The Proposal - Brittana
7 Primeira Noite
Posteriormente ao último convidado da “pequena” festinha de boas-vindas à Brittany ter ido embora, Susan, Amélia e James recepcionaram ela e Santana até seus devidos aposentos. A casa era enorme, e os aquecedores davam conta de mantê-la aconchegante... Ou será que eram as lareiras? O Sr. Pierce ainda não estava totalmente convencido sobre o suposto relacionamento e noivado das garotas, mas seu humor tinha melhorado um pouquinho desde o anunciado e, as duas, ainda não haviam trocado uma palavra sequer após o beijo que deram mais cedo, o que era desconfortavelmente embaraçoso e esquisito.
Dormir pra esquecer, esse era o plano.
Todavia, até lá, alguma interação precisava existir entre elas, mesmo que mínima. Os cinco atravessaram uma porta, residindo no perímetro em questão. Exceto James, que decidiu voltar atrás calado.
— Chegamos. — Amélia notificou, entusiasmada. — Este será o cantinho de vocês!
O cômodo era colossal. As paredes amadeiradas tom de bege, parte branca, parte preta. Ao fundo, uma cama de casal espaçosa e ao redor mesinhas de cabeceira, uma de centro, armários, um guarda-roupa enorme, duas poltronas e carpete cinza forrando o solo, sem falar da televisão de, talvez, 55 polegadas pendurada na parede oposta a cama. E ainda tinham as janelas/portas de vidro, que davam para uma sacada excepcionalmente fabulosa.
— Nossa... — Santana pronunciou pasma, mal ouvindo o que a sogra dissera, enquanto olhava em volta do quarto. Fixou os olhos nas janelas. — É lindo. E essa vista então... Sem palavras. Bom, e quanto ao quarto da Brittany? Onde é que fica?
— Querida... — Amélia riu. — Não temos a ilusão de que vocês não dormem juntas.
— Não somos caretas. — Susan complementou, risonha. — Ela vai ficar aqui com você, não se preocupe.
— Ah, que ótimo... Porque nós adoramos dormir de conchinha. — Ela deu uma leve cotovelada na loira, sorrindo incômoda. — Né, coração?
— É... A gente adora.
“Aw, aw... Aw!”
De repente, uma miniatura de cachorro brotou no cômodo alcançando as pernas da Lopez.
— Ah! Dios mio... — Ela se assustou. — Que bicho é esse?!
— Own, você é tão fofinho. — Brittany agachou, pegando o filhote de corgi no colo. — Quem seria essa coisinha linda?
— É o Dino. Desculpa, Santana... — Amélia começou a acariciar o cãozinho nas mãos da filha. — Acabamos de adotá-lo de um abrigo, então faz menos de uma semana que ele está sendo treinado.
— Entendi...
— Tomem cuidado pra ele não sair lá fora. — Susan avisou. — Caso contrário, as águias o levarão.
— Não... Não dê ouvidos a ela, Dino. — A dos olhos azuis encheu a cabeça do animal de beijinhos. — Isso não vai acontecer, ela só tá querendo te assustar... É, é sim.
Santana se afastou, horrorizada com o filhote ligado nos 220.
— Ah, meninas, é bom dizer que tem roupas de cama e toalhas extras aqui... — Amélia abriu um armário. — Se precisarem, já sabem.
— E caso sentirem frio à noite, usem isso. — Susan tirou um cobertor do móvel, entregando à neta e segurando Dino no lugar. — Tem poderes especiais.
— Que tipo de poderes especiais? — A dos olhos castanhos quis saber.
— Eu o chamo de “manta afrodisíaca” ou “consumador”, basicamente.
Santana arregalou os olhos, rindo nervosamente. Assentiu.
— Certo, certo... Vamos ter que tomar bastante cuidado com esse negócio.
— Sim.
Brittany ameaçou jogar a manta no colchão, e a latina se desesperou.
— Não! — Mas, era tarde demais. — ... Joga na cama.
— É melhor nós deixarmos vocês sozinhas, foi um dia e tanto. — Amélia sorriu. — Então, boa noite garotas!
