The Puppet

10 Epílogo – Luzes da Morte


Notas iniciais
Como o prólogo foi narrado na perspectiva do nosso assassino, nada mais justo do que o epílogo também ser. Nos despedimos nas notas finais!

Hoje, as luzes pareceram brilhar em um tom mais intenso para mim. Durante muito tempo, busquei sentido na vida, uma forma de me encaixar em uma sociedade disforme que certamente não era e talvez nunca seja capaz de me compreender.

Busquei em tantos rostos o seu, em tantas peculiaridades algo que me lembrasse sua existência, o sopro de vida que você causava em mim, a forma com a qual fazia meu coração bater.

Mas a verdade é que sempre que me aproximava disso, acabava surpreendido por uma luz fosca, fraca e que se apagava rapidamente. Pois nenhum brilho, Sasori-san, jamais será como o seu.

E agora, enquanto caminho para o meu destino final, sem me importar com a sensação do que virá depois, apenas sinto a plenitude daquilo.

Não sei se acredito em pós-morte.

Pois, para mim, essa sempre foi a única vida e viver nunca fez sentido desde que você morreu.

Compreendo isso por fim, enquanto caminho para o meu destino final, observando a forca que me aguarda como rege o sistema penal do Japão.

— Está confortável? – Um dos guardas pergunta de maneira tétrica. Não me importo com isso, no entanto, soltando um riso de escárnio no processo.

— Tem como ficar confortável em uma forca? – pergunto, enquanto ele passa o laço pelo meu pescoço.

Observo meu irmão, Kankuro, na plateia. E não sinto nada. Pois nele não há nenhuma luz. Assim como eu, ele foi condenado, mas sua pena não é de morte. E lhe foi permitido, como minha única família, assistir à execução.

Mais afastado, vejo o motivo que me trouxe até aqui. Sentado em uma das cadeiras, acompanhado por sua família, ainda com sua própria luz peculiar. Ele, que me derrotou, que foi capaz de seguir até o fim. Tudo porque Kankuro foi fraco. Porque os humanos são fracos.

Vejo ao seu lado o namorado por quem tanto chamava e me lembro dos dois da escola. De Sasuke também. Já não me importo. Apenas sorrio para eles e para a garota de olhos perolados que esconde o rosto na curva do pescoço de Kiba, chorando copiosamente.

Por que minha última refeição não poderia ser matá-la e me deliciar com o processo?

Mas nem a isso tenho direito. Apenas horas antes da execução ser marcada é que fui avisado. E essa é a minha pena por todos os crimes que cometi.

Ouço as palavras citadas por aquele que comanda a execução, mas não me importo. Meu olhar permanece firme para frente, tentando enxergar a luz que sempre busquei.

Será que ela existe? Será que, mesmo que seja um fraquejar tolo meu, poderei me encontrar com você na forma de uma luz?

— Últimas palavras?

— Enfrentei o terror da morte, e transpondo-o encontrei a flor da vida.

Não sei por que as palavras de Victor Hugo são as últimas que me vêm à mente. Talvez porque você fosse tão completamente aficionado à sua leitura periódica. Fecho os olhos, sentindo por um último momento o cheiro do seu perfume, da madeira enquanto trabalhávamos em nossas novas criações. E me lembro de seu rosto, e de como o eternizei tão perfeitamente.

É do que me lembro quando colocam o capuz em minha cabeça. Quando o chão some dos meus pés e me contorço brevemente antes do momento final.

O desespero me toma, como a todos os humanos. Não quero morrer. Mas sinto que quero. O corpo luta para viver. Minh’alma grita para morrer.

E por um breve momento, vejo a luz. Uma luz que brilha mais forte que todas as outras. Vejo você.

E então tudo é escuridão.

Porque o fim nada mais é que o vazio ao qual decidi abraçar.

Notas finais
Então, é isso. Enquanto escrevia o capítulo, fui pesquisar a respeito da Pena de Morte no Japão, crente que eles usariam a injeção letal como método principal. E de queixo caído ao descobrir que lá é a forca, minha gente! Socorro! Outra coisa que descobri na pesquisa, é que os condenados à morte descobrem apenas poucas horas antes que vão ser enforcados! Isso é aterrorizante, vocês não acham? Enfim, como minha despedida já foi feita lá no capítulo final, não quero me prolongar. Espero apenas que esse epílogo deixe um pouco do gostinho do nosso assassino para vocês! Nos vemos no próximo projeto, pessoal!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!