The Proposal - Brittana
3 Serviço de Imigração
Talvez, a Pierce ainda estivesse mergulhada entre lençóis no quentinho de seu apartamento, perfeitamente segura daquele absurdo. Tendo, apenas, um pesadelo inofensivo. Pff, ela e Santana Lopez casando?! Não... Não podia ser real, em nenhuma circunstância. Por isso estava em completo estado de choque. À medida que ela retornava ao seu setor atrás de Santana, via rostos familiares em seus lugares a enviando sorrisos maliciosos, comentários e caretas, sem controle. Brittany poderia desmaiar facilmente, sentia-se vertiginosa e enjoada. Será que se alguém a beliscasse ela acordaria? Ela esperava com toda a sua alma que sim, mas ao tentar, não obteve sucesso.
F
O
D
E
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Ao entrarem no escritório de Santana, a editora-chefe meramente se acomodou em sua cadeira e começou a mexer em algumas papeladas, ignorando a existência da loira novamente. Brittany estava sem chão, prestes a desenvolver asma. Apertou os punhos, respirando o mais fundo que pode e permaneceu ali, parada, somente fitando a Lopez. Esperando alguma coisa dela. Ela PRECISAVA entender. Notando o comportamento atípico da assistente, a latina enfim se deu o trabalho de olhar para ela.
— Que foi?
— Eu... Não entendi o que tá acontecendo.
— Relaxa, isso vai ser bom pra você também.
Oi?
— Explica, por favor.
Ela deu de ombros, fixando os olhos no que fazia em sua mesa.
— Eles iriam promover o Abrams para a posição de editor-chefe.
Brittany ainda não compreendia bulufas daquele diálogo, nossa senhora.
— Logo, eu me caso com você?
Santana voltou a fitá-la, intensamente.
— Qual o problema nisso? Estava se “guardando” pra alguém especial?
— Gosto de pensar que sim... — Seu rosto começara a se contorcer em raiva. — Além disso, isso é ilegal.
— O que? — Ela riu, divertindo-se com o estado da outra. As caras que a Pierce fazia eram impagáveis, talvez fosse por essa razão que evitava tanto olhar para ela. — Casamento gay, querida? Achei que fosse atualizada.
— Não! Para de se fazer de desentendida... — Brittany olhou para os lados e se aproximou da mesa, para falar mais baixo. — Sabe muito bem do que estou falando.
Santana revirou os olhos e mirou-os nos arquivos em mãos, outra vez.
— Brittany, estão atrás de bandidos e terroristas. Não editores de livro com o visto vencido, ou os assistentes deles.
— Santana... — A loira apoiou as mão na mesa.
— Sim?
— Eu. Não. Vou. Me casar com você.
— Claro que vai. Porque se não casar, o seu sonho de tocar a vida de milhões de pessoas com sua escrita, morre. — Os olhos castanhos fizeram questão de examiná-la, após a chantagem. Brittany ficou sem reação e Santana soltou um lápis na mesa e apertou forte suas pálpebras e lábios, com isso, a Pierce supôs que uma explicação mais aceitável estava a caminho. — Arthur demitiria você no segundo que eu saísse, eu te garanto. Dessa forma estaria desempregada, vagando por aí, em busca de outro emprego. O que significaria que, todo o tempo que passamos juntas, todos os cafés, todos os encontros cancelados, todas as saídas repentinas e ligações de madrugada foram inúteis e o seu grande sonho não demoraria a morrer na praia...
Uau.
— Mas, não se preocupe.
— Não...?
— Depois do prazo exigido nos divorciamos e pronto, não teremos mais nada. Porém, até lá, goste ou não, está algemada a mim. Entendido? — Ela voltou a mexer nos documentos e o som de seu telefone ecoou pelas paredes, agravando a recente dor de cabeça de Brittany. — Atende.
(...)
Enquanto retornava a sua mesa, a Pierce foi puxada por Blaine para um canto do setor. Ele estava surpreso. Ou melhor, espantado, confuso, tudo junto e mais um pouco. Bom, não era como se a dos olhos azuis estivesse muito diferente dele... Para combinar. Até nisso a amizade dos dois sincronizava.
