The Quarterback

10 Capítulo 9 - Merda, mil vezes merda!


Notas iniciais
Olá primeiramente gostaria de saber se vocês me abandonaram e implorar para que não tenham feito isso porque eu tenho andado tão distante, eu sei, mas agora vou postar mais regularmente.
Escrevi o capítulo correndo pois não tava me aguentando de ansiedade para postar ele para vocês.
Lembram que eu falei que esse capítulo será o melhor? Pois é, não será muahahahahha mas está bem breve, juro de dedinho.
Não me abandonem ok coisas lindas, eu amo vocês e muito obrigada por todas as reviews lindas.
Até as notas finais.

A busca por Cory Pitters foi longa e desnecessária. Andei por toda a casa pelo que me pareceu uma eternidade, até que minhas perninhas cansadas e meu corpo doente implorassem por uma cama quentinha. Subi as escadas (o que não é uma tarefa fácil quando: a) se está com gripe b) tem uma série de pessoas se agarrando nos seus degraus) e fui até o meu quarto, onde encontrei um casal na minha cama. Eles estavam se divertindo muito (se é que vocês me entendem), mas expulsei-os rapidamente e tirei toda a roupa de cama sobre a qual eles estavam deitados.

Joguei-me em minha cama de bruços e apertei bem os olhos, na tentativa de esquecer tudo o que havia ao meu redor. Fiquei nesse estado vegetativo sabe-se lá quanto tempo, até que uma mão tocou minhas costas me fazendo pular.

- Nina, me desculpe, só queria saber se estava tudo bem.

Quando me virei, vi James Parker sem camisa com um sorriso totalmente bobo em seus lábios. Ótimo, é realmente muito legal desejar um cara que acha que você namora outro ou que você é um homem.

- Está ok James, senta aí. – apontei para o espaço vazio do meu lado.

James sentou e começou a observar o grande painel de fotos, pôsters e recortes que eu tinha na parede em frente a minha cama. Ele sorria ao passar os olhos por uma foto ou outra, prestando tanta atenção que ele parecia estar vendo um jogo de final de campeonato do seu time favorito de futebol. Ele se levantou e pegou uma foto minha de quando eu tinha catorze anos, com meus cabelos roxos e pretos, lápis de olho sobrecarregado e vários piercings falsos.

- Então você é uma louca punk?- ele ria disfarçadamente.

- Eu era uma louca punk. Dá-me isso aqui. – disse enquanto tirava a foto da mão dele e a colocava no lugar.

Fiquei olhando para o painel, relembrando-me das ocasiões de todas as fotos, até que me deparei com uma foto de minha mãe e meu sorriso se desfez imediatamente.

- O que foi? – James me encarava com preocupação.

- Nada. – respondi secamente.

- Tudo bem, mas se quiser falar estarei te ouvindo.

-...

-...

-Tudo bem, o negócio é o seguinte. Eu, meu pai e minha mãe éramos uma família feliz. Até que um dia minha mãe brigou feio com o meu pai e resolveu sair de casa. Ela foi procurar um novo emprego e um novo lugar para viver comigo, só que ela foi assassinada quando estava andando na rua enquanto havia um tiroteio. – dei uma pausa para respirar. – Eu quase não me lembro dela, tinha apenas quatro anos. Eu sinto sua falta e sei que meu pai sente tanto quanto eu, pois ele não saiu com nenhuma mulher depois de minha mãe. Desculpe, não consigo parar de falar.

Meu rosto estava quente e eu tentava esconder o misto de vergonha e tristeza, mas não estava dando certo. James me olhava com uma compaixão que jamais imaginara existir dentro dele.

- Ah Nina, eu sinto muito.

De repente, seus braços estavam me rodeando como se eu fosse uma criança, e acabei me aconchegando em seu peito. Ele me abraçava forte, e por um segundo achei que fosse chorar. Mas lembrei-me que Noah Collins não chora, Noah é macho e machos não choram. Ou choram?

James me soltou e achei que ele fosse embora, mas ele girou meu pequeno corpo para ficar de frente para ele.

- Está tudo bem? – ele perguntou enquanto tirava uma mecha de cabelo que caíra em meu rosto.

