Ao ver a cena os terrestres gritaram de raiva, prepararam suas lanças e facas correndo em minha direção.

– Chega! Já foi feito — Lexa, líder deles falou deixando todos irritados, porém quietos.

Caminhei até a ponta do barranco vendo meu povo atrás da cerca elétrica sob a colina. O grito de Raven me fez estremecer, apesar da distância o som ecoou em meus ouvidos, eu havia acabado de matar seu grande amor. A dor me invadiu, mordi lábios. Não chore, Clarke, você o ajudou. Lidere , pensei. Mas eu não podia, não aguentaria, meus joelhos cederam e eu cai no chão de terra mas não senti dor alguma, era como se fosse eu quem estivesse morta. Ver minha mão coberta de sangue me desesperou, fazendo-me chorar ainda mais, a esfreguei varias vezes no chão cobrindo-a com a terra seca.

– Clarke — uma voz doce e desesperada me chamou. Antes que eu pudesse me virar para ver quem era o dono dos passos pesados fui empurrada pra frente e rapidamente puxada de volta, me encostando no caloroso e aconchegante corpo desse alguém — Você foi corajosa — Continuou ele baixinho, senti o ar fortemente saindo de seu nariz, ele havia sorrido — Não esperaria menos de você.

Olhei para cima e vi que era Bellamy, ele nos balançava levemente para os lados. O calor de seu corpo me fez lembrar da noite em que passei com Finn, o pensamento foi a deixa para as lágrimas caírem descontroladamente, me acomodei sobre o peito dele e chorei.

Minutos depois ele se levantou devagar;

– Venha, Clark — ele puxou minhas mãos, me ajudando a ficar de pé.

O segui até a tenda de Lexa, me jogando sobre o pescoço dele assim que entramos. Ele caiu de joelhos á minha frente.

– Eu tinha que ajuda-lo. Iriam torturar ele, Bellamy — minha voz estava fraca, não passava de simples sussurros entre soluços — O que foi que eu fiz?

– Você fez oque devia, você o libertou — Seus braços me envolveram tentando me acalmar.

Por cima de seu ombro pude ver que ainda tinha sangue em minhas mãos, a esfreguei outra vez na terra, forçando o máximo que pude, tentando desesperadamente limpar aquilo. Bellamy se afastou o suficiente pra olhar em meus olhos, ele agarrou meus pulsos, negando com a cabeça.

– Esta tudo bem — suas palavras eram sinceras. Desabei em lágrimas outra vez, em outro abraço ele começou a sussurrar algo que não entendia muito bem, ele estava cantarolando.

Instantes depois um Grounder entrou na tenda;

– A comandante esta pronta para conversar.

Respirei fundo, Bellamy colocou o dedo em meu queixo, levantando meu rosto para olhar o dele, ele sorriu secando minhas lágrimas então indicou a porta com a cabeça, assenti. Segundos depois Lexa entrou na tenda indo se sentar em seu trono de madeira, onde o encosto era levemente enfeitado com vários galhos retorcidos.

– Pediram sangue, teve sangue — ela confirmou- Alguns lá fora acham que não foi o suficiente, acham que ele não sofreu pelas 18 mortes que ele causou, como manda a tradição.

Tentei falar mas ela negou se ajeitando no assento, então continuou:

– Mas eles não sabem que seu sofrimento será pior do que eles poderiam causar ao garoto. Oque você fez essa noite irá assombra-la até o fim de seus dias.

Fiquei em silêncio, não havia oque falar.

– Agora não haverá restrições , seu corpo será dado ao povo de Tondo. Onde assassino e assassinados devem serem acompanhados por fogo. Só então teremos paz.

– Não, já fizemos o suficiente — Intrometeu, Bellamy — Ele deve ser entregue a nós e enterrado por seu povo.

– Suficiente? — O tom da comandante era de deboche- Ele matou 18 inocentes nossos. Não quebraremos a tradição.

Seu tom mostrava que estava determinada. Após cremado, Finn poderia ser finalmente livre quando suas cinzas voassem e se espalhassem pela água.

– Estamos de acordo. Mas após isso iremos salvar os nossos povos do Mount Weather.

– Queremos as mesmas coisas, Clarke.

– Quando partimos?

– Agora — declarou- escolha seus acompanhantes.

A comandante se levantou e saiu, Bellamy veio correndo até mim.

– Você não tem que fazer isso.

– Eu tenho. Se a trégua não se sustenta, eu terei matado Finn por nada — Balancei a cabeça- Te espero lá fora.

Na porta estava minha mãe e o comandante, eles me olhavam estranhamente.

– Clarke eles não querem justiça, querem vingança — minha mãe falou

– Eles só querem paz assim como nós — sem intenção de continuar a conversa continuei a andar, parando do lado de fora ouvindo minha mãe se lamenta.

