The Puzzle

1 Capítulo I


Notas iniciais
Here I'm guys!

Então, como expliquei tim tim por tim tim nas Notas da História (se você pulou essa parte, volta lá e lê, não é tão grande assim, vai), The Puzzle foi uma das minhas primeiras histórias aqui do Nyah (em 2012, por aí) e eu cheguei até a concluí-la na época.
Mas tempo vai, tempo vem, minha cabeça mudou e eu não estava satisfeita com o resultado. Eis que então, remexendo nos meu arquivos, começo a trabalhar novamente nessa lindona aqui e, tcharãn, aqui está para vocês!

Espero que gostem!

— Thalia, realmente precisamos fazer aquele trabalho – Katie disse, aparecendo de surpresa e fechando o armário da outra menina com o ombro.

— Quanta agressividade – Thalia não esboçava qualquer reação, mas o sarcasmo presente em sua voz seria perceptível por qualquer um que conhecesse a definição de “sarcasmo” – Achei que você estava em outra, Katie, dado continuidade às conquistas da sua mãe hippie, essas coisas.

— Olha, as duplas foram sorteadas, você sabe disso – Katie passou as mãos pelos cabelos castanhos enquanto tentava se acalmar e não surtar – E você pode até não ter mais nenhum interesse em nada da vida, mas eu realmente preciso desses pontos em química. Então, por favor, deixe de ser tão apática pelo menos uma vez na vida e vamos fazer esse trabalho.

— “Apática”, vejo que incrementou seu vocabulário. Enfim, tudo bem. Nos vemos na biblioteca hoje a tarde. – ela disse, ajeitando as mochilas nas costas e deixando a outra sozinha. Antes de se afastar muito, virou-se para ela e completou – Ah, esqueci a tabela periódica hoje, acho melhor você levar a sua.

Katie bufou enquanto olhava a garota se afastar mais e mais pelo corredor. Ela não sabia porque estava sendo tratada assim, quer dizer, o que ela tinha feito para a garota? Sentiu uma mão em seus ombros e viu Annabeth, sua amiga, sorrir em empatia.

— Não liga com isso. Thalia sempre foi assim, você sabe, é o jeito dela.

— Não aguento mais, Annie. Eu tentei ficar calma, juro que tentei. Tentei colocar na minha cabeça que ela só está agindo assim porque o irmão dela ‘tá internado de novo, mas eu não entendo. Nós sempre estávamos juntas. Eu, você, – ela sorriu para a amiga, que estava ajeitando a tiara no cabelo loiro e sorrindo de volta – Thalia, Silena, Calipso... Mas aí Calipso foi embora, Silena resolveu revelar seu lado mais popular, Thalia resolveu se rebelar... Não dá.

— Nós também mudamos, Katie. Você agora está usando mais vestidos... E eu, bem, eu troquei minha armação dos óculos – ajeitou o acessório no rosto, evidenciando sua fala – Não somos mais as mesmas, Katie, nenhuma de nós. E já faz muito tempo desde que andávamos todas juntas, já chegou a hora de superarmos, não acha?

— Provavelmente você está certa.

— Eu sempre estou certa, até hoje não aceitou isso, Katie? – sorriu, em vitória após a amiga somente bufar para ela – Tenho história no primeiro período, e você?

— Física, infelizmente. Não quer trocar?

— Vou te deixar a sós com os números, ou melhor, com as letras que agora estão no lugar dos números. Tenho de ir descobrir qual foi a causa da primeira guerra mundial, não é mesmo?

— Você já sabe que foi a morte de Francisco Ferdinando, Annie, para de fazer charme.

A loira deu de ombros como resposta, andando para longe da amiga, enquanto Katie apenas rolou os olhos em retorno.

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Annabeth ouvia o professor comentar sobre a Primeira Guerra Mundial enquanto olhava pela janela, tentando montar a cena que ele desenhava nas palavras mentalmente. Podia visualizar um cara andando em sua carruagem com uma mulher ao lado pelas ruas da cidade quando subitamente levou um tiro com perfeição, e pegou-se sorrindo ao imaginar como o mundo se desenrolaria se não fosse aquilo. Inglaterra ainda seria uma potência, talvez os Estados Unidos não tivessem onde está hoje.

O sinal tocou e em um instante juntou suas coisas e saiu para o corredor, trombando com Milla – a insuportável Milla – na saída da sala, deixando todas as suas coisas e as coisas dela caírem no meio do caminho.

— Olha por onde anda, quatro olhos – ela resmungou.