- Está sim, obrigada.

- Não agradeça.

- Posso te fazer uma pergunta? – tentei mudar de assunto.

- Claro.

- Por que você está sem camisa em uma festa onde todos estão vestidos?

James riu. James não riu apenas uma risadinha, mas sim deu uma gargalhada tão grande que me senti tentada a rir também. Só que não daria esse gostinho a ele.

- Nós estamos falando de um assunto super sério e de repente você me vem com essa? – ele tentava se controlar.

- Desculpe, não sou muito boa com momentos tristes. – comecei a rir também, involuntariamente.

- Então você estava me observando esse tempo todo? – AÍ ESTAVA O JAMES ACÉFALO E CONVENCIDO! Estava demorando.

Suspirei.

- Digamos que sim, seu tanquinho é maravilhoso. – o que? Eu acabei de dizer isso mesmo? Oh senhor, amanhã irei para a forca.

- Você é maravilhosa. – ele respondeu quase imediatamente.

- Não me venha com seus joguinhos, James. – tentei me levantar, mas ele segurou as minhas pernas.

Ficamos nos olhando fixamente. Seus olhos pareciam infinitos e me diziam tanto, ao mesmo tempo em que não diziam nada. Ele parecia um galã, com aquele seu pequeno sorriso e olhos brilhantes. Suas mãos ainda estavam repousadas na minha perna, e eu gostava da sensação.

- Eu não gosto de jogos, Nina. – ele disse de repente.

E então nossos olhos se encontraram de um jeito diferente. Ele foi chegando mais perto, e mais perto, e mais perto, até que nossos lábios se encontraram em um beijo quente e sereno, como se estivéssemos nos conhecendo. Foi como se milhões de turbinas fossem acionadas no meu corpo, me fazendo tremer tão violentamente que James parou por um segundo.

- Está tudo bem? – ele disse com a boca praticamente grudada na minha.

- Não, não está. – eu disse quando um choque de realidade me abateu. – Olha James, você é um cara legal e realmente atraente, mas eu não posso me envolver com você.

- Por que?

Contorci os lábios em forma de careta. ‘’Ah James, acontece que eu sou o Noah e você acha que está afim de mim na minha versão homem e se considera homossexual então não sei realmente se você é hétero e não posso me envolver. ’’ Não.

- James eu... Eu só não posso ok? Desculpe-me.

James olhou para mim tão profundamente que por um segundo me senti totalmente exposta a ele, e saiu do quarto batendo a porta. Deitei-me na cama e fiquei pensando em James por um bom tempo, até que minhas pálpebras se cansaram de ficar abertas e todos os meus pensamentos foram perdendo o sentido.

- ACORDA NOAH ACORDA, ANDA PORRA! – alguém com muita raiva estava me estapeando e gritando tanto que me fez cair da cama.

- O que é porra? – educação total.

- Qual é o seu problema cara? Primeiro você marca de sair com a gente e some, depois se atrasa para a faculdade, você quer nos matar? – Nick estava com sua voz a uma oitava acima da média, o que foi realmente engraçado considerando que ele não era um gay lá muito afeminado.

- Calma Nicholas, senta esse rabo aí e espera eu me recuperar do susto.

-Calma o caramba, você quase nos matou! – de repente uma ruiva vermelha como um pimentão entrou no meu quarto com um sanduíche na mão.

- É para mim? – disse com os olhos brilhando e a barriga fazendo sons estranhos.

- Não. – ela disse secamente. – Vá fazer sua própria comida sua ingrata.

- Se eu contar o que aconteceu ontem para vocês rapidinho vão deixar de show.

Em um segundo toda a raiva se esvaiu do rosto dos meus amigos, enquanto eu me sentava na cama novamente e criava coragem para falar.

- James falou que está gostando do Noah. Ontem à noite Cory deu uma festa aqui. Eu e James nos beijamos depois o expulsei do quarto. – disse sem respirar.

Um silêncio mortal se fez. Erin olhava para Nick que olhava para mim que olhava para a parede. Não tinha coragem de encará-los. Eu simplesmente estava virando uma cachorra.

