The Proposal - Brittana
22 Questão de Amor
De roupas trocadas, Brittany foi incapaz de deixar o quarto em que dividira com a Lopez naquela mesma semana. Ainda era sábado, e fazia uns quinze minutos desde que Santana tinha saído de lá. Agora, sentada sobre a cama ao lado do vestido de casamento herdado de sua avó e o colar que a morena havia deixado para trás em mãos, a Pierce só pensava no seu fracasso. Jamais imaginou que tentar simular um casamento pudesse ter um final tão trágico assim... Pro seu coração.
Pouco lhe importava o que os outros iriam dizer sobre aquilo, não ver a editora-chefe nunca mais era infinitamente pior. Muito mais doloroso. A paixão gritante que manteve adormecida por tanto tempo dentro do peito era verdadeira, e sabia que o relacionamento entre ela e Santana podia dar certo se fossem outras circunstâncias. Mas, talvez fosse tarde demais para confessar. A latina escolheu ir embora, mesmo após sua declaração... Era isso. Tinha a perdido.
O rosto de Brittany ainda estava vermelho de todo o choro de antes, mas já não chorava mais. Sentia uma tristeza inexplicável, um vazio sem igual... Como se não tivesse mais rumo. Se antes tudo o que ela mais queria era ser editora, hoje tudo o que mais queria era que Santana tivesse escolhido ficar ali com ela. Mesmo que os convidados do casamento tornassem aquela série de acontecimentos malucos a fofoca do ano, ainda assim estaria mais feliz que agora... E com menos raiva também. Com certeza podia ter feito muito mais.
Do nada, a porta do quarto rangeu e na mesma hora olhos azuis saltaram em direção a ela, sem nenhuma esperança. Era Quinn entrando no cômodo. Ela veio se aproximando aos poucos da outra loira e sentou-se no chão, frente a amiga, repousando uma mão sobre o joelho dela.
— Oi, Britt...
— Oi.
— Como você tá?
— Bem... Na verdade, uma droga. Mas, não faz a menor diferença porque tínhamos um acordo e aparentemente ele acabou, como a Santana disse. — Brittany respirou fundo, um tanto quanto possessa. — Eu só tô... Não sei... Sabe qual é o problema? Essa mulher é a pior e a melhor coisa que já me aconteceu, entende? Primeiro, ela inventa da gente casar... Depois, vai embora nos 45 do segundo tempo! Já não bastasse isso, ainda me diz coisas legais antes de ir... Eu trabalhei quase três anos com essa demônia, e ela nunca me disse nada de bom. Nunca. Agora, de repente a gente tem essa semana incrível, onde conseguimos finalmente ter momentos normais e ela vai embora assim, como se fosse a coisa mais simples do mundo, e me deixa plantada aqui sozinha, mesmo depois de eu me declarar e praticamente implorar pra ela ficar!
— Tá apaixonada de verdade por ela, né B? Eu já imaginava. — A Fabray abriu um sorriso. — Por acaso, você falou que a ama?
— Não com essas palavras...
— Pois é. E tá esperando o que?
— É, Britt. Tá esperando o que? — Marley apareceu na porta, juntando-se a conversa. — Vai mesmo deixar ela ir embora assim?
— E-eu... Não. Não vou. — Ela se levantou decidida, e guardou o colar no bolso. — Vocês têm razão. Ela não pode ir assim.
— Esse é o espírito!
(...)
Santana se encontrava em um “táxi” aquático, junto ao agente de imigração Burt Hummel. Eles estavam perto de chegar à cidade, para poderem pegar o próximo voo no aeroporto. O silêncio permeava a embarcação, até o momento em que a Lopez abriu a boca. Seu coração ainda inquieto e Brittany na cabeça, tomando conta de todos os seus pensamentos.
— Então... E agora, o que acontece?
Não tinha parado para pensar naquela parte, sua confissão podia pegar muito mal perante a justiça. Jogou-se do precipício sem pensar duas vezes, só agora estava se dando conta. Não fazia ideia se chantagem dava cadeia... Mas, se desse, era bom que tivesse fiança. Ela não sobreviveria um dia na prisão.
— Bem, Srta. Lopez, agora que está indo voluntariamente tudo fica mais civilizado. Assim que chegarmos em Nova York, você terá 24 horas pra voltar pro México. E até tirar outro visto, bom, isso pode demorar, como nunca acontecer.
— Entendi.
Ela olhou para o celular e viu diversas mensagens do trabalho chegando, resolveu então meramente desligar o aparelho. Não tinha mais o porquê responder, seu cargo seria passado para Arthur Abrams... Quanta ironia, o cara mais imprestável que já passou pela Glee Books dando a volta por cima e tomando seu lugar, logo após de ser demitido por ela. Era a maior reviravolta de todos os tempos, pena que no mal sentido.
