The Quarterback

16 Capítulo 15 - Se a vida te der um limão, compre mais um e forme um triângulo amoroso


Notas iniciais
oi lindas maravilhosas tudo bem como vão vocês eu vou bem obrigada PROMETO QUE VOU RESPONDER TODAS AS REVIEWS ATÉ HOJE, mas agora to morrendo de dor de cabeça e vou me deitar. Não revisei o capítulo, se tiver algum erro me falem.

– Cory eu... Eu não posso permitir uma coisa dessas. – disse sorrindo

– Eu sei que você quer Noah, não adianta negar. – a essa altura do campeonato eu já estava completamente arrepiada e louca para me render aos encantos de Pitters.

Quando estava prestes a concordar e permitir que ele subisse para o banheiro comigo, a campainha tocou e eu me aliviei. Ao menos escapara. Enquanto Cory ia atender a porta, corri até o banheiro e me tranquei lá dentro, onde tomei uma ducha demorada e satisfatória. Ao sair, olhei no visor do celular e constatei que tinha apenas quinze minutos para terminar de me arrumar e sair para encontrar James Parker, fosse lá o que ele quisesse comigo.

Olhei pela janela e percebi que a chegada do inverno londrino estava vindo com tudo, pois todas as pessoas estavam agasalhadas até o pescoço. Coloquei uma calça jeans e um daqueles casacos que te deixam vinte quilos mais gorda, parecendo um rolo compressor pronto para esmagar quem quer que esteja perto. Sequei meu cabelo com um secador e desci as escadas já batendo o queixo. Como antes não percebi que estava tão frio?

Encontrei Cory Pitters sentado no braço do sofá conversando com ninguém mais, ninguém menos que Dan Morgans.

– Nina! – posso jurar que seu rosto se iluminou quando me viu

– Oi Dan. – sorri timidamente – Eu tenho que ir, a gente se vê por aí.

Olhei para Cory e percebi que seu rosto estava contraído numa expressão severa, e ele parecia me fuzilar com os olhos. Sem dizer uma palavra ou querer ouvir qualquer uma daquela boca maravilhosa, saí de casa e tranquei a porta atrás de mim. Tudo bem. Agora era só encontrar James, ver o que ele queria e voltar para casa, fazer faxina e todos os trabalhos da faculdade.

Fui até o café que ficava bem perto de minha casa e comprei um cappuccino totalmente quente, para minha felicidade. Liguei para James para saber onde deveria encontrá-lo.

– O que é – ele atendeu mal humorado.

– James, onde eu tenho que te encontrar?

– Na minha casa. Venha logo, não tenho todo tempo do mundo.

– Não sei onde é a sua casa. – pensei um pouco — Realmente não sei.

– Me espera na frente da universidade, passo aí em dois minutos.

James desligou abruptamente, não me dando tempo nem de dizer ok. Segui rumo à universidade que estava praticamente vazia, a não ser por alguns nerds que estudavam até enquanto dormiam. Meu cappuccino delicioso me distraiu do frio assustador que começava a fazer, e esperei pacientemente logo abaixo do urso panda pelo que pareceu uma eternidade. Pessoas passavam na rua conversando e rindo alto, e vez ou outra me faziam rir também. Sentei-me num banco na porta da universidade e comecei a ler um jornal que achara ali. Qualquer cosia para não ficar parada. O frio aumentava cada vez mais e James não dava nem sinal de vida. Meu nariz doía e estava tão gelado quanto um picolé quando uma caminhonete dessas gigantescas parou de lado para mim e vi um James sorridente sentado no banco do motorista. Levantei-me, deixando o jornal no banco, e segui para o veiculo enorme. Joguei o copo de cappuccino agora vazio e entrei no carro com a ajuda de James.

– Desculpe-me pela demora, tive que resolver uma emergência.

– Tudo bem, — meu queixo estava tremendo – estava distraída mesmo.

– Seu casaco está encharcado. – ele observou.

– Fiquei tempo demais no sereno. – sorri com os lábios roxos.

– Tira isso, anda. – ele começou a tirar seu próprio casaco e corei ao perceber que ele não usava nada por baixo.

