The Quarterback
13 Capítulo 12 - POR QUE TUDO DÁ TÃO ERRADO PARA NOAH COLLINS?
Notas iniciais
Quando estava novamente quase pegando no sono, meu telefone tocou com um barulho ensurdecedor que me fez pular da cama.
– Alô – disse com a voz sonolenta. – Fala Erin.
– Que voz é essa? – ela estava gritando.
– Estou com sono, me deixe dormir.
– Nada disso, levanta e se veste que daqui a cinco minutos estou passando aí para sairmos. – ela deu uma risadinha. – Ah, usa aquele seu vestido preto que te dei, você fica muito gostosa nele.
Antes que pudesse falar alguma coisa, minha melhor amiga desligou na minha cara e fiquei muito tentada a deitar novamente. A cama parecia tão fofinha e macia... Mas era sexta à noite e tudo o que eu tinha de fazer era aproveitar como se não houvesse amanhã. Levantei-me e fui até o quarto de Cory, onde provavelmente estaria meu vestido já que meu armário está completamente lotado de várias coisas, menos roupas. Achei meu vestido pendurado em um cabide e peguei-o, colocando-o no corpo logo em seguida.
Procurei o estojo de maquiagem que Erin me dera no meu aniversário de dezoito anos e que até agora não tive coragem de usar, com exceção de pouquíssimas vezes, e passei somente um delineador e um batom vermelho. E também aquele negócio que se passa nos cílios, como é o mesmo o nome? Ah, é mesmo, rímel.
Coloquei um salto que estava jogado no canto do quarto, e aquilo não era meu, com certeza. Olhei-me no espelho e sorri ao me ver totalmente recuperada e pronta para aproveitar minha noite, sem ter que ficar ás custas de James e seus ataques.
Do alto da escada eu já podia ouvir a voz das putas vindas da sala, mas sorri e desci calmamente todos os degraus, tomando um cuidado extra para não tropeçar nos meus próprios pés e cair. Ao descer o ultimo degrau e totalmente orgulhosa de mim mesma, olhei em volta e vi Cory e James me encarando boquiabertos com mais cerca de cinco caras fazendo mesmo, enquanto as meninas me olhavam com cara de poucos amigos.
Sorri para Cory e continuei andando até a cozinha, onde peguei um copo com água para me recuperar do esforço extra da escada. Ouvia cochichos vindos da sala, com coisas como ‘’Ela é gostosa’’ e ‘’Ela mora aqui com você e você não faz nada?’’, e me peguei sorrindo. Terminei meu copo e saí da cozinha, passando pela sala novamente.
Peguei a chave de Cory que estava na minha bolsa e entreguei-o em completo silencio, sem sequer olhar para a cara de James. Quando estava saindo com meu ar de vitória, James deu um grito tão alto que me assustou.
– Para onde você pensa que vai, Nina? — ele pronunciou meu nome bem devagar, como que me testando.
– Vou sair com meus amigos. – me fingi de desentendida.
– Você não vai. – ele disse chegando mais perto de mim e falando mais baixo.
– Ah, mas eu vou sim. – eu disse bem próxima ao rosto dele. – Você pode saber meu segredo e querer me fazer de escrava para guardá-lo, mas eu ainda sou livre para fazer o que eu quiser. Além do mais, você já está muito bem servido.
As garotas deram risadinhas cínicas e acenaram para mim com nojo, e eu retribui com igual simpatia.
– Agora se me dá licença, — falei ainda mais próxima à boca de James – tem gente me esperando lá fora.
Abri a porta e sai o mais rápido que podia, mas ainda sim pude ouvir Cory gritando com James e perguntando que porra tinha sido aquela, enquanto seus amigos riam e zoavam.
Vi Erin do outro lado da rua com seu carro mais velho que o meu avô, uma caminhonete tão barulhenta que mais parece uma sirene de carro de policia. E me refiro aos motores. Fui andando em direção a ela e logo vi que Nick também estava no carro, o que me fez sorrir mais ainda. Nicholas era um bom amigo e estava sempre querendo me ajudar, mesmo que eu não quisesse ser ajudada.
Entrei no carro e os assobios foram tão altos que devem ter acordado a vizinhança.
– Quem é essa gata vestido um Forever 21 e um sapato ma-ra-vi-lho-so? – adivinhem só, quem falou isso foi Nick.
– Um Forever o que?
– Ai. – Nick fez cara de decepcionado. – Com um corpinho desse e toda essa juventude você tinha mais é que aproveitar, Noah.
– Eu... Eu estou tentando. – disse olhando para a janela, vendo minha casa do outro lado da rua.
Para minha surpresa James estava me encarando da janela com um olhar nada amigável, o que me fez querer sair o mais depressa possível dali.
– Aonde vamos? – disse, agora animada.