(...)
Brittany saiu da residência dos Pierce, passando em disparada pelos convidados do casamento. Precisava chegar o quanto antes em um dos barcos no ancoradouro, para poder ir atrás do amor de sua vida. Não tinha tempo a perder e, sozinha, chegaria mais rápido, por isso pediu para que Quinn e Marley não fossem junto.
Amélia, Susan e James a abordaram no meio do caminho.
— Filha, tá tudo bem? — Sua mãe quis saber.
— Eu preciso ir atrás da Santana.
— Por quê? — O Sr. Pierce não entendeu, e passou a segui-la, tentando a parar. Todos ao redor assistiam à cena, curiosos. — Brittany... Espera! Tem mais nessa história que a gente não sabe?
— Isso não tem nada a ver com você, pai. Dá licença, por favor.
— Não, você precisa explicar isso direito...
— Não, eu não preciso.
— Parem! — Susan gritou, nervosa.
— Eu não vou deixar você ir atrás dela!
— Ótimo, porque eu não tô pedindo permissão!
— Parem com isso! — Susan pediu outra vez, aos berros. Os dois não deram atenção, então a idosa pareceu perder as forças nas pernas e foi caindo no gramado do quintal, fazendo os convidados se preocuparem e formarem uma rodinha em volta dela. — Ai... Acho que tô tendo um ataque do coração.
— Meu deus, Brittany! James! — Começaram a chamar. — A Susan!
A loira e seu pai logo olharam para trás e deram meia volta, para socorrer a mais velha. Amélia pegou um celular e chamou a emergência, em desespero. Brittany e James ajoelharam-se no chão, junto a outros dois amigos da família para sustentar o tronco de Susan enquanto os médicos não chegavam. Era só o que faltava... Se sua avó tivesse um treco por culpa das briguinhas dela com seu pai, jamais se perdoaria. Tinham que ir para o hospital. Não dava para ir atrás de Santana assim. Aquele dia estava um caos total, odiava-o com todas as forças. Todas.
Quando o avião da emergência pousou no porto da ilha residencial, os paramédicos socorreram Susan levando-a para dentro da aeronave. Os convidados reunidos no quintal, acompanhando tudo aflitos. Brittany, Amélia e James sentaram-se nos bancos vizinhos à maca de resgate em que haviam colocado a vovó Pierce. Extremamente preocupados, mantiveram-se em silêncio. E aí, enfim consciente, Susan começou a tirar a máscara de oxigênio do rosto com cuidado.
— Brittany, Amélia... — James chamou, atento. — Ela acordou.
— Vocês precisam parar de brigar. — Susan olhou de James para Brittany, implorando por isso. Pegou na mão do filho, emocionada. — Nunca concordam com nada... Mas, somos uma família. Não é assim que as coisas tem que ser. Me prometa que vai apoiar a Brittany, filho. Mesmo que não concorde com ela.
— E-eu prometo. — Ele assentiu.
— Brittany... — Susan pegou a mão da neta, dessa vez. — Me prometa que vai se esforçar mais pra fazer parte dessa família.
— Eu vou, vovó. — Brittany sentiu os olhos tremerem, e Amélia envolveu seus ombros em um abraço. — Juro pra você.
— Muito bem. — Ela juntou as mãos e fechou os olhos. — Então, os espíritos podem me levar.
— Oh, Susan... — Amélia lamentou.
O paramédico junto a eles colocou a máscara de volta no rosto da idosa e ela não disse mais nada, ficando estática na maca. Brittany se assustou, sua avó não podia morrer... Não agora. Não daquele jeito.
— Vovó?
Susan abriu os olhos sorridente, e tirou a máscara de oxigênio outra vez.
— Ah, acho que eles não estão prontos pra mim! — A velha ergueu-se, ficando sentadinha numa boa e os outros três de boca aberta sem entender nada. Do que se tratava aquilo, afinal? Só podia ser encenação, ou talvez um milagre. Conhecendo Susan, a primeira opção. — Estou me sentindo bem melhor, amores... Esqueçam o hospital. Vamos pro aeroporto, por favor!
— Mãe, você tava fingindo um infarto?! — James se exaltou.
— Sério mesmo? — Brittany revoltou-se também. — Eu quase tive um treco por causa disso, não brinca com isso não!
— Ué, foi a única forma que achei pra vocês dois calarem a boca e a gente poder chegar logo no aeroporto.