Annabeth respirou fundo e ignorou o ataque que a garota provavelmente iria fazer daquele simples acontecimento – ela até mesmo rezou para que pudesse ficar invisível naquele momento, mas suas preces pelo visto não foram atendidas. Se abaixou e começou a juntas as suas coisas rapidamente, e já ia se levantando quando a outra continuou:

— Você tem de aprender qual é o seu lugar, sua nojentinha. Seu lugar é de onde você acabou de levantar, ajoelhada e lambendo o chão por onde passamos. – ela trombou novamente com a garota, fazendo suas coisas caírem novamente no chão.

— Hey, quem você pensa que é pra falar com ela desse jeito? – Thalia apareceu (aparentemente de lugar nenhum) e empurrou Milla pelos ombros.

— Quem você pensa que é para me tratar assim?! – ela empurrou a morena novamente.

Katie, que chegou a tempo de ver o empurrão que Thalia levou e o momento exato que a mão dela se fechou em um punho, logo adentrou o que já havia se transformado em uma rodinha de pessoas que certamente esperavam por uma briga entre garotas, e se pôs no meio das duas.

— Vamos todos nos acalmar, sim? – ela disse, permanecendo entre elas (e correndo um sério risco de levar um tapa – ou um murro – no processo).

— Sai daqui, hippiezinha, a briga não é sua hoje – Milla respondeu, ácida, encarando Thalia por cima do ombro de Katie (o que, convenhamos, com a altura nada avantajada dela não era algo muito difícil).

— Milla, chega – Silena não aguentou olhar mais para aquela injustiça e interviu, colocando a mão no ombro da garota para freá-la.

— Ninguém te chamou aqui, Silena, não é assunto seu. Só estou ensinando essa quatro olhos do caramba a ficar no seu lugar – ela disse.

Thalia aproveitou-se da distração que Milla estava tendo e passou por Katie desferindo um tapa na bochecha da garota. Todos da rodinha fizeram um longo “uhhh” ao ouvirem o estalo do tapa que – quase – ressoou pelos corredores – mais tarde, Silena poderia jurar que ouviu alguns “isso eu não deixava” de alguns dos curiosos, e também um “arrasou prima” sendo gritado.

Milla ia revidar, mas nesse momento, Quíron, o professor de história e vice-diretor rompeu a rodinha – todos correram dali ao verem quem havia chegado, com medo de serem punidos também, e a rodinha logo passou a ser apenas uma lembrança.

— O que está acontecendo aqui, senhoritas?

Milla mostrou seu rosto, ainda vermelho e com a marca dos dedos de Thalia para o professor, choramingando.

— Ela – apontou para Thalia acusadoramente – me fez isso – apontou então para o seu rosto.

— Pois bem, Srta. Grace, pode ir para a diretoria.

— Mas senhor – Annabeth interviu – a Milla quem começou, quando me empurrou no chão. Thalia só estava me defendendo.

— Ah, agora ainda serei caluniada – Milla fingiu (maravilhosamente bem).

— Não vamos ser falsas, Milla – Katie disse para ela – Apesar de isso combinar perfeitamente com a sua personalidade, vamos ser sinceras agora, sim? Thalia somente apareceu porque você estava, como sempre, sendo maldosa.

— E quem te chamou aqui? – ela disse, antes de lhe lançar um olhar nem um pouco amigável.

— Não começa de novo – Thalia ameaçou, o qual Milla respondeu com um dar de ombros provocativo.

— Chega! – Sr. Quiron disse com autoridade, pondo fim naquela discussão – Vão para a diretoria. As cinco.

— Hun... Senhor? – Silena disse – Acho que entendi mal, mas as cinco? Eu não fiz nada – ela sorriu de lado.

— A senhorita permaneceu aqui, vai também. Lá vocês se explicam ao diretor. Vamos, agora! – ele disse uma última vez.

Milla marchou impaciente e levantando os pés bem alto em manha, bufando de raiva enquanto ia rapidamente para a sala do diretor. Katie ajudou Annie a arrumar suas coisas no braço já que, catadas com pressa do chão, as folhas estavam em mais completa bagunça, antes de seguirem lentamente o mesmo rumo que Milla. Thalia seguiu pouco a frente das duas, e Silena um pouco atrás.

— Hun... Obrigada – Annabeth tossiu antes de falar aquilo com a voz firme – Obrigada, Thalia, e obrigada, Silena, e obrigada, Katie.