— Durmam bem, bom descanso! — Susan a seguiu com Dino nos braços, não deixando de brincar com as mulheres ruborizadas antes de sumir do quarto. — E comportem-se, hein!
— Boa noite! — Santana e Brittany responderam juntas, e a Pierce acrescentou: — Pode deixar, vovó...
— Tchau, tchau!
— Tchau! — As noivas voltaram a falar em uníssono.
Então, assistiram as mulheres mais velhas deixarem os aposentos e, depois, se entreolharam rapidamente, seguindo caminhos diferentes até suas bagagens. Começaram a instalar as peças de roupa trazidas nas malas no extenso guarda-roupa do cômodo.
— Então... — A Lopez começou. — Nós não vamos dormir na mesma cama.
— Tô sabendo.
— Que bom. Faz tempo que não vinha pra casa, né?
— Não sei se tá lembrada, mas não tive muitas folgas desde que comecei a trabalhar pra você.
— Engraçado, porque eu me recordo de perguntar se estaria disposta a trabalhar fora de expediente na sua entrevista de emprego e você disse algo como “estarei a sua disposição de segunda a segunda, é o mínimo que eu poderia fazer”... — Ela se apossou discretamente de uma camisola preta rendada, uma necessaire e uma toalha, encarando a outra por um segundo. — Logo, não está em posição de reclamar, Pierce.
— Em minha defesa e de qualquer outro ser humano normal, nunca imaginei que fosse levar ao pé da letra.
— Claro, você é a vítima...
— Sou mesmo.
— Licença. Tô indo me trocar no banheiro.
— Tá, vai lá.
Brittany fechou as cortinas com um controle, e em seguida, pegou alguns lençóis e cobertores e os estendeu no chão, na esperança de criar uma gambiarra de cama confortável para si. E aí, trouxe um dos travesseiros da cama para o chão e separou um conjunto de pijama composto de calça xadrez e moletom cinza, enfim se deitando um pouco, na espera da outra desocupar o banheiro. Enquanto isso, Santana tomava banho, vestia sua camisola e fazia sua limpeza de pele rotineira frente ao espelho da pia. Quando terminou, foi até a porta, espiando pela frestinha. Não queria que Brittany visse suas vestes.
— Tá acordada?
— Sim...
— Não olha, tá bom?
— Tá bom. — A dos olhos azuis fingiu concordar, curiosa.
— Fechou os olhos?
— Uhum.
— Mesmo?
— Mesmo, Santana. — Sua chefe atravessou o quarto correndo, para chegar até a cama, vestindo uma camisola preta minúscula com detalhes rendados. Seu corpo escultural mais evidente do que nunca, Brittany sentiu as bochechas arderem e forçou um riso, debochada. — Sério? Esse é o pijama que decidiu trazer pro Alasca?
A Lopez apertou os olhos constrangida, afundando-se em cobertores.
— É... Porque teoricamente era pra eu estar sozinha num hotel, lembra?
— Claro, claro. — A mais nova se ergueu do chão, direcionando-se ao banheiro com uma tolha e sua roupa de dormir. — Boa noite, chefe.
Santana ouviu a porta se fechar e o barulho de chuveiro se fazer presente, talvez assim conseguisse finalmente dormir. Só tinha um problema... A noite ali era ainda mais gelada do que o dia, e os aquecedores pareciam menos eficientes.
(...)
Durante a tentativa de dormirem, Santana ficou se mexendo incontáveis vezes na cama, não parava quieta, e isso por si só já impedia Brittany de conseguir adormecer também. Uma hora, ela suspirou impaciente. Aquela inquietação não podia durar a noite inteira, não.
— Tá tudo bem aí? — Quis saber, impaciente.
— Não... Não sei se consigo dormir nesse freezer de lugar.
Em silêncio, a loira se levantou, abrindo o guarda-roupa e tirando um moletom de dentro. Jogou-o em direção a chefe.
— Toma.
— Obrigada... — Santana o vestiu, procurando ignorar o perfume da outra presente no mesmo. — Não sei se vai funcionar, mas agradeço a tentativa.
— Tá legal, friorenta. — Cansada, Brittany se aproximou da cama, levantando uma pequena aresta dos cobertores com a mão. — Chega pra lá...
— O-o que você tá fazendo?