– Numa nova boate que tem aqui por perto. – Erin falava enquanto dirigia. – Está inaugurando hoje, mulheres entram de graça até a meia noite.
– Isso também vale para gays? – Nick fez a pergunta de um jeito tão sério que não resisti e cai na gargalhada.
A frente da boate estava completamente cheia de mulheres vulgares e homens metidos a dono do mundo, bem o padrão Londres. Erin estacionou seu carro bomba e fomos andando até a entrada, onde Nicholas havia conseguido ingressos vips para nós com seu novo namorado, ou seja lá o que Henry for.
– Hoje vocês vão conhecer Henry, vocês vão adorá-lo – Nick dava pulinhos de alegria.
Entramos na boate mais facilmente do que eu imaginava, e o lugar fedia a drogas e gente bêbada. Tentei me animar e seguir em frente quando Erin e Nicholas sumiram completamente do meu campo de visão, me deixando sozinha naquele mar de embriagados.
Fui até o balcão de bebidas e pedi qualquer coisa com muito álcool, o que fez o barman sorrir. Eu só precisava me divertir, ter uma boa noite e não pensar mais em você sabe quem. Peguei a bebida e segui rumo à pista de dança, onde comecei a me soltar em meio a uma batida envolvente.
Meu corpo estava envolvido pela musica e eu me remexia como nunca antes, jogando os cabelos pros lados vez ou outra para aliviar o calor. De repente me vi tomada por duas garotas com vestidos extremamente curtos, que dançavam e rebolavam enquanto se esfregavam em mim. Fiquei um pouco assustada, mas o efeito do álcool já estava presente então acabei me juntando a elas numa dança um tanto quanto sensual.
– Isso gata, se mexa. – a primeira tinha uma voz super fanha.
– É isso aí. – disse a outra acéfala, animada demais para o meu gosto.
Elas rebolavam até o chão fazendo suas calcinhas aparecerem como se aquilo não fosse nada demais, e não me deixei levar por elas. Dançava como antes, com a diferença de estar cercada por duas mulheres estranhas. A musica era uma das melhores que eu jamais ouvira e estava no auge da minha animação quando olhei para o lado e vi James parado, me observando.
Vacilei no ritmo e acabei sendo empurrada pelas duas garotas, que agora tinham achado uma nova parceira. Encarei James por um segundo antes de me virar e andar em direção ao bar, certa de que estava tendo alucinações. Pedi mais um drinque e segui para o lado de fora da boate, precisava de um pouco de ar.
Os passos pesados com o salto alto faziam um barulho irritante na rua, o que me fez ter vontade de tirá-los.
– Não Noah, – disse em voz baixa – agora não.
– Falando sozinha?
Dei um pulo ao ouvir uma voz vinda de trás de mim. Segurei minha bolsa e me virei pronta para dar uma paulada num possível estuprador, mas Cory sorria para mim com aquele seu jeito encantador.
– É... Você sabe. Coisas de Noah. – disse enquanto sentava no meio fio, Cory ao meu lado.
– Você estava bem animadinha lá na pista de dança.
Comecei a corar. Então todo mundo tinha visto meu pequeno show?
– Estava precisando espairecer.
– Você fica uma gata nesse vestido. – ele disse olhando para as minhas coxas.
– Ahn, obrigada Cory. E a Annabeth?
– Annabeth? Ah, é mesmo, nem me lembro mais dela. A gente terminou faz um tempinho.
Franzi as sobrancelhas. Aquilo não iria dar certo.
– Ah é mesmo? Que pena. – disse sem nenhum remorso.
– Não sinto pena, tem coisa muito melhor no mercado.
Cory olhava nos meus olhos com aquele jeito Cory Pitters. Espera aí, o que estava fazendo? Foco Noah, foco.
– Entendo. Aquelas meninas lá na mesa de sinuca por exemplo. – dei uma risada sem graça.
– Por que você ficou tão chateada quando nos viu lá? Eu achei que você soubesse o tipo de cara que eu sou.
– Você e James pertencem à mesma raça, às vezes eu me esqueço disso.
Um silencio longo e constrangedor se fez entre nós dois. Estava tudo tão estranho, Cory estava estranho. Ele olhava o céu e de repente segurou a minha mão, apertando-a com força. Retribui o gesto como uma forma de carinho, talvez porque eu estivesse precisando de carinho depois das grosserias de Parker.
Estava distraída quando Cory puxou meu rosto de leve para olhar para ele, e olhei sem entender muita coisa.
– Você está tão linda. – ele sorria. – Aliás, você é linda.
– Cory, o que você está fazendo?
– Eu não sei Noah, só o que eu sei é que nenhuma garota mexe comigo como você.
E Cory Pitters juntou seus lábios com os meus num beijo suave.
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