— Imagina – Katie disse, a abraçando enquanto ainda caminhavam.

— Não fiz nada demais – Silena disse, cabisbaixa.

Thalia apenas resmungou e deu de ombros, chutando uma bolinha de papel que encontrou enquanto andava. Continuaram caminhando o corredor em silêncio, e chegaram à sala do diretor da mesma forma. Sentaram-se as quatro nas cadeiras de um dos lados da sala (enquanto Milla as encarava com um olhar que se ela pudesse seria um a la Ciclope). Silena remexia na sua bolsa incansavelmente tentando achar algo – qualquer coisa – que pudesse fazer para aliviar um pouco a tensão, enquanto Thalia apenas mascava um chicletes com as mãos no bolso do casaco, observando o – muito interessante – rejunto do piso. Katie analisava a estampa de sua saia com muito cuidado, e Annie certamente iria roer toda e qualquer cutícula que restasse em seus dedos até que o diretor as chamasse (se demorasse muito, provável que ela começaria a roer os próprios dedos).

— Garotas – a secretária chamou – Podem entrar.

Antes de Katie (que era a última) passar por ela e entrar na sala, ela agarrou a jaqueta da garota.

— Ele não está em um dia bom – sussurrou.

— Se algo acontecer – Katie sussurrou de volta para ela – Ative o alarme de incêndio, combinado?

A funcionária sorriu para ela e piscou, enquanto fechava a porta atrás da garota.

— Bom, bom, bom. O que temos aqui? – o diretor, Sr. D., como todos o chamavam, estava com os pés sobre a mesa e com as mãos cruzadas enquanto olhava para elas. – Bom, desembuchem.

Elas começaram a falar muitas de uma vez, Thalia e Milla discutiam entre si, enquanto Annabeth tentava explicar para o Sr. D. o que havia acontecido, Silena tentava a ajudar e Katie a intervir entre as duas primeiras. O diretor calmamente revirou os olhos, bufou e em seguida deu um tapa na mesa.

— Chega! – as cinco pararam de falar e olharam para ele espantadas – Vou dizer como vai ser. As cinco estão de detenção. A semana toda. É só isso, obrigado, podem se retirar. Tenho coisas mais importantes a resolver.

— Mas senhor! – Silena tentou argumentar – O senhor nem ouviu o que aconteceu!

— Se estão aqui, alguém julgou que fizeram algo errado. Bom, vou confiar no julgamento dessa pessoa. – ele deu de ombros. – É só isso, podem se retirar.

Se um olhar pudesse matar, elas tiveram certeza que seria aquele olhar que Milla deu para elas naquele momento – por tudo quanto é Deus que exista no mundo, Katie estremeceu em um arrepio que começou bem fundo no peito e se espalhou em um calafrio. Ela saiu da sala antes das outras quatro, com uma promessa silenciosa de “isso vai ter volta” e bufando tão alto que até a secretária do lado de fora pode ouvir.

As outras quatro saíram juntas da sala e pararam lado a lado no corredor em frente à sala do diretor, segurando o pequeno papel que a prenderiam por horas a mais durante toda a semana na escola.

— Acho que vejo vocês na detenção então, garotas – Silena sorriu, mandando um beijinho a todas antes de se virar e sair pelo corredor.

Thalia revirou os olhos, tomando a direção oposta, enquanto Annabeth e Katie se entreolharam e deram de ombros.

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— Um café, garotas? – Silena disse, com a mão apoiando a bolsa em seu ombro. Ao ver o rosto descrente que Katie e Annabeth fizeram uma para a outra, acrescentou – Acabaram as detenções... vamos! Pelos velhos tempos.

— Mal não vai fazer, Annie – Katie deu de ombros, topando – Vamos lá. Annie, Thalia...

— Um café. Só isso. – Thalia foi decisiva ao falar.

As quatro caminharam até o café da esquina ali perto, sentando-se na mesa do canto, aquela com as cadeiras altas. A garçonete logo lhes serviu com os seus dois cappuccinos, um expresso e outro café preto. Silena sorriu.

— É como nos velhos tempos, não é? – ela estava animada.

— Só que sem a Calipso... – Annabeth comentou, nostálgica.

— Onde ela está agora? – foi a vez de Katie.

— Bom, — Silena começou – da última vez que tinha conversado com ela, o que já faz um bom tempo, pra ser sincera, ela estava na Suíça, mas iria em breve para a Grécia. Então, honestamente, não sei. – ela deu de ombros, rindo.