— Deitando na cama. Não se preocupa, não tenho intenção alguma de chegar em você. Só estou fazendo isso pra parar quieta e me deixar em paz, vou embora assim que você dormir.
Ela se acomodou debaixo dos cobertores, e a morena se afastou exasperada.
— Não é uma boa ideia.
— Por quê? — A Pierce riu, sentindo-se encorajada. — Por causa do beijo?
Santana sentiu o coração disparar e rosto e mãos queimarem, de nervoso.
— Não. Só... Não vamos falar sobre isso, ok?
— Como quiser.
— E nunca mais ouse enfiar a língua na minha boca de novo.
— Rá... Desculpa, mas até onde eu sei ninguém beija sozinho, Santana.
— Silêncio, por favor. Vamos apenas dormir.
— É uma ótima ideia.
Dito e feito, Santana pegou no sono rapidinho por conta da presença da outra ali, já que a cama aqueceu-se sem muita cerimônia. Brittany, por outro lado, teve que voltar ao chão para conseguir adormecer, como prometido. Era muito estranho estar no mesmo quarto e cama que sua chefe. Tinha que ter em mente que tudo passaria no dia seguinte, tudo. A sensação da boca e da língua da outra na sua, o frio na barriga, as imagens das covinhas bem marcadas, os olhos castanhos, lábios carnudos, a camisola rendada naquele corpo, e o perfume tão, tão perto. Não precisava se desesperar antes da hora. Ela e a latina possuíam meramente um acordo comercial entre elas, e nada mais que isso. O resto era resto.
(...)
No dia seguinte, a Lopez foi quem acordou primeiro. Seu celular estava tocando, precisava atendê-lo. Ela se revirou debaixo dos cobertores e lençóis, sonolenta. O colchão era realmente bom, tão bom que seria difícil deixá-lo tão rapidamente.
— Celular, Brittany... Celular... — Ela começou a resmungar, procurando-o pela cama e aos redores, nas mesinhas-de-cabeceira, não obtendo êxito algum. — Ei, Bri-tta-ny! Celular! Onde eu deixei?
— Hmm... — A loira gemeu de olhos fechados e recebeu um travesseiro voando na cara. — Caramba! Tá na porra da sua bolsa, no bolsinho interior da direita... Agora, me deixa dormir!
Santana deixou a cama com muito custo, e se direcionou a sua bolsa, achando seu smartphone. Atendeu a ligação. Era Sue Sylvester do outro lado da linha, estava nervosa.
— Sue! Sue, querida! Alô... Alô? Tá me ouvindo? Droga... A ligação tá horrível, só um minuto! Só um minuto, Sue!
— Meu Deus! — Brittany reclamou, elevando o tronco por um instante. — Santana, por favor!
— Um instantinho... — Ela começou a sussurrar, achando um robe felpudo no guarda-roupa e vestindo-o sobre sua camisola e o moletom de Brittany. — Não, Sue... Espera, espera!
A latina saiu do quarto em disparada, descalça, se pondo no andar debaixo. O sinal tinha que melhorar em algum ponto, não era possível. Brittany voltou a dormir, apreciando o silêncio deixado para trás.
— Sue, eu sinto muito que ache que eu te pressionei a ir a Oprah, mas... — Santana atravessou a casa, direcionando-se ao quintal. Enfiou os pés num par de botinas que achou, deixando a porta arreganhada para trás. — Claro que eu quero que seja feliz. Sim... Sim. Sue? Escuta... Vai dar tudo certo, eu prometo. Sim... É, eu também posso ligar pra eles e cancelar. A escolha é sua, mas lembre-se...
Dino viu a porta aberta, e saiu correndo casa afora, feliz da vida.
— Você tem toda a razão, Sue. Sim... É claro que estou te ouvindo, Sue! Eu adoro te ouvir, você sabe.
“Aw... Aw, aw!”
Olhos castanhos correram até o cãozinho, fuzilando-o.
— Shh! Senta... Senta. — Ela voltou a prestar atenção na chamada. — Não, Sue. Não estava falando com você. É... Não, não. Nunca falaria assim com você.
“Aw, aw!”
O pequeno corgi continuou a perseguir Santana, alegremente.