— Como assim você e a Santana vão se casar? O que diabos tá acontecendo? Desde quando estão juntas, Britt? E se estão juntas, por que não me disse nada? — Ele se atropelou em perguntas, ainda sem poder acreditar. — É por isso que não fica com ninguém há semanas na balada? O relacionamento de vocês era aberto antes? Era isso que queria me contar mais cedo? Sobre o casamento?
— Eu não... Posso ter essa conversa com você agora. Desculpa, Blaine.
— Como assim?
Ela via tudo em câmera lenta, precisava de ar. Espaço.
— Preciso voltar ao trabalho.
— Eu recebo uma bomba dessa do nada e você ainda vai me fazer esperar por respostas? Sério? — O Anderson se atentou ao mal estar da amiga e deu um passo à frente, preocupado. — Tá tudo bem, Britt?
— Sim, claro... Por falar nisso, você vai ter outra companhia no show da Beyoncé.
— Quê?
— Dei meu ingresso pra Kitty.
— Você o quê?!
— Desculpa... — Ela começou a se afastar, desnorteada. — Eu preciso ir. Te amo, até depois.
(...)
Serviço de imigração, tá aí um lugar que Brittany nunca pensou que precisaria visitar e agora lá estava ela, junto a sua futura esposa de mentirinha. A fila era grande, muitos estrangeiros aglomerados, as duas ficariam nela por um bom tempo, com certeza. Duas horas, no mínimo. Santana tinha os papéis necessários na mão, e estava na frente da Pierce. Pararam atrás de um casal. De repente, a morena resolveu que o melhor a se fazer ali era furar a extensa fila. E não haviam se passado nem cinco minutos. Possivelmente, nem um.
— Vem.
— Santana...
A latina estalou os dedos, sem olhar para trás.
— Voa!
— Mas, a fila...
— Quieta. Vem logo.
Não era como na cafeteria. Naquele local, as pessoas estavam esperando por horas e mais horas estressantes, espremidas, sem a luz do sol, café ou ar fresco, ou uma máquina de salgadinhos que funcionasse. Umas estavam em pé, outras sentadas em bancos desconfortáveis. Brittany se sentia horrível. Muito, muito horrível.
— Próximo! — O atendente chamou.
Santana correu na frente do primeiro da fila e sorriu, disfarçando seu desaforo.
— Eu só preciso fazer uma perguntinha, se não se importa. — Ela olhou para o recepcionista, apoiando os documentos no balcão. — Preciso que dê entrada nesse visto de noiva pra mim, por favor.
O cara a fitou perplexo com a ousadia, sua cara era de nojo. Puro desgosto. Mesmo assim, ele decidiu as recepcionar.
— Brittany Pierce e Santana Lopez?
— Isso.
— Venham comigo.
(...)
Fazia alguns minutos que Santana e Brittany estavam sozinhas naquela sala, a dos olhos azuis sentada numa cadeira pensando no pior. Não dava para não pensar no pior. O pior estava ali, se esfregando em sua cara. A cada tic do relógio no fundo do gabinete, a loira se via sendo descoberta, a cada tac... Presa. Arrastada. Assim como acontecia com algumas pessoas do lado de fora da micro salinha, no corredor propositalmente visível através da janela.
— Tô com um péssimo pressentimento. — Ela confessou a Santana, que permanecia em pé no celular, preocupada apenas em resolver aquilo logo. — Você não tá?
— Shh...
Elas notaram um senhor passar pela porta, direcionando as atenções a ele.
— Olá. — Ele as cumprimentou, antes de se sentar a mesa à frente. — Eu sou o Sr. Hummel, mas podem me chamar de Burt.
— Ok, Burt... — Santana sorriu forçado. — Boa tarde.
— Vocês devem ser... Santana Lopez e Brittany Pierce, correto?
As mulheres assentiram.
— Desculpe fazê-las esperar, está uma loucura hoje.
— Claro, sem problemas... — A morena disse, fingindo simpatia. — Nós entendemos completamente.
O homem começou a folhear os documentos, enquanto cantarolava Tom's Diner. Não era por nada, mas Brittany se sentia num filme de terror terrível, apesar de gostar da música e da Suzanne Vega. Péssima hora para se cantarolar aquilo. Péssima.
