The Quarterback
15 Capítulo 14 - Todo homem é cachorro, cabe a você escolher qual late mais gostoso no seu ouvido
Notas iniciais
Ai porra, acordei com esses pensamentos, que dor de cabeça dor infernos.
Abri somente um dos olhos para ver se ainda estava em casa, e me aliviei ao ver que havia dormido no meu quarto. Mas então senti um braço pesado em meu abdômen e a cena que vi foi ao mesmo tempo erótica e horrenda. Cory Pitters estava deitado ao meu lado, de bruços, com um dos braços em volta de mim.
Ai meu Deus, o que eu fiz ontem?
Estava aterrorizada demais para fazer qualquer movimento brusco e correr o risco de acordar Cory, que dormia em um sono profundo. Um estalo bateu sobre minha cabeça e fiquei ainda mais assustada. Será que nós dois...? Peguei o lençol acima das costas de Cory e levantei-o um pouco, com o pensamento de, por favor, não esteja nu. Olhei por debaixo do lençol e... Merda! Cory Pitters estava completamente nu, e que bunda linda.
Agora era a vez de olhar embaixo do meu lençol. Por favor, não esteja nua. Não esteja nua. Não esteja nua. Levantei o lençol bem devagar, aproveitando o momento de expectativa, e olhei para baixo. Merda de novo! Eu estava nua e isso queria dizer que eu havia transado com Cory, a não ser que gnomos tivessem entrado em minha casa noite passada e colocado um Cory peladão ao meu lado na cama. A respiração começou a falhar de nervosismo, então apenas repousei minha cabeça no travesseiro e tentei lembrar o que havia acontecido na noite anterior.
Tudo bem, eu estava no clube que Erin e Nick me levaram, depois eu fui dançar. Certo. E aí eu vi o fantasma de James e saí apressada. Quantas bebidas eu já tinha tomado mesmo? Merda, essa dor de cabeça não ajuda em nada. E aí eu fui lá para fora e... Cory Pitters me assustou. Isso mesmo, você está indo bem. Ele me assustou e conversamos. Ele me beijou. E depois? 505. O que tinha com a musica 505 que não saia da minha cabeça? Foi quando reparei que essa mesma musica soava timidamente no canto do meu quarto, acima de um móvel. Nós transamos ouvindo 505?
Ah... Meu... Deus! Um flash bateu em minha cabeça e de repente me lembrei de toda a cena que até segundos atrás parecia completamente obscura. O mais assustador era que Cory e eu havíamos mesmo feito amor. Feito amor, sorri como uma boba ao lembrar o que ele tinha me falado noite passada. E que noite. Estava completamente perdida em pensamentos quando senti Cory se mover e congelei. Ele abriu os olhos e encontrou uma Noah pensativa, o que o fez franzir o cenho.
– Bom dia. – ele chegou mais perto e me deu um selinho.
– Bom dia. – respondi super sem graça
– O que foi Noah? Você parece estranha – ele estava colocando sua cueca e deitando de volta na cama, com todo aquele físico ao meu lado. E eu ainda perdia meu tempo pensando.
– Está tudo bem, eu só estava pensando, sei lá, isso tudo é tão estranho. – fiz um gesto com a mão que englobava eu, ele, a caixa de som e a cama.
– Eu não achei nada estranho quando você estava gritando meu nome e arranhando minhas costas. – ele mostrou as costas todas feridas.
Subitamente ruborizei, e ele deve ter percebido, pois sorriu como se dissesse que tudo estava bem.
– Sinto muito por isso. – disse me sentando na cama. Só então me lembrei de que ainda estava nua e o rubor voltou quando percebi que Cory estava olhando diretamente para os meus seios.
Tapei-os rapidamente e lancei um olhar fuzilador para Cory, que retribuiu com um dar de ombros.
– Nada que eu já não tenha visto e experimentado antes.
– Você pode, por favor, parar de me constranger? – não consegui esconder o sorriso – Você está tornando as coisas realmente difíceis por aqui.
Foi então que pensei em James e parei de prestar atenção ao que Cory dizia. E se James descobrisse sobre essa noite com Cory? Acho que tudo o que ele faria era acabar com a minha raça, e com raça quero dizer vaga no time.
