The Proposal

9 Capítulo 9 - Mal entendido


Duro algum tempo com a mesma reação, como se estivesse vendo a mais, sem dizer nada.

— Hayato? — falo sem tirar os olhos da imagem à minha frente.

— Sim?

Desvio o olhar por um momento mas logo minha atenção se volta para o homem a minha frente. — Você não, o outro. Quem é você? Porque se parece tanto com o Hayato? Só é um pouco maior.

— Eu sou seu irmão, Misaki. Ele não havia mencionado que tinha um? — pergunta Misaki parecendo confuso com minha reação.

— Vocês são gêmeos? — pergunto extremamente surpreso. — Como eu não sou avisado antes? Tenho que descobrir assim?

Fico olhando para ambos tentando entender tudo aquilo que me estava ocorrendo.

Hayato se aproxima de mim lentamente. — Mas você conheceu os dois, primeiro foi Misaki, depois foi a mim.

Nego com a cabeça tentando processar aquela nova informação. — Eu saberia se… é, não saberia. Como eu conheci ele antes?

Misaki fala primeiro que o Hayato de forma tão formal e educada, como se realmente fosse outra pessoa, aos poucos quando ele ia falando, fui percebendo e aos poucos foi caindo a ficha, por isso eu sempre achei que fosse pessoas diferentes, que talvez estivesse apenas com uma impressão estranha sobre ele. É porque eram duas pessoas iguais, ou melhor dizendo, eram duas pessoas gêmeas.

Misaki se inclina para a parede atrás dele e se explica. — Você me conheceu na floricultura, quando me entregou aquela rosa, e havia me dito que era algo que parecia muito comigo.

Hayato o interrompe com um sorriso divertido. — Que por sinal ele ainda possui ela.

— Tori. — Misaki fala estreitando os olhos.

Misaki fala de uma forma séria, sinto uma tensão pairando por eles, como se Hayato tivesse dito algo que não deveria.

— Eu lembro desse dia, não sabia que você gostava tanto assim de flores. — digo surpreso por ele ainda manter aquela rosa com ele.

Hayato dá de ombros. — Nem eu sabia até esse dia.

Me viro para Hayato e o pergunto. — E você, eu conheci como?

— Já eu, foi no parque.

Afirmei balançando a cabeça. — Entendo, pera. Então foi você quem me falou sobre a entrevista de emprego sem trabalhar lá? — pergunto tentando entender tudo.

Misaki nos interrompe. — Que entrevista de emprego? — perguntando olhando para mim e para seu irmão que parece ter feito algo de errado.

— A que eu tive com o Hayato, sobre o estágio de design da empresa que estava precisando.

Misaki franziu o cenho e encarou o irmão com força. — Hayato, o que foi que você fez? A empresa está realmente contratando, você se passou por mim para ele?

Hayato pareceu envergonhado e levantou as mãos tentando apaziguar o irmão. — Desculpa, mas eu só queria ajudar, ele precisava e você estava pensando em chamá-lo para uma entrevista, conversamos sobre isso antes. Mas você nunca tinha tempo, sempre estava ocupado com seu trabalho. E ele também tem um currículo muito bom. Eu pareço com você, então eu agi logo.

Misaki apertou a ponta do nariz suspirando frustado. — Isso é crime, se passar por outra pessoa, você sabe disso.

Aos poucos eu vou entendendo tudo, calado. Quando mais eles falam mais vou juntando uma coisa na outra. Então eles soltam.

— Tanto que sua chefe vem aqui quase sempre, como aconteceu a duas semanas atrás. — Hayato aponta para o irmão. — Ela saiu à tarde, quase noite. E você estava com ela na porta.

Aquilo foi como um flash, uma recordação. Então não era o Hayato que eu havia visto com aquela mulher, era seu irmão. Como eu fui tolo de ter saído daquela forma de casa. Eu o julguei sem saber, mas também, como eu ia saber que era seu irmão e eles serem gêmeos? Eu estou me odiando tanto por ter agido daquela forma tão infantil, como se fossemos alguma coisa, se eu tivesse o perguntado naquela noite…

Teria resolvido e sossegado minha cabeça. Então até quando eu conheci um e o outro? Se antes eu já achava que não nos conhecíamos bem, agora nem se fala. A cada momento que se passa são questões e problemas diferentes, e eu vim aqui para esclarecer outras questões, sai com mais dúvidas ainda. Como isso é possível? Eles percebem que estou calado por um tempo já, então me questionam.