— Sue, se me permite ser sincera com você... Eu acho que seria um erro cancelar essa entrevista. Por quê? Simples, você me inspirou tanto com suas palavras geniais nos últimos anos, imagina o público que alcançaria pela Oprah. É a Oprah, né. É... Acho que o mundo inteiro tinha que ter a chance de apreciar suas obras também e se tocarem, tanto quanto eu me toquei... Então, vai repensar?
“Aw... Aw!”
Santana se atentou ao animalzinho e percebeu que existia uma águia por perto, e que ele latia para ela. Lembrou-se na hora do que Susan havia dito. Droga, droga, droga. Precisava levá-lo de volta para dentro da casa, antes que fosse sequestrado pela ave.
— Sue, eu só... Só... — A águia começou a planar em direção à Dino, e Santana começou a correr para salvá-lo. Mas, era tarde demais. — Quero que seja feliz! Solta esse cachorro! Sue, pode esperar um momento? Devolve esse cachorro, maldita!
Ela lançou o celular no ar, na tentativa de acertar a águia e ela soltar o filhote.
— Devuelve ese animal, ahora!
A ave soltou Dino e Santana agarrou-o depois da queda pelo ar, com sucesso.
— Certo, certo. Tudo sob controle. — Ela foi até onde o smartphone caíra, com o corgi nos braços, e voltou a ligação. — Sue, Sue? Desculpa! Deixei o celular cair. Olha, não quero forçá-la a nada, tudo bem? Mas, esse é o seu legado... Esses livros, o seu último então nem se fala. E eu acho que depende de você apresentá-lo pro mundo e... E... — Santana percebeu a águia voltando em sua direção e passou correr, para longe.— Me retorne amanhã com a sua decisão final! Meu celular tá ligado o tempo todo, até logo... Não! Espera, espera!
Ela se encolheu, e a ave pegou o smartphone de suas mãos.
— Não, não! Leva o cachorro! — A morena ergueu Dino para cima, correndo atrás da águia. — Olha o cachorro! É o que você queria, não é? Pega aqui, pega! Eu preciso desse celular! Por favor, leva esse bicho no lugar!
Susan e Amélia chegaram as janelas da cozinha, e se divertiram assistindo Santana brincar com Dino de longe. Para elas, a Lopez parecia gostar bastante dele, o que era ótimo porque a primeira impressão que a morena passou não era aquela... Mal sabiam elas o que estava acontecendo, realmente. Brittany desceu as escadas e as enxergou, interessando-se em saber o que as mulheres tanto olhavam, começou a chegar perto.
— Muito bonitinhos! — Amélia disse.
— Não é? — Susan concordou.
— Mãe, vovó, bom dia. Vocês viram a... — Olhos azuis fitaram de imediato Santana correndo no quintal com Dino nas mãos, vestindo seu robe e botas, após beijar as bochechas das outras Pierces. — Santana.
— Sim, ali brincando com o Dino. — Amélia apontou.
— Francamente Britt, achávamos que ela não tinha gostado nada dele. Mas, parece que nos equivocamos um pouquinho.
— É... A propósito, você pode ir lá chamá-la pro café da manhã, filha? Vamos montar a mesa agora.
— Ok. Tô indo lá.
Estranhando aquela situação, Brittany franziu o cenho e foi até a varanda, descendo as escadas, indo em direção a chefe ligeiramente. Santana estava esquisita. Algo fora do normal rolava, ela sentia. E via.
— Vai, por favor! Me dá o celular! Pega aqui, vamos!
— Posso saber que merda você tá fazendo, Santana?
A Lopez parou, olhando-a, ofegante. E aí, falou tudo de uma vez.
— Dios... Sua avó não tava brincando, não! Apareceu uma águia aqui tentando levar o cachorro, mas eu o salvei. Então, ela voltou e levou o meu celular! Você tinha que ver aquela maldita!
— Você tá bêbada? — Brittany quis saber, desconfiada. Começou a acariciar o cãozinho. — Oi, pequeno...
“Aw, aw!”
— O quê? Claro que não! Tô falando sério! A águia veio pegou o meu celular e agora a Sue vai me ligar nele e não vai ser atendida e eu vou me ferrar, porque ela nunca mais vai olhar na minha cara! Ou ir na Oprah!