— Honestamente, espero que ela me mande pelo menos uma lembrancinha. – Thalia comentou, dando de ombros novamente.

— Calipso podia ser uma vaca – Silena comentou, fazendo as outras a olharem surpresas com a revelação (ou, melhor, com a expressão do pensamento de todas as pessoas que já chegaram a conviver com a garota) – Mas ela era meio que a nossa vaca, né?

— A verdade é que, garotas, eu sinto falta de vocês. – Katie suspirou – Calipso foi embora e nós simplesmente nos separamos, fomos cada um para um canto. Eu sei que não somos o grupo mais formidável da vida, principalmente porque somos tão diferentes.

— Somos, não somos? – Annabeth sorriu, acenando com a cabeça.

— Se por um acaso nos colocassem em um lugar, seríamos as últimas pessoas que qualquer um imaginaria que fossemos fazer contato, vocês sabem – Thalia pronunciou.

— Mas nós dávamos certo – Katie continuou – Nós éramos incríveis juntas.

— Calipso nos uniu, em primeiro lugar, se você não tiver percebido – Thalia comentou.

— Calipso não é o centro do universo – Annabeth revirou os olhos – Acho que a gente se esquecia disso bastante.

As outras três olharam para ela, assustadas, enquanto a loira apenas dava de ombros e murmurava um “é verdade”. Ficaram um tempo as quatro encarando suas bebidas, Silena até mesmo brincava com a canela em cima do seu cappuccino o balançando de um lado para o outro.

— Olha só – ela mostrou pra elas, depois de um tempo – Está parecendo uma flor, não está?

— Sabe – Katie comentou – Annie ‘tá certa. Eu sinto saudades de vocês, garotas, e não é só porque Calipso não está aqui que não podemos funcionar juntas.

— Vocês estão certas – Silena sorriu animada – Eu realmente gostava das nossas tardes juntas, e sinto muita falta das festas de pijama, vocês sabem.

— Thalia? – Annabeth perguntou insegura.

— Eu realmente não acho que isso vá funcionar – ela simplesmente disse.

— Ah, Thalia – Silena sorriu para ela, enquanto Annabeth a encarava por cima da lente dos óculos – Você não tem como saber isso.

— Eu ‘tô bem do jeito que eu tô, desculpem, garotas – Thalia pegou a sua mochila e levantou-se da mesa – Vejo vocês depois.

As três encararam – um pouco pasmadas, tinham de admitir – a garota caminhando para longe dali.

— Bem – Silena tentou descontrair – Pelo menos sabemos que a Thalia continua adorando saídas de impacto.

As outras duas deram risinhos, embora ainda não tivessem de fato superado aquela saída não esperada da amiga.

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— Vocês não acreditam – Silena jogou a bolsa em cima da mesa antes de se sentar, falando “o de sempre” para a garçonete antes de continuar sua frase – Travis e Connor Stoll inventaram um prêmio idiota de uma manga dourada, algo assim, para a garota mais bonita da escola. Milla e algumas dessas outras meninas começaram a brigar, realmente brigar, por esse prêmio. Enfim, depois de discussões e alguns puxões de cabelo, que foram incríveis de ver, Milla pegou a manga e se declarou a mais linda daqui. Aí os gêmeos soltaram tinta dourada nela toda como o grande prêmio e ela estava até agora no banheiro tentando tirar a tinta que não sai de jeito nenhum. Vocês tinham de ter visto.

— Não acredito – Annabeth disse depois de rir por um tempo junto com Katie – Sempre perco as coisas interessantes que acontecem nesse lugar. Deve ser algum tipo de maldição.

— Nunca gostei muito dos gêmeos – Katie deu de ombros – Mas eles mereciam algo por essa proeza, isso foi incrível.

— Hun, oi – um dos gêmeos Stoll apareceu por sobre o ombro de Katie – Não que eu estivesse ouvindo a conversa de vocês, e não é como se eu estivesse fugindo da detenção aqui nesse café, mas o que exatamente nós merecíamos?

Katie apenas revirou os olhos e ignorou o garoto, que deu de ombros e voltou a conversar com o irmão e os outros amigos que estavam sentados na mesa ao lado das garotas.

— Voltando para o nosso assunto – Silena continuou – Vocês tinham de ter visto a cara da Milla.

— Se voltarmos lá talvez ainda dê para vermos – Annabeth comentou, olhando para o relógio de pulso – Ela ainda deve estar tentando tirar, podemos simplesmente fingir que estamos indo ao banheiro... Algo sutil.