— Então, pra começar, eu tenho uma pergunta básica pra vocês. — Ele as encarou, passando um paninho em sua careca e ajeitando o paletó. — Vocês estão cometendo fraude pra evitar que a Srta. Lopez seja deportada de volta para o México e assim, consiga manter o cargo de editora-chefe na Glee Books?
Brittany poderia morrer naquele minuto. Com um raio, ou qualquer outra coisa. Um infarto, talvez. Ele sabia a verdade. Dava para ver que ele sabia. Quem não saberia? Elas tinham ido longe demais. A loira começou a transpirar, não sendo capaz de abrir a boca.
— Isso é ridículo. — Santana se opôs. — Onde ouviu isso?
A Pierce começou a apertar os joelhos nas mãos, sua garganta se fechando.
— Bom, nós recebemos uma ligação essa tarde de um homem chamado...
— Arthur Abrams?
— Isso, ele mesmo.
— Ah, o Abrams. Pobre Artie. Essa ligação foi um tremendo de um mal entendido, Arthur não passa de um ex-funcionário vingativo e infeliz. Eu peço desculpas. Agora, veja, nós sabemos que estão com o lugar lotado de lixeiros, faxineiros e entregadores de pizza para atender, então se apenas nos disser qual é o próximo passo, seria ótimo, para todos os lados Sr. Hummel.
— Srta. Lopez, por favor. Sim? — Ele apontou para a cadeira vazia do lado de Brittany e a latina acabou por se sentar, contrariada. — Deixem-me explicar a vocês o processo que está prestes a se iniciar. O primeiro passo é uma entrevista agendada. Cada uma ficará numa sala, individualmente, onde eu perguntarei coisas triviais que só um casal de verdade saberia responder. O segundo passo é quando eu me aprofundo mais, analiso registros telefônicos, falo com seus vizinhos, amigos, entrevisto colegas de trabalho e etc. Se suas repostas não baterem, em todos os pontos, você, Santana, será deportada indefinidamente...
Em seguida, ele olhou para a loira.
— E você, minha jovem, terá cometido um delito passível de multa de 250.000 dólares e pena mínima de cinco anos em uma prisão federal.
Brittany não estava mais sentindo o seu corpo, seus olhos seguiram involuntariamente a movimentação do outro lado da janela. Estavam prendendo uma mulher. Ela estava sendo arrastada por policiais, já algemada, aos gritos. Poderia ser ela amanhã. Poderia ser ELA. Santana queria a colocar nessa? Ela odiava tanto assim a assistente? O que Brittany tinha feito para merecer isso? A americana sentia sua visão embaçar, girar e ficar turva.
— Então, Brittany... — Burt chamou. — Quer conversar comigo a sós? O que me diz? Sim? Não?
A Pierce olhou para o Hummel, hesitante sobre tudo. Reparando nisso, Santana segurou sua mão e apertou mais e mais. Ok... Ela sabia o que tinha que fazer. Não queria jogar tudo fora. Não agora.
— A verdade... — Ela limpou a garganta. — A verdade Sr. Hummel é que Santana e eu... Nós... Somos apenas duas pessoas que, supostamente, não deviam se apaixonar...
A mais nova virou o rosto em direção a outra mulher, Santana precisava soltar a sua mão. Enviou-a um olhar suplicando piedade e sua chefe sorriu, satisfeita com a resposta dada pela Pierce. Não demorou muito a se afastar, deixando de violência contra os dedos de Brittany. Ao menos isso. Aquela capeta.
— Mas, aconteceu. — Brittany continuou, massageando a própria mão. Precisava tirar proveito daquela situação, não iria correr o risco de ir para a prisão pra continuar sendo uma mera assistente/escrava de Santana pelos próximos meses e sabe-se lá até quando, sofrendo estagnada. — E, bom, nós não contamos a ninguém do trabalho porque eu ia receber uma promoção em breve.
— Promoção, é? — O Hummel questionou.
— Sim. Nós achamos que seria inapropriado eu ser promovida a editora...
— Editora. — Santana repetiu, a estrangulando com os olhos.
— Enquanto estávamos namorando.