— Genial! — Amélia se divertiu, e foi a única que achou graça de tudo.
— Perdão, Sra. Pierce. — O piloto respondeu ao pedido de antes. — Não temos autorização para levá-los ao aeroporto.
— Finn Hudson, não me faça ligar pra sua mãe!
— Tudo bem, tudo bem! Vamos pro aeroporto...
— Obrigada, querido.
(...)
Fazia pouco mais de cinco minutos que Santana e Burt chegaram no pequeno aeroporto de Sitka. Até embarcarem no próximo voo de conexão de lá para Juneau, não precisaram esperar tanto... Foi questão de meia hora, mais ou menos. Haviam poucas pessoas na fila e o próximo voo era logo, logo.
O agente de imigração então encarou a mulher com certa curiosidade, enquanto estavam sentados nos bancos de espera. Sempre se deparou com casos como aquele, mas esse tinha algo de diferente. Não sabia muito bem o que era, todavia faria o possível para descobrir.
— O que estava pensando, afinal?
— Perdão? — Santana olhou para ele, voltando a realidade.
— Quando você resolveu chantagear a Srta. Pierce pra se casar com você, no que estava pensando? Nunca te passou pela cabeça que isso poderia trazer graves consequências a você caso fossem descobertas na mentira? Quer dizer, pode nunca mais voltar a pisar os pés nos Estados Unidos outra vez. Valeu a pena?
— Olha, Sr. Hummel... — A Lopez respirou o máximo de ar que pôde, abrindo um sorriso falso depois, na esperança de conter o nervoso. — Eu já disse tudo o que eu tinha pra dizer lá no celeiro e não tô com cabeça pra conversar agora. Agradeceria muito se me deixasse em paz.
— Certo.
“Atenção passageiros do voo BPSL2633 com destino a Juneau, embarque autorizado no portão 2.”
Sem perder tempo, eles se levantaram com a chamada e foram até o lugar de embarque. Entraram no avião. Lá, Santana fez questão de sentar bem longe de Burt e a vontade de chorar voltou aparecer sem dó, nem piedade. Estava fazendo muito esforço para os pensamentos não pararem em Brittany de novo e de novo, mas ficava difícil se era só o que conseguia pensar... Ainda mais pela forma que a deixou para trás. Se era amor ou não, ela não sabia. A dor costumava não mentir. Tudo o que Santana mais queria ter dito à loira era “sim, eu fico”, mas não seria justo.
Era óbvio que o desespero de Brittany tinha mais a ver com medo de ser presa do que por um suposto gostar genuíno, mesmo que inconscientemente. A Pierce só estava tentando se convencer de queria ficar com ela, para tornar as coisas mais fáceis. Agora, não precisava mais... O que, de certa forma, acalmava o coração de Santana. Ao menos alguém sairia bem daquela história.
E, embora não fosse para dar certo, estava grata por ter passado aquela semana com Brittany e sua família. Eram pessoas incríveis. Santana iria levar todo o carinho que recebeu para o resto da vida, e, isso, já valia muito mais do que podia dizer. Nunca imaginou que se sentiria em uma família de novo após o falecimento de seus pais anos atrás e agora viu que era possível. Bastava baixar a guarda e... Tentar ser uma pessoa melhor, mesmo que não fosse fácil. A vida por inteira não era fácil, mas o simples tentar significava muito. Os Pierce deixariam saudades.
(...)
Quando o avião da emergência enfim pousou no aeroporto de Sitka, Brittany, Susan, Amélia e James saltaram dele às pressas. Agradeceram o piloto Finn pela carona, e se despediram dos paramédicos que os acompanharam naquela breve corrida contra o tempo. A viagem tinha sido rápida, mas parecia uma eternidade. Agora, era só descobrir se Santana ainda estava lá. Brittany havia tentado ligar para a morena durante todo o percurso, mas sempre dava na caixa postal, provavelmente o celular dela estava desligado, o que não facilitava nem um pouco a sua vida.
Enquanto corria, a dos olhos azuis se apossou de seu smartphone outra vez e ligou para um conhecido que trabalhava numas das torres de controle do aeroporto. Havia um avião prestes a decolar na pista, não podia correr o risco de Santana estar nele. Tinha que parar aquele voo a qualquer custo.
— [Oi, pode falar!]
— Dave, sou eu! Brittany Pierce!
— [Brittany? Espera aí... Seu casamento não era hoje?]
— Érr, longa história! Escuta, eu... Preciso de um favor seu! — Ela parou de correr, meio ofegante. — Acho que a Santana tá nesse avião! Será que você pode parar ele?