— Você é má, Annie – Silena disse – Mas adorei a sua ideia. Vamos!

Elas ajeitaram as bolsas e mochilas, pagaram a conta e saíram. Já era inverno, então elas estavam ajeitando os cachecóis ao redor do pescoço, rindo enquanto tentavam manter os cabelos no lugar por causa do vento.

— Oi pessoal – Thalia estava ali, parada na frente delas, encolhida diante do vento.

— Oi Thalia – Katie cumprimentou a garota.

— Estávamos indo ver Milla de dourado, quer ir também? – Silena quebrou o silêncio desagradável que perdurou por alguns (incrivelmente longos) segundos.

— Seria ótimo – ela sorriu.

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— O que eu estou dizendo é – Katie continuou, enquanto dedilhava uma música qualquer no violão – Não faz o menor sentido eu continuar me matando por causa de literatura. Eu já aceitei meu destino como não amante da literatura, principalmente literatura russa na qual o nome dos personagens inevitavelmente terminam com y.

— Pelo amor de Deus, Katie, se você continuar com essa melodia por mais um único minuto eu vou te matar – Thalia disse – É a mesma desde o início da semana, eu não consigo tirar ela da cabeça nem quando ‘tô dormindo.

— Isso é verdade – Silena concordou – Sonhei com ela essa semana.

— É só que comecei a tocar ela um dia e agora não consigo parar – ela comentou –Vocês sabem, é um hobby meu. E não é porque eu quem escrevi, mas a letra fica na cabeça.

— Bom, – Annabeth fechou o livro que estavam discutindo para a aula de literatura e o pôs de lado – porque não mostra pra gente? Ninguém está mais concentrado no livro mesmo.

— Não ficou lá muito boa, não tenho experiência nisso.

— Anda, Katie. Vergonha da gente, sério? – Silena brincou com ela, se ajeitando para prestar mais atenção na amiga.

— OK, mas não é lá grande coisa.

Ela começou a tocar a música, cantando no início bem baixinho e, lá pro meio da canção, soltou a voz de verdade. No fim, dedilhou mais um pouco a mesma melodia que estava tocando sempre e sorriu para as garotas, esperando que elas lhe dissessem algo. A medida que os segundos iam se passando e elas não diziam nada, o sorriso dela foi murchando ao ponto que ela disse:

— Bem, eu disse que não era grande coisa.

— ‘Tá brincando, Katie? – Annabeth foi a primeira a conseguir dizer algo – Essa é uma das melhores músicas que já ouvi, sério!

— Meus dias se baseiam em músicas, e essa foi uma música que eu definitivamente colocaria na minha playlist. Você é ótima, e eu não estou falando isso como falavam para a Phoebe, sério! – foi a vez de Thalia.

Silena começou a cantar "smelly cat" ao fundo, com uma voz desafinada, fazendo todos rirem, antes de continuar:

— Você não pode esconder esse talento do mundo – Silena simplesmente disse.

— Ah, obrigada garotas, não exagerem – ela disse, colocando a franja para trás da orelha.

— Katie, eu não ‘tô brincando e nem exagerando. Eu realmente acho que você não devia esconder isso do mundo. Já pensou em colocar um vídeo em algum lugar?

— Ah, até parece Si – ela simplesmente disse, rindo e voltando a tocar algo no violão – Eu, na frente de uma câmera, cantando.

— É sério. Com uma música dessas e uma voz igual a sua, você realmente podia fazer sucesso.

— Aham, falou a garota que toca baixo maravilhosamente bem e nem conta pra ninguém que sabe. – ela comentou, distraidamente.

— Katie! – Silena ralhou com ela.

— Ah, não brinca que você sabe tocar – Thalia comentou, sorrindo.

— Por que nunca tocou pra gente ver, Silena? – foi a vez de Annabeth.

— Eu não toco bem – Silena disse, ainda lançando um olhar classificado nada menos que mortal para Katie, enquanto ela levantava as mãos em sinal de rendição e pedia desculpas com o olhar.

— Ah, sim, igual a Katie disse que “não é lá grande coisa” – Annabeth rolou os olhos.

— A gente devia montar uma banda – Thalia comentou.

— A gente devia totalmente montar uma banda – Silena concordou animada, com os olhos já brilhando diante da perspectiva.