– Cory, — disse interrompendo-o – você tem que me prometer que não vai contar sobre isso para ninguém. Nem para seu melhor amigo.
– Por quê? É uma vergonha estar comigo?
É um luxo estar com você Pitters, e não posso me dar a luxos.
– Claro que não, mas é muito importante. – engasguei com minhas próprias palavras. – Só o que eu posso lhe dizer é que minha vaga no time de futebol está em risco. Você entende o quanto isso é importante para mim?
Cory entendia mais do que qualquer um. Só ele entendia meu desespero de esconder tudo de todo mundo, de passar horas no gramado apenas esperando para ir ao vestiário, de ter que disfarçar a dor para aqueles jogadores brutamontes. Afinal, só Cory tinha perdido horas de sono tentando me ajudar com bolsas de água fria e quente, pomadas para hematomas e remédios para dor.
– Tudo bem. – ele finalmente disse, depois de um longo tempo em silencio. – Mas com uma condição.
– Fale agora ou cale-se para sempre. – dei um sorriso irônico.
– Você fica longe de James.
– Oi? – minhas mãos começaram a suar do nada, estranho não?
– Não gosto de como James te trata. – ele suspirou – Minha condição é essa.
Alguém pode falar palavrões infinitos para mim, por favor? Qual é o problema comigo e com a minha vida? Devem ter me escolhido como a azarada do século, não é possível.
– Está bem, eu aceito. – um pouco mais de mentira não ia mudar muita coisa.
– Trato feito. – ele se aproximou e me beijou docemente, e eu o retribui com a mesma doçura.
Nossos beijos começaram a ficar mais quentes e logo senti a mão de Cory tentando puxar o lençol que eu segurava com todas as minhas forças.
– Cory, temos coisas para fazer. – sorri como uma menininha. – Primeiro obrigação, depois diversão.
Cory riu e depois fez uma cara de menino pidão quando me levantei e fui até o banheiro trocar de roupa. Um triângulo amoroso? Não podia ser tão ruim assim. Coloquei um short que achei no chão do banheiro mesmo e sai de sutiã por não ter achado nenhuma blusa, mas acabei colocando uma que estava enrolada na maçaneta do meu quarto.
Quando desci as escadas me deparei com Pitters na cozinha, de roupas intimas, cozinhando alguma coisa no fogão.
– Então teremos comida de verdade nessa casa? – sorri – E ainda por cima ganho de brinde um Cory Pitters de cuequinha na minha cozinha.
Ele sorriu e continuou muito concentrado no que estava fazendo, então decidi não interromper. Fui até a sala e comecei a arrumar o caos que estava lá, dobrando as roupas limpas e jogando as sujas no chão para botar na máquina. Minha máquina de lavar devia estar criando mofo, já que não era usada há muito tempo.
A bagunça parecia não acabar mais. Eram tantas roupas, tanto lixo, tantas latas de cerveja e caixas de pizza que minha casa mais parecia um lixão.
– Cory, — gritei para ele que ainda estava cozinhando – temos que prometer nunca mais deixar a bagunça chegar nesse ponto. Nossa casa parece mais a de um solteirão de quarenta anos que ama beber.
Ouvi sua risada ao longe e aquilo me tranquilizou de uma forma inesperada. Antes em paz do que em guerra, e eu tinha que aproveitar esse clima ao máximo. Continuei juntando as caixas de pizza num canto, e parei de contar quando cheguei a de numero vinte. As latas de cerveja formavam uma pilha imensa no canto, e pensei que ganharia bastante dinheiro sendo catadora de latinhas.
– Ei Noah, a comida ta pronta. – ouvi Cory dizer.
Larguei tudo o que estava fazendo e corri para a cozinha, afinal comida é prioridade.
– O que temos hoje? – cheguei animada
– Panquecas com calda de chocolate e chocolate quente.
– Super saudável. – disse ironicamente e Cory me olhou surpreso. – Adorei.
Ele riu enquanto eu pegava um prato lotado de panquecas e enchia de calda de chocolate e depois pegava uma caneca enorme de chocolate quente.