— Está tudo bem? — ambos falam ao mesmo tempo.

— É que, eu estou tão confuso, como se cada vez mais conhecesse vocês menos ainda e isso é muito estranho, eu vim aqui hoje jantar para esclarecer tantas questões com o Hayato, agora eu estou com mais ainda e um pouco perdido para falar a verdade, como se eu de alguma forma estivesse sendo feito de bobo.- digo encarando os dois e absorvendo suas feições tão parecidas mas tão diferentes. — Como se vocês me conhecessem e tivesse noção de tudo e eu olhasse para vocês de uma forma fragmentada.

Hayato suspira. — Eu devia ter falado para você antes. Eu sinto muito sobre isso.

Misaki cruza os braços no peito. — Eu já não sabia o que meu Hayato estava fazendo, ele não teve minha permissão para nada disso. Pelo contrário, eu o teria advertido. Mas eu não tive noção alguma do que estava acontecendo também.

— Eu me sinto estranho. — falei colocando a mão na cabeça. — Minha mente está me fazendo questionar tanta coisa.

Eu me pergunto o tempo todo o que está acontecendo ali, foi a Hina, depois a ausência do Kira, agora isso. O que tem errado comigo? Porque não consigo perceber essas coisas? Será que eu estou quebrado ou defeituoso?

— Qual dos dois eu encontrei no festival? — pergunto olhando pro chão.

— Foi eu. — disse Misaki. — Eu estava lá no meu dia de folga, passei para ver rápido o desabrochar das Sakuras, gosto de ver as famílias reunidas ali. Foi quando eu o avistei e tentei ajudar.

— Eu agradeço por aquilo. — envio um sorriso pequeno em sua direção.- Mas porque foi embora assim tão de repente?

— Eu percebi seus amigos vindo, achei que fosse a hora de eu ir embora. Também, o que eu diria? — respondeu Misaki dando de ombros.

Hayato encarou o irmão com a cara fechada. — Então eu não sou o único a esconder segredos por aqui.

Misaki fez careta. — Não é segredo nenhum, porque eu teria que ter falado sobre isso?

— Eu sou seu irmão, gosto de saber quando você está assim, e eu poderia estar lá com você. — afirmou Hayato emburrado.

Misaki revirou os olhos para o comportamento do irmão. — Foi rápido, me dei uma folga para assistir, não foi algo que planejei, aconteceu e eu estava lá.

Sinto o ambiente pesar, como se Misaki tivesse falado algo que machucasse o Hayato. Vejo que eles escondem bastante coisa um do outro. Então me escapa.

— E seus pais?

— Não temos. — Hayato é rápido em afirmar aquilo.

Foi dito em tal que eu senti que estava na hora de ir embora. A forma como ele me respondeu, era como se fosse outra pessoa ali presente. Mas mesmo assim, havia tanta coisa que eu gostaria de perguntar, eu quero saber mais sobre eles, pois como vamos fazer alguma coisa dar certo? Como eu vou entender no que estou envolvido se não me falam ou sinto que não posso perguntar certas coisas.

— Eu sinto muito. Acho melhor eu ir embora, depois marcamos novamente.

Hayato fica bastante mexido com a pergunta, mas ele acena com a cabeça afirmando que sim. Misaki também concorda com a ideia, mas eu não quero ficar sem saber o que está acontecendo, não quero ser a pessoa que vive sem saber o que viveu.

Na verdade, não mais. Eu não sei nem o que eu sinto por Hayato, não sei nem o que temos, achei que íamos conversar a respeito disso e ia conhecer seu irmão mais velho, que o mais velho seja de minutos ou horas a mais.

Misaki olha de relance para mim e diz. — Fica bem, não se culpe pela pergunta feita, você não tem culpa do que aconteceu conosco.