— Não sei se vocês já assistiram How I Met Your Mother – Annabeth começou, recebendo olhares de “é claro que sim” e de “não muda de assunto” – Mas tem um episódio em que o Barney e o Teddy dizem, vocês sabem, “we should buy a bar” e “we should totally buy a bar”, e eu estou com um sentimento de dejá-vu imenso aqui. E, sabem, isso dá merda. Então... É melhor não.

Ela concluiu o raciocínio como se tudo aquilo fosse muito lógico – e Katie realmente acenava com a cabeça como se realmente fosse – mas Silena e Thalia não se contentaram.

— Ah, Annie, eu sei que você é ótima no teclado, e a Thalia com a guitarra e tudo mais – Silena insistiu.

— Talvez a banda seja uma ideia um pouco precipitada... – Katie comentou, tentando mediar a situação – Podíamos tocar uma música. Combinar de tirar uma tarde e tocarmos juntas algumas músicas que nós gostamos, sei lá.

— É, pode ser – Annabeth disse, e as outras duas fizeram sinais de concordância em seguida.

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— Isso foi simplesmente incrível! – Silena praticamente gritou assim que Thalia tocou o último acorde na guitarra.

— OK, devo admitir – Annabeth começou, enquanto posicionava o copo para Katie lhe servir um pouco de refrigerante – Foi maravilhoso, bem mais do que eu esperava.

— Agora a ideia da banda não parece tão ruim assim, hun – Thalia comentou, rindo com um pouco de “eu disse e vocês não me escutaram”.

— Não é porque tocamos uma vez juntas que somos uma banda, Lia – Katie comentou.

— Porque tocamos uma vez maravilhosamente bem, ênfase nisso – Silena disse, trocando um high five com Thalia.

— Olha, garotas, desculpa decepcionar vocês, mas de jeito nenhum eu entro nesse negócio de banda – Annabeth disse, muito séria – Os contras são maiores, muito maiores que os prós. Eu quero ser uma arquiteta, não uma integrante de banda. Além disso, até parece que eu iria querer tocar no meio de um monte de gente.

— E se – Silena começou, enquanto pegava uma torrada que estava ali perto – nós não fôssemos nós enquanto estivermos tocando. Algo como um passatempo, só final de semana. Mas se a gente se disfarçasse.

— Silena, isso não é um filme de comédia, onde disfarces realmente funcionam – Katie riu.

— Eu consigo, sério, deixar vocês tão irreconhecíveis que nem vocês mesmo conheceriam vocês. Vamos tentar, sério – ela disse, animada.

— Concordo com ela – Thalia acenou – Uma música, um vídeo no YouTube. Até porque, não é porque disponibilizaremos o vídeo que ele vai da noite para o dia ter um milhão de acessos e tudo mais. Será só um passatempo. Um vídeo por mês, coisa à toa. – ela deu de ombros.

— Isso – Silena acenou pra ela, concordando.

— Tá, tá bom. Eu topo – Katie se rendeu diante do olhar de cachorro abandonado que Silena fazia para ela – Uma música. A gente tenta uma vez, se der certo, ótimo; se não, deixamos pra lá.

— Isso – Silena e Thalia concordaram, com a primeira batendo palmas.

As três então encararam Annabeth, que propositalmente disfarçava seu olhar super concentrada em ler o rótulo do seu refrigerante. Não suportando mais, ela olhou para as amigas.

— AH, tá bom – as outras festejaram, antes dela continuar – Mas só se os disfarces que Silena arranjar ficarem realmente bons. Se não, nada feito.

— Uh, altas responsabilidades – Thalia brincou com Silena, que soltou um “ah, cala a boca” antes de abraçar a amiga que tinha concordado.

— A gente vai arrasar – Silena completou, enquanto as outras duas se juntavam no abraço.

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— Então é isso, pessoal – Katie falava ao microfone, totalmente irreconhecível dentro daquele vestido, da peruca ruiva, da maquiagem e das lentes de contato – Nós somos as The Puzzle e esperamos que vocês tenham gostado da nossa música. Até a próxima!

Ela andou até a câmera e a desligou.

— É isso – ela disse para as outras três, recebendo sorrisos em resposta – Annie, pode começar a editar.

— Até o fim da tarde estará online.

— Tomara que dê tudo certo – Thalia comentou.

— Dará – Silena sorriu confiante, desligando o baixo do cabo.

Notas finais
E aí, o que acharam?

Bom, a música que elas cantam (na história, composta por Katie) é a "Somebody", do filme da Disney Lemonade Mouth.

Espero que tenham gostado,

Até o próximo (ou até os comentários, espero eu!),

Beijinhos,

Paulie.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.