— Uhum, exatamente. — A Lopez concordou. — Sabe como é.
Brittany sorriu para ela, vitoriosa.
— Certo. E vocês, por acaso, contaram a seus pais sobre esse “relacionamento secreto”?
— Impossível. — Santana correu a dizer. — Meus pais estão mortos há muito tempo. E não tenho parentes próximos.
— Hum, ok... — O homem olhou para Brittany. — Vai me dizer que seus pais estão mortos também?
— Não, os dela estão vivos. — Santana respondeu por ela.
— Muito vivos. — A Pierce acrescentou.
— Sim... — A latina teve uma ideia, lembrando-se do que a assistente dissera mais cedo. — É até engraçado você ter perguntado, porque nós íamos contar a eles esse fim de semana mesmo, será aniversário de 90 anos da vovó Pierce e a família toda vai se reunir pra comemorar. Nós achamos que seria uma ótima surpresa.
Brittany se admirou com a cara de pau da outra. Agora, Santana queria envolver sua FAMÍLIA naquilo? A mesma que a odiava e ouvia horrores dela pela boca da Pierce? Quanta coragem, agora era conveniente para ela o aniversário de sua avó.
— E onde vai ser celebrada essa festa?
— Na casa dos pais da Brittany.
— Ah, sim. E onde fica a casa dos pais da Brittany mesmo?
— Onde fica? Pff... Por que eu é que tô falando? — Santana deu um tapinha no braço de Brittany. — É a casa dos seus pais, coração. Por que não diz a ele onde fica? Participe, vamos.
Ela não sabia. Novidade. Quiça, a revelação chocasse a Lopez um pouquinho.
— Sitka.
— Sitka. — Ela repetiu.
— Alasca.
— Alasca-aa? — Bingo. Brittany estava certa. Choque.
— Vão pro Alasca nesse fim de semana?
— Sim. — Brittany confirmou, enquanto Santana se segurava para o queixo não cair, afinal de contas, não imaginava que a família da outra morasse tão longe assim. — Nós vamos.
— É... Vamos. O Alasca é onde meu chuchuzi... — Ainda em choque, perdendo-se nas palavras, a morena deu um bruto empurrãozinho no ombro da loira, tentando similar a realidade. — Onde minha Britt-Britt cresceu.
A dos olhos azuis franziu as sobrancelhas, passando a mão no ombro acertado. Britt-Britt, Santana? Claro, adorável. Adorável. Qualquer coisa menos chuchuzinho.
— Ok, meninas. Eu já sei onde isso vai dar... — Que não fosse cadeia. Que não fosse isso, pelo amor de Deus. Ele anotou algo num papel. — Vejo vocês segunda-feira que vem, ás três da tarde, para a entrevista agendada, e é bom que suas respostas coincidam de todas as formas, senão... Já sabem.
Burt ergueu-se e as entregou o recado que rabiscara numa folhinha.
— Tenham um bom dia.
(...)
Dessa vez, Brittany não foi atrás. Saiu na frente de Santana do prédio do Serviço de Imigração, P da vida. Se a morena quisesse, ela poderia entrar dentro daquele celular que não largava um instante sequer e sumir, ou explodir. Argh... Brittany tinha se colocado em risco por ela. Em risco de cadeia. Seu pescoço estava na reta, só agora sua ficha estava caindo com mais clareza.
— Seguinte Pierce, vai funcionar assim, pegaremos um voo pra lá amanhã mesmo... — Ela ouviu a voz da Lopez ecoar atrás de si, em tom de ordem. — Fingiremos namoro e contaremos sobre o noivado, sem enrolação. Quanto mais rápido resolvermos isso, melhor. Esperar até o fim de semana não rola. Vamos de primeira classe obviamente e, por favor, não se esqueça de confirmar comida vegana de verdade, ok? Porque da última vez me forçaram a comer um creme de aspargos esquisito, pegajoso e extremamente gorduroso, que eu tenho certeza que foi preparado com creme de leite e manteiga animal. Outra coisa é o hotel... Ei, por que não está anotando? Ei, Bri-tta-ny!
A mais alta parou de andar e se virou para a Santana.