Tirei o meu e percebemos que eu também não usava nada por baixo, mas não me deixei corar. Peguei o casaco de James e coloquei-o rapidamente, tirando os tênis surrados logo em seguida e colocando meus pés para cima do banco. Abracei minhas pernas e olhei para James, que olhava para mim com um sorriso brincalhão.

– O que foi? – eu disse, agora com menos frio.

– Você fica linda assim. – ele me indicou com um gesto de cabeça.

Sorri timidamente enquanto ele ligava o carro e começava o trajeto de sua casa. Por que todos os homens tinham resolvido ser legais comigo de repente? Seguimos em silencio pelo que pareceu um longo tempo. Tempo demais.

– Achei que sua casa fosse aqui perto.

– E é — ele sorriu – já passamos dela há uns quinze minutos.

–Então para onde estamos indo?

– Você não confia em mim Collins? Nunca te coloquei em uma roubada.

Ah, mas você já me colocou em um monte, pensei. Decidi ficar em silencio e esperar para ver o que James estava tramando, sem reclamar. Passamos por uma estrada que já estava sendo coberta pela neve de inverno e sorri ao ver árvores brancas e o chão como nuvens. Entramos em uma estradinha de terra que levava até a casa mais magnífica que eu já havia visto em toda a minha vida.

– James, é fenomenal. – arfei

– É sim. Foi minha mãe que projetou tudo isso aqui.

– Ela é muito talentosa! – eu estava encantada.

De repente o sorriso de James pareceu ficar doloroso e ele mudou sua expressão.

– Ela realmente era maravilhosa.

Percebi o uso do passado e me virei para ele. Seus olhos estavam cheios de lágrimas enquanto ele fitava a estrada de sua frente. James Parker estava prestes a chorar? E ainda perto de mim?

– De que ela...? – minha voz falhou.

– Câncer. – ele respondeu friamente – Sua futura especialização, não é?

Assenti com a cabeça enquanto o observava. Como James conseguia ser tão não acéfalo quando queria?

– Eu sinto muito. – disse em voz baixa.

– Está tudo bem. – ele parou o carro. – Mas preciso que me prometa uma coisa.

– Se estiver ao meu alcance. – olhei em seus olhos sinceros

– Nunca, jamais, desista de um paciente como desistiram da minha mãe. Ela estava em estado grave, e simplesmente deixaram-na apodrecer na cama do hospital até que não lhe restasse mais um fio de vida. Se você quer ser médica, não seja qualquer uma. Seja a melhor.

Os olhos esverdeados de James estavam tão cheios de emoção que não pude segurar a única lágrima que rolou dos meus.

– Eu prometo. – cheguei até mais perto dele no banco único e o abracei.

Depois de um abraço longo e apertado, nos recompomos e seguimos até a casa da mãe de James. Era tão grandiosa que era impossível desviar os olhos dela nem que fosse por um só segundo. A construção aparentada ser antiga, como aqueles castelos maravilhosos de Paris, mas ao mesmo tempo muito moderna e luxuosa. O lindo chafariz na frente dava ao lugar um ar tranquilo, e as arvores cobertas de neve me lembraram a minha infância, quando brincava de fazer bonecos de neve com todos os meus primos. O jardim aparentava ser cuidado com frequência, com lindas flores espalhadas por todo o perímetro da casa. A casa em tom rústico era cinco vezes maior que a minha, com muitas janelas e uma imensa porta de entrada. Quanto mais chegávamos perto, mas eu ficava impressionada.

– Uau. – não consegui resistir. – É maravilhoso.

James riu. Eu devia parecer uma daquelas crianças quando entram em lojas de doces com suportes de M&M’s até no teto. Meus olhos brilhavam enquanto eu me apoiava na janela e tentava absorver o máximo possível da casa mais linda que já vira em toda a minha vida. James estacionou no meio do pátio e rapidamente surgiu um homem de aparência severa, porém gentil.

– Boa tarde, senhor Parker. – ele se dirigiu a James com respeito. – Senhorita.

– Boa tarde. –consegui dizer.

– Boa tarde Joseph. – ele estendeu a chave do veiculo para o homem. – No mesmo lugar de sempre, por favor.

