The Proposal
1 Capítulo 1 - Rotina
Notas iniciais
POV Kemi
Oi, me chamo Kemi e nasci em Quioto, mas atualmente moro em Tóquio. Faço faculdade de design pela manhã, trabalho em uma floricultura à tarde, e à noite volto para casa e me organizo para mais um dia que se repete. Menos nos finais de semana, que são os dias que vou ao parque onde fico observando e desenhando as coisas ao meu redor.
Isso é algo que me acalma, me perco fazendo isso, quando percebo já é hora de ir. Aos domingos eu costumo ligar para meus pais, que moram em Quioto, eles que acabam custeando minha faculdade, escuto muito que eu não preciso do trabalho na floricultura. Mas eu gosto de lá, gosto do ambiente, das pessoas, do atendimento, da comunicação. Me ajudou bastante com a timidez. Todas aquelas pessoas que acabam entrando na loja, pais, mães, filhos, famílias, avós.
Aquele é um lugar bastante aconchegante e quentinho, como um abraço de vó. Minha casa é repleta de rosas dadas pelo meu chefe, pois algumas acabam por se perder na loja, então ele me deixa levar para casa essas. Mas elas não estão estragadas, ainda estão em perfeito estado. Eu tenho vinte anos e um metro e setenta de altura, mais ou menos, um pouco baixo eu sei, mas talvez não para minha idade? Sei lá, gosto de pensar que ainda vou crescer um pouco.
Tenho olhos pretos, um cabelo liso, chanel e castanho claro. Sou um pouco desprovido da minha visão, pois uso óculos com um grau um pouco duvidoso, mas tudo bem, eu enxergando os carros e conseguindo diferenciar as coisas é o que importa.
Acho que é por isso que meus pais se preocupam tanto comigo, eles sempre cuidaram muito bem de mim, isso eu nunca tive do que reclamar. Mas eu percebo que tenho que amadurecer e cuidar de mim mesmo em algum momento, eles não estarão por perto para sempre. Isso me assusta, mas é o natural da vida, preciso amadurecer essa ideia.
Bem, todos os dias atendemos pessoas de todos os tipos, o fluxo da loja é bom, mas é muito tranquilo. Eu consigo dar conta desse trabalho. Não sei até quando, mas por enquanto estou conseguindo.
Como a loja possui um fluxo razoável de pessoas, eu não lembro de todas elas. Mas tem as pessoas que me lembro bem, que sempre compraram ali. Me pergunto quando o dia dos namorados está próximo, que acontece no dia 14 de fevereiro ainda no inverno, eu fico imaginando para quem é? Se ela vai gostar? Quanto tempo eles estão juntos? Me perco em meus pensamentos. Todo aquele clima, a neve perto de se desfazer, me imagino em casa, aconchegado com um chocolate quente, uma sopa que me aqueça, simplesmente divino. Embora eu ainda não possua uma namorada, não tive ainda essa sensação que tantos dizem passarem, que é o deslumbre e o coração demasiadamente consumido por aquele sentimento. Eu sei… sou bastante meloso com tudo isso. Mas quem não é? Acho que todos possuem um grau de melosidade, minimamente que seja. Bem, é nisso que eu acredito. Ou que quero acreditar.
Sempre chego cansado em casa, mas é um cansaço bom, sabe? Aquele cansaço de satisfação com aquilo que eu tenho, de estar feliz com tudo aquilo, sinto que sou bastante privilegiado com tudo isso.
A vida é tão simples e tão bela, sempre que vou para a faculdade tenho contato com as pessoas da minha turma, vejo que são pensamentos tão diferentes do meu, tão únicos, eu adoro compartilhar essas diferenças. Tenho meu melhor amigo, o Kira. Ele sem sombra de dúvidas é o oposto de mim, eu tendo a ser mais calmo, gostar de estar aproveitando a brisa, o clima, a ambientação. Ele já é tão Kira. Não sei explicar, mas somos amigos desde que comecei a faculdade. Nos damos bem ao longo do tempo. No início eu tinha medo dele, até perceber que esse era ele, acabei me acostumando com ele. Acho que isso é bom, ter alguém com quem conversar e te ajudar.
Por ele, eu acabei conhecendo outras pessoas. Pessoas que já estavam em períodos acima da gente, eles serviram como instrutores, eles eram bem prestativos conosco, até quando o Kira era inconveniente. Eles aparentavam não se importavam com nada disso, viam esse jeito mais espontâneo e viam um potencial nisso. Cada um usa dos seus artifícios de trabalho que possuem.
No caminho para o trabalho eu observo as crianças brincando, e mais uma vez minha mente trabalhando imaginando elas crescendo, com suas famílias, que tipo de pessoas elas vão se tornar. São tão fofas.
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