— [Caraca, sua noiva te deixou? Poxa... Foi mal, Brittany. Que chato.]
— DAVID! — Ela gritou. — É SÉRIO! EU PRECISO QUE VOCÊ PARE O AVIÃO, POR FAVOR! EU TÔ AQUI EMBAIXO, OLHA AQUI!
O jovem levantou-se e apareceu nas janelas da torre, acenando.
— [Oi!]
— Será que você pode parar o avião agora?!
— [Iiih, não vai dar não... É impossível. Desculpa, Brittany.]
— Não, não, não... — Ela tirou o celular do ouvido e assistiu de camarote o avião decolar. — Droga!
Sua família a alcançou. A vovó Pierce e Amélia vieram explicando ao seu pai o porquê ela queria tanto falar com Santana, porque até aquele momento o homem não estava entendendo nada. Se o casamento não passava de uma farsa, não havia motivo para todo aquele show. E aí ele finalmente entendeu, que o casamento até podia ser uma mentira, mas o sentimento da filha pela mulher não era. Agora, fazia sentido... Começou a se sentir culpado. James só queria ajudá-la e no fim estragou tudo. Aquela nunca tinha sido a intenção.
— Sinto muito, filha... — O Sr. Pierce revelou. — Eu não sabia que gostava dela assim.
Brittany balançou a cabeça devagar e suspirou, frustrada. Sentia-se péssima.
— Pegue o próximo voo e vá atrás da sua garota, Britt! — Susan praticamente a ordenou. — Não desista por isso, ouviu?
— Não vou desistir, vovó... Eu só tô triste porque... Não consegui dizer o que eu sinto de verdade a tempo.
— Você ainda tem tempo, querida. Nada de pessimismo.
— Isso. Vai dar tudo certo, meu bem. — Amélia a abraçou, zelosamente. — Eu prometo.
(...)
Algumas horas depois, Brittany embarcou no próximo voo de Sitka para Juneau e, enquanto fazia a conexão, Santana já estava à caminho de Nova York. Assim que chegou na cidade, a latina foi para casa arrumar suas coisas e assim ficou pelo resto da madrugada. Não sentiu tanta falta de dormir, pois forçou-se a o fazer durante a viagem, então teoricamente estava bem disposta fisicamente.
Logo, estaria longe do seu amado apartamento no Central Park West... Isso era, no mínimo, esquisito. Não tanto quanto descobrir que estava apaixonada por sua assistente, mas ainda sim esquisito. Jamais pensou que teria que abrir mão dele assim do dia para noite, por um desleixo da sua parte. Mas, era o que tinha para hoje.
Pela manhã daquele domingo, Santana foi até a editora juntar suas coisas. Ainda não havia terminado de embalar os pertences no apartamento, mas seria bom já resolver aquela parte e evitar cruzar com mais pessoas de tarde. Ninguém estava entendendo nada, e o assunto logo virou fofoca no setor. Pelo jeito, como muitos haviam apostado, o casamento não era para valer. Sorte de Brittany.
Por falar nela, a Pierce chegou em Nova York entre oito e nove horas da manhã. Primeiro, tentou ligar para Santana e nada. Depois, tentou o seu apartamento e nada. Por último, correu até a Glee Books, muito mais desesperada do que quando se atrasou para recepcionar a Lopez seis dias atrás. O sentimento era totalmente outro dessa vez, só pararia de correr quando encontrasse Santana. Com todo aquele auê, a fofoca nos corredores da editora de livros só piorou, mas ela não dava a mínima. Santana também não.
Bastou Brittany chegar no setor que, de longe, os olhares dela e da Lopez se acharam. Ofegante, a loira começou a se aproximar devagar mal acreditando que havia conseguido finalmente achar a mulher. Os funcionários ao redor pararam tudo o que faziam para prestar atenção na cena, e ergueram os pescoços sem nem ao menos disfarçarem a curiosidade. Santana estava com uma caixa na mão, e a repousou na primeira mesa que viu. Talvez, ainda estivesse dormindo na poltrona daquele voo. Não era possível.
— Santana... — A Pierce disse. — Oi.
— Oi... Você tava correndo?
— É... Eu preciso falar com você.
— Ahn, n-não vai dar, Brittany. Eu não tenho tempo, preciso terminar aqui e voltar pro meu apartamento o quanto antes. Ainda não terminei de arrumar tudo e preciso estar fora do pais até hoje. — Ela se virou em direção à Kitty, e continuou falando em disparada. — Então, eu preciso que minhas coisas sejam enviadas para...
