The Promise

1 Capítulo Único


Notas iniciais
N/A: Pra você compreender essa fic terá de ter lido ou ler antes essa: http://fanfiction.com.br/historia/483236/A_morte_quando_comeca/

Estranho...

Desde que Felicity havia morrido ele cortejava a morte, corria riscos, falhava em viver, e todas as noites também falhava em morrer, sua vida tornou-se uma sucessão de falhas, até aquele momento — nunca tinha pensado em como morreria, um tiro, uma flechada, explosões, envenenamento, nada importava, era apenas um meio para o fim. Desejado.

E agora lá estava ele, morrendo — ouvia Dig dizer pra lutar, mas pra ele a batalha tinha chegado ao fim, um suspiro mais profundo causou uma dor lacerante, tão fácil parar de respirar agora, tão fácil... mas seu coração traidor insistia em continuar batendo, porque? Havia conseguido, encontrou com a morte, agora só lhe restava estender a mão e seguir com ela, mergulhar no vazio, onde nada sentia, onde não poderia sentir a falta de sua Felicity preenchendo seu coração, sombreando sua alma. Agora poderia mergulhar na escuridão. Definitivamente.

Fechou os olhos perdendo a consciência lentamente e a viu, linda e triste, porque estaria triste? Não sorria pra ele, os olhos tinham um brilho de desapontamento, porque? Ela lhe estendeu a mão, ele a segurou com fervor e devoção, um abraço apertado fundindo os corpos, quebrando a barreira entre a vida e a morte. Estaria ele já morto?

Afastou-se um pouco, afrouxando o abraço, segurou o rosto dela com as duas mãos, alisando a pele macia tão fria, ela parecia um anjo, seus cabelos brilhavam como auréolas, convidativos ao toque. Celestial. Com a ponta dos dedos, Oliver desenhava e reconhecia seu corpo novamente, os lábios pronunciaram palavras sussurradas com clamor:

"— Senti sua falta." — e a beijou. O beijo falava de saudade, de paixão e amor, clamava pela alma, buscava a rendição. O beijo tinha sabor de vida.

Com as testas unidas, a respiração acelerada, Oliver sentiu-se feliz, estava onde queria estar, nos braços dela, era onde ele pertencia, onde eles se pertenciam. Pra sempre.

Quando Felicity falou sua voz saiu melodiosa, uma sinfonia apaixonada. Angelical. Profunda. Surreal.

— Oliver, meu amor. Não desista, não agora. Você tem ainda tantas coisas pra fazer, tantas pessoas pra proteger, não desista dessas pessoas, elas precisam de você. — Ele a ouvia mas não entendia, não queria entender e não queria voltar, não agora que estava com ela. Esse encontro com a morte havia lhe rendido o encontro com a sua garota. — Oliver, quero que saiba que te amarei por toda a sua vida, não deixe que essa vida acabe agora. Lute. Não desista! Eu te amo.

"O SOFRIMENTO É PASSAGEIRO, DESISTIR É PARA SEMPRE". (Lance Armstrong)

Será que ela não entendia que sem ela, ele estava quebrado? Perdido? Desamparado?

Morto?

Felicity o olhava com ternura, parecia enxergar um herói, parecia viver por esse herói. Oliver não se sentia assim, sentia-se egoísta, vilão de sua própria história por escolher a morte, por desistir de lutar.

Ele abaixou a cabeça, pensativo, vencido! Agora sentia medo das escolhas. Medo de falhar novamente com Felicity.

— Olhe pra mim Oliver, e diga o que você vê?

Ele estava confuso, sentia dor, muita dor, física e emocional. E ele enxergava apenas ela, linda e viva, pra ele. Luminosa.

— Eu vejo você, apenas você. Comigo e em mim! — A declaração soou apaixonada e desesperada. Ele estava desesperado pra ficar com ela. Pra morrer por ela!

Uma lágrima solitária rolou pela face de Felicity, ele acolheu aquela gota com o dedo, afagando sua pele. Memorizando a textura delicada.

Ela engasgou com o sofrimento dele. Com a esperança dele. Com o toque dele.

— Não Oliver, o que você vê é uma ilusão, uma sombra do que fui. Eu estou morta! MORTA! — Ela estava sendo cruel, era a única maneira dele entender e querer viver. — E a única forma de viver é se você viver também, nas suas lembranças, em recordações, nos nossos momentos juntos, no seu coração. Revivendo em você. Não deixe que tudo o que vivemos seja em vão. Não mate o nosso amor! Viva Oliver! Por você, por mim, por nós! VIVA! AGORA!

Sob as mãos de Diggle, depois de uma massagem cardíaca, ele voltou, um grito cortou o silêncio. — NÃO!—

Ele acordou... estava vivo, novamente. Sem ela. Novamente.— E chorou, a vida, a morte, a falta dela. Um choro enfurecido. Dig falava aliviado, mas Oliver não ouvia, apenas a voz da Felicity estava em sua mente, repetidamente: — "VIVA! AGORA!"

Sem ela, ele viveria ou apenas sobreviveria?


Quando se recuperou Oliver foi visitar mais uma vez Felicity, percorreu o mesmo caminho que levava à ela agora com paz e tranquilidade. Os pássaros cantavam em harmonia com o seu coração, o sol brilhava como se acolhesse uma nova vida. Ele já não estava tão atormentado pela dor, aceitou-a, convivendo a cada dia com a ausência dela. Difícil.Sobreviveria.

Ajoelhou em frente a ela, novamente trilhou com os dedos a lápide, o nome. Não trouxera flores dessa vez, trouxera apenas um juramento: Viver!

Não houve palavras, deixou apenas que seu coração batesse forte perto dela, traduzindo seus sentimentos, o silêncio ecoava em promessas, declarava amor, seduzia a eternidade.

Uma lágrima rolou de seus olhos e outra e mais outra. Inundado em sofrimento sentiu a presença dela ali, como se secasse suas lágrimas, um vento soprou em sua direção como se fosse um beijo, fechou os olhos e sentiu a carícia em seus lábios, suave e rápido. Beijado pelo vento, sentiu-se beijado por ela. Renascido. Vivo. Por ela.

Beijou a lápide como se beijasse seus lábios, esse não seria seu último adeus, era apenas uma despedida, desmedida. Prometida. Uma promessa de um dia voltarem a se encontrar. Dessa vez o encontro foi adiado, apenas um intervalo entre a vida e a morte.

"VIVA! AGORA!"

As palavras de Felicity martelavam em sua cabeça insistentemente.

E ele viveria. Por ela e pra ela. Por todos e por ele. Por amor. E pra isso ele não poderia ser o assassino que era. Para honrar a memória de sua Felicity, tinha que ser outra pessoa. Tinha que ser algo diferente.

Despediu-se do silêncio sepulcral, jurando viver e jurando voltar. Jurando amor eterno pra seu eterno amor. Fechou os olhos em uma prece silenciosa e partiu, prometendo regressar. Sempre.

Prometeu-lhe viver. Por ela.

Saudade (...) é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam...


— Pablo Neruda


*Fim

Notas finais
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