– Era disso que eu estava falando quando você veio morar aqui Pitters. Comida de qualidade.
– Alguém tem que saber cozinhar nessa casa, não é?
Fiz um aceno de cabeça em concordância, e devorei minhas panquecas tão rápido que mal consegui respirar.
– Nossa, que fome.
– Percebi, você quase devorou o prato. – Cory fez piadinha e sujou o meu nariz com a calda de chocolate.
– Eu só não começo uma guerra de calda de chocolate nesse momento com você porque estou tentando limpar a casa, não sujá-la ainda mais.
– Ah é? – ele disse com um sorriso astuto nos lábios e sujou minha boca de calda.
– É melhor você correr.
Cory saiu correndo pela casa e eu ia atrás dele com o pote de calda de chocolate, que jogava nele sem dó nem piedade. Vez ou outra Cory se virava e jogava um monte de calda no meu rosto, tapando a minha visão e me obrigando a parar. Só quando já estávamos totalmente lambuzados e com a casa destruída é que paramos.
– Olha só o que você fez! – eu falava alto. – A casa está destruída.
– Eu? Quem está com o pote de calda é você, Noah Collins.
Sentamos no chão e rimos por um bom tempo, até nossas respirações voltarem ao normal e a coisa não ser mais tão engraçada assim.
– Te desafio a limpar toda essa bagunça. – dei um tapa leve em seu braço.
– Então vamos começar por você.
Ele se aproximou de mim e afastou o cabelo que me caía sobre o rosto, e começou uma sessão do que eu tranquilamente chamaria de tortura.
– Cory... Eu... Para – minha respiração estava ofegante.
Não sei como dizer isso de uma forma menos constrangedora, mas o que Cory estava fazendo era lamber todo o chocolate nas áreas criticas do meu corpo. Bizarro, até você ver um cara desses fazendo isso com você.
– Você é mau. – eu disse rangendo os dentes.
Cory passou os lábios pelos meus e me deu um beijo com sabor de chocolate, poderia dizer até que foi um dos melhores da minha vida. Ele mordiscava meu lábio inferior de vez em quando, o que me fazia ficar brevemente sem ar. Afastei-me dele por um segundo e aproveitei a deixa para me levantar.
– A coisa está boa, mas temos muito trabalho pela frente.
Peguei um pano que encontrei na cozinha e limpei todo o chocolate do chão, enquanto Cory recolhia o pote e lavava a louça.
– Nós podemos virar empregados domésticos. – eu disse em tom de brincadeira.
– Com você do meu lado em uma casa, a ultima coisa que vou querer fazer é limpar.
Aquilo me fez sorrir de uma maneira que não deveria, e ao olhar para Cory encontrei-o encarando-me.
– O que foi?
– Não é nada, é que você é tão linda.
Antes que eu pudesse responder, senti meu celular vibrar e peguei-o para ver a mensagem de texto que acabara de chegar. Era de James.
Precisamos nos encontrar. Passo aí em uma hora.
Existia alguma maneira de me ferrar mais um pouco? Fechei o visor do celular e suspirei, infeliz com todas as decisões que tinha tomado em relação a James.
– Algum problema?
– Nenhum, é só Erin querendo me encontrar para resolvermos umas coisas na rua. Coisa de mulher, você sabe.
– Não sei não, — ele sorriu – mas entendo.
– Então nossa faxina vai ter que ficar para depois.
– Vai ter que ficar para depois – ele repetiu o que eu tinha dito.
Terminei de lavar o pano sujo de chocolate e me virei para ele.
– Vou tomar um banho e sair, não me espere.
– Não tem problema, também tenho que sair para fazer um trabalho extra para o senhor Richards.
Estava me esquecendo-me completamente da faculdade, como isso era possível? Com tanta coisa acontecendo ao meu redor, eu simplesmente esqueci.
– Tudo bem, mais tarde também tenho que adiantar uns trabalhos.
Girei meus calcanhares para ir para o banheiro, quando o braço de Cory me puxou e seu corpo colou no meu, ainda de costas.
– Me deixa tomar banho com você, vai.
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