Então quer dizer que James Parker era podre de rico? Estava tão impressionada com tudo que mal conseguia falar. James me segurou pela cintura e começamos a andar em direção a porta da frente, e foi quando percebi que James estava morrendo de frio.

– Você quer seu casaco de volta? Está realmente frio hoje.

– Está tudo bem, lá dentro tem aquecedor. –ele sorriu e piscou.

James pegou um molho imenso de chaves e olhou-o por alguns segundos até localizar a chave que abria a grande porta. Colocou-a na fechadura e puxou a maçaneta, e posso jurar que nesse momento meu coração parou por um minuto. O salão que se estendeu a nossa vista era todo coberto de mármore e um grande lustre pendia do teto. Atrás dele, dois lances de escadas partiam para o segundo andar, cercando a sala de estar que se seguia ali embaixo. James fechou a porta depois de entrarmos e esperou até que eu me pronunciasse.

– Eu estou sem palavras. – meus olhos percorriam cada detalhe feito com tanto amor por sua mãe. – É lindo, James.

– Minha mãe era tão talentosa. – ele suspirou. – Venha.

James me puxou e segurou uma de minhas mãos, não me dando escolha a não ser sorrir e andar com ele como se fossemos um casal. Entramos na sala de estar que mais parecia um cenário de Hollywood, com direito a poltronas cor de sangue e uma grande lareira que soltava brasas até o seu limite.

– Sente-se. – ele indicou uma das várias poltronas. – Vou buscar algo para bebermos.

Sentei-me e fiquei admirando o lugar enquanto James ia para a cozinha. Sempre fui apaixonada por construções, decoração e arquitetura. A casa era um espetáculo digno de filmes, e me perguntei como James poderia ser tão simples e singelo em meio a todo aquele luxo. Várias obras de arte se encontravam espalhadas pela parede, até que uma me chamou a atenção e obriguei-me a levantar. Não era muito grande, tinha cerca de noventa centímetros, mas sem duvida era a mais maravilhosa ali presente. Uma mulher loura de olhos verdes fora retratada sorrindo, com duas crianças ao seu lado e um homem por trás que segurava seus ombros. Todos pareciam tremendamente felizes, os menininhos de terno e a mulher usando um lindo vestido vermelho, mas não daqueles bregas que parecem mais um grande saco de morango. Logo abaixo da pintura, uma placa de metal estava estendida com os dizeres “Em lembrança da família Parker, seu amigo Leonard Clifford.” Peguei-me admirando a pintura por tanto tempo que não percebi quando James apareceu e se pôs ao meu lado.

– Ela não era linda? – ele disse sorrindo.

– Sim, incrivelmente linda. Qual desses é você? – disse apontando para os garotinhos.

– O da esquerda. – ele sorriu. – O outro é Jason.

– E onde ele está? Nunca o vi.

– Ele mora no Brasil.

Achei estranho um dos Parker morar tão longe da pequena família que sobrara.

– Brasil?

– Ele ama a cultura, o samba, as mulheres... – ele deu um riso fraco. – Nós somos bem parecidos, não só fisicamente.

– Vocês são gêmeos? – o choque tomou conta de mim

– Sim, por que a surpresa? – agora ele tomava um gole de sua cerveja direto da garrafa

– James Parker é gêmeo e tem uma casa incrível no meio do nada. Mais alguma novidade?

– Na verdade sim. Meu pai é dono da universidade onde você estuda.

– O que? – quase derrubei a cerveja que ele tinha acabado de me entregar

– Por que a surpresa? A família Parker é cheia de poder.

Ele riu enquanto ia até uma das poltronas e se sentava. Fiquei olhando para a pintura por tempo suficiente para colocar meus pensamentos em ordem.

– Eu quero ir embora daqui. – disse colocando a cerveja num móvel e andando em direção à porta.

– O que foi Noah? – James veio atrás de mim com uma rapidez maior do que eu imaginava.

– Já entendi seu jogo de “vamos impressionar a Noah”. Depois de ser um completo idiota, você resolveu me mostrar quanto poder você e sua família tem só para dizer que pode me controlar o quanto quiser. Dinheiro não é tudo James Parker, e eu não acho que só porque seu pai é dono da universidade que você deve comandar o time de futebol americano. Também não acho que me mostrando sua casa maravilhosa e a quantidade de dinheiro na qual vocês nadam você vai conseguir me impressionar. E tem mais! – parei para respirar – Você acha que pode me tratar mal quando quiser e depois age como se nada tivesse acontecido, se comportando como um perfeito cavalheiro.

