The Quarterback
11 Capítulo 10 - AI MEU DEUS
Notas iniciais
Clap clap clap.
As palmas ecoavam atrás de mim fazendo meu corpo inteiro chacoalhar. Eu não me importava pelo fato de estar apenas de calcinha e sutiã na frente de um homem que eu nem sabia quem era. Eu me importava com a minha vaga no time. Eu precisava daquela vaga. O silencio que se fez em seguida foi vacilante e constrangedor. Eu não me mexia, ele não se mexia, nenhum dos dois falava nada. Eu rezava para que tudo ali fosse um sonho, mas sabia que era a realidade.
– Muito bem, Noah Collins. Ou eu deveria dizer Nina?
– Vai embora, por favor.
– Ah, mas o treinador vai adorar saber que temos uma menininha no time. – sua risada fez meus pelos do pescoço se eriçarem.
– Por favor, não fale nada para ele. – falei ainda de costas.
– Noah?
Silêncio.
– Noah porra, estou falando com você.
– Diga.
– Olhe para mim.
Eu não podia. Minhas mãos estavam completamente suadas, minhas pernas estavam bambas. Vi sua sombra desenhada no chão e todo o meu corpo estremeceu. Ele assoviava como se estivesse à toa em casa e não prestes a descobrir o segredo da minha vida, e aquilo despertou uma raiva tão grande em mim que minha vontade era me virar como uma loba e pular sobre ele até matá-lo. Voltando a realidade, coloquei a toalha em cima do armário e me virei de olhos fechados, apesar de ter uma boa ideia sobre quem me observava.
– Até que você tem um belo corpo.
Congelei. Aquela voz, aquele jeito de falar, aquela audácia. Eu conhecia. Queria chorar, praguejar, correr, fazer qualquer coisa ao invés de estar ali. Abri os olhos e tive certeza do que já esperava há muito tempo.
– James, por favor. Por favor, não diga nada para ninguém. Eu imploro.
– Por que Noah? Por que eu deveria te poupar?
– Eu sei, eu sei. Eu sou uma bosta de pessoa e te dispensei, mas, por favor, não fale nada para o treinador. É a minha única chance de continuar na faculdade.
Tornei a abrir os olhos e a cena qual a qual me deparei foi digna de Oscar. James Parker vestia apenas uma calça jeans, seus cabelos estavam despenteados de um jeito mega charmoso e ele sorria de um modo tão atraente que me senti tentada a me aconchegar em seus braços. Não Noah, não agora.
– Noah, Noah, Noah. Seu verdadeiro nome é Noah ou você mente sobre isso também?
Engoli em seco.
– Por favor. – sussurrei
James foi se aproximando de mim a passos lentos, até que chegou tão perto que seu corpo ficou colado no meu. Sua respiração estava forte e balançava meu cabelo de leve, e ele mantinha as mãos no armário atrás de mim, me deixando cercada.
– Não sei por que eu deveria poupar a sua vida. – ele sussurrou bem próximo ao meu ouvido.
– Talvez por que no fundo você seja uma boa pessoa? – arrisquei.
– Não, com certeza não.
Ele bateu no armário atrás de mim, me fazendo dar um pulo. Seu sorriso era superficial, diria até cruel. Coloquei a mão em seu peito e tentei afastá-lo, mas fazer isso era quase como tentar mover uma parede.
– James, para. Você está me assustando.
– Eu não acredito Noah, eu não acredito! – ele começou a gargalhar – Não acredito que tenho você nas mãos.
Não respondi porque sabia que era a mais pura verdade. Não deixaria que James contasse meu segredo para alguém, simplesmente faria tudo o que ele pedisse. Eu disse tudo, sem abrir exceções.
– Você deve estar super feliz, não é? – eu disse com um sorriso malicioso.
James olhou para mim com pontos de interrogação nos olhos. Quer dizer, não literalmente, não seria legal ter pontos de interrogação no lugar dos olhos.
– É, você deve estar bem feliz. Afinal, você teve a certeza de que não é gay! – dei uma risada forçada. – Ou você perdeu o tesão quando me viu sem o uniforme?
Olhei para o volume em suas calças e sorri. Não, ele não tinha desanimado. Olhei novamente para seu rosto e ele estava extremamente vermelho e bufando, os olhos vidrados.
– Olha aqui sua filha da puta metida a besta...
– Quem você acha que é para falar assim comigo, Parker? Vá tomar no..
– Você não merece minha piedade, você merece que eu te entregue para...
– Você só pensa em você, seu egoísta de uma fig..
– Cale a boca Collins, você não sab...