— SANTANA, PARA DE FALAR CARAMBA! — Brittany gritou, fazendo todos em volta disfarçarem. Na mesma hora, a morena voltou a fitá-la querendo entender aquele tom. — Eu preciso dizer uma coisa... Só vai levar um segundo.
— Tá bom, tá bom. — A Lopez assentiu, sem muita paciência. — Que foi?
— Seis dias atrás, eu odiava você. Não só por me tratar mal, mas porque mesmo assim, eu não conseguia parar de pensar em você. Meu sonho era que um raio caísse na sua cabeça, fosse envenenada, não sei... Qualquer coisa que te fizesse desaparecer tava valendo. Juro pra você.
— Uau, ok. — Ela limpou a garganta, mantendo a postura. — Era “só” isso?
— Eu falei pra parar de falar!
— Tá... Desculpa. — Santana desviou os olhos. — Vai em frente.
— Obrigada. Bom... Então, nós vivemos nossa pequena aventura no Alasca e tudo mudou. O estopim, foi o nosso beijo... Aquele meu sentimento reprimido, veio à tona. Eu descobri que ele era muito mais real do que parecia... Mas, tudo bem, eu continuei fingindo que não. Aí, a gente conversou de verdade naquele restaurante, ouvimos música, patinamos no gelo, cantamos no karaokê e eu sem querer vi a sua tatuagem também. Você me contou dela depois, me contou muito mais do que precisava saber naquela madrugada. Confiou em mim.
Brittany respirou fundo, tentando manter ambas as pernas firmes no chão.
— Eu surtei quando minha família sugeriu da gente se casar lá ontem, mas mesmo assim, você me tranquilizou na mesma hora... Eu nem precisei pedir. Mais tarde, quando foi sua vez de surtar, eu tentei fazer o mesmo. Me forcei a parecer confiante quando te resgatei do mar, mas eu tava morrendo de medo... Nós ficamos juntas e não, eu não culpo o álcool, porque eu queria. Também jogamos boliche e videogame, você é bem melhor que eu nos dois e nunca vou superar se eu não tiver quantas revanches forem necessárias pra gente se igualar. — Ela riu, e Santana começou a se emocionar. — Mas, o mais importante de tudo é que... Eu te amo, Santana. Quando me deixou naquele altar eu finalmente percebi que não podia mais esconder e fui atrás de você, falei um monte de coisa e esqueci do mais importante que era dizer que eu te amo. Eu tentei te alcançar, você não sabe o quanto eu tentei. Tentei te ligar. Tentei ir no seu apartamento e nada. Foi difícil chegar aqui e eu sei que posso ser rejeitada de novo na frente de todo mundo, mas eu não ligo... Só o que me importa é a sua resposta. Então, se também me ama Santana, por favor, não foge dessa vez.
— Brittany...
— Casa comigo? — Ela chegou perto o suficiente para pegar nas mãos da mais baixa, e sorriu. — Eu quero namorar você.
— Ai, que lindo! — Começaram a bater palmas.
— Vai por mim, você não quer ficar comigo...
— Lógico que eu quero.
Elas trocaram alguns olhares, em silêncio. Suas mãos ainda unidas, tremendo.
— Eu também te amo. — Santana assumiu. — Mas, tô com medo.
— Tudo bem, eu também tô... — As duas riram e Brittany soltou as mãos da Lopez para poder segurar seu rosto, puxou-a para mais perto. — Vem cá.
As mulheres se beijaram no meio do setor, com palmas e gritos para todo lado. Depois que se separaram, não conseguiram conter risos. Estavam tão, mais tão felizes que era difícil conciliar tudo.
— Não era agora que você tinha que ficar de joelhos, Pierce?
— Rá. Vou considerar isso como um sim.
(...)
— Então, deixa eu ver se entendi isso direito... — Burt começou, repousando os braços sobre a mesa de sua pequena salinha localizada em um dos andares do prédio de serviço de imigração. Brittany e Santana estavam mais uma vez frente ao agente, agora sem medo, oito dias depois da proposta de casamento real. Era segunda-feira. — Estão noivas de novo?
— Isso. — Responderam juntas.
— Agora de verdade?
— É. — Responderam outra vez.
— Hum... Vocês tem certeza que querem continuar com isso? — Ele tentou intimidá-las. — Porque uma resposta errada e eu pego vocês. A coisa vai ser muito pior do que na primeira vez, podem ter certeza.
— Tá bom... Vamos continuar. — Santana afirmou. — Vai em frente, Burt.
— É... — Brittany concordou com a noiva. — Tá esperando o que?
— Certo. — Burt suspirou, ficando de pé. Assim, arrumou a gravata meio desconfiado e andou até a porta. — Vamos começar.
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