Olhei para James e ele estava de olhos arregalados, as mãos em posição de surpresa e engolia em seco. Parei de falar antes que socasse aquela linda cara e a merda fosse toda para o ventilador, como diria minha mãe.

– Eu não te trouxe aqui para te impressionar, Noah. E o que você sabe sobre mim? Eu conquistei a vaga no time com força e suor, assim como você e todos os outros. Meu pai nunca me favoreceu, pelo contrario, ele sempre cobrou mais de mim do que dos outros. E eu te trouxe nessa casa por que confio em você. – ele parou. – Eu nunca trouxe nenhuma outra garota aqui, para o santuário da minha mãe. Essa casa era o lugar preferido dela, e com razão. Nós crescemos aqui, na época que todo mundo era feliz.

James suspirou e tentou se acalmar. Eu estava tão chocada com tudo que não ousei falar uma sequer palavra. Minha cabeça doía com tanta informação e ao olhar nos olhos de James meu coração também começou a doer. Aqueles olhos doloridos não.

– E quanto a ter sido aquele idiota com você eu... Desculpe-me. Eu fiz uma grande besteira, eu sei, mas muitas vezes não penso no que falo. Estou te propondo um recomeço, talvez eu queira mais do que você apenas me servindo.

As palavras de James me convenceram de uma maneira estúpida e rápida. Não sabia se deveria acreditar naquele James, mas me deixei levar por ele até o seu local preferido da casa. A sala de jogos. Nossos passos faziam eco e eu tinha medo de arranhar ou sujar o chão com minhas meias velhas, de tão deslumbrante que era a casa. Não dissemos uma palavra até entrarmos num lindo salão decorado com brilhantes no teto, vários videogames de alta tecnologia e uma coleção de armas em uma parede.

– E você ainda perde tempo com o videogame de Cory. – disse para descontrair

James foi até um aparelho branco no meio de uma das paredes e apertou um grande botão vermelho.

– Dora, traga comida boa para a sala de jogos. – ele parou e olhou para mim – Estou com alguém especial.

Fomos até o meio da sala e nos deitamos no chão, para olhar o lindo teto artificialmente estrelado. Logo uma moça chegou trazendo uma bandeja lotada de comida preparada na hora, de hambúrgueres a bolos e tortas.

– Obrigada Dora. – James piscou para a senhora que sorriu para nós e saiu.

– James, — me virei para ele – me desculpe por ter falado tudo aquilo. Isso tudo é tão estranho.

– Tudo bem, vamos fingir que não aconteceu.

Peguei um morango coberto de chocolate e coloquei-o na boca, apreciando o gosto maravilhoso do açúcar.

– Nossa, isso aqui está muito bom mesmo. – disse apontando para a tigela de morangos.

– Foram colhidos agora, nós temos nossa própria horta. – ele sorriu sorrateiramente.

Comi até achar que minha barriga explodiria e depois me deitei novamente no chão aquecido, admirando o teto como uma criança. James limpou os dedos e se colocou ao meu lado, com um dos braços em volta do meu pescoço.

– Você não pode sempre pisar na bola e depois ser um cara legal.

– Eu posso ser um cara mais que legal na próxima.

Olhei de cara feia para ele e ambos sorrimos, distraídos demais para reparar nos criados que haviam entrado para limpar toda a sujeira.

– Noah, – ele me chamou e voltei a encará-lo – eu preciso te beijar.

Os lábios de James se juntaram aos meus e começamos a nos beijar. Suas mãos acariciavam meus braços delicadamente, me deixando arrepiada. James interrompeu o beijo e se direcionou ao meu ouvido para dizer com uma voz rouca e sensual:

– Finalmente podemos terminar o que começamos no vestiário.

Notas finais
Não to muito bem, preciso mesmo deitar. Obrigada por serem essas leitoras lindas e fiéis ok? ♥ Até domingo que vem