— Desculpa. Mas, você não estava naquela sala, não?!
— Que foi, hein? — Ela analisou a outra que, franziu o cenho, furiosa. — Aah, aquele papo de promoção? Não se preocupa, foi genial. Ele caiu direitinho.
— Era sério. É uma multa de 250.000 dólares e cinco anos de cadeia. Isso muda ainda mais as coisas.
— Quê? — A latina riu. — Promover você a editora? Sem chance, Brittany.
— Então estou fora e você ferrada. — Ela deu as costas e saiu andando. — Tchauzinho, Santana.
— O que? Não, Pierce! — Santana começou a segui-la. — Espera! Ei, espera!
— Foi muito bom enquanto durou, uma pena ter que acabar assim...
— Brittany, por favor!
A loira cessou os passos e tornou a olhar para sua chefe, suspirando.
— Quê?
— Tudo bem, pode ser. — Santana concordou de má vontade. — Eu te promovo à editora... Se formos pro Alasca, fizermos a entrevista e casarmos, eu promovo você a editora. Satisfeita?
Estaria ela sendo sincera? Brittany não fazia ideia. Talvez, fosse uma pegadinha. Precisava de alguma garantia.
— Não daqui a um ou dois anos. Vai me promover agora.
— Tudo bem.
— E vai publicar meu manuscrito também.
Santana abaixou o olhar e arrumou a postura ao extremo, tentando manter a pose de superior. Assentiu.
— 15 mil cópias, primeira...
— Não. 20 mil cópias, primeira tiragem. — Brittany corrigiu. — E só diremos a minha família sobre o nosso noivado quando e como eu quiser... Agora, peça direito.
— “Peça direito” o quê?
— Peça direito a minha mão, Santana.
A latina se irritou.
— O que isso quer dizer?
— Você ouviu, de joelhos. Sei que curte clássicos. Eu também.
— Isso é sério? — Perguntou, indignada.
Brittany balançou a cabeça em afirmativa, Santana estava lutando contra isso o máximo que conseguia, dava para ver. Mas, a Pierce não iria desistir de ver a cena. Tipo, nunca. Era o mínimo por todo o sacrifício.
— Bueno... Como quiser. — Santana cedeu, estendendo a mão para a assistente poder ajudá-la a se abaixar. E lá estava ela, de joelhos, numa calçada de Nova York diante de Brittany e outras pessoas que passavam em volta, nem se dando conta. Coisa que a loira nunca pensou que viveria para ver, mas estava adorando com todas as forças. — Assim tá bom pra você?
— Maravilhoso.
Santana olhou para os lados, esbanjando descaso.
— Casa comigo?
— Não. — Brittany respondeu, seca.
— Oi?
— Seja convincente. — Olhos castanhos voltaram aos dela e cerraram-se rapidamente, então ela esclareceu: — Cadê o romance? A sensibilidade, sabe?
A morena bufou e cedeu, outra vez.
— Brittany?
— Sim, Santana?
— Querida Piercezinha, do meu coração?
— Estou ouvindo.
— Você poderia, por gentileza, com mil unicórnios voadores e um arco-íris de fundo enfeitando, se casar comigo?
Por um instante, a dos olhos azuis se fez de pensativa. Era assim que seria seu primeiro casamento? Uma farsa? Um negócio repleto de chantagens e ódio recíproco? Quem diria. Em outra ocasião, ela poderia ter rido do que Santana falara, mas estava mal-humorada. O que a restava era dizer “sim” logo e ir embora mais rápido ainda.
— Ok. Não gostei do sarcasmo, mas é... Eu caso.
— Ótimo.
— Te vejo amanhã.
Brittany se virou, deixando Santana para trás daquele mesmo jeito no chão. Com algum sacrifico — por conta do salto alto; a Lopez se reergueu, fula da vida, mal acreditando na decorrência de eventos daquele dia. Acabara de conhecer um lado da Pierce que, nunca tinha visto antes, e nem sequer imaginava que existia. Um lado atrevido e estúpido do qual nada a agradava. Pelo menos, não teria que aguentá-lo a toa, já que garantiria seu visto permanente no fim de tudo. As coisas voltariam ao seu controle, muito em breve.
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