Eu sinto uma maturidade tão grande dele, sua voz, suas palavras, seu comportamento. É realmente outra pessoa ali que estou vendo. Enquanto seu irmão consegue ser sua versão mais relaxada, e que cozinha excelentemente bem. Quando Misaki me fala isso eu sorrio de canto de boca para ele. Fico agradecido por aliviar um pouco o peso na consciência que me havia instalado depois da pergunta e da sensação que tinha com aquilo tudo. Me levanto e vou na direção da porta. Hayato me acompanha.

— Desculpa por hoje.

— Precisamos desse tempo para digerir tudo que aconteceu. Eu ainda estou tentando entender quem são vocês.

Hayato morde o lábio duvidoso. — Eu compreendo, mas não esquece do que te falei em relação aos meus sentimentos em relação a você.

— Eu quero entender os meus também, mas agradeço a honestidade. Mas agora eu preciso ir, depois nos falamos melhor.

Eu subo na minha bicicleta e vou andando, mas dessa vez eu vou lentamente, fico olhando para o céu, vejo a imensidão que ele é, quantas estrelas possuem, e que eu sou apenas um grão de areia para isso tudo e mesmo assim, consigo me questionar sobre tudo em mim mesmo, sendo tão pequeno. A noite aos poucos vai me abraçando, como se dissesse que vai ficar tudo bem, que eu não estou só.

Assim que chego em casa, vou direto para minha cama; nem me troco. Me deito, ainda sem sono vejo que Hayato me mandou uma mensagem de texto. Ele se desculpou mais uma vez por agora mais cedo e reforçou que me amava,e que com o tempo íamos nos conhecer melhor. Ele tinha uma certeza tão grande que me assustava um pouco. Logo deixo o celular jogado ao meu lado na cama e aos poucos fui me aliviando com meus olhos cheio de lágrimas já, era como se tudo estivesse vindo aos poucos, a angústia de não saber o que está acontecendo, o medo de da tudo errado e não saber como resolver, a frustração de tentar e não chegar em lugar algum, tudo isso ia corroendo por dentro, eu apertava as minhas mão fortes para que e conseguisse pensar em algo que fizesse sentido, mas nada fazia.

Como uma pessoa do nada entra assim dessa forma na minha vida, mexe comigo e eu não sei nem como reagir a isso? Eu tenho que conversar com ele a respeito, estava tudo tão bem até descobrir que a cada coisa que descubro para ficar mais próximo dele e conhecer melhor, é um passo de conhecer menos ainda. Não conseguia me entender e o que estava se passando dentro de mim.

Quando foi que ele chegou na minha vida e porque? E já se sentindo dessa forma comigo. Com a Hina foi diferente, eu a conhecia a tanto tempo, e eu dormi com ele. Dormir com alguém que não conheço, sentir ciúmes de alguém que não conheço, cedi para alguém que não conheço.

Eu quero conhecer, mas não desse jeito, como se tudo fosse um segredo. Saí de casa para entregar seu casaco, olhei para o seu irmão, achei que era ele, sai de lá de uma forma tão patética, como se ele fosse meu, como se fossemos namorados. Como se me devesse algo e ele ainda vem achando que tenho uma relação amorosa com Yuto, sendo que também não o conheço direito e não o enxergo desse jeito, agindo daquela forma na frente dele. E ele também mal me conhece, como teria essa visão de mim.

Como teria esses sentimentos por mim? Eu preciso muito dormir, preciso fazer um chá e tomar um comprimido. Aos poucos vou adormecendo na cama. Sinto uma mão quente e macia percorrer pelo meu rosto, eu a seguro, aquilo estava mexendo comigo de uma forma, então escuto perto do meu ouvido.

— Kemi… — a voz de Hayato sussurra.

— Hayato…

Falo com se estivesse murmurando. Me viro de um lado para o outro da cama. Então me assusto com o alarme do celular tocando. Era um sonho, parecia tão real, quando percebi que eu estava todo sujo, junto da minha cama. Fico bastante aborrecido.

É domingo já.

Preciso ir à praça pintar.

Preciso me distrair…

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.