– Quem você pensa qu..?
– Eu disse cale a boca!
Nós gritávamos e interrompíamos a conversa um do outro, mas paramos instantaneamente. James veio andando em minha direção com seu melhor andar de bad boy, e voltou com as mãos no armário e o corpo colado ao meu.
– Escuta aqui mocinha, caso você abrir a boca para falar alguma coisa a respeito dessa fase gay, acabo com tua raça e destruo tua vaga no time.
– Digo o mesmo para você, mocinho. Se abrir a boca para falar algo sobre isso, — apontei para os meus seios- falo para todos que você é gay, e garanto que seu amigo concordará comigo.
Já ouvia os sinos da vitória. Noah Collins era mestre em persuadir pessoas. Tentei me afastar de James e vestir minhas roupas, que agora me faziam falta, mas seus braços musculosos não me deixavam sair. Eu dava murros em seu peito e braços, nada. Eu chutei sua canela, nada. Estava prestes a dar um chute no ponto fraco de qualquer homem quando ele me prendeu totalmente na parede com seu corpo.
– Não. – ele disse alto. – Aí não, aí é sagrado.
– Então me deixa sair.
– Não.
– Você é um idiota.
– Um idiota que você está louquinha para beijar.
Tentei olhar para seu rosto com minha melhor cara de morte, porém sua montanha de músculos não me deixava fazer qualquer tipo de movimento.
Ficamos em silêncio por tanto tempo que passei a me adaptar ao seu corpo colado no meu. Ele respirava intensamente, mas não movia nenhum músculo. A tensão em seu corpo era visível, como se ele fosse uma granada pronta para explodir, e eu não ficaria ali para ver o grande estrago que isso causaria.
Consegui me desvencilhar de seu corpo e saí pisando duro até minha bolsa, onde recolhi tudo o que estava no chão e coloquei dentro dela. Peguei minha blusa sem dizer uma palavra e já ia vestir quando senti um puxão tão forte que tive de me contorcer. James me segurou pelo braço e me fez virar de frente para ele, de forma bruta e ao mesmo tempo sexy.
– Se eu fosse você abaixava esse nariz comigo, esqueceu que guardo seu precioso segredinho?
– Ah, é? E o que você vai fazer?
– Eu tenho uma proposta. Você me serve, eu guardo seu segredo.
– S-se-servir?
– Isso mesmo, servir. – James suspirou. – É simples, você só tem que fazer o que eu mando.
– E se eu não quiser?
– Aí terei que contar a todos que Noah Collins é uma mulher.
– E eu poderei contar que James Parker é gay.
James não sorriu, nem ficou com raiva, sequer se mexeu. Ele me encarou por cinco segundos que pareceram eternos, antes de falar a frase que destruiu todas as minhas esperanças.
– É a sua palavra contra a minha. Posso provar a todos nessa escola que não sou gay, enquanto você não pode provar ser uma coisa que na verdade não é. – sorriu – Vamos lá Noah, seja boazinha e seu segredo vai ficar bem guardado.
– Eu topo. – disse bem baixinho
– Não ouvi direito.
– Eu topo o.k? Eu topo.
– Boa garota.
– Morra. – minha raiva era evidente
James segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou. Tentei me desvencilhar do beijo, mas não podia. E até que ele beijava muito bem. Ele me empurrou para o armário e prendeu meu corpo junto ao dele num beijo intenso, até que eu soltasse um gemido involuntário. Cedi aos seus lábios totalmente e comecei a arranhar suas costas numa ferocidade inacreditável, ficando cada vez mais entregue a ele.
James passava a mão por todo o meu corpo, me deixando sem ar. Seus beijos se tornaram mais agressivos, mordendo meus lábios e puxando meus cabelos. Ele soltava pequenos gemidos cada vez que eu o arranhava, o que me deixava mais estimulada.
– Ah James. – arfei
– Sabia que você se entregaria fácil para mim.
Tentei parar de beijá-lo, mas a sensação era a melhor do mundo. Ele sentou no banco ao lado dos armários e me puxou para seu colo, gerando uma posição peculiarmente excitante. Suas mãos apertavam minha bunda e seios, até que senti uma delas no fecho do meu sutiã.
– James, não, aqui não.
– Sh. – ele disse com a boca grudada a minha. – Fica quietinha.
Senti meu sutiã se soltar e de repente meus seios estavam livres. James pareceu ter ficado maravilhado com a cena, já que vi seus olhos brilhando. Quando ele estava prestes a se fartar deles, ouvimos uma voz que nos fez paralisar.
– Que porra está acontecendo aqui?
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