não pode sair do abismo de Tártaro, o local onde estamos. — Por reflexo, Sasori olhou ao redor, notando a profundeza do local. Drácula parou de sorrir, ficando repentinamente sério. — Ele destruiria tudo antes que eu pudesse brincar. Sinner, o Demônio Maior, preso pelo próprio Diabo, responsável pela destruição de Sodoma e Gomorra.
Sasori havia ficado pálido, o corpo de Sakura tornava-se mais translúcido.
_Achei que fosse mito, lenda...
Drácula ergueu a sobrancelha.
_Nós também devíamos ser. — Ele olhou ao redor, encarando o vazio. — Só há um local pior do que este. E foi de lá que eu vim.
Um segredo revelado somente a alguém que já esta morto, pensou Lucian que encarava Sakura num contemplo visível. É inexplicavelmente complexo o que ele sentia por ela.
Não dividiria o sentimento em positivo e negativo, tais como amor e ódio. Talvez esse sentimento não esteja a nível de qualquer ser ou criatura. Lucian queria tudo o que pudesse ter. Era uma criança, como deveria ser, neste aspecto. Agarrava tudo o que podia e faria de tudo para nunca soltar e nunca dar a ninguém.
Sakura era mais almejada. Como um grande objeto, brilhante e bonito, que todos almejam. Não só como filho, mas como namorado e amante. Lucian sentia um misto de desejo e pavor, uma completa loucura.
Ele necessitava somente dela, nem que tivesse que destruí-la completamente, deixando somente a carcaça. Mesmo que restasse somente seu corpo, ele a teria. Mesmo que ela morresse, ela o pertencia.
Mal sabia a garota do poder destrutivo que tinha. O quanto o destino teria sido cruel a ela por portar um dom mais precioso do que o próprio equilíbrio. Um poder digno de nunca ter existido, incapaz de ser resumido em uma palavra, mas somente no conjunto de todas elas.
Sakura, por si, era poder. Ter seu corpo, sua mente, sua alma era a dominação completa de seu universo. Do universo de qualquer um. Pois esta era a verdade.
Quem possuísse Sakura, teria Lucian nas mãos.
E Sinner sabia disto.
Do poder da criança mestiça. Metade anjo, metade demônio. Metade feiticeiro, metade vampiro. A liberdade de entrar e sair do Paraíso ou do Inferno. Por esse poder foi que ele o escolheu. Não por pena ou compaixão, como qualquer outro pensaria. Não, a alma desta criança era a razão da felicidade de todos.
Talvez, para uma criatura humana seja demais, doloroso e imaculável. Mas para os demônios foi como clemência, poder e liberdade.
Uma alma pura, santa, sem nenhum vestígio de maldade ou bondade, jogada no Purgatório. Uma página em branco, que poderia ser tomada por qualquer cor. Nenhuma criatura a não ser os alados e os demônios sabiam deste poder.
Sakura nunca deveria ter tido este filho. Nunca deveria ter amado e confiado num vampiro. Nunca deveria ter "dormido". Mas aquilo tudo aconteceu, e graças a esse feito, Lucian, a Folha em Branco caíra em mãos cruéis. Nenhum alado tentou salva-lo, ninguém ajudou-o a sair do Purgatório, a não ser ele. Ele, que é chamado de pai por Lucian e que lhe ensinou o profundo desespero e ódio, o pecado mais repulsivo de todos.
O Anjo Caído que todos temem por ter sido derrubado por algo inalcançável por criaturas sem alma.
Quando a criatura notou que o ruivo sumira, sentiu as correntes apertarem-se em seus pulsos, prendendo-o mais ainda na negritude do abismo que chamava de amada casa, o local onde só habitava o medo e o pavor de todos.
Qualquer ser ou criatura que caísse lá seria tentado, morto ou atormentado, como aconteceu com o ruivo. Qualquer criatura que já tenha experimentado o sabor do medo. Só duas nunca sentiram nada, nem mesmo um tremor nem mesmo um simples nervosismo. Lucian e ...
_Onde ele está? — Sibilou Sinner, A Besta. — Onde está Lúcifer?
Lucian nada respondeu. Puxou os cabelos da garota que estava deitada, inerte. Abriu sua boca e meteu seu braço naquele pequeno orifício. Ela acordou, agonizante e Sinner arregalou os olhos da menina. Eram verdes brilhantes e vívidos.
A alma sutil e livre ainda habitava aquele corpo com força tremenda, o suficiente para viver na forma vampírica. Seus olhos esbugalharam-se e ela começara a chorar sangue.
Eles viravam tornando-se totalmente brancos e ela parou de mover-se.