— Entendi... Calma. Vamos até a cidade comprar outro celular, ok? Aí recuperamos seu número, não se preocupa. Mais tarde resolvemos isso.
— Sério?
— Sim.
Santana suspirou, aliviada.
— Que bom. — Ela encarou Dino com aquela carinha boba e o pôs no chão, antes que fosse tarde demais. Empurrou o traseiro do filhote, despachando-o. — Vai embora, vai.
Brittany levou as mãos aos bolsos da calça, esquentando-as. Então, sorriu, descendo os olhos azuis por toda a figura da outra.
— Adorei o modelito. — Disse, em tom brincalhão. — Ficou uma graça, chefe. Xadrez e botas caem bem em você.
— Ah... Pois é. — Santana olhou para o próprio corpo, enxergando o robe e as botinas da outra. Tentou parecer indiferente. — Estava com pressa.
— Notei.
Elas olharam para os lados, e a Pierce voltou a falar um segundo depois.
— Ei... Vamos tomar café agora.
— Em família?
— Sim.
— Eu passo. — Santana recusou. — Já tivemos constrangimento o suficiente por ontem.
— Isso não foi uma pergunta. Só tava te situando mesmo.
— Mas, eu não quero participar.
— Ah, quer sim. Se tem alguma pretensão que acreditem que estamos apaixonadas, isso não é uma opção.
— Eu invento que estou doente, sei lá! Depois como algo na cidade. Eu não vou, Pierce. Ponto.
— Para de graça. Você vai sim. — Ela olhou para a janela da cozinha, sorrindo para Amélia e Susan que, pareciam preocupadas com as feições que as garotas faziam durante aquela conversa. Voltou a olhar para a morena, em seguida. — Agora, vamos dar um abraço. Não queremos que elas achem que estamos brigando, né?
— Não, eu não quero encostar em você. Pode esquecer.
Brittany se aproximou, decidida.
— Vem, hora do abraço.
— É sério, nãoo... — A loira acabou com a distância entre elas, puxando-a e envolvendo seus braços em Santana. — Faz isso, Brittany.
Aquela proximidade era confortante, mas nenhuma delas admitiria tão cedo. Santana por exemplo, permanecia com os braços inanimados ao lado do próprio corpo sem reação. Por falar em corpo, os delas começaram a se esquentar mais que o normal em contato. Sem dizer, seus cheiros ainda mais evidentes de shampoo e sabonete e pele, invadindo os pulmões e afagando seus olfatos sem dó alguma.
— Viu, só? — A dos olhos azuis passou as mãos nas costas da mais baixa, como se tal gesto não fosse grande coisa. Mesmo sendo, gritantemente, para ambas. Queria demonstrar desinteresse. — Não tem nada demais. Continuamos nos odiando, como sempre.
— Escuta, Pierce... — A outra precisava parar de tocá-la urgentemente, estava começando a ter arrepios bons. — Se continuar, eu juro que vou cortar suas mãos fora enquanto você dorme a noite. Entendeu?
— Sim. — Brittany deu um passo para trás, afastando-se.
— Muy bien, noivinha. — Santana deu um sorriso falso, e virou as costas para ela, andando para longe. — Vamos logo pra porcaria desse café!
Elas entraram na casa, sendo recebidas pela Pierce mãe e Pierce avó.
— Então, Santana... — Susan começou. — Britt nos contou que é vegana.
— Ah, é? — Ela forçou um riso, espiando a loira de relance.
— Sim. — A idosa assentiu. — Por isso fomos ao mercado e compramos pães, bolachas, queijo, chocolate, manteiga, tudo vegano.
— Também trouxemos leites vegetais, carnes de planta, e uma variação de frutas e legumes, claro. — Amélia acrescentou. — Sei que não teve a oportunidade de saber ontem, pois tinham se enchido com a comida do voo, mas sinta-se a vontade pra se servir do que quiser agora, sim?
— Obrigada... — A latina sorriu, de verdade dessa vez. — Vocês não precisavam.
— Imagina, querida. Fazemos questão que se sinta em casa, venha.
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