– Eu não acho que eles saibam oque é paz.

– Mas a comandante... — Kane, comandante da guarda falou.

– Ela é uma criança! Eles estão sendo liderados por uma criança, Kane.

– Nós também.

Respirei fundo e voltei a andar, não tinha tempo pra isso. A poucos metros a minha frente estava o corpo de Finn jogado ao chão, Raven chorava ao seu lado.

– Saia daqui — ela rosnou quando me aproximei — Você tinha que ter lutado para salva-lo , ele fez tudo por você e você matou ele.

Ela se levantou com os punhos fechado vindo pra cima de mim no momento que dois grounders apareceram por trás para pegar Finn. Rapidamente ela volto ate ele, empurrando os dois com toda sua força.

– O que você penam que estão fazendo? Largue-o agora!

– Raven, eles precisam leva-lo a Tondo, onde o massacre ocorreu.

– Você permitiu isso?

– Não temos escolha, só assim poderemos salvar os nossos de Mount Weather.

Ferozmente ela parou sem rosto centímetros perto de mim, ela tremia de raiva.

– Eu irei junto.

Esperei ela sair e assenti aos dois homens que ainda estavam parados a minha frente. Eles o carregaram para longe, então Finn abriu os olhos. Abri a boca gaguejando sem som algum. Mas como?

Quando a noite chegou, paramos de andar e acampamos ali mesmo. Estiquei um pano ao lado de uma fogueira, a noite estava com uma brisa fria, o fogo era o suficiente para nos esquentar. O acampamento estava dividido, de um lado os terrestres, do outro, meu povo.

– Clarke, você vai esta mais segura do nosso lado — Bellamy falou ao me ver deitada entre os dois povos.

– Estamos em uma aliança agora, não existe mais lados. Temos que confiar neles.

Ele esticou um pano ao meu lado e se deitou, colocando a arma entre nós dois. Por um longo momento ele me encarou como se eu fosse um bolo de chocolate.

– Bellamy?

Não recebi resposta alguma, mas o vi torce a boca na forma de um sorriso. Após um momento ele piscou e respirou fundo.

– Não escolheria ninguém mais par liderar ao meu lado.

Senti minhas bochechas corarem , só consegui dar um sorriso tímidos como resposta. Ele então arrumou a cabeça em seu braço.

– Boa noite, Princesa — se despediu fechando os olhos.

Abri e fechei a boca sem saber oque dizer.

– Obrigado, Bellamy.

Sem abrir os olhos seus lábios se alongaram em um sorriso. Minutos depois sua respiração se tornou pesada e regular. Ele havia dormido. Cansada mas sem sono, me concentrei no movimento de sua barriga subindo e descendo lentamente até adormece.

Puxei todo ar possível para meus pulmões de uma única só vez -como se estivesse sendo sufocada pouco tempo antes- dando um pulo quando senti mãos em mim, o cheiro de Finn estava no ar. Ao meu lado Bellamy arregalou os olhos levando sua mão rapidamente até sua arma, então parou e observou ao seu redor tentando entender qual o perigo.

– O que a... — antes que ele perguntasse o interrompi negando com a cabeça e com cara de choro. Podia sentia as lágrimas pesando em meus olhos. Com um olhar piedoso ele me encarou — Quer que eu fique de vigia essa noite?

Balancei a cabeça negando outra vez tentando evitar falar para não chorar. Ele então se acomodou no chão, torcendo os lábios para os lados como se estivesse pensando no que fazer, depois desistindo.

– Okay.

Sorriu, iria passar o tempo acordado ao meu lado em silencio apenas me fazendo companhia.

Não conseguiria acreditar no dia que o conheci que ele faria algo assim, passar a noite acordado ao meu lado só pra me ajudar. Antigamente ele com certeza me xingaria e me mandaria ir dormi logo com alguma ameaça em seguida. Mas não estava me importando, por ora só queria algo.

Ajoelhei-me , me inclinando para passar por cima da arma e chegar até ele. Sem dizer nada me deitei junto ao seu corpo. Ambos estávamos de frente um para o outro. Ele esticou o braço que estava embaixo de sua cabeça para que eu pudesse me deita nele. Respirei fundo me acomodando com o calor de seu corpo, o cheiro de terra fresca de Bellamy entrou em meu nariz, talvez por eu estar perto demais de seu peito, mas no momento era tudo que eu queria. Não dissemos nada depois disso, apenas aproveitamos a noite silenciosa, só se ouvia do fogo queimando as madeiras perto de nós e os cavalos bufando pouco metros dali.

Momentos antes deu cair em um sono confortável, senti o seu braço passar por cima de minha cintura.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.