- Você o que? Por que você expulsou aquele deus do seu quarto? Se fosse eu teria brincado com ele a noite inteira. – Nick disse suspirando e depois se jogou na minha cama, rolando e sorrindo como um gato.

- Eu não sei. Ele é tão... James.

- Ai meu Deus! Noah Collins está afim de James Parker. – De repente Erin explodiu e jogou seu sanduíche para mim. – Se arrume logo e vá para o treino porque vai começar em dez minutos e você tem que ir encontrar o seu grande amor!

Olhei para o relógio no canto da parede e arregalei os olhos. Eu dormira por mais de dez horas. Levantei sem dar uma palavra e me despi em frente aos meus amigos mesmo, já que ambos não gostavam do que eu tinha a oferecer.

- Mais tarde vejo vocês! – disse num grito. – E por favor joguem fora essa roupa de cama.

Peguei minha mochila num canto e saí correndo de casa, o sanduíche balançando e se desfazendo em minhas mãos. Mastigava, corria, respirava. Mastigava, corria respirava. Subi as escadas e entrei em um banheiro, colocando meu uniforme e capacete numa rapidez surpreendente.

Saí do banheiro correndo e joguei a bolsa dentro do meu armário. Uma crise asmática me envolveu enquanto eu corria para o ginásio, esbarrando em pessoas que ficaram bravas comigo. Cheguei ao campo ofegante, praticamente não me aguentando em pé, e quando reparei que todos os jogadores me observavam com raiva, deixei a falta de ar de lado e fui até eles.

- Noah Collins, que surpresa não? – era o treinador. – O senhor tem chegado atrasado há quatro dias em nossos treinos, e eu só tenho uma coisa a lhe dizer: mais um atraso, e você está fora.

Ele fez um gesto com a mão em frente ao pescoço que me indicava morte na certa.

- Desculpe-me treinador, não irei mais me atrasar. –disse com minha melhor voz de homem.

- Ótimo. – ele soou áspero.

O apito soou e começou a tortura. O treino começou mal e terminou insano. Todos estavam cobrando muito de mim e eu me sentia extremamente cansada, mas não me deixava abater para não ser retirada da coisa que eu mais gostava naquela faculdade.

James não me olhava. Ele sequer chegava perto de mim, parecia que eu era uma leprosa. O seu amigo para qual ele contara a possível paixonite pelo Noah também não me olhava. Eles pareciam ter brigado feio, pois ambos fingiam que o outro não existia.

No final de duas horas de treino eu já não aguentava mais, e quando o apito soou me joguei de joelhos no campo enquanto aguardava todos irem para o vestiário.

- Noah Collins, venha aqui. – disse o treinador.

Deixei a sensação de morte de lado (drama) e fui para a forca. Brincadeira, fui falar com a pessoa que mais me dava medo em toda a face do universo, o que é quase uma forca.

- Não quero bancar o pai e te falar coisas óbvias, mas estava falando sério em relação a te cortar do time. Mais um deslize, por mais mínimo que seja, e você está fora.

- Sim treinador.

- E mais uma coisa, temos um jogo importantíssimo amanhã e estou contando com os seus touchdowns.

- Sim treinador, pode contar comigo. – disse prendendo a respiração.

- Agora vá.

Saí de campo e aproveitei que o vestiário estava totalmente vazio para tomar um banho totalmente tranquilo e livre de preocupações. A ducha gelada me deu disposição para sair com meus amigos e ter uma grande conversa com Cory, que provavelmente resultaria em uma discussão daquelas.

Terminei a ducha e estava só de roupas íntimas quando ouvi palmas atrás de mim. Meu corpo inteiro congelou, e em um instante passei a tremer mais que vara verde. Não ousaria virar, não podia. Quem estaria ali? A pessoa não falava nada, mas sentia sua presença a poucos metros. Ele começou a andar, seus passos ora se aproximando e ora se afastando. Ele arfava, mais de surpresa e choque do que cansaço.

- Então quer dizer que Noah Collins é uma mulher?

Eu conhecia aquela voz.

Notas finais
Me desculpem de novo ok? :( não me abandonem
Fim de semana que vem tem mais, juro de pé junto, dedos cruzados e tudo mais.
Se tiver algum errinho me avisem, o capítulo não foi betado.
Beijos!