_Ela morreu? — Perguntou a criatura, contorcendo-se nas correntes para torturar sua alma. Lucian encarava os olhos da garota, que estavam virados. E então seus olhos começaram a tornar-se turvos e nublosos. — Quer separa-las, não?
_Preciso de concentração para não mata-la verdadeiramente. Silêncio.
Sinner esperou, curioso e irritadiço. Não mataria aquela criança, nunca levantaria nem a voz perante a ela. Ela era o seu deus particular, o portador do novo universo. Se pedira silêncio, ele o teria.
Então ele lentamente fechou os olhos e o mesmo movimento foi repetido por Sakura. Demorou pouco tempo e ele novamente o abriu e puxou a cabeça da garota. Ela gritou, em desespero. Tanta era a dor que sangue jorrou de todos seus orifícios, pelos ouvidos, a narina, os olhos, a boca, entre as penas...
Quando notou que a continuação desta separação seria letal para as duas, Lucian parou e deixou Sakura cair. Sinner ficou descontrolado de vividez, tomando a forma original.
Era verde, grande, grudento, possuía quatro pares de olhos azuis gelo que andava pelo corpo como aranhas. Sua boca era transversal e parecia derrapar no corpo do monstro. Seus longos dentes atravessavam sua cabeça, e visto de longe, parecia que este usava uma coroa de espinho brancos. Eram milhares, centenas de milhares, finos e uniformes. Garras do tamanho de chifres de mamutes saíam de pesadas cascas, dando uma volta completa e penetrando o local, onde derramava um líquido viscoso.
Sinner abriu a boca, retirando as presas da caixa craniana, as presas inferiores nasceram rapidamente e quando ele fechou a boca, era como se ela tivesse sido costurada por uma grossa linha branca. Os olhos, que ainda passeavam pelo corpo gigantesco pararam e encararam Lucian. Sinner rugiu de raiva.
Ele a queria. Não seu corpo.
_Eu ... — a voz saía quebradiça fina, como metal riscando metal. — ... quero ...a alma... dela...
Lucian por fim parou de encarar Sakura, seus olhos violetas passearam pela superfície do monstro como um objeto que não teve a permissão de apresentar-se. Calculistas e frios, era o olhar de um assassino.
Sinner percebeu o cenário mudar. O local tornou-se maior e mais profundo e Lucian parecia crescer por ele. O olhar intenso sobre a criatura demoníaca. Sinner percebeu quase tarde o que estava acontecendo.
Medo. Era medo que o habitava. Seu próprio eu o assombrava como nunca ocorrera antes. Sinner tinha medo de Lucian, do que ele faria, do que seria capaz. Ele possuía o que nenhum outro ser tinha.
Neutralidade. Lucian não era bom e não era mal. Não se pode ser um deles quando só testemunhara um único lado. Nascido das próprias trevas, Lucian nunca saberia parar, nunca saberia o sentido do limite. Seria sempre mais, pois nunca era o suficiente.
Com esse pensamento em mente, Sinner estremeceu ao falar.
_Você é a arma perfeita... — Como se fosse uma afirmação do que haviam lhe dito, Lucian puxou o pescoço de Sakura para trás e quebrou. A cabeça da garota pendeu pro lado direito.
Ele segurou seu pescoço, erguendo-a do chão. Então encarou o seio da mulher, que derramava sangue e então enfiou o braço no corpo da garota até encontrar o coração. Parou o braço e subiu, como se estivesse procurando algo.
E o encontrou.
Ele puxou de uma vez e a garota já recomeçara a se reconstruir, já gritando pela nova morte e nova dor. Lucian deu um leve sorriso, como se tivesse sendo questionado por um ser inferior.
_Você irar sair daí! — Ele ordenou e uma neblina azul clara que tomava alguma forma era "segurada" por ele.
Sinner sibilou.
_A alma...
_Materializada apenas aqui, no Abismo. — Ainda segurando a alma, Lucian sugou uma parte da neblina que os rodeava. Segurou o pescoço de Sakura e a beijou, colocando dentro desta. — Uma nova alma para um novo ser.- Murmurou ao terminar. A outra alma, a original da garota, perdia a força equivalente ao tempo que estava fora do seu corpo.
Lucian sorriu.
_Sinner, ela não me interessa. — Então soltou a pequena nuvem, que já estava no tom cinza, já pertencendo ao local.
Seus cascos englobaram a pequena nuvem e em um rápido movimento ele engolira. Lucian, com a garota no colo, sorriu ao notar os olhos semicerrados desta mostrarem um brilho vermelho ao sussurrar.
_Mestre...?
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